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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Tão "Independente"(s) que nós éramos.


Citações uteis de Paulo Portas no Independente.

«Sá Carneiro era um grande senhor. Mário Soares é, no máximo, um gajo porreiro. E Cavaco Silva é, no máximo, um tipo vulgar. (...) Cavaco Silva é democrata porque tem de ser, e autocrata quando o deixaram ser. (...) eliminou voluntariamente os parceiros, liquidou talentosamente os concorrentes e construiu um poder rigorosamente pessoal, e, nesse sentido, ilimitado.»
Paulo Portas, ‘O Independente' (30 de Novembro de 1990), a propósito do aniversário da morte de Sá Carneiro.

«A única razão para a teimosia de Cavaco Silva é o medo da liberdade verdadeira, o pânico de uma informação que não pergunta ao dono o que é proibido dizer. (…) Eis a prova dos nove de que Cavaco Silva teve, tem e terá sempre a cabecinha de um funcionário público.»
Paulo Portas, ‘O Independente' (Março de 1990), a propósito da abertura da televisão à iniciativa privada.

"E recordar é viver..."

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

"Dizsequedisse"

O Gabinete do PM veio desmentir pela alvorada, a noticia que faz manchete do Público de hoje, segundo o qual o “Conselho de Estado foi convocado após Sócrates ter ameaçado sair”. Registo que a noticia (e consequente desmentido) tenha saído logo hoje, no dia seguinte a um Conselho de Estado que, ao que tudo indica, terá corrido bem ao Governo.
E pergunto, não seria mais pacificador se esse desmentido viesse do gabinete da Casa Civil do Presidente da República? Mesmo que tal não fosse em forma de desmentido. Ao Presidente da República competiu convocar o Conselho de Estado, só ele saberá ao certo porque o fez, e, como tal, apenas o Presidente da República pode por cobro a um "dizsequedisse" sobre as suas reais motivações.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

As perguntas que um jornalista não pôde fazer

Um jornalista vai a Belém ouvir o Presidente da República, mas não pode fazer perguntas e fica com um 'montão' delas entaladas na garganta.

Um jornalista em Belém ouve o Presidente dizer que houve "manipulação" com o seu nome e a sua figura durante a campanha eleitoral e não pode perguntar por que não a denunciou.

Um jornalista em Belém fica, ali, sentado, a ouvir o Presidente a dizer que considera "graves as declarações de destacadas personalidades do Governo" sobre a eventual participação de membros da sua Casa Civil na elaboração do programa do PSD e que elas são "mentira", e não pode inquirir por que ele não o disse.

Um jornalista em Belém ouve o Presidente afirmar que tem dúvidas sobre os termos exactos das declarações atribuídas a um membro da sua Casa Civil e não pode perguntar a razão pela qual se calou.

Um jornalista em Belém escuta o Presidente dizer que desconhecia totalmente a existência de um e-mail publicado num jornal e que duvida da veracidade das afirmações nele contidas, e não pode perguntar porque razão então houve esse e-mail.

Um jornalista em Belém vê o Presidente, crispado, dizer que não vê onde está o mal de um membro do seu staff ter sentimentos de desconfiança em relação a outros, e não pode perguntar: mesmo se esse outro é um "elemento do gabinete do primeiro-ministro", como está escrito no e-mail?

Um jornalista em Belém ouve o Presidente reafirmar que há dúvidas de que alguém pudesse ter falado em seu nome não estando para tal autorizado e que é por isso que faz "alterações" na sua Casa Civil e não perguntar se o seu colaborador foi ou não demitido ou se permanece ao seu serviço.

Um jornalista em Belém entende que o Presidente se interroga sobre a confidencialidade dos seus computadores e não pode perguntar: mas foi só agora que tem essa suspeita ou há mais tempo?

Um jornalista em Belém ouve o Presidente dizer que se ultrapassaram "os limites do tolerável e da decência" e, finalmente, pergunta-se: e agora, como é que Presidente e Governo vão coabitar, logo agora, que o país mais precisa?

Luisa Meireles (www.expresso.pt)