terça-feira, 16 de setembro de 2008



No outro dia no Bairro Alto não pude deixar de reparar num flyer que anuncia o seguinte :
"As primeiras agentes imobiliárias em Portugal para a comunidade LGBT".

De início não percebi bem de que se tratava. Afinal de contas, que tipo de necessidades diferentes terá a comunidade LGBT? Haverá apartamentos próprios para Lésbicas? ou Moradias para Gays? Será que se podem encontrar lofts para Bissexuais? Ou, eventualmente, um sótão para Transsexuais?

Tenho sérias dúvidas sobre quais serão as especificidades desta agência imobiliária, mas para uma comunidade que pretende direitos iguais e não ser discriminada, este não é um bom caminho.

Será que para usufruir dos serviços da Agência tenho q provar que me incluo numa das quatro categorias?

Tirem as dúvidas aqui: http://remaxlgbt.blogspot.com/

Consumidores e interesse público vs. interesses corporativos

Num relatório sobre o sector dos serviços profissionais e dos associações profissionais (disponível aqui), a autoridade de concorrência vem chamar a atenção para um conjunto de problemas de concorrência detectados neste tipo de serviços.

Que serviços são estes? Médicos, enfermeiros, dentistas, veterinários, farmacêuticos, arquitectura, advogados, notários, solicitadores, economistas, técnicos e revisores oficiais de contas, biólogos, engenheiros, entre muitos outros.

Que problemas são estes? São velhos conhecidos:
(i) Restrição no acesso ao exercício de uma determinada profissão;
(ii) A regra cada vez mais geral e não excepcional que faz depender o exercício de uma profissão de um determinado grau académico;
(iii) O problema da exigência de inscrição obrigatória numa ordem ou associação profissional para poder exercer uma profissão;
(iv) A pré-fixação de tabelas de honorários mínimos;
(v) A existência de regras internas nos estatutos ou código deontólogicos e de práticas dirigidas não aos interesses dos consumidores ou à garantia do interesse público mas única e exclusivamente aos interesses corporativos; ou ainda
(vi) Os limites à publicidade.

O relatório tem ainda em atenção a reforma estrutural verificada no ensino superior em consequência do Processo de Bolonha, bem como duas importantes directivas que aguardam transposição: a famosa Directiva Bolkestein ou Directiva Serviços e a directiva relativa ao reconhecimento das qualificações e graus académicos.

O contraste entre Portugal e Espanha é mais do que evidente.

Enquanto em Espanha se está a elaborar um novo enquadramento dos serviços profissionais, num quadro de grande debate nacional (daí a apresentação pela autoridade de concorrência espanhola do relatório atrás referido), já em Portugal - e sem qualquer discussão pública - foi aprovada uma lei ainda mais corporativa do que o "status quo": o chamado "Regime das Associações Públicas Profissionais" (Lei n.º 6/2008, de 13 de Fevereiro) que tem a esperteza saloia - não pode ter outro nome - de apenas ser obrigatório para as associações que venham a constituir-se após a sua entrada em vigor e nem sequer prever qualquer exigência de adaptação às já existentes, ainda que durante um período de transição.

Houve quem argumentasse que com este diploma, com regras aparentemente mais rígidas sobre a criação, a organização e funcionamento das associações públicas profissionais, se daria uma resposta efectiva à pressão sobre o Estado para a criação de novas associações públicas profissionaisl. Esta seria uma espécie de "lei travão" nesta matéria. Acontece que já na senda deste diploma foi criada mais uma nova ordem: a Ordem dos Psicólogos (de que já falei aqui há uns tempos). Gostaria de ver o estudo independente, que o "Regime das Associações Públicas Profissionais" passou a exigir, sobre a necessidade da Ordem dos Psicólogos em termos de realização do interesse público e sobre o impacto sobre a regulação da profissão de psicólogo.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Alessandro Zanardi

Este piloto italiano, hoje com 42 anos, estreou-se na Fórmula 1, com 25 anos. Disputou entre 1991 e 1999, cinco temporadas na categoria máxima do automobilismo, passando pela Jordan, Lotus e Williams, tendo chegado a vencer uma corrida. Ganhou ainda dois campeonatos CART (1997 e 1998) em quatro temporadas. Desde o final da temporada de 2003 que compete no campeonato de WTCC (World Touring Car Champion) onde, até ao momento, obteve uma vitória.

Por que é que falo hoje de Alessandro Zanardi? Primeiro, porque faz hoje 7 anos (15 de Setembro de 2001) que no "American Memorial on the Europeedway", no autódromo de Lausitziring (Germany), ele sofreu um acidente que teve como consequência a perda das suas duas pernas, depois de várias paragens cardíacas. Segundo, porque Alex Zanardi, além de ter voltado às pistas após o acidente, tem mantido uma actividade desportiva ímpar... ainda no ano passado disputou a maratona de Nova Iorque em "hand bike" na qual terminou em 4.º lugar e está presente nos Jogos ParaOlímpicos de Pequim'2008. Alex Zanardi, um exemplo de coragem...

Mais um ao fundo

Mais uma estocada no sistema financeiro americano. O Lehman Brothers, quarto maior banco de investimento dos EUA, pediu hoje que fosse iniciado o processo de insolvência desta instituição centenária. Depois do Fannie Mae e do Freddie Mac terem ido ao fundo (ainda assim receberam uma mãozinha divina e foram nacionalizados, pasme-se, pelo Governo federal), chegou a altura da banca de investimento começar a sentir os efeitos da crise financeira mundial.

E ao que dizem os analistas, os restultados que outros bancos de investimento bem conhecidos - Morgan Stanley e Goldman Sachs - vão apresentar também não são famosos... Fruto da notícia de hoje, os mercados financeiros mundiais estão todos em queda abrupta.

Queria, no entanto, mostrar um outro lado sobre o Lehman Brothers:

Primeiro, e esta informação consta do site oficial do banco, o Lehman Brothers teve este registo em 2007, que vou citar:

"- Lehman Brothers ranks #1 "Most Admired Securities Firm" by Fortune.
- Achieves record net revenues, net income and earnings per common share (diluted) for the fourth consecutive year based on record results in all three business segments.
- Acts as financial advisor on largest-ever M&A transaction in financial institutions sector: $98 billion acquisition of ABN AMRO by a consortium of the Royal Bank of Scotland, Santander and Fortis.
- #1 dealer on the London Stock Exchange by annual trading volume for the third year in a row."

Segundo, e fruto daquilo que era (aparentemente) a situação financeira do banco, o CEO Richard Fuld recebeu, relativamente aos anos de 2006-2007, um pacote de prémios no valor de 40 milhões de dólares e ainda dizia "Do we have some stuff on the books that would be tough to get rid of? Yes. Is it going to kill us? Of course not". Agora, talvez, seja altura de engolir em seco estas palavras.

domingo, 14 de setembro de 2008

Da democracia na América (II)


Não é só em Portugal que se fala do alheamento dos jovens e dos cidadãos em geral da política e como isso se traduz tanto no imenso número de jovens que não fazem o respectivo recenseamento eleitoral como nas elevadas taxas de abstenção. Ainda na semana passada, em Castelo de Vide, no encerramento da Universidade de Verão do PSD, Manuela Ferreira Leite nos falou disso.

Em véspera de eleição presidencial, surge nos EUA uma campanha dirigida aos jovens que não se encontram recenseados e que, por isso, não podem sequer votar. Acontece que me parece que um dos cartazes desta louvável campanha vai um bocado longe e pode gerar outras interpretações.
Não acham que a actriz Jessica Alba dá ideia de misturar mensagens de apelo ao recenseamento e à participação eleitoral com jogos sado-masoquistas ou de "bondage"?

sábado, 13 de setembro de 2008

Então e "ramona"?

Prometo que não vos chateio mais. Mas, finalmente, o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa tem algo a ensinar-nos!

«[Pergunta] Sou professora de português na Sorbonne e tenho a meu cargo uma cadeira de tradução. Para traduzir a expressão francesa "panier à salade", termo da gíria para designar o "fourgon celulaire", um amigo propôs-me a palavra "ramona" como tendo valor idêntico. Encontrei-a, com efeito, num dicionário do calão. Será que ainda se usa actualmente? Ou haverá outro termo? Desde já muito obrigada.
Delfina Bottin :: :: França
[Resposta] Ramona é o termo genérico que conheço para designar, em calão, o veículo de transporte de presos, ou seja, o carro celular. É um termo actual, embora menos usado por camadas mais jovens. Também existe a expressão carro da bófia, para designar o carro da polícia e que, por extensão, se poderá aplicar ao carro celular.
Maria João Matos :: 25/02/2003»

Ou seja, "olha a ramona" = "olha o carro da polícia".

E, já agora, qual é a origem de "bófia"?

Boa pergunta...
Pois adivinhem o que nos diz outra vez Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.

[Pergunta] Qual a origem da palavra bófia e por que razão significa polícia?
Fernando Manuel Santos :: :: Portugal
[Resposta] Bófia é de origem obscura, sabendo-se apenas que é palavra que surgiu do mundo do crime, estando hoje generalizada nos meios urbanos e, sobretudo, entre os jovens, em Portugal. (Vide Novo Dicionário de Calão, de Afonso Praça, Notícias Editorial, Lisboa)

Mau... também de "origem obscura"??? Origem obscura, 2 - Curiosidade linguística, 0

Enigmas da humanidade lusitana

Alguém me sabe explicar por que raio os/as tradutores/as de filmes e séries de televisão quando querem traduzir "cop" ou "cops" para português usam o termo "chui" ou "chuis"?? Que raio de livro de estilo seguem eles, já que hoje ao jantar perguntei se alguém usava esta formulação... e não só ninguém usa, como ninguém sabe donde é que ela poderá ter vindo.

O sempre útil Ciberdúvidas da Línguas Portuguesa explica-nos alguma coisa:

«[Pergunta] Sabe-se alguma coisa sobre a origem da palavra chui, significando «agente de polícia»?
Obrigada. Carolina Martins Ferreira :: Jurista :: Lisboa, Portugal
[Resposta] A palavra chui é «de origem obscura». O Dicionário da Língua Portuguesa 2008, da Porto Editora, diz que é termo coloquial, portanto «informal, familiar». Por sua vez, o Dicionário Eletrônico Houaiss também diz que chui é «de origem obscura», tratando-se de um regionalismo de uso informal em Portugal, Angola e Moçambique. Acrescenta ainda que é de uso «ger[almente] pejorativo».
C. M. :: 23/06/2008»

A resposta é recente... estranho que nunca ninguém colocado esta questão ao Ciberdúvidas... Nem o Houaiss nos salva! Diz-nos que "chui é de origem obscura". Vá-se lá saber o que é que isto quer dizer.

Mantém-se, pois, este enigma da humanidade lusitana.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Estão-se a pôr a jeito...

No final do mês de Julho, Cavaco veio explicar ao País - com algum excesso de tecnicalidade e pecando na forma de o fazer - que existiam disposições no Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores que punham em causa seriamente o estatuto constitucional do Presidente da República. Isto depois de o Tribunal Constitucional já ter declarado a inconstitucionalidade de um conjunto de disposições do Estatuto, obrigando o Presidente da República a devolver o diploma ao Parlamento para serem expurgadas as inconstitucionalidades.

Hoje, numa entrevista ao Público (por sinal, uma boa entrevista), Cavaco vem alertar que, se a Assembleia da República não acolher ou der resposta às dúvidas suscitadas, poderá utilizar o poder de veto político ou recorrer à fiscalização sucessiva da constitucionalidade.

Tenho de dar razão a Cavaco: não só o Estatuto não foi discutido com a amplitude devida e não só os dirigentes partidários, em especial o PS e o PSD (por razões que todos sabemos) têm insistido em fazer orelhas moucas da necessidade de discutir com os Portugueses as questões e o impacto do alargamento da autonomia regional como, sublinhe-se, efectivamente o Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores afronta seriamente a Constituição e a soberania e unidade do Estado.

Espero que a entrevista de hoje seja um sinal e que se evite uma querela político-institucional desnecessária (muito mais preocupante do que a querela inventada pela comunicação social a propósito dos comentários do Ministro da Administração Interna).

Mais um foco de criminalidade violenta

Relata o Expresso Online: jovens detidas com dinheiro e jóias escondidos nos genitais:

«Duas jovens que foram detidas em Lisboa pela Polícia escondiam, na vagina, 1.500 euros e artigos de ouro e prata, revelou hoje o Comando da Polícia de Segurança Pública de Lisboa.
A detenção aconteceu quando a PSP mandou parar uma viatura em que seguiam duas jovens de 16 e 19 anos. Não só a ordem não foi acatada, como se verificou uma tentativa de atropelamento do agente de autoridade. Após perseguição policial, foram detidas e encaminhadas para a esquadra, onde foram revistadas. Foi então que se constatou que as jovens tinham nas áreas genitais, embrulhados em plástico, vários artigos em ouro e prata, para além de 1.500 euros.
A PSP suspeita que os artigos recuperados tenham proveniência criminosa. Presentes a tribunal, o juiz determinou que as duas jovens se apresentem periodicamente na esquadra.»

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Outra vez os hospitais

Alguém me pode dizer se faz sentido a Caixa Geral de Depósitos, banco integralmente detido pelo Estado, ser proprietária do Hospital dos Lusíadas, aberto em Maio deste ano?

Faz sentido um banco público canalizar recursos para um hospital privado, concorrente dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (por exemplo, o Hospital de Santa Maria, hoje já gerido de forma empresarial) mas sobretudo concorrente de outros hospitais do sector privado (por exemplo, o Hospital da Luz)?

A CGD (o Estado) constrói e explora hospitais porque tem de concorrer com outros estabelecimentos hospitalares? É essa a sua missão?

Diga-se que a sociedade HPP - Hospitais Privados de Portugal, SGPS, S. A., detida pela CGD, tem mais 6 hospitais privados em todo o País e também já venceu o concurso relativo à Parceria Público-Privada relativa ao novo Hospital de Cascais.

Fica aqui a reflexão... talvez não esteja a ver o lado certo desta questão. Mas também está anunciado - à semelhança do Hospital da Luz de que já aqui falei - um acordo com a ADSE para a prestação de serviços aos funcionários públicos.

"You can put lipstick on a pig, but it's still a pig"

Depois do El Cid ter aqui iniciado o tema suíno, não resisto a contar um episódio da campanha presidencial americana que também envolve sabedoria popular associado a este animal tão importante nas nossas vids.

Relata a imprensa americana que Barack Obama disse num comício recente no estado da Virginia a frase que dá título a este post, "You can put lipstick on a pig, but it's still a pig". E logo caiu-lhe em cima todo o estado-maior da campanha de McCain, alegando que Obama estaria, no fundo, a fazer uma metáfora pejorativa sobre a candidata republicana a vice-presidente, já nossa conhecida, Sarah Palin... no fundo, estaria a chamá-la de "porca".

Rapidamente o porta-voz da campanha de Obama veio refutar a acusação, dizendo que aquela expressão não é mais do que um provérbio mais velho do que os avós dos nossos avós e que o provérbio apenas pretende sugerir que uma coisa, por mais mascarada e alindada que seja, não deixa de ser uma coisa, não muda a sua essência...mesmo que pintada com batôn.

Não sei se esta resposta convenceu McCain e o seu staff. Sei que estes animais andam a ser vítimas de um assassinato mediático que fere a sua credibilidade.

A propósito, Obama, no discurso em que disse que "You can put lipstick on a pig, but it's still a pig"... ainda acrescentou "You can wrap an old fish in a piece of paper called change. It's still gonna stink" e "We've had enough of the same old thing", o que mostra que, afinal, ele sabia o que queria dizer...

Uma coisa é certa: os porcos já devem estar fartos destas pérolas.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Da democracia na América

Meus amigos, faltam menos de 2 meses para a eleição do novo presidente dos EUA (a data concreta é 4 de Novembro, 3.ª feira), pelo que recomendo um acompanhamento mais atento destes três blogues nacionais:
  • Margens de erro - de Pedro Magalhães, politólogo do Instituto de Ciências Sociais

  • O valor das ideias - de Carlos Santos, professor de econometria da Faculdade de Economia da Universidade do Porto

  • Eleições americanas de 2008 - de Nuno Gouveia, mestrando em Ciências da Comunicação na Universidade Fernando Pessoa

Todos eles trazem notícias recentes, sondagens, "gossip", "fait-divers" e outros dados sobre esta eleição presidencial. Em breve, colocarei aqui links para jornais e blogues americanos que também merecem ser acompanhados.

Tudo o que sobe desce; tudo o que entra sai; tudo o que abre fecha


Rússia admite apontar mísseis contra escudo na Europa

Os locais na Polónia e na República Checa onde vão ser instalados elementos do escudo anti-missil norte-americano poderão tornar-se alvos de mísseis intercontinentais russos, declarou hoje o chefe das Forças estratégicas russas, citado pela Interfax e a Itar-Tass.
"Não posso excluir (...) que sejam escolhidos para alvo para uma parte dos nossos mísseis intercontinentais os locais do escudo anti-míssil na Polónia e na República Checa e outros potenciais locais similares", declarou o general Nikolai Solovtsov.
Estas declarações de Solovtsov surgem um dia antes da visita do chefe da diplomacia russa à Polónia, país que decidiu aceitar a instalação dos mísseis interceptores norte-americanos.
A Polónia e os Estados Unidos chegaram a um acordo no último mês que prevê instalar até 2012 dez mísseis norte-americanos em território polaco.
In Jornal de Notícias, 2008-09-10

Como tudo o que sobe, desce; tudo o que entra sai; também tudo o que abre fecha. O que outrora fora conseguido (pelo menos em teoria), 1) quanto à livre circulação de pessoas, bens e serviços 2)na organização mundial do comércio, por todos conhecida por globalização, hoje em dia começa a suscitar dúvidas. Li há poucos meses, num discurso do presidente da Cemex – empresa cimenteira do México com implementação internacional, que o processo de globalização para ter sucesso tinha de ser inclusivo, e não exclusivo. Para mim, estas palavras além de sábias, são exactamente o ponto crítico de todo o processo, pois as empresas multinacionais com posturas demasiado sustentadas no curto prazo e nos resultados imediatos têm a tendência para ignorar estas palavras. O que interessa é explorar/defender recursos, sejam eles quais forem, e a “preço”(alto ou baixo depende de que lado se está).

É claro que o que episódios como o que está retratado no artigo são grãos de areia postos numa engrenagem, que já de si era de difícil funcionamento. Aguardamos cenas dos próximos episódios, que ao contrário da novela do Tio Franco, temo que esta seja uma daquelas super produções de Hollywood, com muitos efeitos especiais à mistura…

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Anjo Selvagem by NBP

Bem ao estilo de qualquer grande produçao da NBP, intriga, suspeitas, fugas, vinganças, amores, chantagem, a novela Felgueiras segue a seu bom ritmo: " O Procurador da República Pinto Bronze pediu hoje a absolvição de Fátima Felgueiras [...] O magistrado preconizou a condenação da autarca e principal arguida do processo do "Saco Azul de Felgueiras" pela [...].O mesmo magistrado tomou uma decisão que causou alguma surpresa ao sugerir ao colectivo a condenação do empresário Joaquim Freitas e do licenciado Horácio Costa, que foram as pedras base da investigação de que a autarca foi alvo e das alegações feitas hoje e ontem por Pinto Bronze.O Procurador, recorde-se, assentou nas revelações feitas por Horácio Costa e Joaquim Freitas o essencial das suas alegações. Em várias ocasiões chegou a enaltecer a credibilidade do antigo braço direito de Fátima Felgueiras em contra-ponto com a desvalorização dos depoimentos dos restantes co-arguidos. Hoje, porém, preconizou a condenação do Horácio Costa e de Joaquim Freitas por cumplicidade em dois crimes de participação económica e negócio. Horácio Costa, segundo o que disse Pinto Bronze, “admitiu que foi interveniente na lavagem de dinheiro através da transferência de 4700 contos (cerca de 23.500 euros) dados pela RESINE e usados na compra do Audi A4 para Fátima Felgueiras”. Não temos qualquer tipo de dúvida que Horácio Costa faltou à verdade, não assumindo as suas responsabilidades”, afirmou o Procurador da República." sito in Publico.pt

Penso que nem a famosa novela "Anjo Selvagem" teve tantos episodios e cenas épicas.

Na realidade nao sei se enaltecer a grande capacidade do Procurador em reconhecer o seu erro (se o existe), se gritar de raiva do estado da justiça.

Pigs in muck


“Exciting countries get exciting acronyms, at least in financial circles. Fast-growing Brazil, Russia, India and China, for example, are called Brics, the very initials implying solid growth. Other countries are less fortunate. Take Portugal, Italy, Greece and Spain, sometimes described as the Pigs. It is a pejorative moniker but one with much truth.
Eight years ago, Pigs really did fly. Their economies soared after joining the eurozone. Interest rates fell to historical lows - and were often negative in real terms. A credit boom followed, just as night follows day. Wages rose, debt levels ballooned, as did house prices and consumption. Now the Pigs are falling back to earth.”
Excerto de artigo publicado a 1 de Setembro 2008, Financial Times

Existe uma expressão comummente utilizada, pelo menos nalgumas regiões do nosso Portugal, que é qualquer coisa deste género – “aquele (sujeito(a)) tem a mania que os porcos nadam”, ou esta menos comum “… de que os porcos voam”. Pelos vistos a segunda versão do dito jargão popular é uma adaptação, ou vice-versa de uma expressão utilizada pelos países anglo-saxónicos.

O autor do artigo (que ainda não consegui, nem me dei ao trabalho de identificar) quis dizer que os países do sul da Europa (no gráfico), aquando da adesão à união europeia, sofreram positivamente dos efeitos da entrada na união, apresentaram níveis de crescimento económico consideráveis, começando a convergir com os países do pelotão da frente. Mas que afinal era tudo fogo-de-vista, pois o crescimento não foi crescimento sustentado nem estrutural, mas sim conjuntural. Ou seja, os porcos que outrora voaram, hoje em dia voltaram à lama.

Ontem já foram confrontar o Ministro Pinho com estas afirmações, e qual a sua opinião. Convenhamos que há verdades inconvenientes, e realidades que são duras. È claro que mesmo sendo verdade o que está implícito no artigo do Financial Times existem maneiras menos ofensivas de o dizer, mesmo sem inibir o direito de opinião do colunista, mas se calhar ninguém ligaria ao artigo, ou pelo menos não se daria a importância agora dada… É caso para dizer que estamos a dar pérolas a porcos! (onde o porco aqui é o senhor que escreveu as ditas palavras)

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Ai Portugal, Portugal… (Um desafio)

Queria deixar um desafio aos meus companheirosde Blog e “qui ça” aos nossos leitores: “Que podemos fazer para promover o nosso Portugal?”
Como sabem vivo em Espanha à 2 anos, e já muito ouvi dizer de Portugal, sobretudo ouvi palavras de ignorancia, que revelam um desconhecimento profundo do nosso país, para muitos Portugal é o país das “sabanas e toallas baratas”.
Este ano recomendei e fiz 5 roteiros de visita a Portugal, um total de 14 espanhois que consegui com alguma facilidade deslumbrar.
Comentários desde as gentes bastante amáveis, simpáticas e prestáveis, ao excelente vinho , à variada e moderna gastronomia, aos doces “riquisimos”, aos locais “inolvidables”, às vistas, às paisagens, ao Pôr do Sol (en una terraza con una mini), à limpeza dos espaços, à rede viaria (nova e de alta qualidade), à qualidade dos transportes (comboios que funcionan). Um exagero, diram alguns, mas a verdade é que quando viajamos por esse mundo fora, percebemos que o nosso bairro nao é o pior do mundo, talvez possa até ser um dos melhores.
A verdade é que estas pessoas revelaram um grau de surpresa que a mim por um lado me orgulha e por outro me intristesse. Este grau de satisfaçao é revelador de uma baixa expectativa e de um conhecimento muito reduzido e muitas vezes erróneo.
Aqui em Espanha, vejo diáriamente na TV anuncios dos paises da “nova europa” com paisagens, com experiencias que despertam curiosidade e desejo. Algo, apenas recordo de ter visto de Portugal.
Vendemos o Figo , O Ronaldo, O Mourinho, e o vinho do Porto, porque nao vender a Alheira, o Vinho Alentejano, O Bacalhau, O Cozido, O Leitao, Aveiro, Cascais, Foz Do Arelho, ou “qui ça” vender mesmo Portugal... tantas outras coisas, ou porque nao por estes Senhores a vender Portugal, porque usava o Figo um boné da Nike e nao um boné de Portugal.
Amigos o desafio está lançado, espero ler muitos comentarios... um mote português antigo diz “O Povo Unido jamais será vencido”, mas como a Uniao é hoje cada vez mais dificil, corrijo com o ditado popular “grao a grao enche a galinha o papo”... ou como diria Ana Carolina “Sabemos como foi o ínicio, mas podemos mudar o final”

TENHAM MEDO... TENHAM MUITO MEDO!!!


A “guerra das civilizações” do “Bem” contra o “Mal” da “Cimeira dos Açores” versus Deliberações das Nações Unidas ofereceu-nos o mundo em que vivemos.

1.2 milhões de iraquianos mortos (maioria civis) não é suficiente, nem os mais de 4000 militares americanos mortos no Iraque... “IT`S GOD`S PLAN!!!” E o que tiveram o Iraque e os iraquianos a ver com o 11/09? "IT`S GOD`S PLAN!!!"
O que seria do mundo hoje, se o prémio Nobel da paz Al Gore, tivesse sido nomeado Presidente dos EUA nas eleições que efectivamente ganhou nas urnas a W. Bush? IT WAS GOD`S PLAN?!!!

O que será do nosso mundo se esta senhora algum dia tiver o poder da vida e da morte “de fieis e de infiéis” à distancia de um botão vermelho? WILL SHE TAKE ON HER GOD`S PLAN?!!!
Visionem com atenção o vídeo que vos proponho e façam o que humanamente puderem para passar a mensagem.

Avaliem o que potencialmente nos espera.

http://www.youtube.com/watch?v=QG1vPYbRB7k

Ámen.!!!”

Mais do mesmo, Manela...

E ao fim de tantos e tantos e tantos dias remetida ao silêncio (mais de dois meses sem falar, mais de 100 dias de liderança da oposição), a senhora (MFL) de quem tanto se fala, começou a falar. Vamos ver o que ela nos falou ontem à tarde em Castelo de Vide no final da Universidade de Verão do PSD, vendo cada um dos temas que ela nos trouxe:

a) Credibilidade da política e aproximação dos jovens da mesma:

Depois da corriqueira descrição sobre o afastamento dos jovens e das pessoas em geral da política, bem como da falta de valorização e credibilidade da acção política, MFL anuncia as suas intenções: "O PSD tem a obrigação, pelas suas raízes, pelo seu passado, de ser parte activa neste processo de reconduzir a política à sua nobre função". "Para tal, vamos ter de concentrar as nossas energias apenas nas questões que verdadeiramente preocupam os Portugueses. E vamos deixar que outros se entretenham a discutir temas que, não afectam minimamente o dia a dia das pessoas".
MFL apenas irá discutir as questões que verdadeiramente preocupam os Portugueses. E que questões são essas, MFL? É isso que andamos à espera à algum tempo... conhecer as áreas que o novo PSD entende serem as que afectam mais os Portugueses, bem como as respectivas propostas de acção...

b) Mediatização da acção política:

MFL acusou fortemente o Governo de "manter as aparências, de esconder os fracassos e de iludir os Portugueses sobre a real dimensão dos seus problemas e da forma de os enfrentar".

Acho que MFL perdeu o discernimento nesta matéria. Foi a clareza da situação real do País em 2005 que levou o Governo a tomar medidas difícei depois de ter dado a conhecer aos Portugueses a verdadeira situação das contas públicas. Quem iludiu os Portugueses foi o PSD porque a situação real era bem mais grave do que se pensava.

Mais adiante, MFL volta afirmar que existe uma clivagem entre a realidade e o discurso do Governo. E insiste na ideia de que " se todos os anúncios correspondessem à realidade o País
tinha de estar melhor do que está", dizendo que tudo isto só é possível porque existe um "clima de mistificação", "apoiado por uma máquina de comunicação e de acção pouco democrática".

Parece-me que mistificador foi este discurso de MFL. Ninguém ficou a conhecer qualquer proposta. Apenas nos pudemos contentar com um discurso com uma retórica própria de quem não tem nada para oferecer de verdadeiramente inovador aos Portugueses. Os Portugueses querem acção, querem ver resultados, não querem estar a ser confrontados constantemente com este tipo de política negativa e calculista. Não há mal nenhum em mediatizar a acção política, o que há de mal é condicionar a actividade política com silêncios oportunistas.

c) Acção política do Governo:

Diz MFL que "a maioria socialista aprova leis sobre leis muitas vezes sem se dar ao trabalho de reflectir sobre as suas consequências e sem que o Governo esteja preparado para garantir a sua execução, ou evitar as dificuldades que os novos quadros legislativos possam trazer". Diz ainda que "o Governo despreza o estatuto da Oposição e abafa qualquer tentativa de participação séria e democrática".

Tenho que dizer que acabo por concordar com MFL, mas apenas parcialmente. Também eu sou a favor de que os projectos legislativos devem ser prévia e obrigatoriamente sujeitos a avaliações (nas suas múltiplas dimensões) do seu impacto que pudessem auxiliar a apresentação e discussão pública dos mesmos. Mas também tenho de referir que os problemas do País exigem respostas rápidas. Mesmo neste quadro de emergência nacional, as grandes reformas têm sido objecto de grande consulta pública.

Relativamente ao tratamento da Oposição, apenas considero que, em certos momentos, o Primeiro-Ministro ultrapassa os limites da consideração institucional nos debates quinzenais que se realizam na Assembleia da República. Mas os senhores da Oposição têm que agradecer ao mesmo Primeiro-Ministro o facto de ele agora se deslocar duas vezes por mês ao Parlamento para discutir os temas gerais da governação e de as presenças de membros do Governo nas comissões parlamentares ser muito mais frequente.

d) Política económica:

MFL acusou o Governo de ter "concepções centralizadoras e falsamente proteccionistas", referindo que "é na área da política económica que a asfixia que o actual Governo nos impõe se torna mais visível".

Foi este o único momento do discurso em que MFL disse, sem papas na língua, que: "o nosso programa económico será exactamente o oposto de tudo isto". "A prioridade será para a competitividade da economia, para a produtividade e criatividade empresarial, removendo custos e obstáculos à eficiência das pequenas e médias empresas. É imperioso reduzir os custos operacionais, aliviar a carga burocrática, reduzir a fiscalidade ligada à criação de emprego e apoiar a exportação."

Mas - peço desculpa - esta tem sido a linha de actuação do Governo, não tem?? O que é preciso que MFL diga, sem papas na língua, é o que vai fazer ao Aeroporto de Alcochete, ao projecto do TGV e a todos projectos de investimento público que se encontram previstos, se for eleito depois do Verão de 2009. Que diga ao País, de forma directa e concreta, quais os "projectos sem rentabilidade ou justificação económica" e quais são os "projectos megalómanos que são um extraordinário luxo para o País porque não criam riqueza, mas que implicarão muitos anos de sacrifício para serem pagos". Até posso vir a concordar com MFL relativa algum desses projectos, mas, primeiro, tenho de saber que projectos são esses...

Diz MFL: "...é no emprego que a política económica que defendemos melhor mostrará os seus resultados. O desemprego crónico que se instalou na nossa economia é a manifestação mais clara da acção do governo socialista, a consequência de políticas erradas e incapazes de reorientar a política económica para a criação de postos de trabalho. Ao destruir a competitividade da economia, o Governo tem destruído muitos milhares de postos de trabalho e impedido a criação de muitos mais". Continua MFL: "Resta, assim, aos Portugueses a aceitação de salários cada vez mais distantes dos que se praticam na Europa, como única forma de assegurar os postos de trabalho que ainda existem e se vão mantendo. Não admira que a emigração se tenha tornado de novo a última tábua de salvação para muitos dos nossos compatriotas".

Este foi a fase Jerónimo de Sousa do discurso da MFL. O que acha MFL do novo Código do Trabalho? Entende MFL que devemos aumentar os salários na função pública? É preciso relembrar a MFL que foi este Governo que aumentou de forma mais significativa o salário mínimo nacional desde o 25 de Abril.

e) Serviços públicos e reforma da Administração Pública

Diz MFL: "É sabido que as sociedades modernas e desenvolvidas necessitam de um Estado de dimensão importante, moderno, sofisticado e eficaz". Verbera, depois: "A reforma da Administração Pública é talvez a área onde este Governo mais prometeu e menos concretizou, por incompetência ou falta de coragem política". "A reestruturação dos serviços saldou-se por uma mão cheia de nada, no que se refere à eficácia e transparência".

Desculpem-me, mas é preciso ter lata! Temos de recordar os anos em que MFL foi responsável pela Administração Pública? Este piscar de olhos aos funcionários públicos não engana ninguém. Todos se lembram da cegueira da sua política.

Balanço:

MFL ainda falou apressadamente de educação, saúde, justiça, inclusão social e, claro, do oportuno tema da segurança interna (aqui com alguma propriedade relativamente a certas coisas mas também embarcando na onda "silly season").

O que dizer, em síntese?
  • Um discurso bem construído, mas muito negativo, profundamente míope, parasitário de factores externos que possam levar o PSD, de novo, ao poder, e, sobretudo, sem apresentar qualquer proposta concreta, o que só pode desiludir aqueles que esperaram 60 dias por algo de inovador.
  • A estratégia do silêncio de MFL será, assim, uma estratégia de "deixa andar", típica de uma oposição irresponsável que não apresenta alternativas por ter receio de que essas propostas não a levem ao Governo. MFL sabe que apenas lá chegará se o quadro internacional e nacional agravar-se. Quanto pior para Portugal, melhor para o PSD e para MFL.

Enjoy the silence...


Para quem não se lembra “enjoy the silence” é um nome de uma canção editada pelos Depeche Mode, em Outubro de 1990. Volvidos praticamente 18 anos, não se esperaria que fosse o mote do principal partido da oposição, em Portugal. É no mínimo esquisito.

Não sei quem é o idiota que define esta estratégia, e muito menos como pensa que é boa ao ponto de eventualmente poder levar o PSD a ganhar eleições. Não que concorde com os “fala barato”, que falam por tudo e por nada, só numa de mostrar serviço. Isso também já foi chão que deu uvas. Pois apesar de considerar que os portugueses têm um enorme défice de cidadania, e uma das vertentes onde se manifesta é exactamente no alheamento da vida política, a qualidade dos políticos é directamente proporcional à qualidade do povo que temos, pelo menos em média, entenda-se. Ou seja, ainda que seja insuficiente os portugueses estão em média, mais exigentes, exigem pragmatismo.

Chego a pensar se a Manuela Ferreira Leite não estará a tentar seguir a estratégia do seu guru pessoal e político, Prof. Cavaco Silva. Uma estratégia à base de blackouts, gritos mudos, tabus e outro tipo de iguarias provincianas. Agora relembro que esta receita só resultou numas presidenciais, demorou dez anos a ser milimetricamente posta em prática, e o cargo em questão era não executivo – presidente da república.

A um ano das eleições, esta política é no mínimo perigosa. Pois neste período, o que os partidos devem fazer é balanços das políticas seguidas e seus resultados, e pedir contas ao governo onde acham que ele falhou. Agora ficar na perspectiva de abutre, a sobrevoar o governo, à espera que a crise internacional e nacional o dê cabo dele e das suas políticas lentamente, para depois aparecer como salvadora da pátria é capaz de não ser suficiente. Até porque a situação que atravessamos exige dinamismo e não calculismos exacerbados, mas também porque o governo aproveita e vai fazendo o seu trabalho, e na maioria dos casos bem.

Já tinha acabado, mas não resisto em colocar um ditado popular – “Candeia que vai à frente, alumia duas vezes…”