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sexta-feira, 17 de abril de 2009

O dia que pariu o “sigilio”


Afinal, o dia de hoje não será lembrado pelas últimas exéquias ao defunto sigilo bancário? Pelo menos,para mim não!
Foi um dia inteiro de manhã à noite, na televisão e na rádio, da esquerda à direita ou ouvir: “sigilio” para aqui, “sigilio” para acolá...
Primeira vez que ouvi, pensassei: “Sigilio”!? Que disparate! Vê-se mesmo que é deputada!
Segunda vez que ouvi: “Sigilio”!? Que horror! Vê-se logo que é uma jornalista da TVI!
Quadragésima sétima vez que ouvi: “Sigilio”!? Nuno, até tu, que dás umas calinadas de vez em quando, sabes que “sigilio” não existe, nem aqui nem em Belém!
Pensava eu…
Depois de jantar, ligo a televisão, regulo o volume, o Chefe de Estado, Sua Excelência o Presidente da Republica, fala sobre as iniciativas legislativas do dia para o combate à corrupção. O que terá para dizer?
“Há muito que defendo o levantamento do “sigilio” bancário!”
Desculpe senhor Presidente, importa-se de repetir?!
“Há muito que defendo o levantamento do “sigilio” bancário!”Pronto, rendo-me! Se o “bué” nasceu em Angola, foi adoptado para os lados da Damaia, e entrou para o Dicionário de Língua Portuguesa, o “sigilio” que é parido por todo lado e é bem nutrido pela boca do mais alto signatário da nação nem precisa passar pelo crivo dos Doutores da língua de Camões.
Se o Professor Cavaco Silva diz “sigilio”, quem são as ferramentas de ortografia e gramática do Word para o contrariar.
Eu pela minha parte, já cumpri com o meu dever cívico e adicionei o novo vocábulo ao dicionário do meu computador.