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terça-feira, 7 de julho de 2009

Manuela como Santana?


Manuela Ferreira Leite será, entre os líderes das principais forças partidárias, a única que não tira férias.
Apesar de ser uma mulher de família, este ano não haverá Verão em São Martinho do Porto, nem noutra praia qualquer. Esta será a Estação do tudo ou nada para o PSD, para que em Setembro não desça no apeadeiro.
Mas falando na última experiencia que tivemos com este binómio férias/PSD, recordo que o último Primeiro-Ministro do PSD também assumiu o governo sem repouso prévio, para logo 14 dias depois tirar umas férias no Algarve. Foi um belo exemplo!
A escolha de Manuela Ferreira Leite será tirar férias da campanha quando estiver à frente dos destinos da Nação? Ou vê a vitória como um cenário tão improvável que já tem termas marcadas para o Outono?
Em qualquer dos casos, e atendendo à veterania da candidata, seria bom que carregasse baterias antes do combate eleitoral, até porque, este promete ser duro.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Num país imaginário…


...o Benfica seria campeão todos os anos, e dois em cada 3 cidadãos já teriam acertado nos números do euromilhões. Feliz e infelizmente, respectivamente, Portugal é um país bastante real, e a própria tradição mítica do império perdido faz dele o país real que de facto é.
Somos uma identidade colectiva pequena e humilde mas que nunca perdeu os laivos de grandeza. Talvez por isso mesmo, julgamos ter direito a mais do que aquilo que merecemos.
Não há forma de nos revermos numa meritocracia. Por muito esquerdalhos que sejamos, até na esquerda procuramos e encontramos as nossas “famílias”.
O divã da nação está gasto e eu não quero ir por aí.
Certo é, que valorizamos mais o habilidoso que o engenhoso. Em Portugal o invejoso goza sempre de mais credito que o generoso. Como povo, transigimos com os ladrões, mas desconfiamos dos beneméritos.
É por estas e por outras razões, que em Portugal, ser Ministro da República é muitíssimo menos prestigiante do que ser Presidente de um qualquer clube de futebol. Talvez pelas mesmíssimas razões, o serviço público acaba por atrair um número bastante razoável de pequenos wanna be grandes tratantes.
Cada um há sua maneira, Santana Lopes e José Sócrates têm todas as características para serem alvos fáceis de numerosas invejas e especulações. Em termos meramente formais, os seus percursos políticos e académicos não foram lineares e acima de qualquer suspeita. As suas vidas privadas, por não corresponderem aos ditames da “nossa moral católica”, também dão azo às fantasias dos sonsos do regime. Até o simples facto, de ambos terem uma boa presença física, de terem chegado ao poder relativamente jovens, colide com a “ordem natural das coisas”. Pelo caminho ultrapassaram muitos “Senadores” gordos e pré-enfermos que nunca os perdoaram ou perdoarão.
O silogismo é simples, se os ditos “Senadores” eram mais experientes e inteligentes, portanto mais capazes de fazer aquilo, que no final, apenas estes “jovens” fizeram, então o defeito não pode estar na incapacidade dos “Senadores”. A capacidade que estes “jovens” têm de jogar com outras regras que não as devidas, é inaceitável para quem ainda aprendeu a tabuada à reguada.
De resto, somos todos apenas e só simples vitima da nossa pequenez, até José Sócrates e Pedro Santana Lopes. Somos todos vizinhos e primos uns dos outros, e todos semi-confidentes das meias histórias em que vamos tropeçando.
Um divorciado de 40 anos, que chega a casa de madrugada é um forte indício de pratica pecaminosa, já quando é um septuagenário, ou foi ao aniversário dos netinhos ou teve um problema de saúde.
Um técnico de uma Câmara Municipal do interior do país, que em 20 anos vem das Beiras e chega a Primeiro-Ministro é de certeza corrupto, já quando o PM é um professor universitário que assina pareceres que não faz nem leu, que ensina a gestores e empresários todo o tipo de engenharia financeira, é congenitamente sério.
Não acredito em metade das histórias que se contam sobre Santana ou Sócrates, da mesma forma que acho extremamente improvável que absolutamente tudo seja uma maldosa invenção.
A pequenez faz parte do código genético de um pais que não é grande.
Portugal é o país real que convive mal com quem de tempos a tempos nos faz imaginar como tudo poderia ser muito diferente se fossemos todos tão ambiciosos como Santana ou Sócrates.
Resta julgarmos os resultados da acção politica dos Senadores, de Santana ou de Sócrates. E aí não há equiparação possível!
Indubitavelmente José Sócrates é o mais dinâmico e reformador Primeiro-Ministro da nossa democracia. Santana Lopes talvez tenha sido o pior PM de sempre. Pelo meio passaram vários “Senadores” que nos legaram os cancros económicos e sociais com que sofremos hoje.
Há falta de melhores argumentos, e para não sofrerem a derradeira humilhação da comparação comprovada, José Sócrates é o alvo escolhido por todos aqueles que falharam antes dele.
Regra de ouro da natureza sociedade lusa (de negócios e não só): a mediocridade protege-se! Não é fruto da minha imaginação.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Não é fácil...


...vencer Santana Lopes ou ser Santana Lopes?
As das duas realidades não são fáceis.
É difícil vencer Santana Lopes porque Santana Lopes é como é. E não é fácil ser Santana Lopes porque Santana Lopes é mais uma pessoa “normal” do que o são a maioria dos seus opositores e críticos. A normalidade da falha, com que convivemos quotidianamente mas da qual a maior parte do políticos parecem virginalmente imaculados, em Santana Lopes roça tanto a virtude como o escárnio.
Dificilmente haverá politico mais caricaturado que SL. E porquê? Porque é pura e simplesmente o mais caricaturável. O essencial da caricatura reside na ampliação não do defeito, mas da característica, e características demarcantes são coisa que não falta à vida pública de Santana Lopes. Mas porquê? Porque ao contrário do que é pratica corrente na vida politica nacional, Santana nunca escondeu a sua esfera privada do crivo público. E convenhamos, 5 filhos de 3 casamentos falhados, presidências atrás de presidências sempre com mandatos prematuramente interrompidos à frente de algumas das maiores instituições nacionais…
Mas o povo gosta dele. Salvaguardadas as devidas distâncias, é sempre possível encontrar em Santana algum traço de carácter que reconhecemos num familiar, num amigo, num vizinho ou em nós mesmos
Não lhe gabo os danos colaterais que toda esta exposição lhe tem causado. Mas esse também é o seu charme, a sua derradeira prova de que é diferente!
E hoje em que estado se apresenta a combate com António Costa?
Mais “Calimero”, ou mais “Enfant Terrible”? Ou será até, que a lavagem do tempo, reciclou a memória da sua passagem pelo Governo? À luz da degradação da vida partidária contemporânea, não me parece improvável o assomar de um certo saudosismo, saudável, de uma certa forma de fazer politica.
Para a disputa da Câmara Municipal de Lisboa, apresentam-se a votos duas personalidade bem menos planas do que aquelas que disputam a governação. António Costa, também é um politico genuíno e de grande vocação para o combate publico, mas parte por comparação com um inesperado handicap: notoriedade! Por incrível que pareça, António Costa é capaz de ser hoje mais anónimo para os lisboetas do que o era como Ministro de Estado de José Sócrates. E o Santana? Santana é Santana!
A escolha do próximo Presidente da Câmara de Lisboa será bem mais emocional que racional. Ambos ao seu estilo, e com dificuldades diversas, deixaram uma marca positiva nos seus curtos mandatos camarários. Neste contexto levará vantagem quem tiver mais sucesso na resposta individual que cada um munícipe der a cada uma destas duas perguntas:
- A qual dos dois comprava um automóvel usado?
- Com qual dos dois deixava o seu filho durante um fim-de-semana?
Surpreendidos?
Responda com sinceridade e encontrará “o seu candidato”, agora se a isso corresponderá o seu voto… só a si diz respeito. Uma coisa é certa se tiver tendência a responder António Costa e Pedro Santana Lopes por esta ordem respectivamente. Então está perante um dilema, melhor Presidente para a Câmara ou o Presidente de quem gosta mais?
Se não é fácil ser Pedro Santana Lopes! Não é fácil ser contra Pedro Santana Lopes.

segunda-feira, 23 de março de 2009

"Professor" escolha o Santana!


Com a escolha inatacável do Professor Jorge Miranda, mais uma vez o PSD estava no tapete e contava-se para KO. Mas, já se sabe, no PSD quando a coisa descamba para o ridículo, intervala-se a Tragédia da Rua de São Domingos à Lapa com um momento de variedades mais ou menos circenses. É domingo à noite e entra em cena o Grande Ilusionista na sua habitual “conversa em família”. Qual seria o coelho que ele teria guardado na sua profundíssima cartola? Desta vez foi do truque do "novo perfil para Provedor". Honra lhe seja feita, o homem é inventivo. Talvez mais por necessidade do que por vocação, é que isto de ser tacticamente contra os “outros” e geneticamente contra os “seus” não deve ser fácil. E como é habitual, neste Provedoriagate, o Professor Marcelo também tinha que “fazer das suas”. Para “O Professor”, o provedor não deve ser um “senador em final de carreira” como Manuela Ferreira Leite, mas sim um jovem internauta na flor da idade!!!
Este é o perfil do cidadão que Marcelo quer ver na Provedoria Geral da República?! Pelo menos era aquele que mais lhe convinha ontem à noite.
Certo é, que apesar de ser praticante de boddyboard, por uma vez, Marcelo não parece ser o seu candidato. E este perfil tem nome? Não será com toda a certeza uma apagadíssima Professora Assistente da Universidade Católica!
E que outro jurista tem o PSD sempre disponível para qualquer desafio e que corresponde a este fantástico perfil?
Desconfio que até Outubro o Dr. Santana Lopes ainda era capaz de fazer uma perninha na Provedoria.
Acha piada "Professor Marcelo"?