terça-feira, 31 de Março de 2009

Os papagaios da República.


A nossa República combale porventura de males maiores do que aqueles que imaginamos.
Ou uma “mão invisível” anda a subverter por completo o nosso Estado de Direito, ou um estranho vírus da irresponsabilidade cívica e institucional infecta a cada dia mais e mais pessoas de relevante responsabilidade no nosso sistema jurídico e legal.
Já não nos bastava: estarmos em vésperas de perder o Provedor de Justiça; ver-mos o Mega processo Casa Pia acabar em nada; ouvirmos o Bastonário da Ordem dos Advogados comentar processos em segredo de justiça; os insultos na boca dos nossos deputados; etc.…!
Agora vem João Palma (Presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Publico) ameaçar concretizar as insinuações feitas sobre alegadas “pressões a níveis inaceitáveis sobre os magistrados” que estão com o caso Freeport!
Está tudo doido!
1. Qual é a profissão deste senhor?
2. Quais são os poderes e deveres que são atribuídos a qualquer magistrado do ministério publico?
3. A mera insinuação, se devidamente contextualizada, não configura ela mesma o ilícito penal da difamação?
4. A partir de que nível são “inaceitáveis” as pressões sobre os magistrados?
5. A partir de que nível são aceitáveis as pressões dos magistrados sobre outros órgãos de soberania?
Em quem deve confiar o cidadão? Nos advogados, nos magistrados, nos deputados, nos ministros?
Todos sabemos que a culpa no fim será sempre dos jornalistas. Mas e entretanto? Enquanto os processos não são arquivados e as questiúnculas esquecidas?
A questão que eu quero ver respondida pelo Dr. João Palma é se eu devo, ou não devo, emigrar!
Sabemos dos livros, que a historia dos países onde os magistrados têm medo de falar, ou naqueles em que estes falam demais, acaba inevitavelmente mal.
O Estado de Direito é orientado por pessoas de direito, as Repúblicas das Bananas por papagaios.

Costin Lazar recusa penalty sobre ele.

Um exemplo para toda a galáxia futebolística. Exemplos como este, ainda mais vindo de mundo do futebol, deixam-nos boquiabertos. Mas pela positiva, obviamente. Haja alguém que comece a ter noção de que a falta de verdade, a falta de respeito pelo próximo e pela comunidade em geral, assim como a corrupção fazem da liberdade um travesti. Fazem com que o mundo e a sociedade em que vivemos se torne mais obscura, turva e adversa. Sítio onde só se dão bem as pessoas que se regem pelo mesmo tipo de conduta. A má conduta. Há que acreditar que conseguimos mudar o estado das coisas. A mudança começa em nós! Um forte aplauso à atitude deste jogador de futebol!!!!

Obama em Portugal


David Plouffe cobra 50.000 USD por conferência. A ensinar alguma coisa? Não. A vender bem quem o convida? Sim.
No ano de todas as eleições, a Cunha Vaz & Associados promoveu uma conferência sobre os “Movimentos de Base no sec. XXI”. Orador principal: David Plouffe, um dos masterminds por trás do êxito eleitoral de Obama.
O timming é perfeito. Cunha Vaz traz a Portugal o “feiticeiro” americano, no preciso momento em que os principais partidos políticos e candidatos a autarcas contam os tostões para verem que campanha podem “comprar”.
Melhor cartão de visita é impossível.
Mas que receita veio dar afinal David Plouffe?
O papel das novas tecnologias? Como o próprio afirmou, são meras ferramentas e “quando a campanha de Obama arrancou ainda nem havia Twitter”.
“Nothing really special”, ouviu-se o mais que batido slogan da mudança alicerçado numa estratégia de comunicação entre pares.
E é na estratégia que reside a razão pela qual os ensinamentos de David Plouffe não têm qualquer aplicação pratica ao caso português, e, como tal, a sua presença não passou de mais uma manobra de propaganda da eficiente agência de comunicação de Cunha Vaz.
Uma campanha estilo Obama não exequível em Portugal, simplesmente porque ainda está para nascer o Obama português.
Falamos do Portugal em que vivemos, o Portugal dos doutores e engenheiros, o Portugal das personalidades sem nome próprio mas com 6 apelidos, o Portugal da imaculada aliança dos primos e afilhados.
Portugal ainda é avesso aos mais elementares princípios da moral republicana que foram o caldo de cultura para o êxito americano. Uma sociedade laica, iluminista onde a razão prima sobre qualquer titulo nobiliárquico ou herança histórica.
Com honestidade, respondam a esta questão - qual dos lideres políticos portugueses aceitaria abrir a porta da sua casa, contar as desventuras e dramas da sua família na primeira pessoa, ou passar o dia das eleições num churrasco com os amigos rematado por uma partida solteiros contra casados a seguir à hora da sesta?
O mais perto que tivemos deste politico “como nós”, foi com Pedro Santana Lopes. Mas aí a proximidade só lhe evidenciou os defeitos de que já sabiamos padecer.
Em Portugal, não existirá “par” para esta campanha sem o elemento essencial e insubstituível: o candidato!
Páginas de internet com o layout copiado da página oficial de Obama são um esforço inócuo e risível.
A verdadeira lição que podemos retirar das presidenciais americanas é que contra um conteúdo real qualquer formato virtual está condenado ao fracasso. Obama, foi esse candidato virtuoso e real, não precisou de maquilhagens biográficas ou que escrevessem por ele os seus discursos com que empolgou a América.
Nós por cá, não deveremos copiar Obama sob pena de perdermos muito na comparação, e perdermos ainda mais em genuidade.
Porque o povo tem sempre razão mesmo quando se engana... e o que é falso “tem perna curta”.

Doenças raras do PP


O CDS-PP vai propor que as patologias classificadas por “doenças raras” sejam rastreadas à nascença com o teste da “doença dos pezinhos”.
À primeira vista parece fantástico, como é que ninguém se lembrou disto antes?! Talvez porque nunca tivemos um ano tão marcadamente eleitoral e é preciso ter (leia-se inventar) ideias e dinheiro para tanto comício e cartaz.
Com esta medida, para alem do populismo a que já nos habituou, o PP mostra bem aquilo que é. Um pequeno grupo de lobby sempre disposto a colocar na “agenda politica” assuntos de discutível interesse publico, mas que a singrarem revertem em mais uma sangria de dinheiros públicos para o bolso do famoso mas discreto grupo dos “sempre os mesmo”.
Os grandes laboratórios de análises clínicas serão, com toda a certeza, muito generosos para com um Partido que zela tão escrupulosamente pela saúde pública. Com esta medida evitar-se-iam por ano, uma ou duas dezenas de dramas individuais, com um gasto de muitos milhões euros em meios de diagnóstico.
Infelizmente, o Estado tem que se preocupar com a saúde de todos e não apenas de alguns. Os recursos são escassos, e depois da passagem do PP pelo Governo, passaram a ser mais escassos ainda.
Obrigado senhores centristas por nos reavivarem a memória do que é o vosso modelo de bem comum. Na Defesa foram submarinos e helicópteros, na Saúde seria um Sistema Nacional de Saúde privatizado. Não pagaria um simples gesso a quem partisse uma perna, mas que não descuraria milhões na caça às bruxas de uma "doença rara".

Diz-me com quem andas...


Domingos Névoa, foi nomeado presidente da Braval.
Este é o mesmíssimo senhor que ao serviço da BragaParques tentou corromper José Sá Fernandes
Ora, o que é verdadeiramente vergonhoso, é que a Braval é a empresa de tratamento de resíduos de 6 municípios do Baixo Cávado (Braga, Póvoa de Lanhoso, Amares, Vila Verde, Terras de Bouro e Vieira do Minho. A nomeação para o cargo é da responsabilidade politica destas 6 autarquias lideradas por autarcas socialistas, sociais-democratas e centristas.
Atenção, este caso de corrupção não acabou como tantos outros no habitual arquivamento. O magistério publico provou tal facto em tribunal há apenas um mês atrás!!!
Os senhores autarcas do Baixo Cávado nomearam um indivíduo comprovadamente corrupto para gerir uma das mais importantes empresas locais.
Razão para dizer que diz-me com quem andas…
Se eu fosse eleitor num nestes municípios saberia o que fazer, e independentemente da cor partidária, votaria necessariamente numa qualquer outra opção.
Quem dá guarida a corruptos não merece qualquer tipo de confiança politica e eleitoral.

segunda-feira, 30 de Março de 2009

Ministro propõe Portagens à porta das grandes cidades Portuguesas


Francisco Nunes Correia falava hoje em Lisboa à margem da cerimónia de assinatura de protocolos de duas medidas de desincentivo do uso do transporte individual, que envolvem a Galp Energia, a Carris e o Governo.

As medidas do 'Car Pooling' e do 'Car Sharing', considerou o ministro, são «uma porta de entrada que prepara a consciência das pessoas para isso (para as portagens à entrada das cidades)».

«Várias vezes me têm perguntado porque é que o Ministério do Ambiente não promove portagens na entrada das cidades. Em primeiro lugar, isso não se pode fazer sem a aquiescência dos municípios. Por outro lado, mais importante ainda que os poderes locais é a consciência das populações» , considerou o ministro.

O programa de 'Car Sharing' lançado pela Galp Energia promove a utilização partilhada de automóveis individuais, enquanto o sistema de 'Car Pooling' da Carris permite aos utilizadores alugar carros adjudicados à empresa (e espalhados por sete parques em Lisboa) por períodos curtos através do cartão Lisboa Viva.

«É com medidas como estas que as pessoas vão compreedendo o problema, o absurdo, a deseconomia, o desperdício que é andar a gastar gasolina num carro de uma tonelada, que leva lá dentro uma pessoa com 50 quilos» , frisou o ministro.

«À medida que os cidadãos se vão apercebendo disto vão recorrendo mais a estes sistemas e estão a um passo de aceitar alguma forma de penalização, ou à entrada das cidades ou nas portagens convencionais. Estas medidas preparam a consciência das pessoas para outras, porventura, mais enérgicas» , afirmou o responsável.

Questionado sobre se considera «inevitável» a introdução de portagens à entrada das grandes cidades portuguesas, Nunes Correia respondeu: «Olhando para aquilo que é a trajectória das sociedades contemporâneas e olhando para aquilo que as cidades mais desenvolvidas hoje já fazem, porque é que Lisboa há-de ficar para trás? Porque há-de estar condenada ao subdesenvolvimento?».

Só o timing não parece ser o mais adequado, ainda que o ministro tenha recordado o êxito destas medidas em grandes capitais europeias como Londres.

«Este é o momento? Talvez não seja o momento. Neste momento estamos a lançar uma medida que eu acho que cria clima para isso» , admitiu o ministro.

«Em Londres está a ser um modelo de sucesso, porque é que aqui não iria ser?» , questionou.

Lusa / SOL

domingo, 29 de Março de 2009

Totobola das contas para a classificação de Portugal para o Mundial

Estive a ver o calendário dos jogos que falta e ainda é matematicamente possível ir ao Mundial da África do Sul em 2010, desde que Portugal ganhe todos os jogos (3 jogos fora e 2 em casa). Este cálculo foi feito com base no pressuposto da distribuição de pontos que está abaixo. Podemos até ficar em primeiro lugar no grupo (para isso era apenas preciso que a Dinamarca empatasse algum dos seus 2 jogos contra a Suécia ou contra a Hungria em casa).

A Dinamarca é a que tem a vida mais facilitada (4 jogos em casa dos 6 em falta). Mas ainda tem 4 jogos difíceis apesar de tudo (Portugal, Suécia e Hungria em casa e Suécia fora).

Quanto à Suécia, é preciso que não ganhe fora na Dinamarca e na Hungria. Até pode empatar, mas se ganhar, a vida de Portugal torna-se mais complicada.

Já a Hungria depende muito dos jogos que fizer com a Suécia e Portugal (em casa) e com a Dinamarca (fora).

Tudo isto no pressuposto de que ninguém perde pontos com Albânia e Malta.


sexta-feira, 27 de Março de 2009

O valor do silencio



O silêncio não raras vezes revela mais do que aquilo que esconde.
O silêncio sempre foi significado de poder. E toda a gente o sabe desde os bancos da escola.
Não é fácil fazer silêncio. Quem nunca partilhou silêncios desconfortáveis e alguns mesmo impossíveis, por muito que fossem desejados Tantos que por muito tentarem sem sucesso, acabam por desistir e fazem do ruído a sua arma.
O silêncio é a excepção. E cada vez mais o é. Manuela Ferreira Leite, velha guarda do tempo em que o Governo ia à Assembleia da Republica de mês a mês, e quando ia, sabe-o melhor que ninguém. No nosso país o silêncio de um chefe de governo já rendeu 48 anos de regime.
O silêncio é contudo uma promessa, um augúrio, desperta-nos a atenção, ilumina-nos de expectativas, expectativas essas que redundam em desejos que muitas vezes nem sabemos bem gerir ou compreender. Foi este o efeito que os assessores de MFL quiseram criar após a sua eleição para Presidente do PSD. E ao contrário do que é agora senso comum, a estratégia era a correcta. Contra um Governo extremamente competente (até à crise…) no preenchimento da agenda pública com imensa informação, o PSD contrapunha com o poder de quem domina o silêncio.
Verdade é, que todos os silêncios são interrompidos, e é esse o momento que valoriza toda espera precedente.
Os resultados do seu uso pelo PSD são desastrosos. Já o foram no tempo do tabu do Prof. Cavaco Silva, e voltaram a sê-lo com MFL. Mais do que de um verdadeiro silêncio, em ambos os casos o que assistimos foi a um amordaçar de gemido, que mesmo assim não deixava de zumbir sub-repticiamente. Em ambos os casos foi falso, nada teve de sedutor, prolongou-se muito para alem do razoável e acima de tudo no momento da sua morte, o silêncio foi substituído por uma medíocre tentativa de encantamento por via da mentira e da simulação. Silêncios fúteis.
No momento em que a mordaça caiu, a catedral do silêncio desabou e no seu lugar ficou um ensurdecedor pardieiro.
O PS, é sabido, nunca conviveu bem com o silêncio. Voltou a demonstra-lo recentemente, com resultados que, para já, são tudo menos brilhantes. Assuma-se uma coisa de uma vez por todas, o PSD é o partido dos silêncios medíocres o PS o partido dos silêncios impossíveis.
Diz-se que o silêncio é de ouro. Mas a extracção, fusão, moldagem, polimento do metal são processos deveras ruidosos e por vezes sujos. É o que é necessário para transformar o calhau na jóia.
O jantar é romântico, estão só os dois, ele escolhe o momento para ofertar o anel de noivados, e faz questão de relembrar insistentemente a plenas pulmões, que a lustrosa jóia não passava de um frio mineral?! Que futuro para esta união…
As parábolas, valem o que valem, o que de nada vale é pedir silêncios e seguir a assobiar.
PS e PSD façam o que tiverem a fazer, mas sejam coerentes, o silêncio no bloco central é impossível, transformem ao menos o imenso ruído de fundo, na melodia de um entendimento que não se percebe o porquê de não existir.
O povo apenas pede para não continuarem a depreciar a verdadeira jóia, a nossa Democracia, e que permeio não arrastem na sua queda os seus melhores servidores e criadores.

Post-scriptum: O silêncio é de ouro, mas foi o ouro que matou o Rei Midas, por tudo querer para si.

quinta-feira, 26 de Março de 2009

Não se dá milho às galinhas com uma fisga!



Elas não só não gostam, com ainda são capazes de dar umas bicadas de “agradecimento”.
O PSD é pouco fiável?!
E qual é a novidade?!
O PSD, e particularmente quem com ele tem de conviver (os portugueses), há muito que aprendeu que a sombra não é de fiar. Particularmente quando é laranja.
Do que estava o PS à espera?
A facada nas costas é uma instituição no laranjal. Acho até, que dia em que uma não é espetada uma por aqueles lados, não é dia. Os sociais-democratas são exímios no manejo do gume, e não raras vezes este acaba por se dividir em dois.
Foi com estes senhores que Alberto Martins se sentou à roleta, e ainda por cima a pensar que lá por trazer uma arma na manga (Professor Jorge Miranda), levava a melhor.
Este PSD pode até ter um comportamento a roçar o delinquente, mas quando se vai à luta tem que se ter a força suficiente para nem sequer necessitar de a usar.
A verdade é que neste enredo, nenhum dos protagonistas é o actor principal. Ambos têm o seu quê de bandido e de benfeitor.
A verdade é simples, ambos quiseram manipular a negociação para que o outro ficasse mal na fotografia.
O problema é mesmo de uma imensa imaturidade institucional que ambos os partidos têm demonstrado ao longo do processo.
E sinceramente, do político “mais sexy da Europa” ainda se pode esperar alguma truculência juvenil. Agora de uma senhora experiente como a Dra. Manuela Ferreira Leite?!
O que pensará o eleitorado do PSD, ao ver a sua líder desprezar assim o interesse público por troca de uma birra?
Tem um candidato melhor do que o que foi apresentado pelo PSD?
De certo que não tem ou o Professor Marcelo já o tinha anunciado em prime-time.
Que melhor personalidade representaria com tamanha isenção, o próprio espaço ideológico de parte significativa do próprio Partido Social-democrata?
A Dra. Manuela Ferreira Leite não gostou da fisga, o Dr. Alberto Martins não gostou das bicadas. Pronto, estão de contas acertadas.
Perdem os dois partidos.

Não é fácil...


...vencer Santana Lopes ou ser Santana Lopes?
As das duas realidades não são fáceis.
É difícil vencer Santana Lopes porque Santana Lopes é como é. E não é fácil ser Santana Lopes porque Santana Lopes é mais uma pessoa “normal” do que o são a maioria dos seus opositores e críticos. A normalidade da falha, com que convivemos quotidianamente mas da qual a maior parte do políticos parecem virginalmente imaculados, em Santana Lopes roça tanto a virtude como o escárnio.
Dificilmente haverá politico mais caricaturado que SL. E porquê? Porque é pura e simplesmente o mais caricaturável. O essencial da caricatura reside na ampliação não do defeito, mas da característica, e características demarcantes são coisa que não falta à vida pública de Santana Lopes. Mas porquê? Porque ao contrário do que é pratica corrente na vida politica nacional, Santana nunca escondeu a sua esfera privada do crivo público. E convenhamos, 5 filhos de 3 casamentos falhados, presidências atrás de presidências sempre com mandatos prematuramente interrompidos à frente de algumas das maiores instituições nacionais…
Mas o povo gosta dele. Salvaguardadas as devidas distâncias, é sempre possível encontrar em Santana algum traço de carácter que reconhecemos num familiar, num amigo, num vizinho ou em nós mesmos
Não lhe gabo os danos colaterais que toda esta exposição lhe tem causado. Mas esse também é o seu charme, a sua derradeira prova de que é diferente!
E hoje em que estado se apresenta a combate com António Costa?
Mais “Calimero”, ou mais “Enfant Terrible”? Ou será até, que a lavagem do tempo, reciclou a memória da sua passagem pelo Governo? À luz da degradação da vida partidária contemporânea, não me parece improvável o assomar de um certo saudosismo, saudável, de uma certa forma de fazer politica.
Para a disputa da Câmara Municipal de Lisboa, apresentam-se a votos duas personalidade bem menos planas do que aquelas que disputam a governação. António Costa, também é um politico genuíno e de grande vocação para o combate publico, mas parte por comparação com um inesperado handicap: notoriedade! Por incrível que pareça, António Costa é capaz de ser hoje mais anónimo para os lisboetas do que o era como Ministro de Estado de José Sócrates. E o Santana? Santana é Santana!
A escolha do próximo Presidente da Câmara de Lisboa será bem mais emocional que racional. Ambos ao seu estilo, e com dificuldades diversas, deixaram uma marca positiva nos seus curtos mandatos camarários. Neste contexto levará vantagem quem tiver mais sucesso na resposta individual que cada um munícipe der a cada uma destas duas perguntas:
- A qual dos dois comprava um automóvel usado?
- Com qual dos dois deixava o seu filho durante um fim-de-semana?
Surpreendidos?
Responda com sinceridade e encontrará “o seu candidato”, agora se a isso corresponderá o seu voto… só a si diz respeito. Uma coisa é certa se tiver tendência a responder António Costa e Pedro Santana Lopes por esta ordem respectivamente. Então está perante um dilema, melhor Presidente para a Câmara ou o Presidente de quem gosta mais?
Se não é fácil ser Pedro Santana Lopes! Não é fácil ser contra Pedro Santana Lopes.

Nem a morte os separou


Alijó, Portugal

Homens da Luta - "E o povo, Pá?"

Titanic


A cena é sobejamente conhecida para merecer ser descrita. Na confusão de uma ameaça catastrófica e perante a possibilidade de uma mortandade sem igual, o comandante do Titanic manda tocar a orquestra.

Para atenuar a angústia? Só para fazer qualquer coisa? Para desnortear os mais incautos dando-lhes uma reconfortante aproximação à morte? Porque pensa que ainda se pode evitar a morte, não fazendo por isso qualquer sentido soar um alarme despropositado? Para ocupar uns quantos que não terão lugar nos botes salva-vidas?

Mas o pavoroso caricato de ver um grupo de gente a tocar uma valsa perante a morte iminente é demasiado.

As taxas de juro têm descido, dizem. No entanto, isso não é absolutamente verdade. Nos últimos 12 meses observámos um movimento a dois tempos. Depois de vários meses em que as taxas de juro da dívida pública para todos os prazos de vencimento subiram permanentemente em virtude de uma persistente actuação do Banco Central Europeu, a partir de Julho de 2008 assistiu-se ao início da sua descida. Essa descida foi acentuadamente marcada para as taxas de juro de curto prazo, mas também as de longo prazo observaram quedas sensíveis, apresentando a curva da estrutura temporal das taxas de juro um valor mínimo em Dezembro de 2008.

No entanto, apesar do custo da dívida pública ter continuado a descer nos prazos curtos passando para 1,06% em meados de Março, começou a subir para prazos longos e num ápice subiu para 4,66% a 10 anos e 4,88% a 30 anos. Por contrapartida, em meados de Março, a Alemanha financiava-se a 3,11% para o prazo de 10 anos e a 3,98% a 30 anos. Isto é, o ‘spread' entre o custo da dívida pública portuguesa e a alemã a 10 anos é de 1,55%. Mas para prazos mais curtos aquele ‘spread' manteve-se elevado, apresentando-se a 1,42% para o prazo de 5 anos. Esta situação tem implicações importantes.

Primeiro, o nosso Orçamento do Estado é relativamente mais agravado do que seria se o nosso risco de crédito da república fosse menor. Gastamos mais receita para pagar mais juros para o mesmo financiamento, restando-nos menos para investimento ou despesa social.

Segundo, este efeito contamina o custo do capital das empresas e também elas passaram a pagar mais juros pelo mesmo financiamento. Assim, há menos lucros para reter em crescimento orgânico, ou para distribuição a accionistas.

Terceiro, os projectos ficam menos atractivos quando desenvolvidos por portugueses. Deixamos de lançar projectos em Portugal que podem ser lançados em países com menores taxas de juro. Por exemplo, um projecto público com vida de 10 anos e TIR de 4% deveria ser rejeitado em Portugal (com o custo do capital a 4,66%), mas poderia ser aceite na Alemanha (com o custo do capital a 3,98%). Só no curto prazo as taxas dos países estão próximas, mas à excepção das discotecas onde o ‘payback' de segurança exigido é de 1 ano, os investimentos geradores de riqueza e emprego são de longo prazo.

Quarto, com esta desproporção entre o custo do capital na Europa, a recuperação da economia vai fazer-se a ritmos diferentes. O desenvolvimento pode tender a concentrar-se "lá" e a deixar de se fazer "cá".

Quinto, quanto mais as empresas sofrerem este desfasamento entre o custo do capital em Portugal e o dos países mais fortes da União Europeia, menos riqueza gerarão e menos lucro e emprego conservarão. A base de tributação (impostos sobre o rendimento ou sobre lucros) reduzir-se-á.

Sexto, quanto mais a base de tributação se reduz mais o Estado português tenderá a endividar-se para manter o mesmo nível de actividade de investimento ou de actividade social (a qual tem tendência a agravar-se pelo preocupante envelhecimento da sociedade portuguesa), aumentando ainda mais o risco do país e o custo do capital.

Sétimo. Entraremos por esta via numa espiral de definhamento nacional. Os jovens irão partir porque é "lá" que haverá emprego e riqueza e os velhos ficarão por "cá" com menos para se sustentarem...

Remédio? Ou tomam juízo no destino a dar ao dinheiro público ou então, "Que toque a fanfarra, cambada!"
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João Duque, Professor catedrático do ISEG

publicada no Diário Económico a 26/03/2009

quarta-feira, 25 de Março de 2009

Até a Igreja já se meteu no assunto...


«A polémica em torno da arbitragem da final da Taça da Liga entre Sporting e Benfica chegou à Igreja quando um pároco em Lisboa, fervoroso sportinguista, anunciou que não irá baptizar meninos com nome Lucílio.

"Aproveito para vos anunciar que, enquanto for responsável por esta paróquia, não faço intenções de baptizar nenhum menino chamado Lucílio. Queiram dispor para tais propósitos dos serviços de uma paróquia vizinha", anunciou domingo o padre João José Marques Eleutério antes do tradicional "Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe".»

O resto da notícia encontra-se aqui. (Jornal O Record de 25 de Março de 2009)

A hora do Planeta


No próximo dia 28 de Março, por iniciativa da WWF, que envolve cidadãos comuns, governos e empresas numa acção conjunta que pretende sensibilizar os menos atentos para os efeitos nefastos do aquecimento global. Até ao momento mais de 900 cidades em 80 países já se comprometeram a apagar as luzes dos seus edifícios mais emblemáticos. Convidando também a restante população, a no dia 28 às 20h30 a apagar as luzes, e ver como pode fazer diferença no combate ao aquecimento global.


É uma excelente iniciativa de carácter pedagógico. Contudo acho que a maioria das pessoas se vai estar a borrifar para a medida, fazendo com que passe ao lado e o objectivos atingidos sejam residuais.

A minha ideia era que se fizesse uma campanha do mesmo género mas ao contrario. Ou seja, àquela hora tudo a ligar os equipamentos disponíveis. Veriam que o resultado era muito mais sensibilizador, pois os sistemas iam todos a baixo, por falta de capacidade de resposta. Talvez aí as pessoas pensassem que vale a pena reflectir, se este cenário de consumo será sustentável.

O mesmo se devia aplicar no “dia sem carros”. Nesse mesmo dia deviam pedir às pessoas todas para virem de carro para os seus empregos, e outras deslocações. Iam ver que seriam poucos os que conseguiriam chegar ao seu destino, muito menos sem um belo ataque de nervos. Mais uma vez talvez perante essa situação as pessoas pensassem antes de usar o carro por tudo e por nada.

China propõe substituição do dolar


A China apelou à criação de "uma moeda de reserva internacional estável" que substitua o dólar.

O Governador do banco central chinês, Zhou Xiaochuan, afirma num comunicado divulgado no ‘site' oficial desta instituição, que a crise evidenciou "as debilidades inerentes do actual sistema monetário internacional".

Esta reflecte também a necessidade de uma moeda de reserva internacional "desligada das nações individuais, dos jogos de interesses e capaz de se manter estável no longo prazo", defende Zhou Xiaochuan, citado pela Lusa.

Uma grande parte das reservas de câmbio chinesas é em dólares, o que tem sido motivo de inquietação de Pequim pelo futuro desses valores.

A criação "de uma nova moeda de reserva amplamente aceite poderá levar tempo", sublinha Zhou Xiaochuan no mesmo documento, em que sugere que os Direitos de Saque Especiais (DSE), 'Special Drawing Rights' (SDR), podem desempenhar o papel "de moeda de reserva supra-soberana".

Os DSE , cujo valor está ligado a um cabaz de moedas, foram criados em 1969 como valor de reserva mundial pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para completar as reservas dos seus países-membros, num momento em que a oferta de ouro e de dólares já não era suficiente.

A reforma do sistema financeiro internacional vai estar na agenda da reunião do G20, que se realiza a 2 de Abril em Londres, na qual estarão presentes os líderes dos países industrializados e das economias emergentes.


in Diário Económico / Agência Lusa, 24/03/09


Ao que um cibernauta comentou da seguinte forma (trancrição parcial):

Estes são tempos de crise excepional, e esperam-se medidas de excepção. Que farão os bancos centrais quando as taxas de juros de referência atingirem 0%, e o volume de tranferência de moeda para bens reais de refúgio como o ouro atingir valores bem mais relevantes?

Que medidas tomarão para credibilizar as moedas e recuperar a capacidade de tomar medidas de politica monetária ou cambial que influenciem a economia?

Será o ouro o lastro necessário para credibilizar as moedas?

Aconselho a que seja visto com atenção o video http://www.youtube.com/watch?v=7ubJp6rmUYM , onde está patente aquilo que tem liquidez quando falta a confiança no sistema.


Em todo o caso, não deixarei de manter uma parte das minhas poupanças aplicadas em objectos de uso pessoal em ouro, para o que der e vier. Com o fim dos "offshore", talvez a procura destes bens tenha um aumento ainda mais espectacular, pelas qualidades intrìnsecas do ouro, liquidez e aceitação universal, raridade, portabilidade, resistência aos elementos, reciclável a 100%, livre de patentes e direitos, e ainda pode ser usado como adorno.

Em tom de comentário à notícia e comentário, digo o seguinte:

Em face do cenário que vivemos, a solução acaba por ser sempre a mesma. Até porque está tudo à espera que a crise se resolva para se poder continuar a cometer os mesmos excessos e erros. De facto existem activos que terão sempre mais valor assegurado que outros, independentemente dos caminhos que o mundo venha a percorrer.

O que quer o PS?



Sair da crise, certamente. Ganhar as próximas eleições com certeza.
Para atingir estes objectivos, cada hora de governação importa. Cada desilusão para o eleitorado, é uma maioria absoluta alguns milhares de votos mais longínqua.
A concentração de forças, e a eficiência na resolução dos problemas, são, obviamente, os princípios basilares da estratégia a seguir daqui até Outubro. Depois dos fortes sinais emitidos neste sentido, logo após o Congresso de Espinho, inclusive com um adormecimento do vulcão Alegre, não se percebe agora o que é que o PS tem a ganhar com o agudizar da crise em torno da nomeação do novo Provedor da República. Certo é, que destes 8 meses de atraso na indicação do sucessor de Nascimento Rodrigues, mais haverão a creditar na conta do PSD do que na do PS (Laborinho Lúcio afinal nunca foi convidado e Maria da Glória Garcia só apareceu em Dezembro sendo um nome francamente modesto para a função). Tal não desculpa o PS da miopia e insensibilidade politica com que tem vindo a gerir este dossier.
Porque não foi Jorge Miranda a 1ª escolha do PS para a Provedoria?
Com a enorme simpatia e respeito que nos merecem os nomes de Rui Alarcão e António Arnaut, era certo que jamais seriam aceites por este PSD suspeitoso e truculento. O PS perante a inaptidão do PSD para encontrar uma personalidade com perfil para o cargo, não resistiu também ele a lançar o barro à parede, com candidatos claramente da sua família politica.
O PS, e bem, não quer consentir por mais 8 anos na dinastia de19 anos que PSD já leva na Provedoria. Mas se são necessários 2/3 da Assembleia, e o acordo com o PSD será sempre mais que desejável até no interesse do próprio PS, porque é que não apresentou o um nome como o do Professor Jorge Miranda mais cedo?
Águas passadas, diz-se, não movem moinhos. Mas estas, parecem ter pura e simplesmente congelado, de tão frias que estão as relações entre os dois principais partidos.
É transparente, da direita à esquerda, que hoje será impossível encontrar melhor cidadão para o desempenho do cargo do que Jorge Miranda.
É impossível crer, nem ao mais delirante dos fabuladores, que o Professor, uma vez no desempenho do cargo de Provedor, alguma vez venha a fazer um frete sequer, e a quem quer que seja. Se é independência e isenção no desempenho do cargo que se pretende, hipoteticamente poderá haver escolha similar (assim de repente… não estou a ver), mas melhor é impossível!
Mas o que quer afinal o PS?
É que se nos últimos dias, têm havido factos políticos que em nada ajudam à aceitação de Jorge Miranda por parte do PSD, e os seus agentes provocadores têm sido exactamente os mesmos que transportam a bandeira da sua candidatura.
Se as qualidades diferenciadoras do candidato são precisamente as supra referidas isenção e independência, porque faz o PS imposições e ultimatos usando o nome do Professor de Direito? É incompreensível!
É que depois de tanta trapalhada, até tem sido o PSD o partido a demonstrar alguma sensatez neste epilogo de processo, ao não avançar com a confirmação publica de Maria da Glória Garcia como sua candidata, e deixando ainda a porta semi-aberta (como o fez hoje mesmo Miguel Relvas) a um possível apoio ao nome apresentado pelo PS.
O objectivo deste braço de ferro em torno da nomeação de tão apolítica figura de Estado, era provocar desgaste no partido oponente, tanto o PS como o PSD o conseguiram plenamente muito para alem do espectável e desejável.
É chegada a hora do PS agir em conformidade com aquilo que diz querer.
O PS quer o Professor Jorge Miranda como próximo Provedor Geral da Republica? Então tem que deixar de lado os seus pequenos interesses parlamentares e pôr os orgulhos políticos à margem. Isto, independentemente da acção que o PSD também tem tido neste e em outros processos.
O PS, tem que vir a publico dizer ao país, apenas e só, aquilo que o país quer ouvir sobre este assunto:
- Encontrámos o cidadão mais indicado para o desempenho do cargo de Provedor Geral da Republica, não é o nosso candidato nem é o candidato de ninguém, se o objectivo é termos as melhor pessoa para o lugar, o PS não impõe quaisquer condições previas para assegurar a escolha de Jorge Miranda por parte da Assembleia da Republica.
Isto é o que o eleitorado quer ouvir da boca dos senhores Alberto Martins, Vitalino Canas ou Augusto Santos Silva!
É essencial, que o PS e o PSD acabem com estas altercações negociais em torno deste problema, sob pena de virem as sofrer trágicas consequências decorrentes da mais que justificada perda de paciência dos cidadãos, e do próprio Professor Jorge Miranda. E se no primeiro caso quem perde são os 2 principais Partidos, no segundo quem perderá somos todos nós.
Aqui, não há vitimas nem culpados. Mas há uma entidade que tem mais responsabilidade na resolução deste problema do que qualquer outra. Essa entidade é o Partido do Governo, o Partido que tem mais de metade dos deputados na Assembleia da República.
O Partido Socialista tem que saber o que quer, porque nem todas as batalhas têm que ser ganhas ou sequer travadas para se ganhar a guerra. A guerra pela confiança do Povo Português, que dificilmente compreenderá a actuação do PS, caso o Professor Jorge Miranda não venha a ser o escolhido para próximo Provedor Geral da Republica e por maioria abrangentíssima.

terça-feira, 24 de Março de 2009

Pensamento do dia


A melhor maneira de roubar um banco é geri-lo. Há dúvidas??

Faz sentido repetir novamente a dose em Lisboa?


Já está online o blogue da campanha de Pedro Santana Lopes à Câmara Municipal de Lisboa

New eco-friendly car coming from IKEA

by Jeremy Korzeniewski on Mar 23rd, 2009 at 3:31PM



Details are sketchy at this point, but the interwebs are abuzz today with news that IKEA might be entering the automobile world with a new environmentally friendly car called the LEKO. We'll resist the temptation to make a joke about how you'll be directed by some cheezy stick figure drawings to assemble the car yourself with nothing more than a five-page word-free manual. Whoops, sorry. The source of the news is a fairly official-looking website from France, which is odd considering that IKEA is based in Sweden. The supposed unveiling of the LEKO is scheduled for... wait for it... April 1st.

At this point, we're content to assume this is an elaborate ruse and that there won't be an actual car unveiled on April Fool's Day. On the off-chance that the LEKO is indeed real, we wonder if the machine could have anything to do with the ongoing T25 city car project from Gordon Murray, which is said to be fully flat-packable and intended for non-traditional retail outlets.

[Source: LEKO via Jalopnik]

segunda-feira, 23 de Março de 2009

Darwin tinha razão?


Caros Colegas:

Todas estas polémicas futebolísticas tem o seu quê de kitsch e realmente o que seria dos jornais desportivos, da blogosfera e das viagens de taxi em Lisboa sem uma polémica sobre a arbitragem no futebol.

Evoluam... duas coisas que o futebol poderia aprender com o rugby:

1 - O árbitro é apenas humano, portanto errar faz parte do jogo.
2 - Apesar de se aceitarem os erros do arbitro, nos jogos mais importantes este pode recorrer a ajuda de um árbitro que segue o jogo em vídeo, assim reduzem-se os erros ao mínimo.

Porque raio é que o futebol ainda não introduziu esta possibilidade? Talvez se vendessem menos jornais, mas diminuiam-se as frustrações.

"Professor" escolha o Santana!


Com a escolha inatacável do Professor Jorge Miranda, mais uma vez o PSD estava no tapete e contava-se para KO. Mas, já se sabe, no PSD quando a coisa descamba para o ridículo, intervala-se a Tragédia da Rua de São Domingos à Lapa com um momento de variedades mais ou menos circenses. É domingo à noite e entra em cena o Grande Ilusionista na sua habitual “conversa em família”. Qual seria o coelho que ele teria guardado na sua profundíssima cartola? Desta vez foi do truque do "novo perfil para Provedor". Honra lhe seja feita, o homem é inventivo. Talvez mais por necessidade do que por vocação, é que isto de ser tacticamente contra os “outros” e geneticamente contra os “seus” não deve ser fácil. E como é habitual, neste Provedoriagate, o Professor Marcelo também tinha que “fazer das suas”. Para “O Professor”, o provedor não deve ser um “senador em final de carreira” como Manuela Ferreira Leite, mas sim um jovem internauta na flor da idade!!!
Este é o perfil do cidadão que Marcelo quer ver na Provedoria Geral da República?! Pelo menos era aquele que mais lhe convinha ontem à noite.
Certo é, que apesar de ser praticante de boddyboard, por uma vez, Marcelo não parece ser o seu candidato. E este perfil tem nome? Não será com toda a certeza uma apagadíssima Professora Assistente da Universidade Católica!
E que outro jurista tem o PSD sempre disponível para qualquer desafio e que corresponde a este fantástico perfil?
Desconfio que até Outubro o Dr. Santana Lopes ainda era capaz de fazer uma perninha na Provedoria.
Acha piada "Professor Marcelo"?

Sem honra, nem vergonha.


Não me surpreendeu em nada!
Nem no conteúdo nem na forma.
Mas se vivêssemos num país a sério esta pessoa seria irradiada da actividade por confessa incapacidade para a função.
O senhor disse que viu o que nunca aconteceu. Terá sido pois acometido de um delírio momentâneo?
Talvez não, talvez tenha sido apenas, como aliás confessou, um problema de visão. Resolução para o problema do senhor: baixa para diagnostico e tratamento do foro psicológico e oftalmológico.
As declarações de Lucílio Baptista sobre o que todo o país viu em directo, nos momentos imediatamente seguintes ao assumido lapso, é que já são problema de outra ordem.
Afirmar que não viu, nem ouviu o Paulo Bento a chamar-lhe ladrão apesar de este próximo de si e em contacto visual directo é obviamente estar a mentir.
Dizer que não se recorda, nem sequer de ter sentido qualquer “peitada” da parte do jogador Pedro Silva, quando este foi expulso, é não ter um pingo de vergonha na cara.
Lucílio Baptista, foi ao serviço noticioso da SIC demonstrar até que ponto chega a sua falta de honra e de carácter.
A certa altura da entrevista, até disse que não se sentia bem por ter errado no lance do penalty mal assinalado, porque “também tinha família”. Pois se assim fosse Lucílio jamais evocaria a sua família para a sua humilhante e cobarde mentira de prime-time.
O problema de Lucílio Batista, não é ter errado no jogo de sábado. O problema de Lucílio é não puder olhar nos olhos dos seus filhos, e dizer-lhes que é um homem de palavra.

É barato, é pequeno e vai vender-se ao milhões!


Amigos, está aí o carro super-económico do século XXI. A indústria automóvel indiana - em concreto, a empresa Tata Motors - acaba de lançar o Nano, um carro de 623 cc e 32 cavalos e que custa a módica quantia de 1.500 euros!

Pelo aspecto, parece-me estar mais próximo daqueles quadriciclomotores que andam pelas estradas do nosso País (os chamados mata-velhos ou papa-reformas).

As Desculpas não se pedem, evitam-se!!



Lucílios à parte, o futebol fede. Quando já ninguém acreditar em nada, o dinheiro escassear, e a mística se tiver desvanecido, é que as pessoas vão começar a agir com responsabilidade. Nessa altura, se calhar, por muito que se faça, já nada mudará a realidade das coisas. o futebol será um deserto, e as pessoas dirão ir a estádios ver jogos (e pagar por canais de futebol) - JAMAIS!!!

sexta-feira, 20 de Março de 2009

Recharge It. org



Vale a pena ver até ao fim. Será que mesmo perante todos os benefícios expostos, e que são evidentes, continuaremos resistentes à mudança de paradigma? Temo que sim. Mas também acredito numa coisa, uma vez começada a mudança, ninguém a conseguirá parar. É como o Toyota, veio para ficar...

quinta-feira, 19 de Março de 2009

Sonae será no futuro uma multinacional..?!?!


19/03/09, 01:03Por Vítor Norinha
A internacionalização será a principal "drive" do grupo Sonae para os próximos anos, anunciou Paulo Azevedo, o CEO da holding na apresentação de contas a jornalistas. Em 2012 a Sonae deverá registar 25% do volume de negócios e 35% dos activos detidos deverão estar ligados à internacionalização, disse o gestor.
Sem adiantar geografias específicas, nem valores de investimento que serão alocados, Paulo Azevedo disse que a empresa será transformada num multinacional, com a presença em novos mercados, quer emergentes "mas grande potencial de crescimento", quer mercados maduros, "desde que a Sonae faça a diferença".
Dentro da profunda reorientação estratégica, a Sonae vai mudar o estilo de investimento, "alavancando melhor os recursos" e que poderão passar por virem a entrar em negócios onde sejam detentores únicos do capital, ou poderão entrar em situações de minoria, ou poderão ainda juntar competências "sem ter de garantir o controlo".
A Sonae propõe-se ainda garantir processos de consolidação ou mesmo "assumir papel de parceiro técnico". Paulo Azevedo disse pretender deter 10% do capital empregue neste modelo até 2012.
As alterações estratégicas e a nova matriz de orientação de negócios foram anunciadas em simultâneo com duas alterações de peso ao nível dos quadros de decisão do grupo. Nuno Jordão, CEO da Sonae Distribuição, e Álvaro Portela, CEO da Sonae Sierra, anunciaram não ter disponibilidade para continuarem com novo mandato em Março de 2010.


Se a memória não me falha, e já tive o cuidado de ir rever a matéria que aprendi na cadeira de Gestão Internacional, que tive no âmbito do mestrado no ISEG, esta notícia é uma mão cheia de nada, e outra cheia de coisa nenhuma… Não pretendo com isto sequer falar da forma como a peça jornalística está escrita. Nada a dizer a esse respeito. Apenas parto do princípio que a fonte, ou seja o comunicado que a Sonae fez, não diz nada de jeito.

Senão vejamos, uma empresa multinacional caracteriza-se por 1) significativo investimento directo no estrangeiro 2) actividades em diversos países 3) gestão activa dos activos no estrangeiro 4) lógica articulada de gestão dos activos no estrangeiro. Isto independentemente dos estilos e políticas como se faz esta gestão, penso que a Sonae como nós conhecemos, já cumpre estes requisitos, quanto muito estará a dar um sinal que vai reforçar o crescimento no estrangeiro em detrimento da aposta nacional, pelo facto do nosso mercado estar saturado.

Depois se formos andando pela notícia adiante, vemos que o que se encontra espelhado no discurso de Paulo Azevedo é uma estratégia tão ambiciosa que acaba por elencar como objectivos praticamente todo o tipo de mercados (emergentes de grande potencial de crescimento, maduros). Quanto ao estilo de investimento, o mesmo sucede (detentores únicos do capital, situações de minoria, juntar competências sem garantir o controlo).

O que a mim me parece é que a estratégia da Sonae tem-se revelado insuficiente na persecução dos objectivos (money comming in) anteriormente propostos pela empresa. O país é demasiado pequeno para as ambições da empresa. O que por sinal é bom para a empresa, e também acaba por ser bom para o país. Mas não sei porquê mas cheira-me que isto é uma manobra de comunicação para dar confiança aos mercados (neste caso o bolsista, pois são várias as empresas do universo Sonae cotadas em bolsa), com o objectivo de que a empresa tem um rumo e um caminho traçado para o próximo triénio. Pena que seja uma espécie de fuga para a frente, e que tenha sido apresentado de uma forma pouco clara e difusa. Para uma empresa que é referência no nosso tecido empresarial, soa a curto...

terça-feira, 17 de Março de 2009

Should machinists be worried that EVs will cost them their Jobs?



One of the reasons electric vehicles are so efficient has to do with their lack of complexity. Electric motors have very few moving parts and often don't require the complicated transmissions and driveline components that are common for internal combustion engines.

According to the Nikkei in Japan, "The rise of electric vehicles will spell more than the demise of just the internal combustion engine. Transmissions and braking systems will likely be replaced by electric control motors as well. A gasoline-powered car consists of roughly 30,000 parts, half of them related to the engine. Electric vehicles are expected to require one-tenth of that."

While those are all good things for purchasers of EVs, the thousand of individuals that make their livings devising and repairing the inner-workings of the automobile are reportedly worried about their job prospects. Of course, electric vehicles present their own set of technologies and components and won't wholly replace the internal combustion engine overnight, so there's no real need to be concerned with a reduction in jobs. The last time we brought this subject up was a year ago and you can still find a lot of good comments in that discussion thread.

[Source: Nikkei via TTAC]

segunda-feira, 16 de Março de 2009

É impressão minha...

... ou este blogue está muito pictórico? Venham daí as palavras!

Ir ao peixe


Mercado da Nazaré, domingo de manhã


Robalo e dourada na balança, 2,5 kgs


Robalo a ser amanhado


Amanhar - "arte" de preparar o peixe, tirando-lhe as escamas, guelras, vísceras e barbatanas, lavando-o em seguida


Sai um robalo!


Segue-se a dourada...


Sai uma dourada!


Preparar as grelhas


O equipamento completo: carvão, acendalhas, abanico... minis!


Robalo e pimentos em acção


Está quase...


Peixinho na mesa

Domingar em Walls of Victory

sexta-feira, 13 de Março de 2009

Ah...! Agora já sei o que se passou na 3.ª feira em Munique

Spooooortiiiiiiiiiiiiiinnnnnnnnnnnnng!

Do You want an Electric Ride? Paris Will give you 400€ to head to the store

by Xavier Navarro on Mar 11th, 2009 at 11:09AM

Do you live in Paris and want to buy a two-wheeled EV? If so, you are eligible to receive €400 (or up to 25 percent of the purchase price) for an all-electric scooter. You might wonder which electric scooter models are currently available in France. There's the neo-retro eSolex, a few EVTs and many more that qualify for the money, as long as they don't go faster than 50 km/h (30 mph). The city has proudly announced that your new ride can be recharged at any of the 40 charging stations distributed around Paris, and the recharge is free! The city council is so interested in zero-emission two-wheelers that they, together with utility company EDF, even support a big bike shop called EME. Merci to Dominique for the tip.

[Source: Ville de Paris]
Photo by Mairie de Paris/S. Robichon

quarta-feira, 11 de Março de 2009

Já saiu a nova colecção de merchandising para a época 2009-2010

terça-feira, 10 de Março de 2009

Caricato


É o que se pode dizer do jogo de hoje do Sporting em Munique. Depois de consentir 5 golos em casa, deixou-se golear pelo Bayern novamente, encaixando mais 7 golos. Para a história ficará uma exibição tão ridícula como a forma como sofreu cada um dos golos (com as trapalhadas de Polga a assumir o maior protagonismo).

De qualquer forma, um abraço a todos os meus amigos sportinguistas deste blogue. Há horas assim. Podem guardar este pesadelo no baú, como farão em breve com Paulo Bento.

Alemanha anuncia esboço final para novo Imposto de Circulação sobre os Veículos



À partida entrará em vigor no próximo dia 1 de Julho de 2009, o novo imposto de circulação sobre os veículos na Alemanha. Depois de um amplo debate, e longas negociações foram mudados alguns dos critérios – sendo que a potência foi substituída pela cilindrada, à semelhança de países como Portugal. Mas o sinal mais relevante foi, claro está, a ponderação das emissões de CO2/km que cada veículo emite, e que tende a ser agravada entre 2012-14. Esta sim uma tendência generalizada, até porque as directivas da União Europeia assim o vão exigindo. Assim sendo os cálculos para o pagamento do imposto passam a ser os seguintes, 2€ por cada 100 cm3, no caso de carros a gasolina, 9.5€/100cm3 caso seja gasóleo. Como taxa adicional relativa às emissões temos como limite 120 gr/km, a partir daí o pagamento de 2€ por grama excedida. Em 2012 os limites passam para 110 gr/km, e partir de 2014, 95 gr/km.

Fazendo uma simulação do novo IQ da Toyota de 1.3 cm3 que emite 113 grCO2/Km temos, em 2012, 13X2€ (cilindrada) + 3X2€ (emissões) = 32€/ano. Já fazendo os cálculos para um veículo de média gama e familiar como o VW GOLF VARIANT TDI BLUEMOTION (emite 119 grCO2/km), temos 20X9,5€ (cilindrada) + 9X2€ (emissões) = 208€/ano. Este valor tende a ser mais caro à medida que os anos vão avançando, pois a implementação da taxa está a ser feita de uma forma progressiva e faseada, sendo o seu objectivo atingido a partir de 2014.

Agora comparando com o actual Imposto único de circulação pago em Portugal, e em carros novos adquiridos a partir de Janeiro de 2007, temos que o mesmo GOLF BLUEMOTION paga actualmente 164,96€/ano. Somente 43,04€ de diferença em relação à taxa que a Alemanha vai implementar em Julho de 2009. O caminho está a ser feito na mesma direcção. Lentamente os Estados estão a tentar incentivar comportamentos mais eficientes e mais sustentáveis, utilizando os instrumentos mais adequados, sejam monetários ou morais. A ver vamos se surtem de facto efeitos. O planeta em geral, e as gerações vindouras em particular, agradecem.

sábado, 7 de Março de 2009

P de plágio


Amigos,

Deixo-vos a leitura do comentário que deixei na edição on-line do jornal Público de hoje, motivado pela leitura do artigo que faz capa do jornal na sua edição papel, e pelas suas similitudes, principalmente na abertura, com o texto aqui publicado sobre o mesmo tema, às 17horas do dia de ontem:


"Cara Maria José Oliveira, caso necessite voltar a escrever sobre o tema não hesite em revisitar o http://cacalharas.blogspot.com/2009/03/25-de-maio-de-1926.html

Atentamente,
Nuno Félix"

A cada um a sua leitura, a minha é clara, nem sempre estamos muito inspirados e quando a papinha vem feita via Twingly.
Triste país em que vivemos, em que o chamado "jornalismo de referência" tem tão rasteiras praticas.
Compete-nos as todos, não as deixar impunes, se não no tribunal da lei, que seja no tribunal da rua, aquele que estes senhores(as) tantas vezes preferem para imolar pessoas impolutas.

sexta-feira, 6 de Março de 2009

Patton vs Rommel


Porque ganham votos, e até eleições, Francisco Louçã, Manuel Alegre, Isaltino Morais ou Valentim Loureiro? Estarão a pensar: o que fazem estes gatos no mesmo saco?!
É indiscutível. Mais à esquerda ou à direita, para o ouvido menos politizado, de quando em vez, estes protagonistas conseguem falar ao coração do eleitor.
Mesmo demagogos ou corruptos, à luz da vela que ilumina “O Homem da Regisconta”, aqueles, ao menos, parecem humanos. Nós ainda não perdemos a tendência de votar em seres da nossa espécie, em detrimento de hologramas bem programados.
O Louça. Nunca senti por ele aquele temor reverencial que ainda guardo de alguns professores da faculdade. Aquele timbre resmungão, parece-me o Sr. Joaquim, reformado da função publica, campeão da bisca lambida, e que passa as tardes a doutrinar os pombos do Jardim da Estrela contra os “Xampalimôs e os Mélos” que compram “esses vendidos do Parlamento”. Uma figura patusca!
O "Isaltino faz obra”, e isso merece sempre elogio num país em que a obra "vai-se fazendo”.
O Valentim. Um “homem do futebol” e eu não resisto a um chuto na bola.
Ouvir o Manuel Alegre é ouvir o meu pai, e… está tudo dito.
Instintivamente, eu votaria em qualquer um destes homens, se à boca da urna, seguisse os meus genes mais Montecchios, e, claro está, desligasse o cérebro. Exactamente os mesmos instintos que me embargam o voto na “Dama Enferrujada”, e que me dificultam na tarefa de apoiar José Sócrates.
Montecchio “ma non troppo”, é obvio que JS e MFL são as únicas individualidades elegíveis para São Bento.
Mas recentemente estive no limiar de uma mudança de paradigma, uma pulsão adolescente assomou ao meu “Eu Político”.
Vale o que vale, mas se o Deputado Afonso Candal tivesse “ouvido” o repto que o adversário de bancada José Eduardo Martins lançou para “resolverem o assunto lá fora”, e se fosse o caso, desse titânico confronto, ser igualmente televisionável, aqui juro pela minha honra, que confiaria o meu voto ao contendor que demonstrasse mais coragem e galhardia, para alem de nobreza nos golpes desferidos elegância no encaixe das respostas.
Assim ficámo-nos pelas palavras, e ai, José Eduardo Martins, marcou um auto-golo decisivo e, o meu voto contínua rosa.
Como experiencia colectiva, se este episódio teve alguma utilidade para nação, terá sido para relembrar que “na política como na vida”, um pouco de humanidade, por muito que a queiram sublimar, continuará a salutarmente existir. Pena que esta apenas se revele em sombrias formas.
Certo é, que “a rua” está farta de olhar para Olimpo de cinismo onde políticos como Manuela Ferreira Leite habitam. Esse Olimpo etílico onde os seus habitantes lembram-se e esquecem-se, a horas certas, das virtualidades e vergonhas do que fizeram enquanto ocuparam, mesmo que há escasso tempo, as cadeiras do poder
Agora imaginem só: e se o Deputado JEM e o Deputado AC tivessem mesmo andado “à pêra”?
Até que ponto não seria salutar para a AR e para a Nação que, mesmo à chapada, se desvanecessem definitivamente, algumas das dúvidas que a Nação partilha, sobre verdadeira natureza e motivações daqueles que a representam?
George Patton, controverso general americano, nas vésperas da primeira batalha de El Alamein contra os Afrika Korps comandados pelo igualmente brilhante Marechal Rommel, enviou uma mensagem a este, desafiando-o para um duelo. Este duelo leal e justo, substituiria a barbárie do sacrifício de dezenas de milhar de vidas humanas. Quem ganha-se, ganhava a batalha, e assim evitar-se-ia sem desonra a (in)evitável chacina. Os seus homens não derrotaram os militares de Rommel em El Alamein , talvez pelas inutilidade das baixas provocadas, várias décadas mais tarde, nas suas memórias, Patton ainda lamentava que Rommel não tivesse aceite o seu repto.
Quanto ao embate Martins versus Candal nunca saberemos qual seria o desfecho físico e moral para ambos. Mas o resultado colateral provável seria uma poupança à República de mais alguns anos desta lenta e agonizante degradação da classe politica.
Talvez por falta de um momento simbólico definidor, que nos faça encarar o problema com “ganas” de o resolver.
Ontem os Deputados Martins e Candal podiam ter oferecido os seus corpos a este serviço pela Pátria. Certamente, seriam mais nobres do que o foram naqueles momentos em que não estiveram, ou, em que não ouviram.

25 de Maio de 1926


Hoje como ontem, a Assembleia da República abriu as portas sem bengalada ou pistolas de duelo. Com excepção para estas práticas e acessórios marialvas, tão característicos do republicanismo de cartola, nas vésperas da sua morte a 1ª República em pouco diferia, no estilo, do parlamento contemporâneo. À custa de muitos insultos, escândalos, e insinuações, os bisavôs da nossa liberdade, adubaram para alem do substrato suficiente, as sementes do nosso “fascismo”. Indignem-se os nossos leitores habituais, para regozijo da esmagadora maioria do povo português de então!
Vivemos no país em que a renovação democrática do Capitão de Abril Ramalho Eanes, facilmente dealbou no nacionalismo renovador de Pinto Coelho.
Será que a história recente, de nada nos serve? Para nada alerta? Não querendo fazer de um episódio colérico, o sinal do apocalipse, nunca esqueçamos que o “Melhor Português de Sempre” continua vivo dentro de muitos de nós.
Estou certo da devoção democrática do deputado Martins, e não questiono o zelo deontológico do deputado Candal, mas quando a o parlamento desce à caserna corremos o risco da caserna subir ao parlamento.
Como cidadão que ama a liberdade, acima de todas as coisas, apelo aos nossos distintos deputados que se coíbam de evocar a singela educação, com que os distintíssimos deputados da tão tardiamente extinta União Nacional, faziam questão de se tratar.

O homem retratou-se "ma non troppo"

Está à beira do fim o episódio mexicano de ontem no Parlamento. O Deputado José Eduardo Martins veio hoje pedir desculpa a todos os Deputados, com excepção do Deputado Afonso Candal.

Seria interessante que ele também dissesse alguma coisa sobre o dia em que também chamou "palhaço" ao Primeiro-Ministro a meio de um debate parlamentar.

Da auto-reflexão feita pelo Deputado JEM sobre este caso, resulta a consciência de que, apesar de considerar ter errado, não é correcto julgar "que a insinuação feita aos microfones sobre a honra de um deputado não é ofensiva e que o vernáculo é muito ofensivo". Parece-me uma boa ponderação. Mas o que tem o Deputado JEM a dizer das insinuações que tem lançado sobre o Primeiro-Ministro relativamente ao caso Freeport? Não nos esquecemos do dia em que compareceu no Jornal da Noite do Mário Crespo e fez um conjunto de alegações infundadas sobre este caso.

Calvin and Hobbs

Alhos e Bugalhos


Em comentário aos dois posts anteriores, penso que se está a misturar alhos com bugalhos. Eu sei que o A Miranda teve o cuidado de pôr isso em nota de rodapé do seu comentário, mas devia ter ido mais longe, e ter mudado o título. Passo a explicar. Não tomando partido por nenhum dos posts, até porque os dois têm argumentaria própria, e focam problemáticas distintas. Distintas, mas ambas condenáveis. Pois focam comportamentos e atitudes de uma mesma classe, de que de facto, o povo (ou pelo menos parte dele) já começa a ficar farto de aturar, e principalmente de ter de gerar a riqueza para os sustentar.

Em relação à linguagem penso que é deplorável a forma e a maneira como os políticos se tratam reciprocamente. Aqui neste ponto, como em outros, os defeitos são comuns a todas as forças políticas. É de facto, um indicador da depreciação da qualidade da classe política, dando alguma razão à máxima: se não sabes fazer nada, vai para político.

Contudo, acho que também ainda não é caso para perder a esperança na classe política. Até porque continuam a existir exemplos de qualidade, e acima de tudo, porque não só não é fácil ser político, como acima de tudo ter vida de político. Há que separar o trigo do joio, e acima de tudo criar incentivos para que pessoas de valia na sociedade civil queiram contribuir de uma forma mais activa na vida política. Apesar de se poder exercer cidadania sem ter de pertencer a partidos políticos. Nunca é a mesma coisa, e só nalguns casos consegue ter o mesmo efeito.

Agora também se diz, e bem, que a classe política é a imagem do povo de um determinado país.

Deixo-vos esta para pensarem. Só mais uma nota de estratégia, nem sempre a melhor defesa é o ataque

Exemplos que vêm de cima (II)


Aguardo ainda pelo Diário da Assembleia de República com o relato fiel e completo do que se passou hoje, 5 de Março de 2009, para poder perceber exactamente o que disse o Deputado José Eduardo Martins ao Deputado Afonso Candal no meio de uma discussão sobre painéis solares e energias renováveis.

As imagens da TVI (vi-as há minutos no novo canal TVI 24) mostram verdadeiramente como os exemplos vêm de cima. A meio de um debate, vê-se o Deputado JEM a esbracejar e a mandar o Deputado Afonso Candal para aquele sítio mais baixo ("Vai para o c..."). É o grau mais baixo da nossa "classe" política.

Consta, aliás, que foi o Deputado JEM que chamou há semanas "palhaço" ao Primeiro-Ministro durante um debate parlamentar. É deste tipo de políticos que os Portugueses estão fartos. Belo serviço prestado pelo Deputado JEM ao País. Depois não se admirem da forma como o Parlamento é cada vez mais visto com menos crédito pelos Portugueses.

Este post não é feito em jeito de resposta ao Ricardo Mexia, mas os factos passados hoje na Assembleia da República vêm mesmo a calhar.

Adenda: O Público relata este triste epísódio aqui.

quinta-feira, 5 de Março de 2009

Exemplos que vêm de cima

Confesso que partilho da mesma ideia.
Cavaco deveria exonerar Dias Loureiro, ou convida-lo a demitir-se.
Os cidadãos portugueses estão fartos de uma classe política corrupta, trafulha e que usa o bem público em benefício privado. Fartos de ver os grandes e poderosos ser absolvidos e ilibados de crimes que toda a gente sabe que cometeu. E, sendo inocentes, deveriam ter o sentido público de perceber que não prestam um bom serviço ao país mantendo-se no poder quando a sua reputação está na lama.
Estão fartos de ver 2 pesos e duas medidas.
Estão sinceramente fartos de que lhes atirem areia para os olhos, de governantes que apenas se querem eternizar no poder, usando os bens públicos para promover a sua imagem ou uma falsa imagem de progresso.
Estão fartos que se gastem milhões em campanhas de marketing para promover medidas que não compreendem (e com as quais não concordam), engordando as carteiras de alguns assessores de imagem e comunicação.
Estão fartos de teorias da conspiração, da vitimização constante de alguns, supostos alvos de cabalas, mas que os factos não conseguem desmentir.
De políticos que não cumprem nem querem cumprir as leis que eles próprios aprovaram.

Por tudo isto é que, para os exemplos virem de cima, é que Sócrates também devia apresentar a demissão.

Separados à nascença


quarta-feira, 4 de Março de 2009

O conselheiro da desgraça!


O Presidente da República, Cavaco Silva, hoje à noite, durante um jantar oferecido pelo presidente alemão, Horst Kohler, que encerrou o primeiro dia de visita oficial ao país, defendeu que é essencial garantir a confiança dos cidadãos, “sem a qual nenhuma recuperação será possível".
Exmo. Sr. Presidente da Republica, e que tal fazer alguma coisa por isso. Como cidadão que o respeita, mas não ao ponto de lhe confiar o voto, deixo-lhe a minha humilde sugestão para que também a Presidência contribua para o aumento da confiança dos cidadãos nacionais no sistema político e nas suas instituições.
Que tal exonerar sem mais delongas o, por si indigitado, Conselheiro de Estado Sr. Manuel Dias Loureiro. É indecorosa a forma como este senhor exibe publicamente a sua amnésia selectiva e a sua fortuna mal explicada.
Quais os motivos que o paralisam, e o impedem de tomar essa medida? Sr. Presidente, quando os exemplos não vêm de cima… é no mínimo para o “povo” desconfiar.

Guiné?! Pois é…



Com o assassinato do Presidente Nino Viera, o óbito foi declarado, não só ao homem mas também ao estado.
Foi uma decapitação que não teve sequer a dignidade de golpe de estado. Ao que tudo indica tudo não passou de um episódio de pura vendetta ao melhor estilo calabrês. Nino, que já havia decretado semelhante destino a muitos outros compatriotas seus, terá sido o autor moral do assassinato do chefe de estado-maior do exército guineense ocorrido há 3 dias. Desta vez, os militares respaldados nos meios que adquiriram através da protecção ao tráfego de droga, não se vergaram à violência de Nino e resolveram fazer justiça pelas próprias mãos. Toda a gente na Guiné sabe quem matou Nino e porque o mataram. No dia seguinte, ninguém o chora, e a vida em Bissau continua na mesma penosa e paupérrima normalidade. As altas chefias militares e da polícia, limitam-se a ilibar com toda a convicção tudo e todos. Afirmam, com a mesma desfaçatez, saber quem não cometeu o acto, como ignoram totalmente quem o possa ter cometido.
Guiné-Bissau, está condenada, geograficamente e historicamente (com grande responsabilidade para Portugal), à pobreza. A sua única saída será entregarem-se à papoila. Quanto ao povo guineense, o seu futuro parece não interessar a ninguém. Livraram-se de um tirano, ficarão às mãos de mil tiranetes, uma Somália em potencia.
Qual a salvação para este estado falhado?
Talvez só aconteça se um dia o problema do narcotráfico guineense conseguir chegar às escolas e liceus dos Estados Unidos e da União Europeia. Talvez ai a Guiné tenha direito a um tratamento semelhante ao que tem hoje uma Colômbia. Talvez então pelo meio do sangue do costume, talvez hajam alguns pães e alguns livros. O que fizemos pelo sonho de Amílcar Cabral?

terça-feira, 3 de Março de 2009

Cavaco: bate e foge (II)


Depois de ontem o Presidente da República ter vetado a "Lei do pluralismo e da não concentração dos meios de comunicação social", momentos antes de partir de uma visita de Estado na Alemanha, hoje foi a vez de mandar mais uma mensagem política relevante a tantos quilómetros de distância.

Pena é que o tenha feito numa entrevista ao jornal alemão “Frankfurter Allgemeine". Pois é, o Presidente da República confirmou já que a decisão sobre a data das eleições legislativas fica remetida apenas para Junho.

Significa isto que o Presidente da República esteve atento ao Congresso do PS e quis mandar um recado ao Primeiro-Ministro. É preciso recordar que José Sócrates - e bem - veio dizer que o PS defenderá sempre a realização das eleições legislativas numa data distinta da data das eleições autárquicas. Significa também isto que não haverá eleições legislativas antecipadas, conjuntamente com as eleições europeias.

O que nos reservará Cavaco amanhã?

Cavaco: bate e foge


Ontem o Presidente da República brindou a Assembleia da República com mais um veto político. Desta vez, o alvo foi a "Lei do pluralismo e da não concentração dos meios de comunicação social". Uma lei que visava garantir o pluralismo dos meios de comunicação social, bem como impedir que a concentração dos mesmos, e a consequente dependência económica, pudesse pôr em causa a liberdade de expressão e de imprensa.

Acontece que isto aconteceu precisamente no mesmo dia em que o Presidente da República iniciou uma visita de Estado de 4 dias à Alemanha. Acontece que a maior parte dos argumentos constantes da mensagem do Presidente da República parecem-me frágeis e pouco consistentes. Muito rapidamente:

1) Desde quando é que o Governo ou a Assembleia da República ficaram impedidos de aprovar determinados diplomas por estar em curso trabalhos legislativos a nível comunitário ou só porque "a União Europeia se encontra a estudar e debater esta problemática"?

2) Por que é que o Presidente não respeita a vontade da maioria parlamentar só porque acha que esta lei teria de ter "a aprovação por uma maioria muito ampla – dois terços dos Deputados". A Constituição não o exige! O argumento de que a lei que criou a Entidade Reguladora para a Comunicação Social foi aprovada por essa maioria, fruto de um entendimento do chamado Bloco Central, parece-me pouco consistente.

3) Surpreendentemente, o Presidente defende a existência de um sector público na comunicação social (excluindo-se aqui a obrigação constitucional de existência de um serviço público de rádio e televisão)! E arvora os seus argumentos nessa disposição constitucional tão datada no tempo que prevê que "não devem existir sectores de actividade económica vedados ao Estado e demais entidades públicas, estando a coexistência dos sectores de propriedade salvaguardada pelo artigo 82º da Lei Fundamental". Mas isto não é assim tão surpreendente. É, sim, uma forma ardiolosa de tentar questionar a possibilidade de uma mera maioria absoluta parlamentar poder confirmar o diploma, obrigando o Presidente a promulgá-lo. Mas o Presidente conhece a Constituição e conhece particularmente bem a alínea b) do n.º 3 do artigo 136.º da Constituição que exige uma maioria de 2/3 para a confirmação dos diplomas que regulem limites entre o sector público, o sector privado e o sector cooperativo e social de propriedade dos meios de produção. Ou seja: o Presidente da República arranjou um argumento para mandar o diploma posteriormente para o Tribunal Constitucional e, assim, ganhar tempo.

Em síntese, o Presidente da República fez um belo serviço ao PSD, ao Balsemão e ao Alberto João Jardim, a todos eles por razões diferentes.

A ovelha saltitona


"-Mãe estou com sono!
-Filho, conta carneirinhos a saltar uma cerca…"

Quem alguma vez observou o comportamento de um rebanho de ovelhas, sabe que saltar a cerca, é algo que as ovelhas raramente fazem.
As ovelhas, bichos cautelosos por natureza, vêm lobos atrás de cada moita. Pelo sim pelo não, as ovelhas escolhem andar juntinhas, sempre em rebanho, movem-se vagarosamente, qualquer cão pastor as conduz pelo pasto. Como em muitas espécies de mamíferos mais gregárias, por rebanho existe sempre um macho alfa, ou pelos quanto muito vários machos beta. Os carneiros mais novatos têm que esperar pela sua vez. De quando em vez, lá aparece um carneiro mais insatisfeito, quiçá mais atrevido, normalmente na época de acasalamento, que ganha coragem e salta a cerca no intuito de encontrar um rebanho com menos ou mais fracos machos dominantes e desta forma mais rapidamente conseguir acasalar.
No PS, o grande rebanho da esquerda, o macho Alfa está bem identificado, o rebanho é grande mas nele, é ele quem manda. Alguns socialistas de sempre, espreitam pois, o outro lado da cerca, e vêm um rebanho mais pequeno, inexperiente, e permanentemente assustado, também ele repleto de ovelhas geneticamente socialistas. É nesse momento que aplicam a velha máxima, todos diferentes todos iguais, e vais disto, fazem o bypass para um rebanho que embora negro, pensam eles, será de mais claras oportunidades individuais. No frenesim da pequena ambição pessoal, da autojustificação sacrificial das suas próprias convicções, este socialista saltitão esquece o princípio fundamental da sobrevivência da sua espécie: a união solidária do rebanho.
Os lobos da direita, mesmo quando enfraquecidos por muitos anos de mingua, e conduzidos por uma loba displásica, atacam sempre unidos no momento da caçada ao voto. A eles não interessa a pelagem das ovelhas. Aos lobos da direita, interessa pura e simplesmente o desmembrar e a divisão do grande rebanho da esquerda.
As ovelhas negras e saltitonas, fazem pois o trabalho dos lobos da direita, esquecendo irresponsavelmente que assim tornam o seu próprio rebanho mais frágil. Esquecem que um dia o grande rebanho ao qual de facto nunca deixaram de pertencer, terá que seguir caminho para outras pastagens, e que eles, enfraquecidos pela sua vaidade, poderão já não conseguir saltar a cerca de volta, e provavelmente serão então os primeiros a fazerem o festim da alcatei.

domingo, 1 de Março de 2009

Profissionalismo - a falta dele

Acabou o congresso do Partido Socialista. E, no final, antes do discurso final de José Sócrates, passa um filme sobre a história do PS ao longo dos seus 6 líderes em mais de 30 anos de existência.

Não sendo surpreendente a dificuldade que pode haver na escolha das imagens que podem ilustrar um percurso tão rico e tão fundamental para a consolidação da democracia e para o desenvolvimento social e económico de Portugal, surpreendeu-me - muito negativamente - a música escolhida: nada mais, nada menos do que Stevie Wonder "That's what friends are for"!!

O bombo e a bomba


O Presidente da Mesa do XVI Congresso do Partido Socialista, Dr. Almeida Santos, bem que apelava, mas o “homem do bombo” que animava o povo socialista no exterior da nave do congresso não tinha maneira de o ouvir.
Normalmente o que acontece é precisamente o inverso, a voz do “homem do bombo”, que é o mesmo que dizer o “homem do povo” é que não costuma chegar aos “Senhores Presidentes”.
Em tempo difíceis, como os que vivemos, há que atender ao “homem do bombo” como ele humildemente atendeu por fim ao pedido de silêncio do Sr. Presidente da Mesa. Não vá o “homem do bombo” passar a “homem da bomba”. A nossa tragédia não é uma tragédia grega nem quer ser.

Louçã I "O Demagogocrata"


O BE está de parabéns! Já fez 10 aninhos! Quem podia imaginar… Trotskistas, albaneses, maoistas, anarquistas, (ex)estalinistas, bloggers e alguns cronistas. Todos juntos e felizes, cada vez mais fortes e agradecidos ao seu verdadeiro e único líder: Francisco Louçã.
E quem precedeu Francisco Louçã? Francisco Louçã.
E quem sucederá a Francisco Louçã? Não será com toda a certeza, a Joana Amaral Dias ou Zé Sá (já não lhes faz falta) Fernandes.
O Bloco é o Bloco! E o que é o Bloco? É o Bloco da bajulação da demagogia.

Voto no breu

Excepção seja feita ao PCP com o seu centralismo (anti)democrático, e ao Bloco de Esquerda que se limita a referendar o seu pai Louçã de (para) sempre, os partidos democráticos portugueses não resistiram à tentação populista das directas. Hoje, já é possível avaliar a experiencia das directas do PP ao PS, e os resultados são:
1-Ritualização e burocratização do debate
2-Empobrecimento das alternativas aos diversos status quo vigentes
Num congresso verdadeiramente electivo, o apagão de ontem, jamais seria tolerado num partido com a tradição democrática do PS. Assim, ouvimos hoje, e a mata cavalos, as intervenções que não viram ontem a luz da noite. A votação nas diversas moções antecede as intervenções que versam sobre as mesmas numa completa subversão dos propósitos do próprio debate.
Este modelo misto directo/representativo, não tem futuro. A discussão sobre as primárias, ou sobre a reversão para a democracia representativa original é urgente.

Como manteiga comunista


José Sócrates «terminará o seu mandato sem cumprir nenhum dos grandes objectivos económicos e sociais que anunciou ao país e até a tão cantada vitória da diminuição do défice das contas públicas se esfumou num ápice, qual manteiga em nariz de cão», denunciou Jerónimo de Sousa.- Sr. Jerónimo de Sousa, o sr. denuncia e acusa, e até recrimina agora o que sempre defendeu: aumento do investimento público em detrimento da luta contra o défice!
-Onde está a tão apregoada coerencia do PCP?
Razão para pensar que no PCP, em tempo pré-eleitoral, a coerencia e a honestidade politica, desaparecem tão rapidamente como manteiga nas prateleiras dos mercados de um país comunista.

Vital, vital,... é a electricidade!



“- Não estou a conhecer, já fez alguma coisa de jeito?”
Questionava, espontânea e surpreendida, uma militante menos avisada (e informada) para a escolha do seu Secretário-geral para cabeça de lista dos socialistas às europeias.O "socialista freelancer", como se auto denominou, é um joker com que Sócrates marca pontos, que mais não seja pelo efeito surpresa.
Feito o anúncio, o sentimento geral na audiência presente, foi de imediatamente positivo. Vital Moreira tem o efeito simbólico necessário para vir a personificar a inovação na continuidade, já para as próximas eleições.
Foi com este consolo de esperança que os delegados e convidados ao congresso foram jantar. Na volta do repasto, o que viesse seria sempre ofuscado à luz do discurso de apresentação do novo autoproclamado “camarada”. Mas sem electricidade, nos dias que correm, nem se diz nem se ouve discurso, e em ultima análise, nem se vê uma imensa sala (quase) vazia.