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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Tão "Independente"(s) que nós éramos.


Citações uteis de Paulo Portas no Independente.

«Sá Carneiro era um grande senhor. Mário Soares é, no máximo, um gajo porreiro. E Cavaco Silva é, no máximo, um tipo vulgar. (...) Cavaco Silva é democrata porque tem de ser, e autocrata quando o deixaram ser. (...) eliminou voluntariamente os parceiros, liquidou talentosamente os concorrentes e construiu um poder rigorosamente pessoal, e, nesse sentido, ilimitado.»
Paulo Portas, ‘O Independente' (30 de Novembro de 1990), a propósito do aniversário da morte de Sá Carneiro.

«A única razão para a teimosia de Cavaco Silva é o medo da liberdade verdadeira, o pânico de uma informação que não pergunta ao dono o que é proibido dizer. (…) Eis a prova dos nove de que Cavaco Silva teve, tem e terá sempre a cabecinha de um funcionário público.»
Paulo Portas, ‘O Independente' (Março de 1990), a propósito da abertura da televisão à iniciativa privada.

"E recordar é viver..."

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

ANÍBAL CAVACO SILVA com este cadastro "porque non te callas?!"


Nascido a 15 de Julho de 1939, em Boliqueime, Loulé (Algarve), Aníbal Cavaco Silva é licenciado em Finanças pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, Lisboa, e doutorado em Economia (Estudos Africanos) pela Universidade de York, Reino Unido.

Foi investigador da Fundação Calouste Gulbenkian e dirigiu o Gabinete de Estudos do Banco de Portugal, instituição que tão bem tratou o seu antigo braço direito e Ministro da Administração Interna, e à qual regressou, posteriormente, como consultor. Cargo que lhe vale o usufruto de uma pensão que acumula com o ordenado de Presidente da República.

Cumpriu o serviço militar como oficial miliciano do Exército, entre 1962 e 1965, em Lourenço Marques (quanta saudade…), Moçambique. Foi durante a sua participação na Guerra Colonial que descobriu a sua grande paixão, os vídeos amadores com a sua mulher Maria (cuja tese de licenciatura versou sobre o Saudosismo Português de Teixeira de Pascoaes).

Quando voltou, foi docente do ISCEF, Professor Catedrático da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa e Professor Catedrático na Universidade Católica Portuguesa.

Exerceu o cargo de ministro das Finanças e do Plano em 1980-81, no governo de Francisco Sá Carneiro, do qual se demitiu meses antes da intervenção do FMI na economia portuguesa, tornada inadiável após o seu consulado.

Foi presidente do Conselho Nacional do Plano entre 1981 e 1984, data em que se cruzou pela primeira vez com a segunda grande paixão da sua vida, o Citroen BX. Mas só um ano depois fez a rodagem ao veículo curiosamente até à Figueira da Foz onde decorria uma convenção partidária, veio de lá Presidente ao Partido Social Democrata (PSD) cargo que ocupou entre Maio de 1985 e Fevereiro de 1995 “apesar de não ser político”.

Único líder partidário a conquistar duas maiorias absolutas consecutivas, o que o tornou no Primeiro-Ministro português que mais tempo permaneceu em funções em democracia (1985- 1995), o que é um feito extraordinário “sem fazer política”.

Cavaco Silva deixou, nos seus mandatos como governante, uma marca de consumo dos fundos comunitários à troca dos quais vendeu o tecido produtivo nacional, e firmeza na aplicação de um vasto conjunto de regras formais, que promoveram a democratização e a liberalização da sociedade e da economia portuguesas, como são exemplos: a recusa em perder tempo com a leitura de jornais, a sublimação da evasão fiscal, a promoção de tabus políticos sempre que os assuntos não lhe convinham.

Apesar de nunca ter sido político, como Primeiro-ministro, Cavaco Silva tem o seu nome associado ao período da mais duradoura estabilidade política registado em Portugal nas últimas décadas e a um ciclo de grandes transformações económicas e sociais. Como o disse apropriadamente Dias Loureiro: “- Eu era pobre quando era Ministro da Administração Interna de Cavaco Silva e só ganhei o meus primeiros 10 Milhões de Euros um ano depois de deixar de ser Ministro de Cavaco Silva”.

Também modernizou o País. Durante o período em que Cavaco Silva foi Presidente do Conselho… Portugal viu nascer as Torres das Amoreiras, o respectivo Centro Comercial e o Centro Comercial de Belém e o respectivo Pedro Santana Lopes, as Olaias, os primeiros Continentes. Viu igualmente e crescer a colecção de Ferraris e namoradas do Dr. Talon, a reputação do Arquitecto Taveira através dos seus vídeos, e até o Marques Mendes.

Em 1995 recebeu o Freedom Prize, na Suíça, concedido pela Fundação Schmidheiny, pela sua acção como político e economista, mas deve ter devolvido 50% do prémio por não ser político.

Mais recentemente, foi distinguido com o Prémio Mediterrâneo Instituições (2009), atribuído pela Fundação Mediterrâneo, “em reconhecimento pelo seu empenho e acção no reforço da solidariedade e de uma activa cooperação entre os países mediterrânicos, em favor da promoção do desenvolvimento e da Paz, nessa região”. Terá sido pela pertinente ratificação do Tratado de Zamora?! Certo é que em troca o chefe de família da Casa de Borbón recebeu um GPS de fabrico nacional das mãos do antigo campeão dos 110 metros barreiras. Menos certa será a reciprocidade no afecto com que a nossa Primeira-dama se derrete de cada vez que toma chá com a Rainha Sofia da Grécia, nacionalizada em 75 pelos nuestros hermanos )é que essa coisa de encher a boca de bolo e mastigar de boca aberta tem as suas "externalidades" sociais).

Incompreendido pela Academia Nacional (Boliqueime tem saída na auto-estrada mas não houve tempo para construir um pólo de uma universidade privada que servisse os seus 200 habitantes), Cavaco Silva é Doutor Honoris Causa pelas Universidades de York (onde pagou propinas), La Coruña (Espanha), Goa (Índia), León (Espanha) e Heriot-Watt (Edimburgo, Escócia).
E é como figura maior da República Portuguesa que aceitou ser nomeado membro da Real Academia de Ciências Morais e Políticas de Espanha (a moral, os bons costumes, e a “Hola” da Maria oblige) e do Clube de Madrid para a Transição e Consolidação Democrática e da Global Leadership Foundation (queria igualmente ter entrado para a guest list do Clube Silk, mas à época ainda não tinha conta no Twitter).

Da vasta obra que publicou, há a referir os livros:
• O Mercado Financeiro Português em 1966 (escrito na guerra…?!);
• Economic Effects of Public Debt (baseado na experiencia enquanto Ministro das Finanças de Sá Carneiro que nos entregou às mãos do FMI);
• Política Orçamental e Estabilização Económica
• A Política Económica do Governo de Sá Carneiro (mini-micro-pequeno livro);
• Finanças Públicas e Política Macroeconómica (só é politico no contexto Macroeconómico, aliás, como se tem visto…);
• As Reformas da Década, Portugal e a Moeda Única (para quem gosta do estilo auto-elogio narcísico obsessivo);´
• União Monetária Europeia (se não quiserem dar por mal gasto o dinheiro consultem a página da EU)
• Autobiografia Política, Volumes I e II (quem consegue ler aquilo fica apenas com uma certeza: não foi escrita por ele, até porque ele não é político logo só poderá ter uma Aurobiografia enquanto docente universitário);
• E as Crónicas de Uma Crise Anunciada (tem sido um presente natalicio recorrente em Belém, quem levar 2 dúzias de pasteis leva também como oferta “As intervenções mais importantes produzidas como Primeiro-Ministro” em vários volumes, que apesar de numerosos, perdem-se com facilidade e frequência entre os pacotinhos de canela e de açúcar moído que acompanham as delicias do Restelo);
• No Inverno e quando falham as acendalhas, a Maria costuma pedir ao Aníbal umas páginas “emprestadas” aos: Cumprir a Esperança (1987), Construir a Modernidade (1989), Ganhar o Futuro (1991), Afirmar Portugal no Mundo (1993) e Manter o Rumo (1995). Sai mais barato que as folhas dos jornais que o marido não lê, mas cujo fumo convêm não inalar... são histórias que cheiram mesmo muito mal mesmo quando as tentam queimar.
Após ter sido afastado da vida política activa, primeiro por António Guterres, depois por Jorge Sampaio entre 1995 e 2005, período durante o qual retomou breve actividade académica, Aníbal Cavaco Silva manteve, todavia, uma marcante participação cívica, nomeadamente através de intervenções pontuais sobre questões nacionais sobre a boa e a má moeda e internacionais, sobre as offshores da SLN, caracterizadas por elevados padrões de rigor, exigência, que sempre renderam a quem o apoio na sua actuação pública, atenção, não confundir com politica.
Apesar de não ser político, já é o recordista de candidaturas a Presidente da República (um cargo muito técnico como se sabe) em democracia.
À segunda tentativa, Aníbal Cavaco Silva de mão dada com a mulher, os filhos, os netos, o periquito e o gato (Dias Loureiro teve que esperar pelo Conselho de Estado) lá subiu a rampa de acesso automóvel ao Palácio de Belém a 9 de Março de 2006.
Fora eleito, à primeira volta, no escrutínio presidencial de 22 de Janeiro desse ano, ao qual se apresentou com uma candidatura pessoal e independente, apenas com o apoio do PSD, do CDS, da Igreja Católica, da UCP, da Rádio Renascença e da CIP.
Considerando que os desafios que Portugal já então enfrentava exigiam uma magistratura presidencial que favorecesse consensos alargados em torno da realização de importantes objectivos nacionais, o Prof. Aníbal Cavaco Silva empenhou-se, desde o início do seu mandato, em contribuir para a criação de um clima de estabilidade política e de cooperação estratégica entre os vários poderes não abrindo a boca em quaisquer circunstâncias.
Terá sido porventura por isso que ninguém lhe deu ouvidos. Frustrado, e amesquinhado, interrompeu as férias dos portugueses por duas vezes em 5 anos para falar ao país sobre assuntos da maior pertinência como o foram o estatuto dos Açores e depois as escutas de José Manuel Fernandes a Fernando Lima.
As intervenções mais importantes como Presidente da República encontram-se reunidas nos livros Roteiros I - 2006/2007; Roteiros II - 2007/2008, Roteiros III - 2008/2009 e Roteiros IV – 2009/2010. Nestes interessantíssimos roteiros podemos saber onde se come o melhor Bolo Rei de Portugal, ou onde a Maria gosta mais de passear para “desmoer” o bacalhau com grão do jantar.
Difícil mesmo é encontrar as contas da Casa Civil da Presidência da República.
As contas da Assembleia da República estão no site da AR, as contas do Governo são públicas e escrutinadas em contínuo todos dias.
Quanto e como gasta o Presidente da República na sua magistratura de influência? Alguém sabe? Onde estão publicadas estas contas? É verdade que esta é a casa civil mais cara da presidência da República? O Presidente não gosta de viajar (o que nem tem mal nenhum, Salazar também só fez uma viagem de estado em 50 anos), mas há que combater o desemprego na São Domingos à Lapa. A transparência democrática de Cavaco Silva é muito boa mas é para os outros.
É casado com uma Professora de Português, mas não sabe quantos cantos tem os Lusíadas. Deste matrimónio heterossexual resultaram dois filhos e cinco netos e um genro que enriqueceu com a organização de comícios partidários e outras festividades promovidas à época pela rádio pública para a qual havia sido por coincidência nomeado. Resta o consolo de ter uma filha ajuizada, que aconselha o pai a fazer bons investimentos como retornos de mais de 100% ao ano em mais-valias da venda de acções curiosamente, da SLN à… SLN.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

"Dizsequedisse"

O Gabinete do PM veio desmentir pela alvorada, a noticia que faz manchete do Público de hoje, segundo o qual o “Conselho de Estado foi convocado após Sócrates ter ameaçado sair”. Registo que a noticia (e consequente desmentido) tenha saído logo hoje, no dia seguinte a um Conselho de Estado que, ao que tudo indica, terá corrido bem ao Governo.
E pergunto, não seria mais pacificador se esse desmentido viesse do gabinete da Casa Civil do Presidente da República? Mesmo que tal não fosse em forma de desmentido. Ao Presidente da República competiu convocar o Conselho de Estado, só ele saberá ao certo porque o fez, e, como tal, apenas o Presidente da República pode por cobro a um "dizsequedisse" sobre as suas reais motivações.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

As perguntas que um jornalista não pôde fazer

Um jornalista vai a Belém ouvir o Presidente da República, mas não pode fazer perguntas e fica com um 'montão' delas entaladas na garganta.

Um jornalista em Belém ouve o Presidente dizer que houve "manipulação" com o seu nome e a sua figura durante a campanha eleitoral e não pode perguntar por que não a denunciou.

Um jornalista em Belém fica, ali, sentado, a ouvir o Presidente a dizer que considera "graves as declarações de destacadas personalidades do Governo" sobre a eventual participação de membros da sua Casa Civil na elaboração do programa do PSD e que elas são "mentira", e não pode inquirir por que ele não o disse.

Um jornalista em Belém ouve o Presidente afirmar que tem dúvidas sobre os termos exactos das declarações atribuídas a um membro da sua Casa Civil e não pode perguntar a razão pela qual se calou.

Um jornalista em Belém escuta o Presidente dizer que desconhecia totalmente a existência de um e-mail publicado num jornal e que duvida da veracidade das afirmações nele contidas, e não pode perguntar porque razão então houve esse e-mail.

Um jornalista em Belém vê o Presidente, crispado, dizer que não vê onde está o mal de um membro do seu staff ter sentimentos de desconfiança em relação a outros, e não pode perguntar: mesmo se esse outro é um "elemento do gabinete do primeiro-ministro", como está escrito no e-mail?

Um jornalista em Belém ouve o Presidente reafirmar que há dúvidas de que alguém pudesse ter falado em seu nome não estando para tal autorizado e que é por isso que faz "alterações" na sua Casa Civil e não perguntar se o seu colaborador foi ou não demitido ou se permanece ao seu serviço.

Um jornalista em Belém entende que o Presidente se interroga sobre a confidencialidade dos seus computadores e não pode perguntar: mas foi só agora que tem essa suspeita ou há mais tempo?

Um jornalista em Belém ouve o Presidente dizer que se ultrapassaram "os limites do tolerável e da decência" e, finalmente, pergunta-se: e agora, como é que Presidente e Governo vão coabitar, logo agora, que o país mais precisa?

Luisa Meireles (www.expresso.pt)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A certeza

O trabalho de reportagem do "Diário de Notícias" é das mais notáveis e consequentes peças jornalísticas na história da Imprensa em Portugal. O e-mail com registos claros da encomenda feita por Fernando Lima não é "correspondência privada" que se deixe passar pudicamente ao lado. É uma infâmia pública de gravidade nacional que exige denúncia.
Mário Crespo dixit

A pergunta

Ao ver o presidente e a Casa Civil metidos nisto fica-me também uma inquietante dúvida. Aníbal Cavaco Silva, referência do PSD, ainda tem condições para continuar a ser o presidente de Portugal depois de causar uma trapalhada desta magnitude a dias das eleições?

Mário Crespo dixit

Quase não dá para respirar..

... já me doí a barriga de tanto rir da figura ridícula que tem feito o PSD com os seus patéticos discursos sobre as mirabolantes tropelias do Primeiro Ministro e suas "agências" de controlo dos media e afins.
Para quando um pedido de desculpas aos "filhos da mãe dos socialistas"?

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A mentira só acaba quando a verdade aparece.

Fernando Lima, braço direito de Cavaco Silva para a comunicação social desde 1985 acaba de ser demitido.
Fui a saída mais fácil, era a única saída possível.
É legitima e evidente a assunção de culpa do PR em todo este processo. Cai por terra a teoria da "asfixia democrática" e com ela quaisquer hipóteses do PSD conquistar as próximas eleições e até ver fica fragilizada a reeleição de Cavaco Silva, para além de abalada a sua credibilidade aos olhos dos portugueses.
Volto a escrever, a lama tem vindo sempre do mesmo lado e constantemente na mesma direcção, pelo meio tudo mas absolutamente tudo, é posto em causa, até a própria democracia que já ouviu dizer que devia ser "suspensa por seis meses".
Quer queiramos quer não, não vale tudo para ganhar. Quem quer ganhar e vai perder, agora a toda a linha, a direita, demonstra um profundo desprezo por todas as instituições sejam tribunais ou policias. É o vale tudo! E até os escândalos que estalam entre portas, como a compra de votos, e que nas palavras dos visados (Helena Lopes da Costa) não passam de ataques internos à líder, são rapidamente travestidos de contributos de Sócrates para a asfixia democrática.
O PSD tem que assumir a sua liderança é fraca e que sempre foi "para queimar". Este desespero delirante apenas o afasta do essencial, e o essencial é retomar o caminho deixado a meio por Marques Mendes. O cancro do país está na sua direita maniqueísta revisionista e demasiadas vezes avessa à democracia.
O PSD que trate primeiro do PSD Madeira, do Fernando Ruas e das suas pedradas, até de Isaltino e Valentim que apesar de se candidatarem como independentes continuam com as "máquinas" locais do PSD nas mãos.
Para este PSD a "política de verdade" acabou quando a mentira apareceu.

sábado, 19 de setembro de 2009

Das duas uma..


... ou o Presidente prova que é vítima de escutas por parte do Governo, o que justifica em parte, e ainda que de forma criticável, a intriga que teceu contra José Sócrates, ou então não consegue provar absolutamente nada e comprova à vista de todos que não tem a dimenção ética e institucional para ocupar o cargo que ocupa.

O Presidente tem que falar agora e antes das eleições, explicar ao país o que o leva a promover este jogo de poker. Caso tenha algo na mão mostre já, não será depois das fichas distribuídas pelas legislativas que terá qualquer autoridade para então "esclarecer" o que o leva a ter este comportamento nada institucional e altamente condicionante da campanha eleitoral em curso.

Senhor Presidente da República, fale agora ou cale-se para sempre!

Belémgate.


É da autoria do Professor Cavaco Silva a introdução, e mesmo a criação, do conceito político de “tabu” no léxico nacional. O “tabu”, não é apenas aquele jogo de esconde que o Presidente tanto gosta de jogar de cada vez que as coisas afiguram-se virem a correr-lhe mal. O “tabu”começa pela produção, ou antecipação, de determinado acontecimento, real ou virtual, que terá suposta força para condicionar não só o futuro do protagonista (Presidente Cavaco Silva) mas essencialmente o futuro de umas eleições (hoje como em 95 - as eleições legislativas).

Em 1995 demorou em lançar a bomba (da não candidatura). O seu partido, o PSD, passou da maioria absoluta para o calvário que ainda hoje atravessa. Com a “demora” e discurso ambíguos minou quaisquer hipóteses de uma sucessão condigna, e nestas condições, o mínimo que lhe era exigível, tanto por apoiantes como pelos opositores, era que se submetesse ao julgamento popular, mas não foi assim.

Agora assistimos de camarote ao remake da mesma cena. Nesta história das supostas escutas em Belém apenas o Presidente parece ter alguma informação e capacidade de condicionar a agenda e o ritmo a que as informações vão passando para a opinião pública. Atenção: estamos a 8 dias das eleições!

Fundada ou infundadamente, o Presidente da Republica, quis criar um facto político superveniente em vésperas de umas eleições que podem entregar o poder absoluto à direita.

A questão não é de somenos, segundo fonte da casa civil da Presidência da Republica autorizada pelo próprio, o Presidente desconfia(va) estar sob escuta do Governo! E o que fez o Presidente?

Chamou o Primeiro-Ministro a Belém? Não.

Convocou o Conselho de Estado? Não.

Sequer confirmou oficialmente o teor da notícia que sub-repticiamente mandou publicar no jornal Público? Não.

Oferece a “cacha” a um jornalista “amigo”, que espera o momento em que a popularidade do Governo atinge mínimos da legislatura para lançar a atoarda (apesar de ter dados oficiais que desmentem a fonte primária, mas que ignora ostensivamente como o refere o próprio provedor dos leitores do jornal Público).

Depois, confrontado com a exposição pública do problema aconselhou os portugueses a não desviarem a atenção dos portugueses dos verdadeiros problemas do país. E assim, temos tido no último mês e meio a líder da oposição a cavalgar a suspeita da alegada asfixia democrática de que o país a seu ver está a ser alvo, com a Presidência a assobiar para o lado.

Pelo que sabemos hoje, Belém terá pedido um despiste de escutas aos serviços de informação do exército que terá terminado sem nada revelar de irregular. Nada está provado ou sequer existem indícios palpáveis de alguma vez terem existido escutas em Belém, quanto mais que estas tenham sido promovidas pelo Governo.

Comprovado por este episódio é o retorno do “tabu”. O retorno do sacrifício do interesse público às mãos da agenda particular do Professor de Boliqueime. Em 1995 o objectivo do então Primeiro-Ministro, foi tentar passar entre os pingos da chuva do desastre governativo em que se tinha transformado o polvo laranja, de forma a propiciar uma candidatura presidencial que havia de perder para Jorge Sampaio.

Neste Verão o objectivo claro, tanto do lançamento da notícia do silêncio seguinte foi sustentar o argumentário difamatório pré-eleitoral da sua ex-ministra.

Independentemente de vir a provar que está a ser escutado, o que esta sucessão de episódios comprovam é que o Presidente da Republica preferiu conspirar contra o Governo, manipulando a comunicação social com a seguir as vias legais e institucionais.

E agora ou a Presidência prova rapidamente o que fez transpirar para a comunicação social, ou estaremos na presença de um dos golpes mais baixos alguma vez desferidos na história da democracia portuguesa vindo precisamente do mais alto magistrado da nação. Se assim for, o mínimo que o Presidente da Republica deverá fazer é não fugir de novo ao plebiscito, para que o povo prenuncie sobre quem recorre a semelhantes artimanhas.

terça-feira, 9 de junho de 2009

A caminho do Presidencialismo

E já está! Apesar do voto (quase) unânime da Assembleia da República o Presidente da República veta (e muito bem) a nova lei de financiamento dos partidos políticos.
A AR põe-se a jeito e Cavaco Silva não perdoa. A falsa lentidão de Belém promete uma ponta final ao sprint fortíssima. Se Manuela Ferreira Leite não lhe estragar os planos, ganhando as eleições legislativas e forçando o PR a propor-lhe uma coligação de direita com o PP, Cavaco Silva tem as eleições Presidenciais virtualmente ganhas. É um cenário pouco provável, mas mesmo que o país decida colocar todos os ovos do poder no cesto da direita, o segundo mandato de Cavaco Silva em Belém promete ser o regresso do Cavaquismo parte 2.
A AR trabalha mal e pouco, não decide o que importa ao país (ex:Provedoria de Justiça), mas entendesse para o que lhe interessa (Lei do financiamento dos Partidos Políticos). Neste cenário de total descrédito da instituição parlamentar, mesmo os mais impertenidos anti-cavaquistas viram-se para Belém. É preciso por ordem naquilo (leia-se AR)!
Cavaco Silva não tem perfil presidencial. É um tecnocrata com poucos dotes de oratória, que gosta pouco de falar e menos ainda de ouvir. O Professor de Finanças nasceu para ser ministro e disso ninguém tem duvidas.
Com uma maioria absoluta socialista no parlamento, o primeiro mandato presidencial teve que ser cauteloso, mas a partir de agora, e com a fragmentação partidária entramos numa nova fase.
Alguém duvida que o Presidente da República de hoje é a mesmíssima pessoa que foi Primeiro Ministro há 16 anos atrás? Para Cavaco Silva a coisa é simples, só um pode mandar. Quando era Governo, o Presidente era força de bloqueio, agora que é Presidente a força a bloquear é a Assembleia da República. E vamos deixar cair abordagens mais ideologias e normativas, o assomar de poder por parte de Belém será positivo ou não para o País?
A Assembleia da Republica é a casa da democracia, só em situações absolutamente limite é que é admissível uma mitigação ou subalternização do seu papel relativamente ao escrutínio e decisão de um único cidadão. Mas será que estamos perto desse limite? Estamos. Junta-se a fome com a vontade de comer. A necessidade que os cidadãos têm de ver trabalho e seriedade politica na Assembleia da Republica e o desejo incontido de Cavaco Silva por mais poder e influencia. Cabe-nos agora estarmos vigilantes. Devemos começar desde já a enquadrarmos o nosso voto nas legislativas naquele que pretendemos ter nas presidenciais. Duas coisas são certas, o PS não terá maioria absoluta, Cavaco Silva vai ser muito mais interventivo num segundo mandato. Que país politico vamos querer ter a partir de 2010?

sexta-feira, 17 de abril de 2009

O dia que pariu o “sigilio”


Afinal, o dia de hoje não será lembrado pelas últimas exéquias ao defunto sigilo bancário? Pelo menos,para mim não!
Foi um dia inteiro de manhã à noite, na televisão e na rádio, da esquerda à direita ou ouvir: “sigilio” para aqui, “sigilio” para acolá...
Primeira vez que ouvi, pensassei: “Sigilio”!? Que disparate! Vê-se mesmo que é deputada!
Segunda vez que ouvi: “Sigilio”!? Que horror! Vê-se logo que é uma jornalista da TVI!
Quadragésima sétima vez que ouvi: “Sigilio”!? Nuno, até tu, que dás umas calinadas de vez em quando, sabes que “sigilio” não existe, nem aqui nem em Belém!
Pensava eu…
Depois de jantar, ligo a televisão, regulo o volume, o Chefe de Estado, Sua Excelência o Presidente da Republica, fala sobre as iniciativas legislativas do dia para o combate à corrupção. O que terá para dizer?
“Há muito que defendo o levantamento do “sigilio” bancário!”
Desculpe senhor Presidente, importa-se de repetir?!
“Há muito que defendo o levantamento do “sigilio” bancário!”Pronto, rendo-me! Se o “bué” nasceu em Angola, foi adoptado para os lados da Damaia, e entrou para o Dicionário de Língua Portuguesa, o “sigilio” que é parido por todo lado e é bem nutrido pela boca do mais alto signatário da nação nem precisa passar pelo crivo dos Doutores da língua de Camões.
Se o Professor Cavaco Silva diz “sigilio”, quem são as ferramentas de ortografia e gramática do Word para o contrariar.
Eu pela minha parte, já cumpri com o meu dever cívico e adicionei o novo vocábulo ao dicionário do meu computador.

quarta-feira, 4 de março de 2009

O conselheiro da desgraça!


O Presidente da República, Cavaco Silva, hoje à noite, durante um jantar oferecido pelo presidente alemão, Horst Kohler, que encerrou o primeiro dia de visita oficial ao país, defendeu que é essencial garantir a confiança dos cidadãos, “sem a qual nenhuma recuperação será possível".
Exmo. Sr. Presidente da Republica, e que tal fazer alguma coisa por isso. Como cidadão que o respeita, mas não ao ponto de lhe confiar o voto, deixo-lhe a minha humilde sugestão para que também a Presidência contribua para o aumento da confiança dos cidadãos nacionais no sistema político e nas suas instituições.
Que tal exonerar sem mais delongas o, por si indigitado, Conselheiro de Estado Sr. Manuel Dias Loureiro. É indecorosa a forma como este senhor exibe publicamente a sua amnésia selectiva e a sua fortuna mal explicada.
Quais os motivos que o paralisam, e o impedem de tomar essa medida? Sr. Presidente, quando os exemplos não vêm de cima… é no mínimo para o “povo” desconfiar.