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segunda-feira, 22 de junho de 2009

O humor e a política do lado de lá.

A BD faz parte do ADN dos EUA. Históricamente tem sido usada para celebrar heróis e para exorcizar medos. Não é ingénua a coincidência do nascimento das personagens Super-homem e Capitão América com a 2ª Guerra Mundial. Para os americanos a BD também é uma forma de fazer politica. É o mega-cartoon por excelência. Relativamente ao video que o Viegas apresentou no post anterior, o exercicio de criatividade é fantástico. Celebra o fenómeno Obama, mas não deixa de parodiar com alguns dos traços mais visíveis (e discutíveis) da nova administração. E não me refiro às orelhas do Presidente. São discutíveis as estratégias de combate à crise económica e de combate ao terrorismo, e Obama não é poupado de alguma ironia na abordagem "fantástica" desses assuntos.
Dizer que a JibJab faz propaganda ao Presidente Obama seria o mesmo que dizer que as ficções fictícias trabalham a soldo do governo. Não faz qualquer sentido.
Discordo pois totalmente do post anterior. Aliás, os criadores do video dizem mesmo que este é uma retribuição pelo momento de stand-up com que o Presidente Obama brindou os jornalistas credenciados na Casa Branca há cerca de 1 mês atrás. Nada tem a ver com qualquer manobra de propaganda da Administração. Assistam e digam se o homem não fez por merecer um Super-Orelhudo.



Definitivamente, não podemos aplicar a triste e cinzenta bitola da nossa relação com os nossos não menos tristes e cinzentos políticos a uma personagem que se inscreve a cada dia que passa nos livros da Historia Universal. A Democracia é isto mesmo, e lá, como cá (Gato Fedorento), sabe-se criticar com criatividade. A grande diferença é que "do lado de lá" sabe-se conviver com a critica (não consta que Obama tenha processado os autores do vídeo de animação).

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Obama não faz mal a uma mosca?



E matou-a sem a ajuda do teleponto!

domingo, 17 de maio de 2009

O "Inspirador" inspirado


"Este é o discurso de comemoração da passagem dos 10 dias sobre a celebração dos primeiros 100 dias da Administração Obama"
Para quem ainda duvidasse, eis o discurso da vitória da política dos homens sobre os homens da política. Um político nunca diria este discurso, só um homem maior e um enorme democrata correria tais riscos e sairia ovacionado pela plateia mais exigente do Mundo.
O Príncipe da Casa Preta segue dentro de momentos.

terça-feira, 31 de março de 2009

Obama em Portugal


David Plouffe cobra 50.000 USD por conferência. A ensinar alguma coisa? Não. A vender bem quem o convida? Sim.
No ano de todas as eleições, a Cunha Vaz & Associados promoveu uma conferência sobre os “Movimentos de Base no sec. XXI”. Orador principal: David Plouffe, um dos masterminds por trás do êxito eleitoral de Obama.
O timming é perfeito. Cunha Vaz traz a Portugal o “feiticeiro” americano, no preciso momento em que os principais partidos políticos e candidatos a autarcas contam os tostões para verem que campanha podem “comprar”.
Melhor cartão de visita é impossível.
Mas que receita veio dar afinal David Plouffe?
O papel das novas tecnologias? Como o próprio afirmou, são meras ferramentas e “quando a campanha de Obama arrancou ainda nem havia Twitter”.
“Nothing really special”, ouviu-se o mais que batido slogan da mudança alicerçado numa estratégia de comunicação entre pares.
E é na estratégia que reside a razão pela qual os ensinamentos de David Plouffe não têm qualquer aplicação pratica ao caso português, e, como tal, a sua presença não passou de mais uma manobra de propaganda da eficiente agência de comunicação de Cunha Vaz.
Uma campanha estilo Obama não exequível em Portugal, simplesmente porque ainda está para nascer o Obama português.
Falamos do Portugal em que vivemos, o Portugal dos doutores e engenheiros, o Portugal das personalidades sem nome próprio mas com 6 apelidos, o Portugal da imaculada aliança dos primos e afilhados.
Portugal ainda é avesso aos mais elementares princípios da moral republicana que foram o caldo de cultura para o êxito americano. Uma sociedade laica, iluminista onde a razão prima sobre qualquer titulo nobiliárquico ou herança histórica.
Com honestidade, respondam a esta questão - qual dos lideres políticos portugueses aceitaria abrir a porta da sua casa, contar as desventuras e dramas da sua família na primeira pessoa, ou passar o dia das eleições num churrasco com os amigos rematado por uma partida solteiros contra casados a seguir à hora da sesta?
O mais perto que tivemos deste politico “como nós”, foi com Pedro Santana Lopes. Mas aí a proximidade só lhe evidenciou os defeitos de que já sabiamos padecer.
Em Portugal, não existirá “par” para esta campanha sem o elemento essencial e insubstituível: o candidato!
Páginas de internet com o layout copiado da página oficial de Obama são um esforço inócuo e risível.
A verdadeira lição que podemos retirar das presidenciais americanas é que contra um conteúdo real qualquer formato virtual está condenado ao fracasso. Obama, foi esse candidato virtuoso e real, não precisou de maquilhagens biográficas ou que escrevessem por ele os seus discursos com que empolgou a América.
Nós por cá, não deveremos copiar Obama sob pena de perdermos muito na comparação, e perdermos ainda mais em genuidade.
Porque o povo tem sempre razão mesmo quando se engana... e o que é falso “tem perna curta”.