Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Novo logo



Ideologias à parte, isto está com piada.

O verdadeiro tributo global a Michael Jackson


A rádio belga Studio Brussel lançou um site em que todos os fãs de MJ pode partilhar a sua apetência para fazer o célebre "moonwalk". Há videos de todo o Mundo, mas ainda não há de Portugal...

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Esta noite sonhei que era Manuel Pinho...

Foi na apresentação do Mobi-e que Luís Viegas e Luís Filipe Pereira apareceram de costas voltadas. Ambos concordam que foi feito um excelente trabalho no desenvolvimento e concepção dos postos de carregamento aasim como na criação da própria rede que irá surgir em diversos pontos das cidades do nosso país. Já quanto à verdadeira aplicabilidade no terreno, as dúvidas e cepticismos surgem. Este trabalho feito, e bem feito, é apenas o final da etapa conceptual ou embrionária. O carsharing de veículos eléctricos não será uma realidade no nosso país, sem que este passo que foi dado nesta apresentação se torne uma realidade no quotidiano das cidades portuguesas. Vamos por as cidades portuguesas na linha da frente da inovação, tornando-as atractivas e consequentemente competitivas. Fazendo ao mesmo tempo descer a nossa dependência dos combustíveis fósseis, responsável por grande parte do nosso desiquilibrio na balança de transacções corrente. É um legado positivo que este governo deixa, apesar de ainda haver caminho a precorrer. Este foi também um dos últimos actos políticos do nosso rei da pop política, e cujas estranhas coreografias nos debates parlamentares lhe valeram a demissão - Manuel Pinho.

Separados à nascença?



Será que José Sócrates e Michael Jackson foram separados à nascença?

É que o processo de branqueamento a que se submeteram tem sido verdadeiramente idêntico.
Enquanto Michael Jackson começou esse processo após a saída dos Jackson Five, Sócrates começou após a ida para o Governo com Guterres.

O mais impressionante processo veio a culminar numa alteração radical do discurso desde as últimas Europeias.

Agora, José Sócrates pretende ser o melhor amigo dos portugueses, com o discurso pautado pela palavra "humildade".
Quatro meses de "humildade" não vão apagar 4 anos de arrogância, prepotência, altivez e autocracia!

Não resisto à piada fácil de dizer que Michael Jackson fez uma rinoplastia orgânica e "Pinócrates" uma rinoplastia conceptual...

Oposição à oposição



Parece crime.
Nos dias que correm dizer mal do Governo "é bem”, e dizer bem de quem diz mal não "cai mal". Que cretinice, intelectual de uns, moral de outros, agora o Sócrates é só defeitos e a Manuela é a própria da virtude?! Os “independentes” que hoje procuram a equidistância, pelo vogar da “onda critica” à actual governação, mais não fazem como Pilatos, em consciência sabem que nenhum governo alguma vez teve a coragem de fazer o que este fez. E sabem melhor ainda, como eram urgentes estas reformas e como se moveram mares e montanhas para impedir estas mudanças.
É inconcebível ouvir a candidata a primeira-ministra dizer que vai “mudar tudo na educação” e ficar calado?! Porque é que a antiga Ministra da Educação promete esta insensatez com tamanha irresponsabilidade? É o mais puro e inconsequente eleitoralismo. Deveria ser uma bandeira do PSD a avaliação dos professores, assim como o ensino profissional. Os "piquenos e médios empresários" não estão do mesmo lado da barricada daqueles que não querem ser avaliados, mas que querem continuar a ganhar €3000/mês por 20 horas de trabalho semanais e 2 meses de férias.
Temo por este país e pela qualidade da nossa democracia quando franjas significativas dos nossos supostos "melhores" navegam à vista não vão ter que fazer novos “amigos” a seguir às legislativas. “Até ao galo cantar haverás de renegar o meu nome três vezes” assim o terá dito Jesus Cristo ao apóstolo. Que raio de reformas podem, ou sequer valem a pena serem feitas quando os mesmos que as apoiaram quando Sócrates era invencível, agora as deixam cair sem estrondo? Apenas porque o vento pode passar a soprar da direita e é sempre mais fácil navegar à bolina!
O PSD não tem programa. Será pecado dize-lo?
A líder do PSD, foi desastrosa nas suas anteriores experiencias ministeriais. É mentira?
Caso as teses do PSD - privatização da CGD; privatização da Segurança Social - tivessem sido aplicadas, o que seria de nós no contexto de crise mundial? Não deveremos sentir a angústia deste futuro que poderia ter sido, e que graças à vontade dos portugueses e do governo socialista não foi?
É verdade a “politica de verdade”? A "Senhora" não imitou Dias Loureiro quando disse não ter sido ela a vender a PT quando afinal até foi ela que assinou bem a meio do curto consulado de Barroso.
E Santana Lopes para a CML... Em Oeiras nem candidato credível apresenta para não canibalizar o sempre seu Isaltino. Em Lisboa apresenta PSL em cuja personagem ainda à pouco menos de um ano dizia não votar fosse para que função fosse. É esta a VERDADE!
Sinceramente, apesar de todos os pesares que pesam (e muito) sobre os ombros de José Sócrates, o que já fez este PSD para merecer sequer o benefício da dúvida?
Agora é o Carlos Encarnação que está arguido por mais um negócio lesivo do interesse público, realizado durante os governos de que Ferreira Leite fez parte. Quantos mais “laranjas” têm que "ir dentro" para que se perceba que PS e PSD não “são todos iguais”? E que Manuela Ferreira Leite não foi de um dia para o outro que ficou diferente dos seus!
Provem que foi Constâncio quem roubou o BPN e que Dias Loureiro não teve a capacidade para o impedir! Até lá farei oposição a esta oposição. A este PSD não é a alternativa de futuro de que precisamos. A este PSD, espectro de um passado de que fugimos, mas que 4 anos não chegaram para enterrar.

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

O internacional catolicismo.


- De pé ou vitimas da fé, de pé famélicos da ordem!
Podiam ser estas as primeiras frases do hino para a nova “autoridade politica mundial?”
Na encíclica “Caritas in veritate” ontem revelada, o Chefe de Estado do estado do Vaticano, defende a criação de uma “verdadeira autoridade politica mundial” com um “grau superior de organização à escala do governo da mundialização”. Na prática, uma estrutura politica global que acompanhe a globalização económica e cultural em curso.
Visão de futuro?
Ao Estado do Vaticano nada mais pode interessar do que a religião. É, por assim dizer, o seu “coure business”. Da boa administração do seu capital místico e espiritual resulta a influencia que resta ao Papa para se imiscuir nos assuntos mais prosaicos da coisa terrena. Como pode vir o Papa criticar explicitamente o modelo da ONU, apresentar modelos de boa governação a estados laicos ou a outros embora religiosos mas não católicos, quando a Igreja Católica perde milhares de fieis a cada dia que passa? Quando a Igreja Católica Apostólica Romana falha deliberadamente no diálogo ecuménico com as outras religiões?
“In veritate” porque não propõe o Papa uma única religião global para todo o Mundo? Uma religião pela qual matar ou morrer não faria qualquer sentido de tão despojada dos bens e poderes materiais, de tão independente dos interesses dos homens.
Se os sacerdotes não sabem resolver os problemas da religião o que os leva a crer que são capazes de resolver os problemas da política e da economia? Se é a paz e progresso que se quer, que se acabem de vez com os ataques às poucas instituições que ainda vão garantindo algum desse progresso e paz como é o caso da ONU.
É preciso reformar a ONU, a UE, os EUA, a OTAN, a OCDE, o MERCOSUL, etc.? Sem dúvida!
Mas para Ratzinger deveria ser muitíssimo mais urgente reformar uma instituição mergulhada numa crise muitíssimo mais profunda, a Igreja Católica!

Manuela como Santana?


Manuela Ferreira Leite será, entre os líderes das principais forças partidárias, a única que não tira férias.
Apesar de ser uma mulher de família, este ano não haverá Verão em São Martinho do Porto, nem noutra praia qualquer. Esta será a Estação do tudo ou nada para o PSD, para que em Setembro não desça no apeadeiro.
Mas falando na última experiencia que tivemos com este binómio férias/PSD, recordo que o último Primeiro-Ministro do PSD também assumiu o governo sem repouso prévio, para logo 14 dias depois tirar umas férias no Algarve. Foi um belo exemplo!
A escolha de Manuela Ferreira Leite será tirar férias da campanha quando estiver à frente dos destinos da Nação? Ou vê a vitória como um cenário tão improvável que já tem termas marcadas para o Outono?
Em qualquer dos casos, e atendendo à veterania da candidata, seria bom que carregasse baterias antes do combate eleitoral, até porque, este promete ser duro.

Fechem os olhos e façam silêncio.

Não é pela franja que se vão apaixonar.

Tributo ao "Emigrante Português"

Aterrou na capital da nação, vindo da república das bananas, com 11 anos mal feitos, e chorou… Chorou, jogou, jogou, marcou, marcou e encantou Sir Alex que o levou na bagagem para a terra da “bifas”, e treinou, treinou, treinou, jogou e marcou, marcou, marcou, marcou, marcou. Até que chegou um empreiteiro espanhol com mais dinheiro que juízo e pagou, pagou, pagou 94 milhões de vezes pagou para ver este português a jogar à bola no Barnabéu. As “nereidas” só lhe fazem bem para desenjoar da bola que o acompanha do acordar ao pôr-do-sol. Cristiano Ronaldo tem tudo, porque a sua vida é o seu trabalho, ele é “O Emigrante Português”



Dedico este tributo aos mensageiros da desgraça que professam o naufrágio do “puto” na movida de Madrid.
Pode até nem ser o mais genial, mas é simplesmente o “perfect player”, inigualável! O Mundo já está a seus pés, Madrid tratará de o carregar em ombros.
Viva Cristiano! Viva Portugal!

Cientistas Gay isolam o gene do Cristianismo



E se em vez dos ratinhos, testassem este procedimento no Paulo Portas? Será que alguns dos cientistas gay evocariam objecção de consciência?

O homem que quase me fez mudar para o Benfica...

... continua a "fazer vitimas" nas ex-colónias.
Comigo, foi ouvi-lo falar apenas 20 minutos, e na rádio, sobre "o clube da sua freguesia". O brilhantismo da sua paixão contagiava a cada palavra...



Vou pedir um desejo: também eu gostava de partilhar uma mesa, uma hora que fosse, com esse Senhor, só há um tema sobre o qual não quero voltar a ouvi-lo falar... a bem do meu esforço, dedicação, devoção, e glória!

Domingo, 5 de Julho de 2009

Os "chifres" nas devidas testas.


Pinho, apesar dos chifres, fez-nos puxar pela cabeça. As despedidas são sempre momentos de balanço para uns e de embalo para outros. Estávamos habituados aos ministros da economia anónimos (nos consulados PSD o último com alguma notoriedade terá sido o Eng. Mira Amaral), ou então a mega ministros de governos rosa (estilo Pina Moura), que não dedicavam à economia mais do que o seu part-time. Entre os empresários, os papões que a esquerda radical esquece serem aqueles que geram riqueza e emprego, é unânime a opinião: Manuel Pinho foi um excelente ministro. Entre a oposição de direita, e agora que o dano foi superior às suas melhores expectativas, o ministro afinal não terá sido assim tão mau. As “gafes a la Pinho”, continuam catalogadas de “inaceitáveis indiciadores de desnorte governativo”, mas quando vamos às politicas em concreto do Ministério da Economia a critica fica pelos detalhes. O pensamento estratégico do ex-ministro estava correcto, assim como , agora que já é ex, é vista com outra bondade a dinâmica com que sempre respondeu aos problemas do tecido produtivo nacional. Os sociais-democratas sabem, que amordaçado, Manuel Pinho seria sempre um bom ministro da economia, até num governo PSD... Diz agora o cinismo critico ao serviço da predação laranja, que no "mundo real", no mundo do trabalho e da sociedade que lhes é tão distante, Manuel Pinho até seria reconhecido pelo trabalho feito, mas que na politica “as regras são outras”. Na "política de verdade" as regras são de facto outras, lá não há lugar ao mérito, apenas há espaço para o mal dizer. Se dúvidas ainda existissem sobre a capacidade de melhor fazer... mas nem isso!
Qual é o legado de Manuela Ferreira Leite nas pastas da Educação e da Finanças?
Respectiva e sumariamente: uma geração à rasca; 2 submarinos inúteis e uma “hipoteca geracional” ao City Group.
Haja decoro!
Haja memória!
Haja competência!
Manuel Pinho, foi uma indecorosa personagem política que ficará na nossa memória colectiva como um Ministro tão competente nas suas funções como era congenitamente compelido à gafe mais esdrúxula.
Confiando na memória curta dos eleitores, o PSD apresenta uma candidata a Primeira-Ministra comprovadamente incompetente nos Ministérios por onde passou, e agora, sem ponta de decoro, a “Senhora”, apresenta-se virgem!
Nem foi ela que privatizou a PT!
Quer “mudar tudo na Educação”!?
O que propõe?
Voltarmos ao tempo em dos estudantes com as calças na mão?
Do tempo do investimento ZERO no ensino profissional? Quando no ensino superior era aposta solitária de um sector privado lucrativo mas selvagem de que eram sócios ou cooperantes metade dos ministros de Cavaco Silva?
Para o povo português esta “senhora” já usou “chifres”. Não “os chifres de Pinho”, mas os “chifres” de uma gestão diabólica que mais soube destruir do que preparar o País para o futuro.
O povo português é inteligente, e se coisa aprendeu nos últimos anos é que aqui não há anjos ou “santinhas”. Na devida altura saberá recolocar os “chifres” nas devidas testas, porque única verdade” na política é a vontade dos cidadãos! Haverá mentira que dure sempre, ou forte que chegue para esconder o trabalho do governo de Sócrates com a peneira da “seriedade” de Manuela Ferreira Leite? Não creio.

Sábado, 4 de Julho de 2009

Atrás de mim virá, quem de mim bem dirá


Manuel Pinho será na próxima 2.ª feira substituído por Teixeira dos Santos nas funções de Ministro da Economia e da Inovação. Hoje de manhã estive no Forum Novas Fronteiras dedicado à Economia e entre vários economistas reputados, nacionais e estrangeiros, havia claramente a sensação de que Pinho, estando ausente, era o mais presente de todos.

Efectivamente, Manuel Pinho pode ter sido o mais mal amado de todos os Ministros de José Sócrates e pode até ter contribuído para essa percepção com as sucessivas "gaffes" e falhas protocolares a que nos habituou. Mas há uma coisa que ninguém pode acusar Pinho: não ter tido uma visão estratégica e de futuro para a economia portuguesa.

É graças a Manuel Pinho que se começaram a traçar linhas orientadoras muito claras para o desenvolvimento económico de Portugal. Veja-se o caso da Estratégia Nacional para a Energia, fortemente apoiada na promoção massiva das energias renováveis, ou mais recentemente a aposta no carro eléctrico. Veja-se o caso da aposta na internacionalização e na consciência da importância em reforçar as exportações. Logo com sinais visíveis: a balança tecnológica passou a ter um saldo positivo. Veja-se ainda a aposta na competitividade das empresas portuguesas como o "driver" essencial para estas poderem resistir aos tempos difíceis da actual crise económica internacional. Veja-se, por fim, a solidariedade e o empenho demonstrados em dezenas e dezenas de contactos com trabalhadores de empresas em situação difícil (e não falo apenas da Qimonda ou da Autoeuropa).

Em tudo o que fez, Manuel Pinho não deixou de ser, sobretudo, um grande motivador e de ser uma fonte de inspiração para os empresários portugueses com um discurso conciliador e mobilizador ("os portugueses têm de acreditar em si próprios", "transformar um desafio numa oportunidade", "antecipar as mudanças, de maneira a transformá-las em oportunidades"). Aconselho, por isso, vivamente a leitura do testemunho que nos deixou hoje no jornal i (ver aqui).

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

O agente provocador.

A postura de Manuel Pinho no parlamento é indefensável e a de José Sócrates o que dele se esperava e espera, fica desde já essa questão arrumada, mais anedota menos anedota.

Valia a pena, na minha perspectiva avaliar não só, o que segundo o próprio “agente provocador” deu origem a este acontecimento, mas também outros episódios mais ou menos recentes protagonizados por políticos no parlamento e fora dele.

Já tive oportunidade de assistir a várias sessões parlamentares em várias legislaturas e confesso que fiquei um pouco admirado com a hipocrisia de gente que se fez de virgem ofendida.

Dos mais variados balanços que frequentemente são feitos pelos jornalistas sobre a actividade parlamentar, destacaria, por se enquadrar neste caso, a listagem e chorrilho de insultos e palavreado insultuoso produzido em “on” e passível de ser verificado pela leitura das actas, isto para não falar dos apartes, muitos presenciados e registados pelas objectivas e microfones dos meios de comunicação social.

Esta polémica aproveita a quase todos menos a Manuel Pinho, não lhe será certamente favorável, no caso dele não me parece que seja fatal como foram situações parecidas para outros, porque não era nem deverá querer ser político no futuro, mas muitos outros já ficaram em maus lençóis no passado e certamente outros ficarão no futuro. Situações destas no calor da luta podem acontecer, até porque muitos se dedicam e especializam como agentes provocadores. Assistimos aos seus treinos e performances diariamente.

Segundo julgo saber, a figura do agente provocador não tem protecção ou existência legal no nosso ordenamento jurídico. Também não devia ter na vida política ou em sociedade. Não está em causa a costumeira discussão de quem começou primeiro. Está em causa a conduta de cada um, mesmo quando a mesma passa despercebida pela reacção desproporcionada, visível ou impressionante de outro actor no mesmo cenário.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Olé!!!



Foi tarde, mas foi em grande estilo. Mesmo na derradeira hora sempre fiel, e até deu mais uma oportunidade a José Sócrates de brilhar como grande chefe de equipa rigoroso e disciplinador.
Resultado: mais trabalhos para Teixeira do Santos, menos problemas eleitorais para o PS.
Manuel Pinho foi um dos melhores Ministros da Economia que tivemos, mas também um dos políticos mais distraídos e desastrados de que há memória.
Corta o manolete na derradeira faena na monumental arena da Assembleia da República mas com uma saída pelos curros… merecia melhor sorte.
Já deixam saudades as toiradas de El Pinho.

Manuel Pinho - sem maneiras!...



Não é assim que se prepara um novo mandato. Sr. Ministro, não havia necessidade... Daqui a nada começa a chamar aos deputados da oposição "garotada" ou "garotão". Deixe essas coisas para a gente do Benfica, que é mais popularucha...

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Car2Go - a maneira inteligente de andar de carro

Burn after reading - artigo de opinião MST - Expresso

"Esta noite sonhei com Mário Lino

Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:

- É sempre assim, esta auto-estrada?

- Assim, como?

- Deserta, magnífica, sem trânsito?

- É, é sempre assim.

- Todos os dias?

- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.

- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?

- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.

- E têm mais auto-estradas destas?

- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.

- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?

- Porque assim não pagam portagem.

- E porque são quase todos espanhóis?

- Vêm trazer-nos comida.

- Mas vocês não têm agricultura?

- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.

- Mas para os espanhóis é?

- Pelos vistos...

Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:

- Mas porque não investem antes no comboio?

- Investimos, mas não resultou.

- Não resultou, como?

- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.

- Mas porquê?

- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.

- E gastaram nisso uma fortuna?

- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...

- Estás a brincar comigo!

- Não, estou a falar a sério!

- E o que fizeram a esses incompetentes?

- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.

- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?

- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.

Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.

- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?

- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.

- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?

- Isso mesmo.

- E como entra em Lisboa?

- Por uma nova ponte que vão fazer.

- Uma ponte ferroviária?

- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.

- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!

- Pois é.

- E, então?

- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.

Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.

- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...

- Não, não vai ter.

- Não vai? Então, vai ser uma ruína!

- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.

- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?

- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!

- E vocês não despedem o Governo?

- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...

- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?

- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.

- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?

- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.

- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?

- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.

Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:

- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?

- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.

- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?

- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.

- Não me pareceu nada...

- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.

- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?

- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.

- E tu acreditas nisso?

- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?

- Um lago enorme! Extraordinário!

- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.

- Ena! Deve produzir energia para meio país!

- Praticamente zero.

- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!

- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.

- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?

- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.

- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?

- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.

Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:

- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?

- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.

Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:

- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!"


Miguel Sousa Tavares

In Expresso, 27 de Junho 2009

Eu coloquei o título do filme dos irmãos Coen neste artigo de MST, não por causa da qualidade do artigo, mas sim pela incoerência do que temos planeado e feito nos últimos anos no nosso país. Não atribuo exclusividade de culpas a nenhum governo em particular, mas sim a uma geração de políticos que nos tem governado. De facto, sugiro após leitura de bom e pertinente artigo, que independentemente de representar um abordagem mais racional sobre os investimentos nacionais que têm sido feitos, não deixa de perguntar o que é que temos feito a este nível nos últimos 20 anos, e com que coerência. Das duas uma, ou paramos para reflectir, ou mais vale queimar depois de ler. Em nome da sanidade mental colectiva..., pois uma dia alguém vai ter de pagar a conta de todas estas políticas.


Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Com "a verdade" nos enganas, Manela!

Manuela Ferreira Leite veio hoje dizer que a venda da rede fixa foi decidida pelo Governo socialista de António Guterres. Disse hoje MFL esta coisa extraordinária: "Isso não é verdade, pela simples razão de que o negócio da venda da rede fixa estava feito pelo PS quando eu cheguei ao Ministério das Finanças". Acrescentou ainda que "A decisão política dessa matéria não é minha, a decisão política é do Governo socialista do engenheiro Guterres. Portanto, quando eu cheguei ao Ministério das Finanças a decisão política estava tomada".

Vamos aos factos, à "política de verdade"...

A verdade, Dra. MFL, é que enquanto Ministra da Finanças decidiu na reunião do Conselho de Ministros de 11 de Dezembro de 2002 - ou seja mais de 8 meses depois de tomar posse - vender a rede fixa à Portugal Telecom. Como é que uma decisão tomada 8 meses depois pode ter tido sido condicionada pelo anterior governo??

Portanto, a Dra. MFL mente e as ilusões com que pretende enganar são comprováveis. Senão vejamos:

a) Na AR, em Outubro de 2002, MFL durante o debate da proposta de orçamento de Estado para 2003 confirmou que o governo PSD/CDS-PP estava a negociar a venda da rede fixa de telecomunicações à Portugal Telecom: “Quanto à PT, fique o Sr. Deputado a saber que, como é evidente e não o nego, estamos a negociar a venda da rede fixa…”, “Srs. Deputados, não o faremos sob pressão, repito, não o faremos sob pressão. Se o preço não for compatível com a avaliação, não venderemos.”

b) Mais tarde, em Dezembro de 2002, no briefing do Conselho de Ministros que aprovou finalmente o negócio, MFL afirmou que o encaixe realizado com a venda da rede fixa à PT garantia que «estejam reunidas as condições para que o défice orçamental previsto para 2002 se cumpra».

À reflexão dos nossos cidadãos...

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Humor negro