quinta-feira, 25 de setembro de 2008

O mito da propriedade

Mesmo com o cenário de incerteza que hoje se vive, não só nos mercados financeiros, mas também na economia real, o mito persiste. Quanto mais pobre é um povo, maior a necessidade de mostrar a pouca riqueza quem tem. Em vez de se alocar recursos financeiros, vulgo rendimento familiar, já de si parco em face das necessidades, preferimos TER para MOSTRAR. São "pequenas" coisas que muitas vezes fazem a diferença entre quem pensa a longo prazo, mostrando que sabe viver, e quem procura resultados imediatos, mas muita das vezes insipientes e insustentáveis no tempo. Já para não falar da escolha da localização da casa. Escolhe-se um sítio na periferia das grandes cidades que é mais barato, e depois temos de comprar, e sustentar dois carros para nos podermos deslocar para o trabalho, ou para onde quer que seja. Temos 160m2, mas em nenhures... Além de que, como hoje em dia os empregos são para a vida, temos de ficar agarrados a um empréstimo 40 anos, pois à partida não vamos sair do mesmo sítio, não é assim !? É caso para dizer, vamos lá a pôr as nossas "cabecinhas" a pensar, para termos uma vida melhor, e não ficarmos reféns das nossas próprias opções, só porque o vizinho também tem, e eu/nós não podemos ficar atrás... O mercado apresenta várias soluções, para diversas necessidades, algumas delas pecam por não ser do nosso agrado, é certo. Mas na altura da decisão, o TER tem o peso relativo mais elevado, e apesar de por vezes ser a decisão mais irracional, acaba por levar a melhor. Haja alguém que pense, com os pés assentes na terra, por favor. Apreciem o vídeo...

Mário Soares desarmante.




O “animal político” aos 84 anos continua fazer aquilo de que as outras bichezas politicas apenas falam.
“O caminho faz-se caminhando”, e o ex-presidente da Republica provou pela força do exemplo que mesmo um “alvo” da sua envergadura pode caminhar livremente e com segurança pelas ruas dos bairros mais problemáticos do país.
Na companhia da Clara Ferreira Alves e de um pequeno grupo de técnicos de som e imagem, Mário Soares dispensou qualquer escolta ou segurança, e com toda a espontaneidade falou sobre as origens da Cova da Moura ou da Quinta da Fonte, das pessoas que os habitantes, não no conforto do estúdio, mas lá onde as coisas e se vivem com mais ou menos ódios e solidariedades. Expôs-se aos populares no seu quotidiano, sem se intrometer no mesmo, com o mesmo saber estar entre diferentes fazendo-se passar por seu igual que lhe valeu tantas vitórias eleitorais no passado, e assim, sem preparação, viu interrompidos alguns dos seus diálogos com a jornalista, por pedidos e saudações dos habitantes por quem passava.
O programa é curto demais. Mais de que qualquer episodio diário de telenovela. A isto soma uma boa dose de improviso, que lhe confere genuinidade mas que lhe retira conteúdo. O episódio de hoje poderia ter apenas 5 minutos. Teria o mesmo efeito. Com um passeio conversado, desmascarou o sistema mediático que vende a verdade por troca de uma caricatura que lhe dê mais 1% no share. O sangue vende, mesmo quando vendido com nojo. Para a classe média cada noticia que a diferencie daqueles que lhe varrem o chão ou aspiram a casa, é confortante, e as direcções de informação sabem que é aquela que realmente lhes paga os ordenados. O espectador médio afunda-se no sofá e dedica-se à televisão, ele intima e inconscientemente espera que esta lhe retribua essa dedicação, que se preocupe com ele e o faça sentir especial. A cobertura dos incidentes gravados da Quinta da Fonte ou dos homicídios da Cova da Moura foram demonstrações cabais do excesso de zelo com que os nossos jornalistas “protegem” os que lhes são iguais daqueles que são diferentes (em etnia, posição social ou cor da pele). O que dá share não é a isenção ou a pedagogia mas sim o sentimento de pertença. Se esse sentimento é construído sobre uma caricatura dos tais “outros”, não há melhor cimento para esse sentimento do que o medo.
Na “temível” Cova da Moura, um residente (branco) interpela Mário Soares e pergunta-lhe se não tem medo de estar ali, ao que este responde:
-“Não tenho medo de nada!”
Entre seringas no chão das ruas do Casal Ventoso, Mário Soares denuncia o trafico e consumo que testemunha enquanto grava.
Na Quinta da Fonte, o popular “bochechas” responde aos anseios de quem lhe pede apoio e atenção para os problemas do bairro, mas também sabe rebater os argumentos da residente que “não gosta dos pretos”.
Tivesse a TVI feito um Jornal da Noite em directo da Quinta da Fonte como sabe fazer durante dias a fio à porta de estádios de futebol, e teria prestado melhor serviço a todos. Principalmente se noticia-se no local desses acontecimentos circunstanciais, as estatísticas que desmentem a histeria securitária com que as Manuela Moura Guedes e os Paulo Portas deste país nos querem contaminar.
Hoje sabemos que se não estamos melhor, se não vivemos de maneira diferente só a nós o devemos. Até os espanhóis já são nossos amigos.
Serve a muitos interesses económicos e políticos este alarme de desconfiança social. Querem fazer-nos crer que o nosso inimigo interno, são exactamente aqueles que são mais explorados e que estão mais desprotegidos e.
Certas são as receitas com que Mário Soares termina este episódio de “O caminho faz-se caminhando.”.
Perante as ameaças mais brutais nunca recorreu às armas.
Perante as crises mais ameaçadoras, devemos votar sempre na esquerda porque só esta garantirá alguma protecção às minorias, aos mais pobres, nos momentos mais difíceis para todos.

Ámen,

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Vamos falar sobre caça?

Por princípio ideológico, caçar não é uma actividade que me atraia muito porque me parece, por um lado, que desde há muito que o Homem já não precisa de se dedicar a esta actividade por razões de subsistência alimentar e, por outro, que o Homem tem outras formas de se ocupar em actividades lúdicas. Mas acabo por reconhecer que existe uma forte tradição cultural em Portugal e que seria absurdo pura e simplesmente proibir esta actividade. Até porque também teríamos de usar os mesmos princípios para outra actividade aparentemente menos sensível: a pesca lúdica.

O que me aflige é o actual regime jurídico da caça, ou seja, as regras do jogo da caça. Também me parece aflitivo que a caça ainda possa ser definida, de forma lírica, como, e vou citar a Lei de Bases da Caça, “a forma de exploração racional dos recursos cinegéticos”, sendo estes “as aves e os mamíferos terrestres que se encontrem em estado de liberdade natural, quer os que sejam sedentários no território nacional quer os que migram através deste”. Exploração racional? Para mim, não pode deixar de ser uma tradição social muito enraizada, hoje destinada a ter um carácter recreativo.

Mesmo aceitando a caça como uma actividade económica de exploração racional, imagino que para efeitos de controlo de aves e mamíferos terrestres, ela não poderá deixar de ser realizada exclusivamente em zonas especialmente preparadas para o efeito, ou seja, bem delimitadas e separadas de zonas de habitação ou de zonas onde se exerçam outras actividades (por exemplo, rurais).

O actual regime da caça admite que uma determinada propriedade privada possa ser utilizada para a finalidade da caça porque apenas proíbe a caça, sem o consentimento de quem de direito, em algumas áreas (terrenos murados, quintais, parques ou jardins anexos a casas de habitação e quaisquer terrenos que circundem estas numa faixa de protecção que está fixada em 250 metros). Porque, para além da faixa de protecção de 250 metros, qualquer propriedade privada pode ser utilizada para caçar, mesmo sem o consentimento do proprietário. Isto não me parece próprio de um Estado de Direito. Até há um acórdão do Tribunal Constitucional (já me falaram dele, não o li, mas vou tentar descobri-lo) que já reconheceu a prevalência do direito a caçar sobre a protecção da propriedade privada.

É certo que a lei prevê o “direito à não caça”, mas mesmo esse suposto direito está definido como uma faculdade dos proprietários de requererem, por períodos renováveis, a proibição da caça nos seus terrenos, quando, a meu ver, o que deveria ser estabelecido era precisamente o contrário: o direito à caça em propriedade alheia deve apenas acontecer se tiver havido previamente consentimento do proprietário.

Mas há mais: a caça furtiva é uma realidade, o número de caçadores sem seguro obrigatório de responsabilidade civil é alarmante, as associações de caçadores (pela sua natureza) não podem ser acusadas de crimes de dano, a fiscalização pelas autoridades é inexistente (porque há um conluio muito grande entre estas e caçadores) e o SEPNA (serviço de protecção da natureza e do ambiente da GNR) não tem uma implantação territorial adequada.

Caçadeiras para os rapazes!



No nosso “ambiente” rural, as armas também são bens (bem) comuns. Nomeadamente as caçadeiras comummente utilizadas cá pela terra para, está visto, ir caçar!

No Portugal agrícola, até ao inicio dos anos 80 do século passado, haveria, por ventura, menos armas para caçar do que enxadas para lavrar. Os subsídios comunitários alteraram este panorama, e hoje não arriscaria semelhante estimativa. Certo é, que quem usa uma fisga aos 5 anos, e pega na pressão-de-ar aos 10, aos 16 já caça com o pai, e não é por isso que certo dia dá em confundir as perdizes com os colegas da escola.
As armas usadas nos massacres “americanos e finlandeses” não foram armas de caça. Vamos lá deixar o "ti Zé" e o "compadre António"em paz que esses sabem criar a prol em harmonia com a natureza e com os outros. E até é bem bom ir à caça mesmo sem disparar um tiro.

O factor diferenciador dos EUA e da Finlândia, para o nosso pacato Portugal não é o ratio arma/habitante (os gajos ganham mais e as armas são mais acessiveis). Esse factor negro é a cultura securitarista!

Nós tivemos uma padeira que limpou o sarampo a uma data de "paelhas". Apartir dai a unica coisas que nos disseram para temer são as correntes de ar e o casamento.
Quando se junta o medo do outro, com a cultura do salve-se a si mesmo, muito própria dos grandes espaços e do individualismo protestante, temos um caldo que em cabeças mais “fechadas no armário” pode azedar.
Os norte-americanos que cresceram com medo do russo mau, ensinaram os filhos a ter medo da própria sombra. O finlandês que cresceu com medo dos vizinhos comunistas, ensinou ou o filho a desconfiar dos próprios vizinhos.
O medo é o detonador.
Estes massacres acontecem em sociedades culturalmente deprimidas que sobrevalorizaram a individualidade, muito para alem da empatia pelo outro e pela sua própria ordem social.
Não haver armas de guerra disfarçadas de armas de defesa pessoal à venda para qualquer um também ajudaria imenso…
Com uma caçadeira de ir aos coelhos é mais difícil matar burros em série.
Àmen

Uma noite bem passada...

Anotem nas vossas agendas. Patricia Barber, 3 Novembro, 21h30 - Teatro Camões

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Já agora


Refere a SIC (aqui) que Maria de Lurdes Rodrigues salientou que, tal como acontece com a distribuição de portáteis a alunos do terceiro ciclo e do secundário, "este programa não é suportado por dinheiros públicos, mas pelos operadores de telecomunicações, através de um fundo que está previsto desde que foram autorizadas as licenças para os telemóveis de terceira geração".

Isso não é bem assim.

É verdade que o dinheiro resulta de uma (boa) decisão do Governo de tornar possível o cumprimento das obrigações assumidas pelos operadores de telecomunicações móveis de terceira geração baseados na norma UMTS no âmbito do concurso público realizado em 2000, atraves da criação de um fundo destinado ao desenvolvimento e promoção da sociedade da informação em Portugal (cfr. Resolução do Conselho de Ministros n.º 143/2006, de 30 de Outubro).

Já não é verdade que os dinheiros não sejam públicos e sejam dos operadores de telecomunicações móveis como alega a Ministra. Peço desculpa mas desde quando é que as receitas relativas às taxas pagas pelo licenciamento pelos operadores de telecomunicações móveis não são dinheiros públicos? E não estamos a falar de uns milhares de euros, estão em causa 1300 milhões de euros.

O que era interessante saber era: (i) como são tomadas as decisões de afectação desse dinheiro a determinados projectos; (ii) quem é responsável por essas decisões; (iii) quanto dinheiro já foi gasto e quanto dinheiro há para gastar. Um pouco de transparência republicana não seria mau neste caso.

Infelizmente é a comunicação social que temos


Subscrevo em absoluto as palavras do Daniel Oliveira relativamente àquela que foi apresentada como a grande "cacha" do dia pela comunicação social: os "Magalhães" vêm com os filtros do software de controlo parental desligados e, por isso, pobres das nossas criancinhas que vão começar a ter acesso a toda a pornografia existente na Internet.

Daniel Oliveira tem razão em duas coisas:

1.º - Devem ser os pais/encarregados de educação a decidir activar o sistema de controlo parental e os termos dos filtros a utilizar e não o Estado - como a tão chocada e puritana comunicação social veio exigir - antes de entregar os "Magalhães" às criancinhas.

2.º - As debilidades apontadas ao pobre "Magalhães" já existem em todos os computadores que estão ligados à Internet e nunca haverá um sistema totalmente infalível que evite que as crianças possam ter acesso a conteúdos menos próprios.

Foi também assinalado pela comunicação social que estes pequenos computadores afinal não são uma invenção portuguesa ou uma iniciativa orginal do nosso Governo. Foi referido que o "Magalhães", na verdade, de origem o Intel Classmate PC, têm homónimos por todo o Mundo. Se a nossa comunicação social fizesse alguma pesquisa, também poderiam dar conta do projecto de Nicholas Negroponte "One Laptop per Childen", cujo objectivo principal não é potenciar a capacitação tecnológica mas utilizar os computadores para melhorar a educação das crianças dos países mais pobres do mundo. Ou seja, um projecto com uma visão muito mais focada em dar resposta aos problemas mais difíceis dos países menos desenvolvidos.

O problema do acesso às armas


Mais um massacre numa escola, novamente na Finlândia, em Kauhajoki (depois de Jokela, Novembro de 2007), replicando os exemplos sangrentos já conhecidos dos EUA (Virginia Tech, em 2007, Columbine, em 1999, Texas, em 1991). O massacre, do qual resultaram 11 mortes, foi outra vez pré-anunciado na Internet, no You Tube, tendo a polícia chegado a questionar o autor do massacre na véspera sobre os propósito do video publicado na Internet, sem que o tivesse detido.

Não é de estranhar, porém, que este tipo de incidentes ocorram nos EUA e na Finlândia. Com efeitos, estes dois países ocupam os primeiros lugares no mundo no que diz respeito ao número de armas por habitante. Pode argumentar-se que o Canadá tem mais armas do que os EUA e que não existem registos de incidentes com armas. Pode ainda assinalar-se que é preciso não esquecer que a Finlândia é um país com grande tradição na caça. A meu ver, não pode deixar de se discutir não só a forma como é permitido o acesso às armas (controlando melhor a utilização de armas para fins lúdicos) como a forma como as crianças vão aprendendo a viver em ambientes belicosos.

Praxes académicas: o fim?


Aproveitando a deixa académica deixada pelo regressado Padre Amaro, não queria deixar de comentar uma das notícias do dia: Mariano Gago, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, fez circular uma carta intimidatória relativa às praxes académicas, dando conta de que "sempre que tenha notícia da prática de ilícitos nas praxes, dela dará imediato conhecimento ao Ministério Público" e que "lançará mão dos meios aptos a responsabilizar - civil e criminalmente, por acção ou omissão - os órgãos próprios das instituições do ensino superior, as associações de estudantes e ainda quaisquer outras entidades que, podendo e devendo fazê-lo, não tenham procedido de modo a procurar evitar os danos ocorridos".

Nada tenho a dizer contra esta iniciativa do Governo, porque também condeno praxes que possam constituir ilícitos civis, criminais ou disciplinares. Acontece que o tom da carta de Mariano Gago poderá assustar as instituições do ensino superior e provocar efeitos contrários não desejados como o que está a acontecer no Instituto Superior Técnico, onde o presidente daquela instituição, pura e simplesmente, baniu a realização de quaisquer praxes.

Acabo por concordar com o presidente da AE IST (que prestou declarações ao Público, ver aqui) ao considerar "precipitada" a decisão dos órgãos directivos do IST, uma vez que o Ministro apenas quis apelar à responsabilização individual e colectiva e à capacidade de prevenção de situações ilícitas.

Como todos sabem, nunca tive muito apego às chamadas "tradições académicas" que considero sinais demasiado conservadores e impróprios do universo académico lisboeta. Em todo o caso, não vejo como possam ser repudiadas iniciativas que visam a integração de novos estudantes? Não acontece o mesmo nas empresas, quando um novo colaborador/trabalhador é admitido? Ou mesmo noutras organizações? Não é importante solidificar o espírito de união dos estudantes? E, já agora, por que não olhar também para outras festividades académicas? Acima de tudo é preciso bom senso... é que, já se vê, passam as praxes a realizar-se fora das instalações universitárias para se conseguir obstar a qualquer intervenção de uma autoridade académica.

E qual é a vossa opinião sobre isto?

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Do guichet da secretaria ao Congresso Marxista


O funcionamento dos serviços administrativos da Faculdade é pior que péssimo, o estudante recem matriculado pede à funcionária de serviço que lhe indique o canal através do qual pode expor a sua insatisfação pelo serviço prestado. Perante a resistência desta, o estudante recorre ao seu inato charme intelectual para melhor persuadir a exaurida trabalhadora, confessa-lhe que o conteúdo da sua comunicação visa apenas sugerir novos procedimentos, nada de queixinhas, e que estes são na defesa dos não só dos melhores interesses dos utentes mas também dos "direitos adquiridos" dos zelosos funcionários. Nem assim, talvez por temor de um mais ortodoxo desabafo, certamente agravado pelo desespero de um dia de esperas, as palavras do estudante não colhem qualquer empatia do lado de lá do "guichet". Apenas uma única justificação pré-gravada e mecanicamente reproduzida, "a culpa disto é das ordens que nos são dadas pelos superiores responsáveis"! O estudante numa tentativa de retratação e na sua humilde, reconhece ignorar o nome desses "Srs. superiores responsáveis". É então que assoma um pingo/mix de generosidade e sarcasmo ao olhar agora sibilante da "inferior irresponsável". Aquele olhar do tipo: "prepara-te que vou brilhar!"
-"A culpa é do ministério vá lá falar com eles, ou então faça queixa à associação (estudantes)" diz sua sapiência burocrática.
Um pensamento do tipo:"Eh pá, que esperta que tu és, nunca tinha pensado nisso, sem a tua ajuda não chegava lá..." acompanhado por uma gigantesca cara de parvo, corresponde às melhores expectativas da "administrativa", o estudante/utente está a caminho da “5th Dimension”, dentro de momentos sentir-se-á como se estivesse numa lista de espera com 7 anos para um transplante urgente do coração. Não há nada a fazer, e o estudante é bem mandado, e um remate do género,"se fosse nas finanças esperava mais e não refilava…", afasta-o antes de existir real perigo de contagiado do brilhante expediente.
O estudante dirigisse então à associação de estudantes.
"- É aqui que facultam os nomes e endereços dos "superiores responsáveis?"
A estupefacção é total, "o colega" não sabe que "isto é mesmo assim"?!.
- "Ò colega ainda tiveste muita sorte, só um dia de espera?! Há quem tire uma senha de um dia para o outro ", ("o colega" ou é estúpido ou mal intencionado, mas ok se quer ter trabalho...).
-"A AE tem uma caixa de sugestões, podes deixar lá um papelinho, que para a semana à reunião de direcção"
O estudante não gosto da sua letra e indaga novamente o colega da AE:
-"Não têm uma morada de e-mail para a qual eu possa dar conhecimento das sugestões que vou remeter aos "superiores responsáveis"?
-"colega tens sitio onde apontar?” (porra, que o gajo é mesmo estúpido! Espera…, se calhar é trabalhador estudante... coitado, se calhar não pode beber, se calhar já nem fod... ok, vou fazer-lhe a vontade!) É a bondade o sentimento invasivo que impele colega superior responsável da AE a ajudar?

No dia seguinte o estudante faz o que havia dito que ia fazer (estranho...), dá conhecimento à AE do texto que havia remetido aos "superiores responsáveis" da faculdade e com isso, voluntaria mas acidentalmente, revela o seu endereço electrónico aos colegas “superiores responsáveis” da AE.
.
O texto que se segue é o 1º texto que o estudante recepciona na sua caixa de correio, provindo da sua AE, após os factos relatados…



"Congresso Marxista
Call for Papers até 20 de Setembro

Call for papers prolongado até 20 de Setembro
A Comissão Organizadora do Congresso Marxista a realizar em Lisboa a 14 e 15 de Novembro dedidiu prolongar o prazo para entrega de propostas de comunicação até ao próximo domingo, 20 de Setembro, tendo em conta alguns pedidos que foram apresentados. Até agora, a Comissão Organizadora recebeu cerca de cem propostas, devendo o programa definitivo do Congresso estar concluído até final de setembro. Como oradores convidados, estão confirmadas as presenças de John Kraniauskas e Paulo Virno...[...]



Call for papers extended until september, 20
The Call for Papers for the Marxist Congress to be held in Lisbon on November 14 and 15 has been extended until next sunday, September 20. Until now, about a hundred proposals have been received. John Kraniauskas and Paulo Virno will be among the keynote speakers of the congress....[...]"


Àmen,

Hoje é o Dia Europeu sem Carros

O final da Semana da Europeia da Mobilidade tem hoje o seu dia final e também aquele mais significativo: o Dia sem Carros. Hoje, a iniciativa já não tem o impacto que teve em 2000 quando as autarquias aderentes acabaram por estabelecer objectivos muito ambiciosos (lembro-me que em Lisboa tudo o que era para dentro da chamada 1.ª circular estava vedado ao trânsito, ou seja, toda a circulação dentro da coroa Olaias, Avenida João XXI, Avenida de Berna, Praça de Espanha, até Alcântara estava proibida ou limitada).

Este ano, o dia comemora-se mais timidamente (menos autarquias, menos iniciativas, menos ambição), o que significa que os objectivos de sensibilização do público, através de melhor e maior informação, e de debate sobre os problemas da mobilidade urbana, bem como a possibilidade de as autarquias e de o Governo poderem aproveitar para testar novos meios de transporte (este ano, seria muito interessante a promoção dos carros eléctricos) ou novas formas de gestão urbana (este ano, seria também interessante que o poder político pudesse explicar o que é que as autoridades metropolitanas de transportes de Lisboa e Porto, recém-criadas, podem fazer para melhorar a mobilidade urbana e, assim, aumentar a qualidade de vida) não poderão ser promovidos de forma tão eficaz.

domingo, 21 de setembro de 2008

TED: uma experiência de permanente aprendizagem

Queria falar-vos do TED, uma conferência anual sob o lema "Ideas worth spreading", aliás dezenas e dezenas de pequenas apresentações com o máximo de 20 minutos com as mentes mais brilhantes do nosso globo. Tudo isso está reunido num site (www.ted.com), muito semelhante ao You Tube, mas focado na partilha de pequenas e grandes ideias, nos mais variados domínios (tecnologia, cultura, ciência, economia, gestão, arte, entretenimento, ambiente, etc, etc, etc).

O TED é um exemplo a juntar a tantas outras experiências que mostram como a Internet e as redes globais estão a mudar o nosso mundo. Nos dias que correm, a partilha de ideias e de conhecimentos passou a ser o motor da inovação e da creatividade.

Para mim, o TED, para além de ser uma experiência de permanente aprendizagem, passou a ser o meu novo vício diário, que, posso garantir-vos, não é nada enTEDiante.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

A propósito de mobilidade

Para os mais distraídos, estamos em plena semana europeia de mobilidade. Uma série de iniciativas estão a ser promovidas, para no futuro conseguirmos ter cidades mais sustentáveis, garantindo a mobilidade dos cidadãos e mercadorias. As causas para o actual estado da arte, são inúmeras. Vão desde o congelamento das rendas, no tempo do estado novo, e reforçado no pós-25 de Abril, passando pelo planeamento da própria cidade, a falta de uma estratégia bem definida, até à pouca racionalidade e eficiência com que são utilizados os recursos. Logo há de facto um longo caminho a percorrer, e uma série de comportamentos a alterar. Alguns deles estão a ser postos em causa, não porque as pessoas ganharam consciência disso, e de livre vontade alteram o que está mal. Mas sim porque a conjuntura macroeconómica assim o obriga. Afinal as crises também têm aspectos positivos, e alavancam a certas mudanças necessárias que de outra forma não ocorreriam.

Eu, pessoa cada vez mais atenta e interessada nestas matérias, e por acreditar naquela célebre frase de Peter Drucker – “a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo…”, fui a uma conferência intitulada – Tecnologia Automóvel e os Desafios Energéticos: que Soluções para o Futuro? Teve como orador o Prof. Tiago Farias (DTEA-IST), e foi promovido pela Lisboa E-Nova – agência municipal de energia e ambiente.

Valeu a pena, claro que sim. Mas tenho para mim que isto da acessibilidade e formas de a fazer, onde se insere a mobilidade, ainda é um diamante em bruto. Ainda estamos na fase de investigação e experimentalismo… Aliás, atrevo-me a dizer que as soluções, e a forma como se vibra com a sua possível aplicação, estão ainda confinadas a estes pequenos auditórios. Onde por sinal só cerca de uma dúzia de pessoas (os “idiotas” da coisa e seus seguidores) vibram com estas soluções. E, temo que vibrem mas com a sua aplicação nos outros, pois eles têm estatuto para andar sempre de carro.

Resumindo, há muito trabalho a fazer. Têm sido dados pequenos passos, mas na generalidade, é tudo marketing… Carsharing da Carris, depois de ver o programa oficial completo, nem vê-lo. É pena… e mais uma vez era marketing.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Não sabemos mais que um miúdo de 10 Anos...!


Faz-me confusão toda esta instabilidade e incerteza que se vive no mundo ocidental nos dias de hoje. São, desde há cerca de um ano a esta parte, inúmeras as fatalidades e adversidades que têm acontecido em vectores fulcrais da economia mundial. Vão desde o imobiliário à energia passando pelo sector financeiro (mercado de capitais, banca e seguros).

Quando começamos a discutir as causas e soluções dos problemas que afectam os pilares da nossa sociedade, e que de certa forma já começam a beliscar a confiança das pessoas no próprio sistema, existem diversos pontos que são unânimes. Todos nós já percebemos o que está mal, os comportamentos que provavelmente teremos de mudar. Aliás, até se atribui muitas das culpas à especulação, e por vezes a uma certa usura descontrolada. Relembro que no passado longínquo era proibido a usura. Hoje temos as "Cofidis" a emprestar dinheiro a 28% ao ano. Depois dá asneira, as pessoas não têm capacidade para servir a dívida, as empresas financeiras entram em dificuldades de liquidez, os bancos centrais, e o estado por vezes intervêm. Recorremos à máxima sempre conveniente – lucros privados, prejuízos públicos…

Durante os últimos trinta anos viveu-se, de uma forma geral, com a sensação virtual, de que o mundo é linear. Ou seja, todos os anos as pessoas viviam melhor que no ano anterior, as empresas cresciam nos seus lucros constantemente, o PIB dos países crescia, ainda que às vezes de forma moderada, sendo o céu o limite… Ora isto não só não é verdade, como é insustentável, por muito que gostássemos, e que contrariemos legitimamente esta tendência.

Mas para variar ninguém ligou, as pessoas, empresas e estados sabia que isto não era eterno, mas pensaram, que não era para ligar nem para tomar medidas. Antes pelo contrário gastaram, e consumiram como se não houvesse amanhã. Portámo-nos na maioria como se fossemos um miúdo de dez anos, que além de ter o conhecimento limitado, não tem maturidade, nem experiência de vida. Logo tem desculpa para cometer certos erros. Nós, os adultos que tomamos as decisões que por vezes comprometem as gerações dos dito miúdos, Não!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Manuel Pinho em alta

Ontem à noite, o Ministro da Economia Manuel Pinho foi à SIC Notícias para uma entrevista, que lhe correu globalmente bem.
Obviamente que a política energética do Governo foi analisada e aqui Manuel Pinho está como peixe na água. Mantém o tónico na importância das renováveis (sol, água e vento), está disposto a proteger os consumidores de aumentos abruptos do preço da electricidade (e, por isso, defende mecanismos correctivos que garantam a estabilidade tarifária, ainda que possam provocar défices tarifários) e acredita que o mercado português, uma vez libertado dos constrangimentos do passado e concretizados os investimentos em curso (reforço das eólicas e barragens) estará em condições de garantir maior concorrencialidade.
Foi também analisada a política de investimento do Governo, tendo sido analisados os macroinvestimentos em Sines, porto de águas profundas:
- reforço da capacidade da refinaria da Galp
- 2 novas petroquímicas (Repsol e La Seda)
- criação um cluster empresarial na nafta (para produção de plásticos, etc.)
- nova fábrica da Air Liquide para produção de gases raros
- construção da central de ciclo combinado.
Paralelamente, o Estado também investirá (construção de uma plataforma logística, melhoria das infraestrutura rodo e ferroviárias), sabendo corresponde às expectativas do investimento privado. O "velho sonho" de Sines pode mesmo renascer?
Julgo que Manuel Pinho neste momento, apesar da conjuntura negativa, atravessa um bom momento, tendo deixado para trás as "gaffes" e trapalhadas iniciais (2005-2006).
De facto, quando se governa bem, a probabilidade de se ser recompensado é maior.
Manuel Pinho terminou a entrevista criticando Manuela Ferreira Leite, a quem acusa de estar remetida às críticas abstractas e aos silêncios, quando os Portugueses pedem acção.

O lado negro da WWF


Todos os senhores acima já não estão vivos, faleceram alguns deles muito antes dos 40 anos.
Lembro-me na minha infância de ver na TV os “combates” de wrestling e de recordar algumas destas personagens. Um desporto, ou melhor, um espectáculo demasiado estúpido, mas que não é exclusivo dos EUA (também é muito popular no México).
O que é certo é que o abuso de esteróides, de analgésicos para aliviar as dores resultantes dos golpes que, apesar de simulados, não deixavam de provocar as suas dores, ou de drogas, bem como o treino físico extremo, só podiam ter este resultado: morte por ataque cardíaco ou outro tipo de complicações, por overdose de drogas e fármacos, suicídio, etc.
Live fast, die young, é o que se costuma dizer. Ainda sobrevivem alguns mais conhecidos como Hulk Hogan e Ultimate Warrior, o primeiro com um programa de televisão na MTC, o outro dá palestras sobre temas conservadores.

Maratona de curtas-metragens em Braga

Marquem nas vossas agendas: Festival Fast Forward Portugal nos dias 17 e 18 de Outubro em Braga.

O Festival Fast Forward Portugal é um festival de curtas metragens - já na sua 3.ª edição - em que os concorrentes são convidados a realizar um filme em menos de 24 horas. O filme em formato digital deverá ter até três minutos e respeitar o tema entregue no início do Festival a cada equipa. Partindo do tema, cabe às equipas escrever, filmar e editar o trabalho final até ao dia seguinte. Como diz a organização, "uma simples câmara de vídeo digital, um computador e software de edição de áudio e vídeo podem ser suficientes para um bom trabalho". A exibição dos filmes das várias equipas e a escolha dos vencedores será feita nessa mesma noite, este ano no Theatro Circo.

Muad'Dib não alinhas? Tu que já não és um estreante em curtas-metragens e que até já apareceste num festival de filmes de terror?

AIG também nacionalizado!

A noite já vai longa mas acabo de saber pelos jornais americanos na Internet que foi tomada mais uma decisão muito pouco própria do capitalismo financeiro americano. Duas semanas depois de o governo americano ter tomado conta das empresas de crédito hipotecário Fannie Mae e Freddie Mac, a Reserva Federal toma conta da AIG sob a ameaça de uma reacção em cadeia no sistema financeiro dada a importância da AIG a nível mundial.

Os contornos da engenharia financeira são os seguintes:
a) A Reserva Federal empresta 85.000 milhões de dólares à AIG, numa linha de crédito durante 2 anos, a uma taxa de 11,3% (Libor 3 meses + 8,5%);
b) Em contrapartida, ficam parqueadas na posse do governo federal, as acções respeitantes a 79,9% do capital social da AIG;
c) A AIG tentará vendar os activos que sejam necessários para pagar o empréstimo;
d) O governo federal poderá vetar o pagamento de dividendos aos accionistas.

Parece simples, não? Mas não acham que isto que é pôr os contribuintes (já que estamos a falar de dinheiros públicos) a avalizar a má gestão e os maus e arriscados investimentos "casineiros" da AIG? É que, sobretudo, existe um enorme problema de transparência destas empresas que leva a que esta decisão esteja sujeita a um risco também ele elevado. Será que se conseguirá afastar a incerteza do sistema financeiro mundial e recuperar a confiança dos agentes económicos?

A única vantagem disto tudo é que o debate da eleição presidencial no EUA pode centrar-se na economia e na melhor regulação do sistema financeiro americano, temas mais vantajosos para Obama, e evitar-se o isco lançado por McCain - a senhora Palin - para orientar o debate para questões morais, religiosas ou culturais.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Omissão do supervisor nacional de seguros

Os noticiários na televisão acabam por dar mais informação sobre a crise no AIG do que a própria autoridade nacional de supervisão do sistema de seguros e fundos de pensões - o Instituto de Seguros de Portugal - o que, a meu ver, é lamentável. Não há no sítio na Internet do Instituto de Seguros de Portugal qualquer comunicado ou esclarecimento aos consumidores de seguros e fundos de pensões nacionais.
Ainda assim, relata a RTP, o Instituto de Seguros de Portugal em nota à comunicação social veio dizer que "a exposição das companhias de seguros e fundos de pensões nacionais é reduzida" e que "a falência da AIG vai ter pouco impacto em Portugal".
Não estou muito preocupado com as seguradoras nacionais. Acho que deveríamos dar mais atenção aos tomadores de seguros e subscritores de fundos de pensões e de planos de poupança que, por exemplo, foram hoje resgatar as respectivas apólices nas instalações da AIG na Avenida da Liberdade, em Lisboa.
Relata a RTP que a AIG, que opera em Portugal através das suas filiais holandesa e francesa, tem 40.000 apólices activas em 10 cidades portuguesas. Não há, pois, maneira de isto não nos afectar a todos…

Tempos difíceis


Não, não vou falar do nosso CR7, nem saber se ele merece ganhar o troféu de melhor jogador do mundo. Olhem bem para o patrocinador na camisola do Manchester United: "AIG".

Ao que parece, a American Internacional Group (AIG), a maior seguradora americana, tem um dia (sim, 24 horas) para entre 75 mil e 80 mil milhões de dólares e evitar a falência, seguindo as pisadas do banco Lehman Brothers. Isto são quantas vezes o PIB de Portugal? O caso da AIG parece ser mais grave porque podem estar envolvidos fundos de pensões e outros produtos de capitalização de poupanças, bem como um montante incalculável de contratos cujo cumprimento é garantido pela AIG.

Ou se faz uma colecta rápida no metro de Nova Iorque (o que daria 1.000 dólares por cada um dos 8 milhões de habitantes da cidade de Nova Iorque) ou então tem de aparecer a Reserva Federal a providenciar essa verba, injectando esses tostões no sistema para que outros bancos possam ter liquidez e auxiliar a AIG. Despachem-se... porque só têm 24 horas.

O problema disto tudo é quem paga os riscos sistémicos provocados por esta crise financeira? No final, seremos todos nós que teremos de arcar com isto, seja nos juros, em especial os do crédito à habitação, seja nas comissões bancárias. Eu é que precisava de uma injecção de capital na minha conta bancária.