
Porque hoje é sexta, a TVI tem na ementa mais um episódio do pior jornalismo televisivo de que há memória em Portugal.
Quando não têm noticias, recorrem à reposição.
Se as noticias são escassas, exploram a mais batida insinuação sobe todos os ângulos de abordagem, numa espiral delirante de difamação.
Quando parte interessada envia o material para a redacção, como foi o caso do dvd de Charles Smith, o que faz a TVI? Publica-o? Nada disso…
Na primeira semana, cita pequenos excertos descontextualizados ilustrados com montagens criativas de imagens de José Sócrates no desempenho da função de Primeiro-Ministro.
Na segunda semana, retira a imagem ao dvd, e com mais algumas montagens, põe o povo a ouvir uma conversa em Inglês com uma legendagem discutível.
Na terceira semana, por fim, lá mostra as imagens com som integral, repetidamente ao longo de hora e meia de serviço (supostamente) informativo.
Se isto não é uma campanha negra não sei o que uma campanha negra será.
Onde é que se viu em Portugal, uma redacção, que para alem dos jornalista, tem dois juristas como revisores de toda a informação editada pela estação? A RTP não necessita de recorrer a este expediente, a SIC também não.
A TVI sabe que a sua campanha contra o Primeiro-Ministro comporta riscos legais, e por isso recorre a profissionais das leis para reescreverem as notícias que os jornalistas por fim assinam.
Talvez por acção destes dois advogados, somos sistematicamente confrontados com aquelas bocas de Manuela Moura Guedes que raramente concretiza o que quer dizer, recorrendo tantas vezes às caretas e as frases que deixa para o telespectador completar.
A táctica de MMG nada tem a ver, nem longinquamente, com qualquer coisa que se aprenda numa Licenciatura de Comunicação Social ou sequer num atelier do CENJOR.
A TVI faz uma lavagem cerebral aos telespectadores. A repetição de pequenas punch lines que nada informam. A tentativa patética e plástica, da apresentadora, em se colocar ao lado no sofá da sala dos Zés e das Marias, com a utilização da primeira pessoa do plural na abordagem a todos os temas com que pretende criticar o Governo.
A contratação destes juristas, e a forma como estes são utilizados pela 1ª dama da TVI na preparação dos noticiários de sexta-feira, são a prova da má fé na preparação destes noticiários.
Até hoje, MMG conseguiu evitar chamar ladrão, corrupto, mentiroso a José Sócrates. Mas a forma sub-reptícia como o faz permanentemente, já é material de facto para provar o uso impróprio que esta faz do seu púlpito. As motivações da ex-deputada do CDS-PP são óbvias. Para bem da saúde da nossa comunicação social urge que o Primeiro-Ministro e o Governo deixem de ignorar a injuria com hora marcada que está a ser levada a cabo pela TVI.
Uns dirão que será uma tentativa do poder politico para silenciar ou condicionar os media. Mas é nos media que existe maior desconforto com aquela senhora das sextas da 4. Se o sindicato dos jornalistas como qualquer órgão corporativo em Portugal, nada faz para separar o trigo do joio, então que seja a vítima dos ataques a tomar a sua defesa em mãos. Uma condenação em tribunal de Manuela Moura Guedes por difamação será um serviço à classe jornalística.
O noticiário de sexta na TVI é uma vergonha.
Senhor Primeiro-Ministro, não finja que não ouve, não finja que não vê. Ponha Manuela Moura Guedes e a TVI em tribunal!
