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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

ANÍBAL CAVACO SILVA com este cadastro "porque non te callas?!"


Nascido a 15 de Julho de 1939, em Boliqueime, Loulé (Algarve), Aníbal Cavaco Silva é licenciado em Finanças pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, Lisboa, e doutorado em Economia (Estudos Africanos) pela Universidade de York, Reino Unido.

Foi investigador da Fundação Calouste Gulbenkian e dirigiu o Gabinete de Estudos do Banco de Portugal, instituição que tão bem tratou o seu antigo braço direito e Ministro da Administração Interna, e à qual regressou, posteriormente, como consultor. Cargo que lhe vale o usufruto de uma pensão que acumula com o ordenado de Presidente da República.

Cumpriu o serviço militar como oficial miliciano do Exército, entre 1962 e 1965, em Lourenço Marques (quanta saudade…), Moçambique. Foi durante a sua participação na Guerra Colonial que descobriu a sua grande paixão, os vídeos amadores com a sua mulher Maria (cuja tese de licenciatura versou sobre o Saudosismo Português de Teixeira de Pascoaes).

Quando voltou, foi docente do ISCEF, Professor Catedrático da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa e Professor Catedrático na Universidade Católica Portuguesa.

Exerceu o cargo de ministro das Finanças e do Plano em 1980-81, no governo de Francisco Sá Carneiro, do qual se demitiu meses antes da intervenção do FMI na economia portuguesa, tornada inadiável após o seu consulado.

Foi presidente do Conselho Nacional do Plano entre 1981 e 1984, data em que se cruzou pela primeira vez com a segunda grande paixão da sua vida, o Citroen BX. Mas só um ano depois fez a rodagem ao veículo curiosamente até à Figueira da Foz onde decorria uma convenção partidária, veio de lá Presidente ao Partido Social Democrata (PSD) cargo que ocupou entre Maio de 1985 e Fevereiro de 1995 “apesar de não ser político”.

Único líder partidário a conquistar duas maiorias absolutas consecutivas, o que o tornou no Primeiro-Ministro português que mais tempo permaneceu em funções em democracia (1985- 1995), o que é um feito extraordinário “sem fazer política”.

Cavaco Silva deixou, nos seus mandatos como governante, uma marca de consumo dos fundos comunitários à troca dos quais vendeu o tecido produtivo nacional, e firmeza na aplicação de um vasto conjunto de regras formais, que promoveram a democratização e a liberalização da sociedade e da economia portuguesas, como são exemplos: a recusa em perder tempo com a leitura de jornais, a sublimação da evasão fiscal, a promoção de tabus políticos sempre que os assuntos não lhe convinham.

Apesar de nunca ter sido político, como Primeiro-ministro, Cavaco Silva tem o seu nome associado ao período da mais duradoura estabilidade política registado em Portugal nas últimas décadas e a um ciclo de grandes transformações económicas e sociais. Como o disse apropriadamente Dias Loureiro: “- Eu era pobre quando era Ministro da Administração Interna de Cavaco Silva e só ganhei o meus primeiros 10 Milhões de Euros um ano depois de deixar de ser Ministro de Cavaco Silva”.

Também modernizou o País. Durante o período em que Cavaco Silva foi Presidente do Conselho… Portugal viu nascer as Torres das Amoreiras, o respectivo Centro Comercial e o Centro Comercial de Belém e o respectivo Pedro Santana Lopes, as Olaias, os primeiros Continentes. Viu igualmente e crescer a colecção de Ferraris e namoradas do Dr. Talon, a reputação do Arquitecto Taveira através dos seus vídeos, e até o Marques Mendes.

Em 1995 recebeu o Freedom Prize, na Suíça, concedido pela Fundação Schmidheiny, pela sua acção como político e economista, mas deve ter devolvido 50% do prémio por não ser político.

Mais recentemente, foi distinguido com o Prémio Mediterrâneo Instituições (2009), atribuído pela Fundação Mediterrâneo, “em reconhecimento pelo seu empenho e acção no reforço da solidariedade e de uma activa cooperação entre os países mediterrânicos, em favor da promoção do desenvolvimento e da Paz, nessa região”. Terá sido pela pertinente ratificação do Tratado de Zamora?! Certo é que em troca o chefe de família da Casa de Borbón recebeu um GPS de fabrico nacional das mãos do antigo campeão dos 110 metros barreiras. Menos certa será a reciprocidade no afecto com que a nossa Primeira-dama se derrete de cada vez que toma chá com a Rainha Sofia da Grécia, nacionalizada em 75 pelos nuestros hermanos )é que essa coisa de encher a boca de bolo e mastigar de boca aberta tem as suas "externalidades" sociais).

Incompreendido pela Academia Nacional (Boliqueime tem saída na auto-estrada mas não houve tempo para construir um pólo de uma universidade privada que servisse os seus 200 habitantes), Cavaco Silva é Doutor Honoris Causa pelas Universidades de York (onde pagou propinas), La Coruña (Espanha), Goa (Índia), León (Espanha) e Heriot-Watt (Edimburgo, Escócia).
E é como figura maior da República Portuguesa que aceitou ser nomeado membro da Real Academia de Ciências Morais e Políticas de Espanha (a moral, os bons costumes, e a “Hola” da Maria oblige) e do Clube de Madrid para a Transição e Consolidação Democrática e da Global Leadership Foundation (queria igualmente ter entrado para a guest list do Clube Silk, mas à época ainda não tinha conta no Twitter).

Da vasta obra que publicou, há a referir os livros:
• O Mercado Financeiro Português em 1966 (escrito na guerra…?!);
• Economic Effects of Public Debt (baseado na experiencia enquanto Ministro das Finanças de Sá Carneiro que nos entregou às mãos do FMI);
• Política Orçamental e Estabilização Económica
• A Política Económica do Governo de Sá Carneiro (mini-micro-pequeno livro);
• Finanças Públicas e Política Macroeconómica (só é politico no contexto Macroeconómico, aliás, como se tem visto…);
• As Reformas da Década, Portugal e a Moeda Única (para quem gosta do estilo auto-elogio narcísico obsessivo);´
• União Monetária Europeia (se não quiserem dar por mal gasto o dinheiro consultem a página da EU)
• Autobiografia Política, Volumes I e II (quem consegue ler aquilo fica apenas com uma certeza: não foi escrita por ele, até porque ele não é político logo só poderá ter uma Aurobiografia enquanto docente universitário);
• E as Crónicas de Uma Crise Anunciada (tem sido um presente natalicio recorrente em Belém, quem levar 2 dúzias de pasteis leva também como oferta “As intervenções mais importantes produzidas como Primeiro-Ministro” em vários volumes, que apesar de numerosos, perdem-se com facilidade e frequência entre os pacotinhos de canela e de açúcar moído que acompanham as delicias do Restelo);
• No Inverno e quando falham as acendalhas, a Maria costuma pedir ao Aníbal umas páginas “emprestadas” aos: Cumprir a Esperança (1987), Construir a Modernidade (1989), Ganhar o Futuro (1991), Afirmar Portugal no Mundo (1993) e Manter o Rumo (1995). Sai mais barato que as folhas dos jornais que o marido não lê, mas cujo fumo convêm não inalar... são histórias que cheiram mesmo muito mal mesmo quando as tentam queimar.
Após ter sido afastado da vida política activa, primeiro por António Guterres, depois por Jorge Sampaio entre 1995 e 2005, período durante o qual retomou breve actividade académica, Aníbal Cavaco Silva manteve, todavia, uma marcante participação cívica, nomeadamente através de intervenções pontuais sobre questões nacionais sobre a boa e a má moeda e internacionais, sobre as offshores da SLN, caracterizadas por elevados padrões de rigor, exigência, que sempre renderam a quem o apoio na sua actuação pública, atenção, não confundir com politica.
Apesar de não ser político, já é o recordista de candidaturas a Presidente da República (um cargo muito técnico como se sabe) em democracia.
À segunda tentativa, Aníbal Cavaco Silva de mão dada com a mulher, os filhos, os netos, o periquito e o gato (Dias Loureiro teve que esperar pelo Conselho de Estado) lá subiu a rampa de acesso automóvel ao Palácio de Belém a 9 de Março de 2006.
Fora eleito, à primeira volta, no escrutínio presidencial de 22 de Janeiro desse ano, ao qual se apresentou com uma candidatura pessoal e independente, apenas com o apoio do PSD, do CDS, da Igreja Católica, da UCP, da Rádio Renascença e da CIP.
Considerando que os desafios que Portugal já então enfrentava exigiam uma magistratura presidencial que favorecesse consensos alargados em torno da realização de importantes objectivos nacionais, o Prof. Aníbal Cavaco Silva empenhou-se, desde o início do seu mandato, em contribuir para a criação de um clima de estabilidade política e de cooperação estratégica entre os vários poderes não abrindo a boca em quaisquer circunstâncias.
Terá sido porventura por isso que ninguém lhe deu ouvidos. Frustrado, e amesquinhado, interrompeu as férias dos portugueses por duas vezes em 5 anos para falar ao país sobre assuntos da maior pertinência como o foram o estatuto dos Açores e depois as escutas de José Manuel Fernandes a Fernando Lima.
As intervenções mais importantes como Presidente da República encontram-se reunidas nos livros Roteiros I - 2006/2007; Roteiros II - 2007/2008, Roteiros III - 2008/2009 e Roteiros IV – 2009/2010. Nestes interessantíssimos roteiros podemos saber onde se come o melhor Bolo Rei de Portugal, ou onde a Maria gosta mais de passear para “desmoer” o bacalhau com grão do jantar.
Difícil mesmo é encontrar as contas da Casa Civil da Presidência da República.
As contas da Assembleia da República estão no site da AR, as contas do Governo são públicas e escrutinadas em contínuo todos dias.
Quanto e como gasta o Presidente da República na sua magistratura de influência? Alguém sabe? Onde estão publicadas estas contas? É verdade que esta é a casa civil mais cara da presidência da República? O Presidente não gosta de viajar (o que nem tem mal nenhum, Salazar também só fez uma viagem de estado em 50 anos), mas há que combater o desemprego na São Domingos à Lapa. A transparência democrática de Cavaco Silva é muito boa mas é para os outros.
É casado com uma Professora de Português, mas não sabe quantos cantos tem os Lusíadas. Deste matrimónio heterossexual resultaram dois filhos e cinco netos e um genro que enriqueceu com a organização de comícios partidários e outras festividades promovidas à época pela rádio pública para a qual havia sido por coincidência nomeado. Resta o consolo de ter uma filha ajuizada, que aconselha o pai a fazer bons investimentos como retornos de mais de 100% ao ano em mais-valias da venda de acções curiosamente, da SLN à… SLN.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

13 de Junho - "Dia da Raça"

O 31 da Armada está sempre atento a qualquer desvio à pureza da raça. Desta vez o alvo é o jogador da selecção germanica Cacau. O que dirá o "líder" de Rodrigo Moita de Deus (Moita de Deus cheira-me a cristão novo...)sobre esta "atenção" do protegido...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A mentira só acaba quando a verdade aparece.

Fernando Lima, braço direito de Cavaco Silva para a comunicação social desde 1985 acaba de ser demitido.
Fui a saída mais fácil, era a única saída possível.
É legitima e evidente a assunção de culpa do PR em todo este processo. Cai por terra a teoria da "asfixia democrática" e com ela quaisquer hipóteses do PSD conquistar as próximas eleições e até ver fica fragilizada a reeleição de Cavaco Silva, para além de abalada a sua credibilidade aos olhos dos portugueses.
Volto a escrever, a lama tem vindo sempre do mesmo lado e constantemente na mesma direcção, pelo meio tudo mas absolutamente tudo, é posto em causa, até a própria democracia que já ouviu dizer que devia ser "suspensa por seis meses".
Quer queiramos quer não, não vale tudo para ganhar. Quem quer ganhar e vai perder, agora a toda a linha, a direita, demonstra um profundo desprezo por todas as instituições sejam tribunais ou policias. É o vale tudo! E até os escândalos que estalam entre portas, como a compra de votos, e que nas palavras dos visados (Helena Lopes da Costa) não passam de ataques internos à líder, são rapidamente travestidos de contributos de Sócrates para a asfixia democrática.
O PSD tem que assumir a sua liderança é fraca e que sempre foi "para queimar". Este desespero delirante apenas o afasta do essencial, e o essencial é retomar o caminho deixado a meio por Marques Mendes. O cancro do país está na sua direita maniqueísta revisionista e demasiadas vezes avessa à democracia.
O PSD que trate primeiro do PSD Madeira, do Fernando Ruas e das suas pedradas, até de Isaltino e Valentim que apesar de se candidatarem como independentes continuam com as "máquinas" locais do PSD nas mãos.
Para este PSD a "política de verdade" acabou quando a mentira apareceu.

Separar as águas.

Se Moisés fosse candidato às próximas eleições presidenciais em Portugal, ganhava de certeza. A confusão é tanta, tamanha é a quantidade e a variedade de fontes e de pseudo informações e informadores que parecem jorrar debaixo de cada calhau, que o que do que precisávamos mesmo, não era de outro jornal de sexta, mas sim de um Moisés que abrisse caminho pelas águas tortuosas da desinformação a caminho da terra prometida da confiança.

Quando os homens não estão à altura dos momentos, devemos procurar refúgio nas nossas reservas éticas morais e legais. A nossa primeira reserva colectiva seria porventura a que esta personificada na figura maior do nosso Estado, mas nem esse cidadão está a salvo do presente lamaçal, e até é suspeito de ser um dos principais chafurdadores.

Resta-nos a Lei, resta-nos o Estado de Direito, resta-nos acreditar no princípio da separação de poderes e na fiscalização e auto-regulação de forças que estes exercem entre si:

  • Podemos acreditar que o que temos funciona, que a Lei prevalece, que a Lei é a expressão máxima da nossa vontade democraticamente demonstrada.
  • Podemos não acreditar em mais nada, podemos desconfiar das instituições, pôr em causa os seus fundamentos e desrespeitar os códigos sociais, desrespeitar as leis, quem as produz e aplica.

Neste momento, a escolha mais simples para os portugueses é assumirem a sua boa fé ou má fé naquilo que entendemos por República Portuguesa, pela nossa democracia, pelos nossos tribunais.

Aqueles que respondam negativamente, aqueles que para a resolução de um diferendo ou de um problema social acham mais legitimo e eficaz recorrer-se à difamação num qualquer pasquim do que aos tribunais ou a qualquer outro instituto público, então que tomem bem consciência do caminho que começam a trilhar.

O nosso Primeiro-Ministro pode não ser a pessoa mais simpática aos olhos de muitos portugueses e alguns deles naturalmente votarão contra ele no próximo dia 27, mas sustentar essa decisão não na avaliação critica da eficácia das suas políticas, mas sim no achincalhamento não apenas de José Sócrates mas já de todos os princípios e valores que sustentam a nossa democracia?

Agora, até o processo Casa Pia serve para a campanha política contra a credibilidade das nossas instituições. Quem ataca o conselho superior de magistratura a pensar que ataca o PS saiba que ataca antes de mais os juízes em quem temos de confiar para bem da nossa sociedade. Da mesma forma, quem defende a “Casa Civil da Presidência da Republica”, com o argumento de que em Portugal é mais fiável e eficaz ao Presidente da República recorrer a denuncias semi-anónimas e veladas a meios de media seleccionados, ao invés de recorrer às instituições do Estado como a Procuradoria Geral da República ou a Policia Judiciária, está a pôr tudo em causa.

O que é preocupante, é verificarmos que quem joga o jogo democrático não hesita em fazer batota quando em desvantagem. O PSD recorre à mesma imunda estratégia do fascismo em que a desinformação e a calúnia sobre “os do reviralho” conseguia a lealdade de cidadãos que de boa fé neles acreditavam. Tivemos 50 anos parados no tempo, com um regime sustentado nos bufos e nos invejosos que conspurcavam a honra e dignidade de muitos dos nossos melhores apenas e só porque eram “perigosos democratas”.

O destacado líder do PSD, Fernando Ruas sob o beneplácito de Manuela Ferreira Leite soube separar bem as águas quando evocou uma quadra em que julgava em desuso: “Um cravo na lapela fica sempre bem, principalmente a certos filhos da mãe”.

É aceitável que o carácter de uma pessoa possa ser colocado em causa pelas suas opções políticas com tamanha leviandade?

Portugal não pode ser uma imensa Vise, eu não aceito ser alcunhado “filho da mãe” por usar um cravo na lapela, da mesma forma como não quereria ser “uma ratazana” por usar uma cruz de David na Alemanha de Hitler.

Este é o tempo de separar as águas, esta lama que vem sempre do mesmo lado e na mesma direcção só pode aproveitar a quem desrespeita por completos os valores da nossa democracia.

Nestas eleições, mais do que escolhermos entre a esquerda e a direita temos mesmo que fazer uma outra opção bem mais grave e consequente, ou defendemos o Estado de Direito que tanto custou a ganhar e construir ou alinhamos com aqueles para quem o Estado de Direito e as suas instituições com poderes autónomos e equilibrados são uma imensa “força de bloqueio”.

sábado, 19 de setembro de 2009

O Donaldim do PSD


Pronunciar-me sobre as questões de ética jornalística relacionadas com todo o folhetim das escutas em Belém, é chafurdar na lama de uma classe profissional que não respeita os leitores, e que acima de tudo não se respeita a si mesma.

Quando notícias sobre histórias infundadas que fizeram notícia vêm à praça pública pelas mãos de outros colegas de profissão, só fica demonstrado que apesar dos pesares na classe profissional dos jornalistas ainda há alguma capacidade e fiscalização entre pares, e de auto-regulação numa actividade que tem que ser por natureza pouco regulada e muitíssimo protegida. Mas este não é o caso, o DN ao revelar um e-mail interno do “Público” passa vários limites:

Em primeiro lugar, revela a fonte que pretensamente fundamenta a peça que José Manuel Fernandes decidiu publicar a 18 de Agosto. A revelação de fonte jornalística é inclusive uma pratica criminalizada em alguns países.

Em segundo não revela a sua própria fonte. Aquele e-mail é uma agulha num palheiro. Quem do palheiro saberia sequer da existência da agulha? Não sabendo quem reenviou aquele e-mail, pode o DN fazer 1ª página com um assunto desta gravidade?

Em terceiro lugar, assume-se definitivamente como contraponto ao jornal Público, o que terá como efeito a conquista do epíteto de “jornal do regime”. A médio-longo prazo temo pelas consequências que este fardo trará para o Diário.

Mas o que interessa aqui e que é mais relevante do que o comportamento do DN neste ultimo episódio das suspeitas de escutas em Belém, será com toda a certeza como se inaugurou a serie.

Comprova-se o que é vox populi desde os tempos de Durão (amigo pessoal desde a faculdade) na liderança do PSD, José Manuel Fernandes capricha, nos fretes que faz às suas “fontes” laranja. Não podemos vestir de alvo virginal, num aquário como o nosso, toda a gente se conhece e dificilmente não toma partido, ou no mínimo, não desenvolve um relacionamento privilegiado com este ou aquele protagonista. Mas neste caso em concreto, exigia-se ao director de um jornal de referência outro comportamento. Aquele que escolheu ter levanta várias questões:

  1. A notícia 18 de Agosto é legítima, mas porque foi apenas publicada em 18 de Agosto quando o jornal foi informado pela fonte vários meses antes? Para cair em cima da reentre politica? Para dar a pedra-de-toque de que necessitava Ferreira Leite para continuar a asfixiar o debate político com as suas delirantes paranóias?
  2. Porque ignorou o desmentido oficiai do insuspeito Governo Regional da Madeira (GRM), relativo a uma supostamente “estranha” inclusão de um adjunto do Primeiro-Ministro no programa oficial da visita presidencial ao arquipélago? Porque é que mesmo tento a confirmação de que nada havia de anormal, e que tudo tinha seguido as vias institucionais adequadas, optou por ignorar o GRM e alimentar a suspeição sobre este facto numa nova noticia publicada a 19 de Agosto?
  3. Porque veio agora, que o escândalo está a descoberto, lançar insinuações sobre hipotéticas intrusões dos serviços de informação do Estado no sistema informático do Público (numa acusação velada ao Governo) para depois passadas poucas horas dar o dito por não dito, pois terá sido detectado um vulgar reenvio do famigerado e-mail para fora da redacção do jornal?

Se à coisa que decerto José Manuel Fernandes (JMF) terá aprendido com o seu melhor amigo e actual Presidente da Comissão Europeia, é que uma mentira dita muitas vezes e pelos devidos meios, pode até legitimar guerras e mudanças de paradigma à escala mundial.

No caso das escutas, como no caso das supostas armas de destruição massiva do Iraque, JMF defendesse como um inimputável, o homem que só vê à sua direita porque é cego da vista esquerda?! Tal como o pato de pano do ventríloquo, não é ele quem emite qualquer palavra ou sentença, ele limitasse a publicar aquilo que quem o tem de mão lhe envia, e se a coisa se descobre a culpa já se sabe, não é do péssimo serviço ao jornalismo que fez mas sim, como sempre, do governo.

Belémgate.


É da autoria do Professor Cavaco Silva a introdução, e mesmo a criação, do conceito político de “tabu” no léxico nacional. O “tabu”, não é apenas aquele jogo de esconde que o Presidente tanto gosta de jogar de cada vez que as coisas afiguram-se virem a correr-lhe mal. O “tabu”começa pela produção, ou antecipação, de determinado acontecimento, real ou virtual, que terá suposta força para condicionar não só o futuro do protagonista (Presidente Cavaco Silva) mas essencialmente o futuro de umas eleições (hoje como em 95 - as eleições legislativas).

Em 1995 demorou em lançar a bomba (da não candidatura). O seu partido, o PSD, passou da maioria absoluta para o calvário que ainda hoje atravessa. Com a “demora” e discurso ambíguos minou quaisquer hipóteses de uma sucessão condigna, e nestas condições, o mínimo que lhe era exigível, tanto por apoiantes como pelos opositores, era que se submetesse ao julgamento popular, mas não foi assim.

Agora assistimos de camarote ao remake da mesma cena. Nesta história das supostas escutas em Belém apenas o Presidente parece ter alguma informação e capacidade de condicionar a agenda e o ritmo a que as informações vão passando para a opinião pública. Atenção: estamos a 8 dias das eleições!

Fundada ou infundadamente, o Presidente da Republica, quis criar um facto político superveniente em vésperas de umas eleições que podem entregar o poder absoluto à direita.

A questão não é de somenos, segundo fonte da casa civil da Presidência da Republica autorizada pelo próprio, o Presidente desconfia(va) estar sob escuta do Governo! E o que fez o Presidente?

Chamou o Primeiro-Ministro a Belém? Não.

Convocou o Conselho de Estado? Não.

Sequer confirmou oficialmente o teor da notícia que sub-repticiamente mandou publicar no jornal Público? Não.

Oferece a “cacha” a um jornalista “amigo”, que espera o momento em que a popularidade do Governo atinge mínimos da legislatura para lançar a atoarda (apesar de ter dados oficiais que desmentem a fonte primária, mas que ignora ostensivamente como o refere o próprio provedor dos leitores do jornal Público).

Depois, confrontado com a exposição pública do problema aconselhou os portugueses a não desviarem a atenção dos portugueses dos verdadeiros problemas do país. E assim, temos tido no último mês e meio a líder da oposição a cavalgar a suspeita da alegada asfixia democrática de que o país a seu ver está a ser alvo, com a Presidência a assobiar para o lado.

Pelo que sabemos hoje, Belém terá pedido um despiste de escutas aos serviços de informação do exército que terá terminado sem nada revelar de irregular. Nada está provado ou sequer existem indícios palpáveis de alguma vez terem existido escutas em Belém, quanto mais que estas tenham sido promovidas pelo Governo.

Comprovado por este episódio é o retorno do “tabu”. O retorno do sacrifício do interesse público às mãos da agenda particular do Professor de Boliqueime. Em 1995 o objectivo do então Primeiro-Ministro, foi tentar passar entre os pingos da chuva do desastre governativo em que se tinha transformado o polvo laranja, de forma a propiciar uma candidatura presidencial que havia de perder para Jorge Sampaio.

Neste Verão o objectivo claro, tanto do lançamento da notícia do silêncio seguinte foi sustentar o argumentário difamatório pré-eleitoral da sua ex-ministra.

Independentemente de vir a provar que está a ser escutado, o que esta sucessão de episódios comprovam é que o Presidente da Republica preferiu conspirar contra o Governo, manipulando a comunicação social com a seguir as vias legais e institucionais.

E agora ou a Presidência prova rapidamente o que fez transpirar para a comunicação social, ou estaremos na presença de um dos golpes mais baixos alguma vez desferidos na história da democracia portuguesa vindo precisamente do mais alto magistrado da nação. Se assim for, o mínimo que o Presidente da Republica deverá fazer é não fugir de novo ao plebiscito, para que o povo prenuncie sobre quem recorre a semelhantes artimanhas.

sábado, 22 de agosto de 2009

Queres que Portugal seja um Jardim?


VOTA PPD-PSD!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Anda tão caladinha...

... terá sido por isto?



Esta é a "política de verdade" do PSD.

Para memória futura.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Por vezes as iludencias aparudem.

Manuela Ferreira Leite encabeça a lista de deputados do PSD por Lisboa por proposta da distrital do partido, liderada por Carlos Carreiras.
A lista de candidatos a deputados do PSD pelo circulo eleitoral de Lisboa que foi votada esta noite, em reunião da distrital parece ser, à primeira vista, perfeitamente consensual mas será mesmo assim?
Talvez não. Vejamos melhor.
A lista, que deixa de fora nomes como Rui Gomes da Silva, Arménio Santos, Henrique de Freitas, José Matos Correia, Pedro Pinto e António Preto, foi aprovada por 27 votos a favor, sete contra e três abstenções.
Ao que parece, os sete votos contra são das secções que apoiaram Manuela Ferreira Leite. E segundo o jornal Público, existe um enorme descontentamento pelas escolhas da distrital para a lista de candidatados a deputados.
Fiéis de Manuela Ferreira Leite como Duarte Pacheco ou o Presidente dos TSD de Lisboa Álvaro Carneiro caem abruptamente nas listas para lugares perto da inelegibilidade.
A lista terá de ser agora revista pela direcção do partido sendo depois aprovada em Conselho Nacional marcado para a próxima sexta-feira.
A coisa promete...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Mais um...


A vox populi do politicamente correcto sublinha que o caso BPN nada tem a ver o PSD e que quaisquer cruzamentos dos dois cenários da vida pública, não passam de meras coincidências. Pois bem, Arlindo de Carvalho é a ultima coincidência do folhetim, o ex-ministro de Cavaco Silva foi constituído arguido no processo BPN por indícios fortes de ilicitude em negócios imobiliários menos claros. Menos um putativo ministeriável para um hipotético futuro governo do PSD. Tal como Dias Loureiro, Arlindo de Carvalho já fez saber que "o seu envolvimento no BPN só o fez perder dinheiro". Coincidências...
Por este andar, o caso BPN ameaça formar um executivo laranja mais cedo do que a própria Manuela Ferreira Leite.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Oposição à oposição



Parece crime.
Nos dias que correm dizer mal do Governo "é bem”, e dizer bem de quem diz mal não "cai mal". Que cretinice, intelectual de uns, moral de outros, agora o Sócrates é só defeitos e a Manuela é a própria da virtude?! Os “independentes” que hoje procuram a equidistância, pelo vogar da “onda critica” à actual governação, mais não fazem como Pilatos, em consciência sabem que nenhum governo alguma vez teve a coragem de fazer o que este fez. E sabem melhor ainda, como eram urgentes estas reformas e como se moveram mares e montanhas para impedir estas mudanças.
É inconcebível ouvir a candidata a primeira-ministra dizer que vai “mudar tudo na educação” e ficar calado?! Porque é que a antiga Ministra da Educação promete esta insensatez com tamanha irresponsabilidade? É o mais puro e inconsequente eleitoralismo. Deveria ser uma bandeira do PSD a avaliação dos professores, assim como o ensino profissional. Os "piquenos e médios empresários" não estão do mesmo lado da barricada daqueles que não querem ser avaliados, mas que querem continuar a ganhar €3000/mês por 20 horas de trabalho semanais e 2 meses de férias.
Temo por este país e pela qualidade da nossa democracia quando franjas significativas dos nossos supostos "melhores" navegam à vista não vão ter que fazer novos “amigos” a seguir às legislativas. “Até ao galo cantar haverás de renegar o meu nome três vezes” assim o terá dito Jesus Cristo ao apóstolo. Que raio de reformas podem, ou sequer valem a pena serem feitas quando os mesmos que as apoiaram quando Sócrates era invencível, agora as deixam cair sem estrondo? Apenas porque o vento pode passar a soprar da direita e é sempre mais fácil navegar à bolina!
O PSD não tem programa. Será pecado dize-lo?
A líder do PSD, foi desastrosa nas suas anteriores experiencias ministeriais. É mentira?
Caso as teses do PSD - privatização da CGD; privatização da Segurança Social - tivessem sido aplicadas, o que seria de nós no contexto de crise mundial? Não deveremos sentir a angústia deste futuro que poderia ter sido, e que graças à vontade dos portugueses e do governo socialista não foi?
É verdade a “politica de verdade”? A "Senhora" não imitou Dias Loureiro quando disse não ter sido ela a vender a PT quando afinal até foi ela que assinou bem a meio do curto consulado de Barroso.
E Santana Lopes para a CML... Em Oeiras nem candidato credível apresenta para não canibalizar o sempre seu Isaltino. Em Lisboa apresenta PSL em cuja personagem ainda à pouco menos de um ano dizia não votar fosse para que função fosse. É esta a VERDADE!
Sinceramente, apesar de todos os pesares que pesam (e muito) sobre os ombros de José Sócrates, o que já fez este PSD para merecer sequer o benefício da dúvida?
Agora é o Carlos Encarnação que está arguido por mais um negócio lesivo do interesse público, realizado durante os governos de que Ferreira Leite fez parte. Quantos mais “laranjas” têm que "ir dentro" para que se perceba que PS e PSD não “são todos iguais”? E que Manuela Ferreira Leite não foi de um dia para o outro que ficou diferente dos seus!
Provem que foi Constâncio quem roubou o BPN e que Dias Loureiro não teve a capacidade para o impedir! Até lá farei oposição a esta oposição. A este PSD não é a alternativa de futuro de que precisamos. A este PSD, espectro de um passado de que fugimos, mas que 4 anos não chegaram para enterrar.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Manuela como Santana?


Manuela Ferreira Leite será, entre os líderes das principais forças partidárias, a única que não tira férias.
Apesar de ser uma mulher de família, este ano não haverá Verão em São Martinho do Porto, nem noutra praia qualquer. Esta será a Estação do tudo ou nada para o PSD, para que em Setembro não desça no apeadeiro.
Mas falando na última experiencia que tivemos com este binómio férias/PSD, recordo que o último Primeiro-Ministro do PSD também assumiu o governo sem repouso prévio, para logo 14 dias depois tirar umas férias no Algarve. Foi um belo exemplo!
A escolha de Manuela Ferreira Leite será tirar férias da campanha quando estiver à frente dos destinos da Nação? Ou vê a vitória como um cenário tão improvável que já tem termas marcadas para o Outono?
Em qualquer dos casos, e atendendo à veterania da candidata, seria bom que carregasse baterias antes do combate eleitoral, até porque, este promete ser duro.

domingo, 5 de julho de 2009

Os "chifres" nas devidas testas.


Pinho, apesar dos chifres, fez-nos puxar pela cabeça. As despedidas são sempre momentos de balanço para uns e de embalo para outros. Estávamos habituados aos ministros da economia anónimos (nos consulados PSD o último com alguma notoriedade terá sido o Eng. Mira Amaral), ou então a mega ministros de governos rosa (estilo Pina Moura), que não dedicavam à economia mais do que o seu part-time. Entre os empresários, os papões que a esquerda radical esquece serem aqueles que geram riqueza e emprego, é unânime a opinião: Manuel Pinho foi um excelente ministro. Entre a oposição de direita, e agora que o dano foi superior às suas melhores expectativas, o ministro afinal não terá sido assim tão mau. As “gafes a la Pinho”, continuam catalogadas de “inaceitáveis indiciadores de desnorte governativo”, mas quando vamos às politicas em concreto do Ministério da Economia a critica fica pelos detalhes. O pensamento estratégico do ex-ministro estava correcto, assim como , agora que já é ex, é vista com outra bondade a dinâmica com que sempre respondeu aos problemas do tecido produtivo nacional. Os sociais-democratas sabem, que amordaçado, Manuel Pinho seria sempre um bom ministro da economia, até num governo PSD... Diz agora o cinismo critico ao serviço da predação laranja, que no "mundo real", no mundo do trabalho e da sociedade que lhes é tão distante, Manuel Pinho até seria reconhecido pelo trabalho feito, mas que na politica “as regras são outras”. Na "política de verdade" as regras são de facto outras, lá não há lugar ao mérito, apenas há espaço para o mal dizer. Se dúvidas ainda existissem sobre a capacidade de melhor fazer... mas nem isso!
Qual é o legado de Manuela Ferreira Leite nas pastas da Educação e da Finanças?
Respectiva e sumariamente: uma geração à rasca; 2 submarinos inúteis e uma “hipoteca geracional” ao City Group.
Haja decoro!
Haja memória!
Haja competência!
Manuel Pinho, foi uma indecorosa personagem política que ficará na nossa memória colectiva como um Ministro tão competente nas suas funções como era congenitamente compelido à gafe mais esdrúxula.
Confiando na memória curta dos eleitores, o PSD apresenta uma candidata a Primeira-Ministra comprovadamente incompetente nos Ministérios por onde passou, e agora, sem ponta de decoro, a “Senhora”, apresenta-se virgem!
Nem foi ela que privatizou a PT!
Quer “mudar tudo na Educação”!?
O que propõe?
Voltarmos ao tempo em dos estudantes com as calças na mão?
Do tempo do investimento ZERO no ensino profissional? Quando no ensino superior era aposta solitária de um sector privado lucrativo mas selvagem de que eram sócios ou cooperantes metade dos ministros de Cavaco Silva?
Para o povo português esta “senhora” já usou “chifres”. Não “os chifres de Pinho”, mas os “chifres” de uma gestão diabólica que mais soube destruir do que preparar o País para o futuro.
O povo português é inteligente, e se coisa aprendeu nos últimos anos é que aqui não há anjos ou “santinhas”. Na devida altura saberá recolocar os “chifres” nas devidas testas, porque única verdade” na política é a vontade dos cidadãos! Haverá mentira que dure sempre, ou forte que chegue para esconder o trabalho do governo de Sócrates com a peneira da “seriedade” de Manuela Ferreira Leite? Não creio.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A vitória dos mediocres

O Professor Jorge Miranda em entrevista à Visão manifesta a sua indisponibilidade para continuar candidato a Provedor de Justiça por uma "questão de dignidade pessoal".
Este desfecho e os dados que o Professor de Direito revela na entrevista são mais uma prova que ainda estamos muito longe da democracia inscrita na nossa lei fundamental. O Professor Jorge Miranda era indubitavelmente a pessoa indicada para o cargo, se dúvidas houvessem, foi ouvir os rasgados elogios que todas as bancadas sem excepção (PSD incluído), fizeram ao ex-candidato. O corporativismo partidário averba nova vitória, a méritocracia democrática terá que esperar. Até quando, estaremos, nós cidadãos, disponíveis para sustentar comportamentos medíocres como aqueles a que assistimos neste processo por parte do PSD? Perdemos todos, uma oportunidade única de termos a pessoa certa no melhor lugar para defender os nossos direitos constitucionais. E o que ganharam os partidos políticos com isto? Mais alguns sound bites na comunicação social? Quando os deputados abdicam da defesa os interesses dos cidadãos, substituindo-os por fúteis interesses estratégicos, mais do que inúteis tornam-se prejudiciais para a democracia. Nas votações para Provedor de Justiça, os deputados que optaram pela mais desresponsabilizante disciplina partidária, abdicando do livre arbítrio próprio das votações por voto secreto, provaram ser os medíocres que usurpam o sistema partidário nacional, e impedem em nome de todos, que todos tenhamos um futuro melhor. Um futuro de mérito ético e cientifico que pouquíssimos portugueses corporizam como o Professor Jorge Miranda.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Este PS não aprende.

Gestão de expectativas!
Sócrates arrisca ser o "Pedro" da fábula "Pedro e o Lobo". Para quem anda mais enevoado pelo cínico nevoeiro do quotidiano passo a recordar. Pedro era o pequeno pastor que tantas vezes gritou que vinha aí o lobo, sem que o lobo viesse, que quando o lobo veio ninguém o acudiu. Ora, o nosso PM evita o discurso da tanga e nesse ponto todos concordamos, mas de nada nos vale, a nós e a ele, um discurso pautado por um infundado optimismo, fundado em ilusórios anúncios boas novas. Na conjuntura económica mundial, Portugal não está pior nem melhor do que era suposto estar. Somos uma economia periférica, altamente exposta ao exterior onde por norma tudo chega mais tarde e mais tarde costuma partir. Com esta crise assim será. Teria dado imenso jeito ao PS ter tido as legislativas no inicio do presente ano, conjunturalmente Sócrates ainda podia dizer que não estávamos tão mal como outros, mas ao que tudo indica as legislativas serão mesmo muito mais tarde, quando "os outros" já começaram a estar bastante melhor que nós.
As vitórias de Sócrates contra a crise foram vitórias de Pirro e os Brutos cá do burgo preparam as facas para cravarem as costas daquele que se pôs a jeito.
2010 será o ano do pico da crise para Portugal. Essa é a evidencia, e assim seria qualquer que fosse o governo em funções.
Já era tempo do PS ter virado a mesa, Manuela Ferreira Leite viu a oportunidade, e preparasse para capitalizar com a amargura de uma realidade que parece cada vez mais desfasada do tom optimista do Primeiro-Ministro.
A "politica de verdade" é a politica deste governo ao longo dos últimos 4 anos e meio, se o discurso também fosso o discurso da verdade não restaria espaço para uma oposição à direita do PS. Sócrates obrigaria o PSD a fazer um discurso de auto-elogio no qual ninguém acreditaria porque mais evidente seria o vergonhoso currículo que a Dra. Ferreira Leite tem como ex-governante em diversas ocasiões.
Há poucos dias José Sócrates regozijava com um abrandamento 0,5% na recessão revelado pelo relatório semestral do INE, hoje tem que engolir com os dados do Outlook da OCDE que prevê um recuo económico de 4,5% em 2009 e uma taxa de desemprego de 11,2% em 2010.
Hoje o que virá dizer o Primeiro-Ministro? A resposta é fácil de adivinhar: nada!
O PS está a entregar de borla o trabalho ímpar que fez enquanto governo, não pelos resultados da sua governação, mas pela forma como não sabe ser humilde em reconhecer que não pode fazer mais no combate à crise da mesma forma que nem tudo de bom que nos tem acontecido terá sido da sua responsabilidade (é recordar as afirmações ridículas sobre a queda da taxa Euribor).
A "politica de verdade" é a do PS, mas infelizmente o discurso da verdade é o do PSD. No momento do voto haverá muitos eleitores que não saberão distinguir o trigo do joio, ou que não perdoarão as inúmeras vezes em que o PS os terá induzido numa forte frustração de expectativas. O PS quis dourar a pílula em busca da maioria absoluta, vamos ver agora se não terá que engolir em seco por não ter aprendido a seu tempo que à ilusão sucede sempre a desilusão. Oxalá que o povo português não escolha substituir um governo de ilusões (PS) por uma desilusão de governo (PSD/PP) porque nesse caso os resultados para o país (como já vimos) serão bem mais graves.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O PSD aprende com o PCP


Quando a sociedade portuguesa luta contra as adversidades económicas num clima pacífico e cooperante todos conhecemos a táctica que o PCP põe sistematicamente em pratica:
1. Infiltração nos sindicatos.
2. Inflamação das reivindicações sectoriais e corporativas.
3. Promoção de manifestações publicas.
4. Critica ao governo com o argumento da agitação social que artificialmente criou.
5. Acusa o Governo de arrogância e autarcia por não mudar de rumo.

O PSD não tem a tradição nem a vocação para semelhantes alardes, os TSD não são mais do que um resquício da luta contra a unidade sindical, e hoje apenas mais um tentáculo para o controlo de carreiras e instituições públicas (nomeadamente autarquias).
Mas o que dizer sobre este clamor por um orçamento rectificativo?
Na boa tradição tecnocrática, o PSD acredita na agitação social por via de contas mal feitas.
Se a despesa está sobre controlo, o interesse do PSD na aparição de um orçamento rectificativo é meramente um: ter um argumento para dizer que o Governo falhou.
O PSD não está preocupado com as contas do Estado, o PSD está é preocupado com o estado das suas contas eleitorais.
Durante o partido laranja, muito por mérito de Cavaco Silva, ganhou a aura de “mestre das contas”, por oposição ao “mestres das forças de bloqueio” que eram por natureza os socialistas. Hoje essa aura desapareceu. A Dra. Manuela Ferreira Leite, como Ministra das Finanças, fez mais por isso do que qualquer outra pessoa. Para salvar a face, só mesmo a desgraça dos seus adversários. Para o português comum, haver, ou deixar de haver, orçamento rectificativo, nada muda o seu quotidiano. Para MFL é uma questão pessoal e uma desforra revanchista.
O orçamento rectificativo seria sempre desejado e reclamado pelo PSD independentemente da situação económica do país, ou da execução real dos gastos públicos.
Assim a táctica que o PSD aprendeu com o PCP foi adaptada para tecnocratês da seguinte forma:
1. Vota contra o Orçamento de Estado apresentado pelo Governo, seja qual ele for.
2. Prematuramente, avisa para a necessidade de um orçamento rectificativo.
3. Reivindica um orçamento rectificativo independentemente da execução do orçamento aprovado.
4. Critica o Governo por não lhe fazer a vontade.
5. Acusa o Governo de arrogância e autarcia por não mudar de rumo.

Tal como no caso das manifestações comunistas, o dia seguinte, corre como sempre, mas os últimos sound bites contra a “situação” vão moendo mais um pouco a autoridade democrática do Governo.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Gato por Lebre.


Foi numa entrevista como a de hoje, que em 1989, o então Primeiro-ministro português Prof. Aníbal Cavaco Silva proferiu a famosa frase sobre o até então prospero mercado de valores mobiliários.
Estávamos na alvorada da adesão de Portugal à CEE. O dinheiro jurava como não se via desde a febre do ouro brasileiro. O “Zé (povinho)” seguia com mais atenção a cotação das acções da Inapa do que a “Bola Branca” do Ribeiro Cristóvão.
Os governos do PSD haviam introduzido o capitalismo popular num país mal refeito do estatismo pós-PREC. O discurso do caos que se avizinhava chegou pela boca que era menos expectável.
O Professor “nunca se enganava e raramente tinha duvidas”, se dizia que na Bolsa de Lisboa se vendia muito “gato por lebre” então era o mesmo momento para... VENDER!!!
Assim começou a história da descapitalização de muitas famílias portuguesas, que tinham aplicado as suas parcas poupanças no “mercado” que o Governo laranja tanto acarinhava.
José Sócrates aprendeu a lição. O Poder em momento algum pode, ou deve, ser o portador das más noticias, bem pelo contrário! O PS de José Sócrates, sabe que um discurso responsável e optimista vale mais do que muitos milhões de euros gastos a minimizar danos causados por estados de alma públicos de governantes menos confiantes.
O PSD, por seu turno, na melhor das hipóteses tem memória curta, e não aprendeu nada com os efeitos da irresponsabilidade verbal do líder de então. Na pior das hipóteses, Manuela Ferreira Leite e acólitos, perante espectro da derrota que se avizinha, quer mesmo é ver o circo a arder, e adoraria que fosse o próprio Primeiro-ministro a regar o fogo com gasolina.
Por um momento imagine-mos só:
Estamos perante a pior crise num século, a nossa Primeira-ministra é Manuela Ferreira Leite, o seu discurso é o da catástrofe económica, a sua reacção é não gastar nem mais um tostão.
O que seria feito de nós portugueses se esta senhora fosse como quer ser a nossa líder no combate à crise… Meu Deus!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Azar ou falta de jeito?


A conferência de imprensa do Banco de Portugal já estava marcada. Algumas fontes seguras o que aí vinha, o anuncio da hecatombe.
A líder do PSD é quem manda, não lhe interessa saber da agenda dos media ou sequer da do Banco de Portugal, mesmo que seja para tirar obvios e fáceis proveitos políticos com isso. Neste autismo estratégico, Manuela Ferreira Leite perdeu uma excelente oportunidade para maximizar o impacto negativo que a revisão em baixa das projecções económicas para este ano terão necessariamente nas ambições eleitorais do PS. A líder do PSD até é economista! Devia saber que o tempo é o mais escasso dos recursos, e que neste ano então deve gerido com a máxima eficiência.
Ontem era dia de falar da impotência do Governo em travar os efeitos da crise, não era dia para dar mais uma má noticia ao país.
O "discurso da ruptura" de Paulo Rangel em prime-time, foi um momento a roçar a patetice. A essa hora, e depois de ouvir o Governador do Banco de Portugal, o país queria lá saber quem era ou deixava de ser o cabeça de lista do PSD às europeias. Mas não deixa de ser relevante verificar, que uma ex-ministra das finanças, obviamente habilitada para falar sobre a queda do PIB, tenha optado por apaziguar as hostes do seu partido, em detrimento dos problemas do país.

Pau(lo) para toda a obra.


A "Sra. Politica com Verdade", finalmente apresentou o cabeça de lista às europeias, mas não fugiu aos deslizes habituais.
“Este é o cabeça de lista escolhido depois de ponderados muitos outros que seriam candidatos igualmente bons”, disse a líder do PSD introduzindo o nome de Paulo Rangel. Poucos minutos depois, quando confrontada pelos jornalistas se aquela não seria uma solução de recurso disse: “O Dr. Paulo Rangel sempre a minha escolha desde o primeiro minuto”
Como se sabe, mais depressa se apanha um mentiroso que uma velhota. Estas declarações, mediadas por apenas poucos minutos, revelam o anacronismo da actual liderança do PSD. Mas claro está, a “Sra. Politica com Verdade” não mente, quem mente é o “Sr. Engenheiro”. E assim sendo:
1. A “Sra.” falou verdade no primeiro momento, e o atraso na apresentação do candidato deve-se à recusa de todos os outros putativos “candidatos”.
2. A “Sra.” falou verdade no segundo momento, e andou a contar espingardas dentro do próprio partido quando já tinha o seu candidato na manga.
Uma coisa é certa, ter um Pau(lo) à mão dá sempre jeito, mesmo quando não é muito jeitoso (nem no parlamento, nem na fotografia). Na realidade, Paulo Rangel está para a liderança do PSD como os bobis de colo estão para as viúvas de meia-idade. Quando lhes perguntamos – “Tia, porque traz o bichinho ao colo?” Elas respondem - “ É por segurança!”. Mas perante o nosso descrédito, acabam por acrescentar - “…sabe, sempre faz companhia.”
A verdade, é que Manuela Ferreira Leite está sozinha e isolada na liderança do PSD. No partido que MFL quer vender para fora, que existem de facto muitos notáveis, que a convenceram a agarrar no partido neste momento difícil, e que dariam melhores cabeças de lista para as europeias. Mas esses ditos notáveis, pura e simplesmente já não estão com ela!
As listas para as Europeias são um prenúncio do que o futuro guarda para MFL, nomeadamente no próximo congresso do PSD: um longo e penoso fim-de-semana de facas longas.

terça-feira, 14 de abril de 2009

O meu nome é Esteves, Ribau Esteves!


Dêem-lhe um vodka-martini que o homem já está com a boca seca.
Basta-lhe um microfone e um palanque, que ele faz maravilhas.
O Governo andava a procura de palavras de alento? Pois bem, encontrou-as na Ria de Aveiro!
O Eng. Ribau Esteves ainda é jovem, mas se a partir de Ílhavo já chegou a Secretário-geral do PSD, com estes discursos fantásticos a inflamarem a blogosfera e pavilhões gimnodesportivos adjacentes pergunto: que outros voos lhe estarão destinados?
Pelo sim pelo não, reservem-lhe um lugar ao lado da Amália no Panteão Nacional, porque é todo um povo popular democrata a pipilar naquela garganta.