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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Não se brinca com quem usa cornos

Em homenagem ao nosso ex-ministro da economia, que, ao que parece, irá tourear em breve o Ricardo Araújo Pereira, aqui deixo um singelo repositório audiovisual da pacífica tradição da Ilha Terceira nos Açores.


P.s.: ao que parece o Francisco Louça quer proibir esta como outras tradições nacionais como são exemplos: o falar ao telemóvel à custa do patrão, ou o fugir aos IRS com a ajuda do IRS. Mas dizer que é contra os "rodeos"para protecção dos animais?!
Aqui fica demonstrado que nesse, como em outros temas, o homem não faz a mais pequena ideia do que está a falar.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

B(S)E


Louçã disse-o ontem e tinha razão, o único partido que aumentou a sua base eleitoral nestas eleições foi o Bloco de Esquerda.
A noite de ontem foi uma grande noite para o BE, uma noite de festa. Até o Rui Miguel Tavares vai para a Europa. O Público perde um bom cronista, o Bloco ganha um deputado que prevejo menos brilhante.
O BE está a crescer consistentemente, a sua base eleitoral está consolidada e a partir de hoje jamais poderá ser encarado como a "ovelha negra" do espectro partidário português.
O BE é o 3º maior partido português.
O BE veio para ficar.
Mas com mais maturidade, com mais poder,vem a responsabilidade. O BE para evitar a PRDização, tem que passar a apresentar-se ao eleitorado não só como aquele partido que aponta o problema mas acima de tudo como o partido que tem a solução.
E que soluções tem o BE para os problemas do País?
Que ministérios devem ser governados pelo Francisco Louçã, pelo Miguel Portas ou pelo Luis Fazenda?
O BE tem o seu percurso anti-sistema, mas e agora?
Ainda é cedo. As legislativas só são no final do ano, mas o momento é decisivo para o Bloco e para o País. A decisão é de todos nós, mas mais relevantemente daqueles que votaram agora Bloco de Esquerda pela 1ª vez.
O BE quando apareceu apresentou-se como o anti-biótico do sistema partidário português, uma reinterpretação de fazer politica à esquerda, imune às infecções próprias de quem já esteve no poder. Cumpriu o papel a que se prestou, e o eleitorado recompensou-o por isso. Mas, como todas os anti-bíoticos vivos (e o BE está bem vivo!), se o "bichinho" for em demasia, arriscamos sofrer da patologia que pretendíamos curar. Com o risco acrescido de debilitarmos ainda mais as nossas defesas naturais.
Ninguém toma antibiótico por substituição de vitaminas.
Os portugueses têm até Outubro/Novembro para decidirem se querem arriscar a doença dos votos loucos.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Patton vs Rommel


Porque ganham votos, e até eleições, Francisco Louçã, Manuel Alegre, Isaltino Morais ou Valentim Loureiro? Estarão a pensar: o que fazem estes gatos no mesmo saco?!
É indiscutível. Mais à esquerda ou à direita, para o ouvido menos politizado, de quando em vez, estes protagonistas conseguem falar ao coração do eleitor.
Mesmo demagogos ou corruptos, à luz da vela que ilumina “O Homem da Regisconta”, aqueles, ao menos, parecem humanos. Nós ainda não perdemos a tendência de votar em seres da nossa espécie, em detrimento de hologramas bem programados.
O Louça. Nunca senti por ele aquele temor reverencial que ainda guardo de alguns professores da faculdade. Aquele timbre resmungão, parece-me o Sr. Joaquim, reformado da função publica, campeão da bisca lambida, e que passa as tardes a doutrinar os pombos do Jardim da Estrela contra os “Xampalimôs e os Mélos” que compram “esses vendidos do Parlamento”. Uma figura patusca!
O "Isaltino faz obra”, e isso merece sempre elogio num país em que a obra "vai-se fazendo”.
O Valentim. Um “homem do futebol” e eu não resisto a um chuto na bola.
Ouvir o Manuel Alegre é ouvir o meu pai, e… está tudo dito.
Instintivamente, eu votaria em qualquer um destes homens, se à boca da urna, seguisse os meus genes mais Montecchios, e, claro está, desligasse o cérebro. Exactamente os mesmos instintos que me embargam o voto na “Dama Enferrujada”, e que me dificultam na tarefa de apoiar José Sócrates.
Montecchio “ma non troppo”, é obvio que JS e MFL são as únicas individualidades elegíveis para São Bento.
Mas recentemente estive no limiar de uma mudança de paradigma, uma pulsão adolescente assomou ao meu “Eu Político”.
Vale o que vale, mas se o Deputado Afonso Candal tivesse “ouvido” o repto que o adversário de bancada José Eduardo Martins lançou para “resolverem o assunto lá fora”, e se fosse o caso, desse titânico confronto, ser igualmente televisionável, aqui juro pela minha honra, que confiaria o meu voto ao contendor que demonstrasse mais coragem e galhardia, para alem de nobreza nos golpes desferidos elegância no encaixe das respostas.
Assim ficámo-nos pelas palavras, e ai, José Eduardo Martins, marcou um auto-golo decisivo e, o meu voto contínua rosa.
Como experiencia colectiva, se este episódio teve alguma utilidade para nação, terá sido para relembrar que “na política como na vida”, um pouco de humanidade, por muito que a queiram sublimar, continuará a salutarmente existir. Pena que esta apenas se revele em sombrias formas.
Certo é, que “a rua” está farta de olhar para Olimpo de cinismo onde políticos como Manuela Ferreira Leite habitam. Esse Olimpo etílico onde os seus habitantes lembram-se e esquecem-se, a horas certas, das virtualidades e vergonhas do que fizeram enquanto ocuparam, mesmo que há escasso tempo, as cadeiras do poder
Agora imaginem só: e se o Deputado JEM e o Deputado AC tivessem mesmo andado “à pêra”?
Até que ponto não seria salutar para a AR e para a Nação que, mesmo à chapada, se desvanecessem definitivamente, algumas das dúvidas que a Nação partilha, sobre verdadeira natureza e motivações daqueles que a representam?
George Patton, controverso general americano, nas vésperas da primeira batalha de El Alamein contra os Afrika Korps comandados pelo igualmente brilhante Marechal Rommel, enviou uma mensagem a este, desafiando-o para um duelo. Este duelo leal e justo, substituiria a barbárie do sacrifício de dezenas de milhar de vidas humanas. Quem ganha-se, ganhava a batalha, e assim evitar-se-ia sem desonra a (in)evitável chacina. Os seus homens não derrotaram os militares de Rommel em El Alamein , talvez pelas inutilidade das baixas provocadas, várias décadas mais tarde, nas suas memórias, Patton ainda lamentava que Rommel não tivesse aceite o seu repto.
Quanto ao embate Martins versus Candal nunca saberemos qual seria o desfecho físico e moral para ambos. Mas o resultado colateral provável seria uma poupança à República de mais alguns anos desta lenta e agonizante degradação da classe politica.
Talvez por falta de um momento simbólico definidor, que nos faça encarar o problema com “ganas” de o resolver.
Ontem os Deputados Martins e Candal podiam ter oferecido os seus corpos a este serviço pela Pátria. Certamente, seriam mais nobres do que o foram naqueles momentos em que não estiveram, ou, em que não ouviram.

terça-feira, 3 de março de 2009

A ovelha saltitona


"-Mãe estou com sono!
-Filho, conta carneirinhos a saltar uma cerca…"

Quem alguma vez observou o comportamento de um rebanho de ovelhas, sabe que saltar a cerca, é algo que as ovelhas raramente fazem.
As ovelhas, bichos cautelosos por natureza, vêm lobos atrás de cada moita. Pelo sim pelo não, as ovelhas escolhem andar juntinhas, sempre em rebanho, movem-se vagarosamente, qualquer cão pastor as conduz pelo pasto. Como em muitas espécies de mamíferos mais gregárias, por rebanho existe sempre um macho alfa, ou pelos quanto muito vários machos beta. Os carneiros mais novatos têm que esperar pela sua vez. De quando em vez, lá aparece um carneiro mais insatisfeito, quiçá mais atrevido, normalmente na época de acasalamento, que ganha coragem e salta a cerca no intuito de encontrar um rebanho com menos ou mais fracos machos dominantes e desta forma mais rapidamente conseguir acasalar.
No PS, o grande rebanho da esquerda, o macho Alfa está bem identificado, o rebanho é grande mas nele, é ele quem manda. Alguns socialistas de sempre, espreitam pois, o outro lado da cerca, e vêm um rebanho mais pequeno, inexperiente, e permanentemente assustado, também ele repleto de ovelhas geneticamente socialistas. É nesse momento que aplicam a velha máxima, todos diferentes todos iguais, e vais disto, fazem o bypass para um rebanho que embora negro, pensam eles, será de mais claras oportunidades individuais. No frenesim da pequena ambição pessoal, da autojustificação sacrificial das suas próprias convicções, este socialista saltitão esquece o princípio fundamental da sobrevivência da sua espécie: a união solidária do rebanho.
Os lobos da direita, mesmo quando enfraquecidos por muitos anos de mingua, e conduzidos por uma loba displásica, atacam sempre unidos no momento da caçada ao voto. A eles não interessa a pelagem das ovelhas. Aos lobos da direita, interessa pura e simplesmente o desmembrar e a divisão do grande rebanho da esquerda.
As ovelhas negras e saltitonas, fazem pois o trabalho dos lobos da direita, esquecendo irresponsavelmente que assim tornam o seu próprio rebanho mais frágil. Esquecem que um dia o grande rebanho ao qual de facto nunca deixaram de pertencer, terá que seguir caminho para outras pastagens, e que eles, enfraquecidos pela sua vaidade, poderão já não conseguir saltar a cerca de volta, e provavelmente serão então os primeiros a fazerem o festim da alcatei.

domingo, 1 de março de 2009

Louçã I "O Demagogocrata"


O BE está de parabéns! Já fez 10 aninhos! Quem podia imaginar… Trotskistas, albaneses, maoistas, anarquistas, (ex)estalinistas, bloggers e alguns cronistas. Todos juntos e felizes, cada vez mais fortes e agradecidos ao seu verdadeiro e único líder: Francisco Louçã.
E quem precedeu Francisco Louçã? Francisco Louçã.
E quem sucederá a Francisco Louçã? Não será com toda a certeza, a Joana Amaral Dias ou Zé Sá (já não lhes faz falta) Fernandes.
O Bloco é o Bloco! E o que é o Bloco? É o Bloco da bajulação da demagogia.