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sábado, 25 de julho de 2009

Se não vivesse em Lisboa...

...fartava-me de rir com isto:


Como vivo, e sou lisboeta, só tenho a obrigação de fazer tudo o que está ao meu alcance para impedir que este inimputável volte para a Câmara. Nem que seja só por uns meses, como de costume...
Santana é transparente, "na politica como na vida" é uma das suas punch lines favoritas e contra factos não há argumentos, Pedro Santana Lopes gere a coisa pública com a mesmíssima regra e cuidado com que gere a sua vida pessoal.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

A paixão (segundo Nicolau da Viola)

Quem não se lembra desta música da dupla Rui Veloso/Carlos Tê. Para os mais esquecidos era assim:

Tu eras aquela que eu mais queria
P'ra me dar algum conforto e companhia
Era só contigo que eu sonhava andar
P'ra todo o lado e até quem sabe?
Talvez casar

Ai o que eu passei, só por te amar
A saliva que eu gastei para te mudar
Mas esse teu mundo era mais forte do que eu
E nem com a forca da musica ele se moveu

Mesmo sabendo que nao gostavas
Empenhei o meu anel de rubi
Para te levar ao concerto
Que havia no rivoli

Era só a ti que eu mais queria
Ao meu lado no concerto nesse dia
Juntos no escuro de mao dada a ouvir
Aquela musica maluca sempre a subir

Mas tu nao ficaste nem meia-hora
Nao fizeste um esforco p'ra gostar e foste embora
Contigo aprendi uma grande licao
Nao se ama alguém que nao ouve a mesma cancao

Foi nesse dia que percebi
Nada mais por nós havia a fazer
A minha paixao por ti era um lume
Que nao tinha mais lenha por onde arder

Vamos ver se as duas últimas esfrofes da letra não se concretizam. Pois parece-me que esta união devido ao tamanho dos egos das personagens tem tudo para ser uma paixão de circustância (somente com o propósito de contar "espingardas" e unir "exércitos" em tempo de eleições), e nada de amor fraterno e sustentável no tempo. Na realidade é mais o que os separa do que aquilo que os une. Caso António Costa ganhe, é caso para dizer - a ver vamos...

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Tirem a Godzilla do Marquês!


Esta história do cartaz no Marquês, lembra-me outra que o Professor António Hespanha costumava contar por graça. Dizia ele, que certo Verão tinha convidado uma colega italiana, a passar uns dias em Portugal. Como bom anfitrião, levou-a num tour pelo País, mostrando-lhe as virtudes arquitectónicas de Portugal. Como ao lado de cada monumento secular temos sempre o inevitável mamarracho do pato bravo, logo se viu na necessidade de justificar os inúmeros atentados que entravam "pelos olhos dentro" da turista italiana. E assim, disse à colega:
- Sabe colega, aqui em Portugal, temos muita corrupção. As autarquias estão todas na mão dos construtores civis blablabla, blablabla…
Ao que esta respondeu:
- Deves estar a gozar, queres país mais corrupto que o meu? A Itália, onde Máfia lava a maior parte do dinheiro sujo no negócio imobiliário. O vosso problema não é esse, o problema dos Portugueses é mesmo uma gigantesca falta de gosto!
O Vereador Sá Fernandes pode, por hipótese, não ter razão, e o cartaz do PSD no Marquês pode até lá ficar, mas como cidadão, deixo aqui o meu apelo ao Partido Social-democrata.
Ponham os cartazes em sítio próprio, onde não destoem da envolvente. Na Grande Lisboa sugiro: os silos da Quimigal ou a o aterro de Trajouce. Mas retirem por favor a Godzilla do Marquês!
E se o bom gosto não vos diz grande coisa, como é óbvia constatação pelo cartaz que escolheram, ao menos que o façam pelo PIB da capital. Qual é o turista que quer acordar, abrir a cortina do quarto do hotel 5 estrelas, e dar de caras com aquela carantonha?!
Vá lá! Pelo PIB…
As eleições não são tudo na vida. Estamos em crise, não podemos afugentar as divisas.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Não é fácil...


...vencer Santana Lopes ou ser Santana Lopes?
As das duas realidades não são fáceis.
É difícil vencer Santana Lopes porque Santana Lopes é como é. E não é fácil ser Santana Lopes porque Santana Lopes é mais uma pessoa “normal” do que o são a maioria dos seus opositores e críticos. A normalidade da falha, com que convivemos quotidianamente mas da qual a maior parte do políticos parecem virginalmente imaculados, em Santana Lopes roça tanto a virtude como o escárnio.
Dificilmente haverá politico mais caricaturado que SL. E porquê? Porque é pura e simplesmente o mais caricaturável. O essencial da caricatura reside na ampliação não do defeito, mas da característica, e características demarcantes são coisa que não falta à vida pública de Santana Lopes. Mas porquê? Porque ao contrário do que é pratica corrente na vida politica nacional, Santana nunca escondeu a sua esfera privada do crivo público. E convenhamos, 5 filhos de 3 casamentos falhados, presidências atrás de presidências sempre com mandatos prematuramente interrompidos à frente de algumas das maiores instituições nacionais…
Mas o povo gosta dele. Salvaguardadas as devidas distâncias, é sempre possível encontrar em Santana algum traço de carácter que reconhecemos num familiar, num amigo, num vizinho ou em nós mesmos
Não lhe gabo os danos colaterais que toda esta exposição lhe tem causado. Mas esse também é o seu charme, a sua derradeira prova de que é diferente!
E hoje em que estado se apresenta a combate com António Costa?
Mais “Calimero”, ou mais “Enfant Terrible”? Ou será até, que a lavagem do tempo, reciclou a memória da sua passagem pelo Governo? À luz da degradação da vida partidária contemporânea, não me parece improvável o assomar de um certo saudosismo, saudável, de uma certa forma de fazer politica.
Para a disputa da Câmara Municipal de Lisboa, apresentam-se a votos duas personalidade bem menos planas do que aquelas que disputam a governação. António Costa, também é um politico genuíno e de grande vocação para o combate publico, mas parte por comparação com um inesperado handicap: notoriedade! Por incrível que pareça, António Costa é capaz de ser hoje mais anónimo para os lisboetas do que o era como Ministro de Estado de José Sócrates. E o Santana? Santana é Santana!
A escolha do próximo Presidente da Câmara de Lisboa será bem mais emocional que racional. Ambos ao seu estilo, e com dificuldades diversas, deixaram uma marca positiva nos seus curtos mandatos camarários. Neste contexto levará vantagem quem tiver mais sucesso na resposta individual que cada um munícipe der a cada uma destas duas perguntas:
- A qual dos dois comprava um automóvel usado?
- Com qual dos dois deixava o seu filho durante um fim-de-semana?
Surpreendidos?
Responda com sinceridade e encontrará “o seu candidato”, agora se a isso corresponderá o seu voto… só a si diz respeito. Uma coisa é certa se tiver tendência a responder António Costa e Pedro Santana Lopes por esta ordem respectivamente. Então está perante um dilema, melhor Presidente para a Câmara ou o Presidente de quem gosta mais?
Se não é fácil ser Pedro Santana Lopes! Não é fácil ser contra Pedro Santana Lopes.