sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Finalmente a lista foi divulgada


Na pausa de um trabalho que se vai prolongar até à próxima 3.ª feira, dou de caras (aqui) com a divulgação - FINALMENTE mas por portas travessas - da lista de inquilinos do famoso património disperso do município de Lisboa.
Não contesto que muitos dos nomes desta lista sejam justos beneficiários de um apoio social por parte do município de Lisboa.
Mas acho que, feita a divulgação pública dos beneficiários, dos imóveis e do valor das rendas, o município de Lisboa deve, de imediato, auditar todas as situações existentes e apurar (i) quais os critérios de atribuição de cada uma das casas, (ii) verificar se se mantém a situação patrimonial desvantajosa que levou à atribuição de um imóvel, (iii) fazer cessar, com a antecipação devida, todos os arrendamentos que se enquadramente manifestamente fora de qualquer apoio social e (iv) quantos aos remanescentes, proceder à sua alienação a jovens no âmbito de um programa de captação de jovens para o centro de Lisboa.

Ah... a lista pode ser consultada aqui

Parabéns aos noivos!

Que já não são noivos.
São marido e mulher. Parabéns.

Crise de Valores.. in Publico.pt

A imagem de um gestor a sair pela porta de uma empresa falida com um cheque milionário no bolso não é uma metáfora. A crise financeira está a pôr na praça pública as críticas contra os excessos salariais. Richard Fuld não baixou a guarda. As fotografias mostram-no imponente, em pose altiva, ao entrar esta segunda-feira no Capitólio, Washington. À chegada, Fuld foi vaiado pelos manifestantes que empunhavam cartazes de protesto, onde se liam palavras como "vergonha" e "ganância". O ex-CEO da Lehman Brothers foi o primeiro de vários executivos a ser chamado para prestar contas perante uma comissão de inquérito do congresso norte-americano constituída para averiguar os motivos que levaram ao colapso de Wall Street. Perante o congresso, Fuld apontou os motivos que levaram a quarta maior casa de investimento dos EUA a declarar falência, no dia 16 de Setembro: uma bola de neve de rumores que levou à queda das acções, legislação ultrapassada e a lenta reacção dos reguladores que serviu de rastilho para a "tempestade do medo". Mas os congressistas americanos parecem não estar sensibilizados para o papel do gestor-vítima. O sinal disso mesmo foi dado logo naquele primeiro dia de audiências. "Acha que é justo" - questionou o presidente do painel - que, perante o colapso da empresa, vários executivos, entre os quais o CEO, tenham saído "imunes" dos escombros, levando consigo elevadas indemnizações? Cinco dias antes do seu colapso, a Lehman passou cheques superiores a 23 milhões de euros a três executivos que abandonaram a empresa. E foi aqui que os congressistas lhe acenaram com um "email" datado de Junho, no qual Fuld recusava uma proposta de vários executivos da Lehman que, perante o recuo nos resultados do banco, sugeriam que os principais quadros de topo renunciassem aos seus bónus, para dar um sinal aos funcionários e investidores.
Perante a necessidade de injectar biliões de dólares no sistema financeiro americano, saltaram para o primeiro plano as críticas em torno das políticas de remuneração dos executivos e, em particular, dos chamados "golden parachutes" (à letra: pára-quedas dourados), cláusulas de salvaguarda que lhes garantem o pagamento de uma elevada indemnização na hora da saída. Típicas de mercados dinâmicos em matéria de fusões e aquisições, como o americano e o inglês, este tipo de cláusulas começou a generalizar-se nos anos 80, enquanto ferramenta de atracção e retenção de executivos, para fazer face à guerra do talento. Nada há aqui de ilegítimo.A questão é que os "golden parachutes" passaram a ser prática instituída nas grandes cotadas americanas, sem que estas cláusulas fossem muitas vezes contratualizadas, escapando assim ao escrutínio de accionistas e investidores, e sem estarem associadas a qualquer pressuposto de desempenho. Ou seja, mesmo que afastado por descontentamento dos seus accionistas, um CEO americano de uma empresa em apuros poderá levar consigo uma compensação de saída que, em regra, equivale a três salários anuais, incluindo bónus, opções de compra de acções, esquemas complementares de reforma e, em alguns casos, o pagamento de benefícios até à idade da reforma. Se até aqui as críticas se limitaram, em larga medida, aos corredores académicos, grupos de pressão e eventuais accionistas furiosos, a partir do momento em que o Estado tem de abrir os cofres públicos para intervir, dificilmente o poderia fazer sem explicar a contribuintes - eleitores - que, em empresas intervencionadas, não haveria lugar ao pagamento de quaisquer cheques dourados. Uma pesquisa recente feita pela empresa de estudos de mercado Gallup para o jornal "USA Today" revelou que 63% dos inquiridos considerava ser "muito importante" ficar limites de remuneração aos executivos das empresas abrangidas pelo "bailout" de Bush.
A crítica passou para a praça pública europeia ao ritmo das declarações dos governantes francês, belga e luxemburguês, que este mês se uniram para salvar o banco Dexia. Em França, já garantiu Nicolas Sarkozy, se as empresas não assumirem as rédeas para limitar salários e benefícios aos executivos que falhem na sua gestão, o governo encarregar-se-á de o fazer no próximo ano. Na Europa, a intervenção dos Estados na esfera das empresas privadas tem sido sistematicamente criticada por vários parceiros sociais e a própria Comissão Europeia tem feito questão de frisar, no plano das suas recomendações sobre governo societário, que os accionistas deverão ser os principais responsáveis pelas fixação da remuneração dos executivos. "No entanto, verifica-se que apenas cerca de um terço dos Estados-membros segui a recomendação de que os accionistas devem ter direito de voto acerca do critério de remuneração dos administradores", afirmou Charlie McCreevy, comissário europeu do Mercado Interno, numa conferência do Instituto Europeu de Corporate Governance, em Setembro. Há quem veja nestas declarações um sinal de que também a Comissão Europeia poderá estar disposta a meter mãos à obra para tentar estancar "salários perversos". Interferência excessiva ou um sinal dos tempos? É que a crisee parece estar a fazer mudar algumas perspectivas. Como escreveu a revista "The Economist" esta semana, a propósito das intervenções estatais para salvar os bancos, "não é socialismo, é pragmatismo".

Sigamos o Cherne...

Estará o futuro do "Cherne" em risco na Comissão?
O ambiente político em Bruxelas está muito complicado para Durão Barroso. Tem a sua recandidatura quase confirmada, mas há vários candidatos que lhe podem fazer frente.
Dizem os mentideros que o Ministro do Interior alemão, Wolfgang Schaüble, está em boa posição para disputar a liderança.

Barroso está em desvantagem, por um lado pelo seu forte empenho na intervenção no Iraque e por outro lado no pouco empenho da Comissão na actual crise financeira.
Outra questão é que o atraso na entrada em vigor do tratado de Lisboa (face ao "não" Irlandês) vem fragilizar Barroso, pois as funções que poderá desempenhar quando entre em vigor serão mais diversificadas.

Barroso movimenta-se muito bem na cena internacional e seria um óptimo "Ministro dos Negócios Estrangeiros da UE" ou seja o lugar actualmente detido por Javier Solana, com poderes e esfera de intervenção muito reforçados.

A acompanhar com atenção.
Nem só de eleições americanas se vive...

O Subprime (versao nao financeiros)

Para quem não entendeu ou não sabe bem o que é ou gerou a crise americana, segue breve relato económico para leigo entender...

É assim:
O Ti Joaquim tem uma tasca, na Vila do Carrapato, e decide que vai vender copos 'fiados'aos seus leais fregueses, uns borracholas, outros desempregados.
Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose do tintol e da branquinha (a diferença é o sobre preço que os pinguços pagam pelo crédito).
O gerente do banco do Ti Joaquim, um ousado administrador com um MBA muito reconhecido, decide que o livrinho das dívidas da tasca constitui, afinal, um activo negociável, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento, tendo o 'fiado' dos pinguços como garantia.
Uns seis ézécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e transformamnos em Warrants, CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrónimo financeiro que nem todos sabem exactamente o que quer dizer.
Esses produtos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (os tais livrinhos das dívidas do Ti Joaquim). Esses derivados vão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.
Até que alguém descobre que os borracholas de Vila do Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e a tasca do Ti Joaquim vai à falência.

E toda a cadeia sifu...deu. Viu... é muito simples...!!!

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O retorno da Guerra-fria?



Para quem não viu nem teve acesso a discrições mais pormenorizadas sobre o debate de ontem não aconselho que percam tempo valioso visionando a prestação dos candidatos.
O debate foi mais estratégia do que estratégico, e serviu apenas para confirmar tendências preexistentes.
Barack vai ganhar, os americanos e o Mundo ficaram melhor servidos. Mas ficaremos todos mais seguros?
Bush abriu a caixa de Pandora, radicalizou o perfil belicista que é inerente à natureza de sempre dos EUA e agora não consegue sobreviver sem um inimigo externo. E se os terroristas islâmicos escapam por entre os dedos como a areia da praia, e têm a forma e a morada de uma gota de chuva caída no meio do mar que falta faz ao Pentágono e ao Capitólio a good old URSS.
Sintomática a ultima questão que veterano Tom Brokaw colocou aos dois candidatos, foi qualquer coisa do género: - Were do you place Rússia today, on the good side or on the evil side?
Com mais matizes de forma do que de conteúdo, ambos os candidatos não hesitaram em apontar a Putin os seus tiques de KGB, e à Federação Rússia a herança da ambição de restituir o poder do Império Soviético. Quem os ouviu não ficou com dúvidas. Para qualquer que venha a ser o futuro Presidente dos Estado Unidos da América a Rússia nunca será um aliado e já é um potencial inimigo.
Afinal de contas os EUA da Guerra-fria, tanto de Kennedy como de Reagan eram sociedades bem mais optimistas do que esta América decadente, vendida à Arábia Saudita e hipotecada à Republica Popular da China.

PSD (de novo) sem bandeiras


A “Senhora” não fala, quando fala nada diz, e quando diz pouco se ouve e no “partido das bases” ecoa o ruído que ocupa o vazio da ausência de discurso.
Sem tom nem dom para comunicar, na semana caiu um pequeno grão de esperança no rio laranja que ao contrário do que cantava Paulo de Carvalho, ameaçava parar.
Afinal ainda havia uma bandeira lá pela Lapa para agitar, o partido das “PMEs” lembrava-se de novo dos pequenos e médios empresários, e das tremendas dificuldades que enfrentam empresas e empregados. Medidas propostas, poucas ou nenhumas mas, obviamente, corte na carga fiscal das empresas portuguesas.
Hoje o Governo anuncia um corte de 50% no IRC, que, para os patrões e alguns analistas, sempre esteve demasiado alto.
Touche a Manuela Ferreira Leite e viola de novo no saco dos laranjas. O PS caminha tranquilo para mais uma maioria.
Razão para fazer minhas as palavras de Vasco Pulido Valente, agora até “os patrões querem Sócrates”! E com excepção de JPP, quem quererá este PSD?

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

OE 2009: Redução da taxa de IRC

O Primeiro-Ministro anunciou hoje na Assembleia da República a primeira medida de natureza fiscal do próximo Orçamento do Estado para 2009: a redução da taxa de IRC de 25% para 12,5%, para as empresas que apresentarem, em 2009, matéria colectável entre 0 e 12.500 euros.

Feitas as contas, se esta medida já estivesse em vigor em 2008, teriam sido elegíveis 100.797 empresas que apresentaram, em 2007, matéria colectável entre 0e 12.500 euros.

Se juntarmos a essas as 201.094 empresas que em 200 7 apresentaram matéria colectável nula ou negativa, então teremos 301.891 empresas como possíveis destinatárias da redução da taxa do IRC em 2009.

Mas também há empresas que beneficiarão parcialmente, ou seja, as 66.096 as empresas que, em 2007, tiveram uma matéria colectável superior a 12.500 euros.

Tudo somado, há condições de esta medida poder beneficiar todas as empresas nacionais, que representam um total de aproximadamente 367.000 empresas. E, feitas novamente as contas, há condições de conseguir que cada empresa pague menos 1.562 euros (12,5% X 12.500 euros) por ano de IRC, o que pode dar um valor global máximo de 573.254.000 de euros.

Quem quer ser candidato?

Alguém quer enfrentar Barack Obama e John McCain nas próximas eleições presidenciais nos EUA?
Sim? Então vá aqui. É sempre bom haver candidatos independentes.

And the winner was... "that one"!



Classy...

É mais facil apanhar um americano mentiroso…




Acabou o segundo debate presidencial, das eleições que mantêm o Mundo, literalmente, em suspenso.

A minha opinião sobre o mesmo, escreverei mas tarde. Mas se quiserem saber quem foi o mais fiável dos dois candidatos em contenda, consultem o link acima proposto.

Recomendo vivamente!

Santana Palin



A Direita cá do Quintal será melhor do que a da América do Capital?

Cá como lá, “na política como na vida”, para a Direita, o povo do que gosta é de pão e circo.
E se o circo ameaça pegar fogo… Chamem os palhaços!

- Sras e Srs, meninos e meninas, bem vindos ao maior espectáculo do mundo!
Preparem-se para a primeira artista que temos para vos apresentar:
-Vinda directamente de Wasilla, grande metrópole do “Great State of Alaska”, uma autentica revelação nesta meia dúzia de dias como putativa Vice-Presidente dos Estados Unidos da América.
Um enorme aplauso para a fértil domestic sexy star, Mrs. SAAAAAAAAAAAaaaaaaaaaaaaarah Palin!!!
(É o gáudio dos rednecks, hockey moms, e mães adolescentes!!!)

-E agora, o momento por que tão pouco tempo tiveram de esperar. Zés e Marias, peixeiras da Figueira, Helena`s Lopes da Costa deste nosso Portugal, não sucumbam à emoção.
Vindo directamente de um domicilio em Cascais (onde fraternamente consolava uma senhora casada de meia-idade pela ausência do marido em viagem ao serviço da União Europeia), o nosso único e eterno “menino guerreiro” do pré-extinto PPD-PSD.
Estava escrito nas estrelas: “Lisboa ainda tinha que levar com ele outra vez!”
Peguem no que tiverem mais à mão, este tipo não tem vergonha nenhuma.
Lisboetas em geral, portugueses em particular, preparem-se para correr com o sempre abrilhantado Ex-Mister Palácio de São Bento o Dr. Pedro Santana LOOOooooooopes!
(Uma senhora parece que se está a sentir mal na plateia… parece… é mesmo! É a Dra. Manuela Ferreira Leite!!!)
- Chamem o geriatra!
(se ainda estiver viva...)

Este episódio da novela da vida real tem o patrocínio de:
“Vá ao Circo Cardinali! Ou fique em casa e coiso e tali!”

P.s.:Melhor que uma politica made in Hollywood, só um politico made na night!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

"Islândia abre falência"

As coisas começam a complicar-se neste lado do Atlântico. Como pode um país nórdico como a Islândia estar na bancarrota, tendo de recorrer ao apoio financeiro de um aliado inesperado... a Rússia?

Borrei-me a rir... força de expressão, claro!

A mudança... (algumas notas)

Só para aqueles que não acreditam em saídas para os problemas, em mudanças substanciais, e sobretudo que as crises não têm as suas virtudes. Eu digo-vos: enganam-se! Exemplo paradigmático dessa mesma realidade é que duas das principais contrutoras automóveis (VW e GM) vão parar a produção de algumas das suas fábricas (5 dias no caso da VW, na autoeuropa; 15 dias no caso da GM, não sei concretamente em que fábricas) devido à quebra da procura nalguns modelos, e nomeadamente na Europa.

A mudança já está a operar-se. E vai-se dar melhor com ela, quem tiver mais capacidade de adaptação a novas realidades. Há que saber separar o trigo do joio, e não caír na tentação de não mudar hábitos lesivos, mesmo que para isso se hipoteque mais uma vez o futuro.

Gone with the wind

Há tempos escrevia-se aqui que o sistema financeiro orientava-se pelo sentido do vento. Vejam este vídeo que fala sobre as "sensações" das pessoas que controlam os bastidores da economia mundial:



segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Não é estar a bater no ceguinho mas...

Comemorou-se ontem mais um centenário da implantação da República Portuguesa, mais precisamente o 98.º aniversário. Como é da praxe, o Presidente da República discursou na Praça do Município perante os cidadãos, restantes titulares de órgãos de soberania e representantes partidários.
Como também é hábito nestas ocasiões, o Presidente da República voltou a reiterar a necessidade de serem introduzidas alterações pontuais para melhorar a qualidade da democracia e para aproximar o poder dos cidadãos.Ainda no seu discurso, Cavaco assinalou que "a República exige uma nova atitude, feita de inconformismo e de esperança. Porque há motivos de esperança, há razões para o inconformismo".
Ora bem, no final, o Primeiro-Ministros e todos os representantes dos partidos políticos com assento parlamentar falaram à comunicação social, analisando e dando o respectivo ponto de vista sobre a mensagem do Presidente da República. Todos os representantes?? Não, há uma "gaulesa" que insiste nos jogos de silêncio e vira costas à comunicação social e aos Portugueses. Adivinhem lá de quem estou a falar:

Crespo dixit


No Outono de 1989 conduzi na RTP os debates entre os candidatos a Lisboa. O grande confronto foi PS/PSD. Duas candidaturas notáveis. Jorge Sampaio, secretário-geral, elevou a política autárquica em Portugal a um nível de importância sem precedentes ao declarar-se candidato quando os socialistas viviam um dos seus cíclicos períodos de lutas intestinas. O PSD escolheu Marcelo Rebelo de Sousa.
No debate da RTP confrontei-os com a fotocópia de documentos dos arquivos do executivo camarário do CDS de Nuno Abecassis. Um era o acordo entre os promotores de um enorme complexo habitacional na zona da Quinta do Lambert e a Câmara. Estipulava que a Câmara receberia como contrapartida pela cedência dos terrenos um dos prédios com os apartamentos completamento equipados. Era um edifício muito grande, seguramente vinte ou trinta apartamentos, numa zona que aos preços do mercado era (e é) valiosíssima. Outro documento tinha o rol das pessoas a quem a Câmara tinha entregue os apartamentos. Havia advogados, arquitectos, engenheiros, médicos, muitos políticos e jornalistas. Aqui aparecia o nome de personagem proeminente na altura que era chefe de redacção na RTP.
A lista discriminava os montantes irrisórios que pagavam pelo arrendamento dos apartamentos topo de gama na Quinta do Lambert. Confrontados com esta prova de ilicitude, os candidatos às autárquicas de 1989 prometeram, todos, pôr fim ao abuso. O desaparecido semanário Tal e Qual foi o único órgão de comunicação que deu seguimento à notícia. Identificou moradores, fotografou o prédio e referiu outras situações de cedência questionável de património camarário a indivíduos que não configuravam nenhum perfil de carência especial. E durante vinte anos não houve consequência desta denúncia pública.
O facto de haver jornalistas entre os beneficiários destas dádivas do poder político explica muito do apagamento da notícia nos órgãos de comunicação social, muitos deles na altura colonizados por pessoas cuja primeira credencial era um cartão de filiação partidária. Assim, o bodo aos ricos continuou pelas câmaras de Jorge Sampaio e de João Soares e, pelo que sabemos agora, pelas câmaras de outras forças partidárias. Quem tem estas casas gratuitas (é isso que elas são) é gente poderosa. Há assessores dispersos por várias forças políticas e a vários níveis do Estado, capazes de com uma palavra no momento certo construir ou destruir carreiras. Há jornalistas que com palavras adequadas favoreceram ou omitiram situações de gravidade porque isso era (é) parte da renda cobrada nos apartamentos da Quinta do Lambert e noutros lados. O silêncio foi quebrado agora que os media se multiplicaram e não é possível esconder por mais vinte anos a infâmia das sinecuras. Os prejuízos directos de décadas de venalidade política atingem muitos milhões.
Não se pode aceitar que esta comunidade de pedintes influentes se continue a acoitar no argumento de que habita as fracções de património público "legalmente". Em essência nada distingue os extorsionistas profissionais dos bairros sociais das Quintas da Fonte dos oportunistas políticos que de suplicância em suplicância chegaram às Quintas do Lambert. São a mesma gente. Só moram em quintas diferentes. Por esse país fora.

Mário Crespo in JN 29-09-2008

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sábado, 4 de outubro de 2008

Novos paradigmas.




O sistema político está em crise!

Os mercados entraram crise!

Na sociedade subsiste uma crise de valores!

A Igreja experimenta uma crise de vocações!

O Mundo vive uma crise alimentar e energética!

A União Europeia não ultrapassa a crise do projecto europeu.


Steve Ballmer (C.E.O. da Microsoft) não gosta do termo crise, para ele como para todos os C.E.O.`s de Wall Street, “…não existem crises, apenas oportunidades, blá blá blá blá… blá blá.” (os oligarcas do status quo gostam tanto das crises, como os moribundos da excomunhão… “vamos para uma vida melhor” … dizem...)


Ainda se fosse apenas mais uma crise.
Podia ser até uma CRISE, mas tinha de ser apenas UMA!
É que assim, já são crises a mais para um tempo só!


Esqueçam o optimismo cínico de quem nunca comeu uma crise*! Se é tempo de CRISE, que seja esta A CRISE de que necessitamos para agarrarmos a “oportunidade” de percebermos o que a persistencia destas crises significa!


A economia de mercado legitimou-se na razão. Histórica e empiricamente comprovou ser capaz de racionalizar melhor os factores produtivos com vista à máxima eficiência e produção.
Podemos afirmar sem abuso, que a Ciência validou o capitalismo, e que o capitalismo valorizou-se cientificamente.
Nas ultimas duas décadas, a par do chamado “progresso cientifico”, o Mundo produzio mais (riqueza) e melhor (mais eficientemente) , do que em qualquer outro momento da história da humanidade.

A economia capitalista estava contente com a ciência, e a ciência feliz com a economia. O Homem maravilhado com o seu engenho.
O Homem?!
Os homens!...
A maioria dos homens!...
A maioria dos homens com poder!...
Ok, a maioria dos homens com poder de compra.
“Vamos ver quanto é que isto dá!”, parecem ter dito algures pela década de 90 do seculo passado, prego a fundo e ... deu nisto!
Teria Georg W. F. Hegelrazãa razão?
Serão o capitalismo e a democracia burguesa o “fim da história”, o corolário da história da humanidade como defende Fukuyama?

Ou não estará hoje a "quase perfeita" democracia liberal de tipo ocidental profundamente enferma, e não seram estes tempos que vivemos a semiologia da sua morte anunciada?
Num tempo de inquestionável primado da verdade cientifica, recorrermos a raciocínios de tipo religioso (de fé) para continuarmos na ilusão da existência de uma qualquer "mão invisível" é mais do que inocencia ou teimosia, é burrice!
Apliquemos então o método científico à análise dos tempos conturbados que vivemos, apliquemos a dúvida metódica como nos ensinou René Descartes no seu “Discurso do Método”(edit. 1637), publicado à quase 400 anos!
O que nos leva a crer (a ter fé) que os 700 mil milhões de USD do plano Paulson não seriam mais eficazes para a prosperidade da América e do Mundo, se fossem aplicados na irradicação da fome no planeta durante os próximos 10 anos?! Os mercados que se abririam. As guerras que evitariam. Os trabalhadores que produziriam...
O status quo adia assim e mais uma vez a efectiva resolução ou será a revolução?
Os paradigmas da sociedade ocidental contemporânea estão quase todos, senão mesmo na sua totalidade em crise. Porquê? Estes paradigmas que foram quase que unanimemente reconhecidos como estabelecendo as melhores formas de prever e encontrar soluções para os problemas, apresentam hoje desajustes gravíssimos com a realidade. Destas anomalias resultam os momentos de crise que a sociedade (politica, económica, individual) não consegue superar. Como teorizava Thomas Kuhn no seu “Estrutura das Revoluções Cientificas”, quando as anomalias subsistem e as crises persistem o momento seguinte é a revolução. A revolução vai trazer-nos, novos paradigmas com novas formas de calcular e encontrar as soluções para os novos problemas emergentes.
Pode não agradar ao K (abreviatura em economês para Capital) actual esta nova e (im)prevista realidade, mas o futuro também terá o seu presente e ele não se fará enquanto o K quiser “que tudo mude para que tudo fique igual”.

A ver vamos se num Mundo global, um plano de salvação nacional (Paulson), pode surtir o efeito extra modal de inverter o panorama de crise económica e essencialmente ética com que vivemos desde dos Yuppie 80th`s.
Alguém tem “fé” que chegue para “crer”(com fé) neste epilogo tão “cientificamente” improvável?

Seria isso sim... paradigmático!


Aqui escrevo e prometo à dita virgem: Vou a pé ao shooping mariano de Fátima se estiver a ser atraiçoado pela minha falta de "fé" no Mr. Paulson&Friends.


O bailout da Reserva Federal Americana poderá ser o elixir da perene juventude para a economia ocidental, mas os paradigmas do futuro são já o presente e... são globais.

Ámen,

*refeição económica (€2,5) típica de São Martinho do Porto, composta por, uma salsicha, um ovo, e uma batata, tudo frito ao mesmo tempo com o mesmo óleo e na mesma frigideira.