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terça-feira, 9 de junho de 2009

Pequeno fascismo latente

Vivemos a era da sociedade de informação. No que à politica se aplica, via novas redes e plataformas, hoje, é virtualmente possível ao eleitor ter informação politica actualizada ao minuto mesmo à entrada da mesa eleitoral ou até na cabina de voto. O dia de reflexão é cada vez mais anacrónico assim como o é a separação entre período eleitoral e pré-eleitoral.
É próprio dos políticos, e isso também faz parte das obrigações da função, tentarem controlar toda e qualquer informação que lhes diga respeito. Em período eleitoral, no calor da refrega, tornam-se particularmente sensíveis e a sua verdadeira natureza emerge. O PP, cujos líderes afirmavam há 5 anos que se demitiam caso alguma vez ficassem atrás do BE, é um partido de pequeno fascismo reciclado. Atenção, devo dizer que muitíssimo bem reciclado, ao contrário do PCP, genuinamente convertido à democracia. No entanto, não deixa de ser revelador a vontade de Pedro Mota Soares em proibir as sondagens durante as campanhas eleitorais. Qualquer proibição, para mais informativa, é uma limitação da nossa liberdade individual. Durante uma campanha eleitoral essa liberdade deve ser exacerbada e tem que ser total nos limites do respeito e tolerância pelo outro. Tenho todo o direito a ser informado sobre o que o que os meus concidadãos pensam e tomar em linha de conta essa informação na definição da minha vontade. As sondagens são cientificas. Umas mais bem feitas que outras, por lei, as empresas que as fazem, fornecem com os resultados os critérios da amostra.
É certo que o Dr. Paulo Portas já não é o director do Centro de Sondagens da (extinta) Universidade Moderna mas isso será razão para esta vontade de calar o eleitorado em período eleitoral. Ou alguém duvida que o PP, num cenário de proibição de publicação de sondagens, não deixaria de encomendar as suas amostras para consumo interno? Até porque, para qualquer partido populista que se prese, a audição do povo é essencial para a mutação constante do próprio discurso politico.
Hoje as sondagens, amanhã determinados comentários ou comentadores... CDS-PP, o partido do lápis azul. Será que aprendemos alguma coisa com os submarinos e outros que tais?

terça-feira, 31 de março de 2009

Doenças raras do PP


O CDS-PP vai propor que as patologias classificadas por “doenças raras” sejam rastreadas à nascença com o teste da “doença dos pezinhos”.
À primeira vista parece fantástico, como é que ninguém se lembrou disto antes?! Talvez porque nunca tivemos um ano tão marcadamente eleitoral e é preciso ter (leia-se inventar) ideias e dinheiro para tanto comício e cartaz.
Com esta medida, para alem do populismo a que já nos habituou, o PP mostra bem aquilo que é. Um pequeno grupo de lobby sempre disposto a colocar na “agenda politica” assuntos de discutível interesse publico, mas que a singrarem revertem em mais uma sangria de dinheiros públicos para o bolso do famoso mas discreto grupo dos “sempre os mesmo”.
Os grandes laboratórios de análises clínicas serão, com toda a certeza, muito generosos para com um Partido que zela tão escrupulosamente pela saúde pública. Com esta medida evitar-se-iam por ano, uma ou duas dezenas de dramas individuais, com um gasto de muitos milhões euros em meios de diagnóstico.
Infelizmente, o Estado tem que se preocupar com a saúde de todos e não apenas de alguns. Os recursos são escassos, e depois da passagem do PP pelo Governo, passaram a ser mais escassos ainda.
Obrigado senhores centristas por nos reavivarem a memória do que é o vosso modelo de bem comum. Na Defesa foram submarinos e helicópteros, na Saúde seria um Sistema Nacional de Saúde privatizado. Não pagaria um simples gesso a quem partisse uma perna, mas que não descuraria milhões na caça às bruxas de uma "doença rara".