segunda-feira, 8 de setembro de 2008
S. Joao D'Arga
Chegamos na penumbra da noite, descemos por uma escada de pedra, cruzámos um riacho, subimos por um bosque, com tendas amontoadas, o som das concertinas e o cheiro do fumo começou a envadir-nos, de um momento para o outro estavamos rodeados por uma multidao de gente, bastante animada e com vontade de muita folia...
Tardei uns segundos a situar-me, mas rapido fui invadido pela mística do local... vezes sem fim repeti "Isto existe no "meu" Portugal?"; "Isto existe no "meu" Portugal?"
Simplesmente fenomenal, o ambiente, a confusao, a aguardente com mel, os cheiros, o enquadramento, tudo era simplesmente perfeito.
Para fazer crescer agua no bico...
http://www.youtube.com/watch?v=jRisfgsgX4U&feature=related
domingo, 7 de setembro de 2008
Exílio temporário
Moledo, aqui estarei durante os próximos 30 dias...Mas não deixeirei de vir ao Cá Calharás para ler, comentar e escrever umas postas.
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
A nova coqueluche da política americana

Voltarei a falar desta senhora em breve.
Porquê, Portugal?

quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Fragmentos do Verão'2008 (II)
O objectivo desta Escola de Verão foi juntar pessoas e organizações de todo o Mundo e, de forma descontraída, debater e partilhar experiências, perspectivas e métodos relacionados com inovação social (= encontrar novas soluções para as necessidades sociais).
(dentro da sala - o Charlie é aquele senhor com pinta de "bife" no lado direito a mexer nos óculos, ele é "o" guru ideológico da coisa juntamente com um senhor chamado Geoff Mulgan)
(o método prático de trabalhar em grupo)
(o método prático de trabalhar em grupo, agora no jardim - talvez me reconheçam na foto)
(a foto de família)
That's all folks, daqui a uns dias, posto mais fotografias.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Economistas contra a subida de salários

Era notícia hoje no diário económico que os economistas eram contra a subida de salários, o que escandalizou tanto os sindicatos que estão a negociar com o governo e restantes parceiros sociais o peso relativo da sua subida, como e acima de tudo, indignou os assalariados. Sobretudo aqueles com ordenados baixos.
Eu sei que é impopular que se diga que não há espaço para subir salários. Sei também que em Portugal se ganha em média pouco, e que a subida de preços que se tem vindo a verificar, esmaga as famílias ao ponto de lhes tirar alguma liberdade económica, tão necessária para nos sentirmos felizes enquanto pessoas. Mas de facto, é um acto de responsabilidade indexar o que as pessoas ganham à sua produtividade. E quanto a isso não temos dúvidas, nós temos sido um país que em média tem um índice de produtividade baixo.
Mas ninguém gosta de descer de cavalo para burro. E as pessoas ficam angustiadas e chateadas quando vêem o seu poder de compra diminuir, ou quando pura e simplesmente não ganham o suficiente para ter uma vida digna. O erro foi cometido em meados dos anos 90 quando, jorravam milhões de Bruxelas e os políticos não cederam à tentação de aumentar os salários sem ter em conta o aumento da produtividade. Foi a criação do chamado “Monstro”, que agora, e de à uns anos a esta parte tem vindo a ser desfeito, aos poucos, e de uma forma suave. Para ainda assim as famílias e empresas poderem viver apenas da riqueza que produzem. Eu sei que é uma realidade triste. Mas enquanto não trabalharmos bem e com qualidade seremos um país pobre, e consequentemente com salários baixos. Doa a quem doer…
PS – Só mais uma nota de rodapé: para aqueles que lhes custa entrar isto na cabeça. Quanto mais se aumenta a massa salarial de uma economia, mais se está a contribuir para que a espiral de subida da inflação aumente. Neste cenário o nosso poder de compra tenderá sempre a diminuir, independentemente de ganharmos mais, pois o nosso dinheiro valerá cada vez menos…
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Má Partilha (II)

Ainda estamos lembrados dos ursos, e da sua pesca. E dos que retiravam, a pescaria aos que pescavam, não tendo de ter nenhum trabalho para ter o mesmo resultado que os que pescavam. Como eu referi, tinha visto essa cena num programa de televisão. Mas quem também não se lembra de outras situações, também elas televisionadas, que envolvem distúrbios entre humanos, e também eles por causa de bens materiais. Se passarmos do cinescópio para as linhas dos livros, também vemos retratado com mais ou menos ficção e efeitos especiais, a natureza humana retratada. J. R. Tolkien quando escreveu a trilogia “Senhor dos Anéis” retratava e bem a vontade dos homens pelo poder, e pela propriedade de um anel que concedia esse mesmo poder. Poder que fazia com que o possuidor do anel se sentisse atraído por ele, gozasse de uma ainda que aparente, mas ao mesmo tempo viciante sensação de bem-estar. O Gollum era bem a imagem disso… Não olhar a meios para atingir os fins. O que interessava era “tê-lo”. São tudo sensações que permanecem espelhadas no nosso dia-a-dia, talvez se manifeste de outras formas, é certo. Mas a necessidade está lá. A do ter, a do poder. Resumindo como tantos outros autores tão bem caracterizam é a transposição da vida da selva de onde toda a origem animal veio, para as cidades, construídas posteriormente pelo homem. Esse ser errante com cabeça para pensar…
Continua…
Foi do "cacete"!...

É verdade meus caros amigos. Não é exagero meu, e muito menos do folheto promocional às festas em honra do Milagroso S. João D'Arga. Quando se diz que estamos na festa mais característica do Alto Minho, deve ser verdade. Foi uma noite inesquecível... Até os piscas do carro me roubaram. Pelos vistos fizeram as delícias de um "cromo" e amigo do alheio, que por lá andava... Mas foi a única anomalia desagradável a reportar. Espero que não tenha sido o João Flácio, para oferecer de prenda de namoro à Menina Tininha... E a noite foi tão boa, e passada em tão boa companhia (até um casal belga se juntou à festa), que nem conseguimos ficar realmente pissed off. Já agora também tenho a registar que não me passava pela cabeça ver duas bandas a tocar à desgarrada temas que iam desde o eye of the tiger - do saudoso Rocky III, passando pelos Xutos & Pontapés, e até aos White Stripes. Enfim aquela malta tocava tudo, e com bastante alegria e vivacidade! Só faltou mesmo ver malta a pedir ajuda ao Milagroso, procriando em pleno Mosteiro, e só com a manta a tapar... Viva o Verão e as suas Romarias! Viva o Minho! Viva aos bons amigos! Viva Portugal!
Fragmentos do Verão'2008

Todos anos, na noite de 28 para 29 de Agosto, num lugar recôndito da Serra de Arga, a que apenas se consegue chegar depois de uma caminhada de alguns quilómetros, realiza-se a festa-romaria de S. João d'Arga, uma das mais importantes do Alto Minho, e que leva muitos a irem pedir a cura para algumas maleitas mas também a remediar problemas de infertilidade (dizem os mais experimentados nesta festa que as mães chegam a auxiliar as suas filhas inférteis no próprio acto).
Outros vão para dançar o vira minhoto, animados pelo som das concertinas ou pelas bandas populares que tocam em despique contínuo músicas modernas (este ano "Moreira, Moreira, Moreira!" contra "Lanhelas, Lanhelas, Lanhelas!").
Uma ida ao S. João d'Arga não se faz sem o abastecimento prévio na tasca do Cachadinha, a que se segue a mistura de aguardente e mel que é servida abundantemente em toda a festa.
À semelhança de outros anos, este ano não faltei e pude contar com a presença do El Cid e do Tio Franco, que se estrearam nessas andanças. Sem dúvida, uma festa contagiante... a repetir seguramente em próximos verões.
Ah... povo de Moledo, alguém sabe se o João F'lácio encontrou a Menina Tininha?
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Este ano não há incêndios? (II)
Ora, foi hoje divulgado publicamente um balanço provisório do ano de 2008 (entre 1 de Janeiro e 31 de Agosto) no qual se dá conta de que houve até hoje 4.981 ocorrências (1.023 incêndios florestais e 3.958 chamados fogachos) que consumiram uma área total de 4.685 hectares.
Comparando com anos anteriores, o relatório (aqui disponível) dá conta de que em 2008 a o número de ocorrências e a área ardida são inferiores aos registados entre 1998 e 2008, com excepção do ano de 2007. Dá-se ainda conta de que houve menos 4.099 ocorrências e de que arderam menos 19.301 hectares, correspondendo os valores de 2008 a 55% e 19,5% dos valores médios das ocorrências e área ardida dos últimos dez anos (até 15 de Agosto).
Espero que seja este o bom caminho... tomando a deixa do último post do El Cid, a prevenção faz-se prevenindo. Mas isso já não interessa aos "donos" dos nossos media.
PS - Poderia também ser feito um balanço do esforço financeiro e dos recursos humanos envolvidos na prevenção e no combate aos incêndios. O povo português agradeceria.
O caminho...

Como dizia o poeta espanhol António Machado, “caminante, no hay camino,
se hace camino al andar”, ou como comummente se houve “el camino se hace caminando”. Isto é muito bonito de se escrever ou dizer. Principalmente quando grande parte do caminho já foi feito, e sobretudo se na generalidade, foi bem feito e produziu bons resultados. Agora se é fácil de escrever e dizer, temo que seja difícil de fazer. Até porque se pensarmos um pouco, existem dois grandes tipos de caminhantes, “os generalistas” ou imitadores – seguem o trilho que outros vão percorrendo (com mais ou menos adaptações, imitando às vezes o bem e o mal feito), e os cata-ventos – vão caminhando conforme o vento lhes sopra… Agora pergunto eu – e se anda toda a gente a caminhar sabe-se lá para onde, qual será o resultado? Parecendo difícil, não é nada fácil.
Gerir e Mostrar a Arte, com sustentabilidade...entenda-se

Como todos se devem ter apercebido, estamos desde à uns anos a esta parte a assistir à construção, requalificação e criação de uma rede de teatros e auditórios por esse país fora. Teve e tem como principal objectivo democratizar o acesso à cultura, por parte das populações que não vivem nos grandes centros urbanos. Este investimento foi feito com financiamento na sua maioria comunitário. A programação destes auditórios foi feita com base no programa operacional de cultura, também ele alimentado por financiamento comunitário. O mix de financiamento também era composto por uma fatia do orçamento da cultura da respectiva autarquia onde o auditório/teatro estava implementado. Ora, com o POC terminado (não obstante de já ter substituto), e com os orçamentos das autarquias a serem alvo de uma criteriosa gestão, e a meu ver bem, torna-se difícil manter o nível de programação que esses equipamentos, os seus técnicos, e nomeadamente as populações afectas, merecem. A meu ver uma das soluções possíveis é criar uma entidade privada que procure fazer o que neste momento ao estado parece difícil de fazer. Ou seja, gerir eficientemente estes espaços culturais, garantido uma programação de qualidade, conseguir ir buscar outras fontes de financiamento para que estes espaços não se tornem “elefantes brancos”, e que mais uma vez as populações do interior fiquem permanentemente postas de lado…
Ideias e contributos para ajudar a contruir este plano, são bem-vindas!
Terrorífica notícia
Próximo domingo, 7 de Setembro, no cinema S. Jorge, Muad'Dib surgirá numa curta metragem no MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa (http://www.motelx.org/08/index.php?option=com_content&task=view&id=80&Itemid=108).
O que te falta, Muad'Dib? Plantar uma árvore, escrever um livro, ter um filho... ser estrela de cinema?
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Este ano não há incêndios?

Mais boas notícias...

Acabo de saber que um dos mais importantes símbolos lisboetas está de volta: o 2.º pilar do Cais das Colunas foi hoje reerguido e os trabalhos da sua recolocação estarão concluídos até 15 de Setembro. Afinal, ainda podemos desfrutar da frente ribeirinha de Lisboa. Antecipo desde já uma visita no próximo Outono, de preferência bem acompanhado.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Do 8 ao 80...

terça-feira, 12 de agosto de 2008
Má Partilha

Só para terem uma ideia da importância da palavra partilha, se a escreverem no Wikipédia português, encontram zero resultados da vossa pesquisa. Quando é que se houve falar em partilha(s), a primeira vez nas nossas vidas? É quando alguém morre, familiar (avô, avó, tio sem herdeiros, ou outro qualquer ente, que tenha ligação familiar com os nosso pais) e por sinal deixou alguns bens, que necessitam de ser divididos pelos herdeiros. Geralmente, quanto maior o espólio, maior a dificuldade de entendimento, e mais penoso é o processo das partilhas.
Mas este processo de partilha é, mais um processo de divisão. Pois, também sabemos, vivemos ou já vimos através de alguém, que depois do processo concluído, cada um fica com as suas coisas. Fazendo sentido mais uma vez a utilização da palavra divisão. E de facto tem sido disto que se tem tratado…
Faz parte da nossa matriz cultural, do nosso paradigma sócio económico, que o sistema de recompensas seja em face do mérito, e visa premiar os bons resultados. É um bom modelo, que ainda por cima depois tem mecanismos de redistribuir riqueza pelos mais desfavorecidos, através da tributação da riqueza produzida por este sistema.
Tem sido também apanágio do modelo económico ocidental onde o capitalismo e o liberalismo estão instituídos, a concentração de riqueza em cada vez menos agentes económicos e o aumento das assimetrias entre os povos. O fosso entre os ricos e os pobres é cada vez maior. E atenção, isto não é demagogia…
Uma vez, vi num qualquer canal de televisão um programa que caracterizava a vida de um tipo de Ursos, que vivia algures no continente norte-americano, e que para comer iam pescar à mão salmão que apanhava em contra-corrente num rio (daqueles com fortes correntes). Então, eles posicionavam-se dentro do rio a pescar. Mas nem todos estavam a pescar, havia um ou outro que se limitava a roubar à descarada, o produto da pescaria do outro Urso. Não sei se simplesmente por malandrice, ou pelo facto de todos os bons sítios para pescar estarem tomados.
Continua…
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
¿Preplexidade?
Publico.pt @ 7 de Agosto 2008
Tantos outros estudos, sobre OTA's, TGV's, Hospitais, Autoestradas, Portagens...
será que o resultado dos diferentes estudos foram os favoráveis aos desejos de cada um das entidades pagadoras?
nao será este tipo de consultoria, apenas uma forma de tentativa de credibilizaçao de um opiniao ou vontade existente?
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
A montanha pariu um rato
Imagino o quanto se especulou em Portugal sobre esta intervençao em pleno periodo estival. Da minha parte, já suspeitava de que ele iria falar do estatuto da Regiao Autónoma dos Açores mas com um discurso um pouco diferente.
Nao vou agora entrar numa análise desse estatuto - já o fiz há muito tempo e desde logo imaginei o actual cenário - uma vez que o que vale a pena é olhar para a intervençao do Presidente da República.
Uma desilusao completa! Foi para uma mensagem com aquele conteúdo que Cavaco obrigou, imagino, milhares de Portugueses a sair mais cedo da praia?
O estatuto da Regiao Autónoma dos Açores, aprovado pela Assembleia da República e proposto pelo Governo Regional dos Açores, é indiscutivelmente inconstitucional. O que Cavaco deveria ter explicado aos Portugueses nao eram as "tecnicalidades" do estatuto e os detalhes de como implícita e subrepticiamente a Regiao Autónoma dos Açores pretendeu ir mais longe do que a autonomia que aquele território (bem como o da Madeira) têm vindo a ganhar, especialmente reforçada na revisao constitucional de 2004. O que Cavaco deveria ter explicado aos Portugueses era a mensagem política sobre a coexistência dos interesses regionais e o aprofundamento da autonomia das Regioes Autónomas com a unidade nacional e com a manutençao de Portugal como um Estado unitário. A mensagem nao deveria ter tido um conteúdo jurídico como teve (para isso, já interveio o Tribunal Constitucional na semana passada) mas sim um conteúdo político sobre a importância da unidade nacional. Mas esse é um terreno em que Cavaco se encontra fragilizado depois do vexame a que se submeteu quando se deslocou à Madeira em visita oficial. Todos nos recordamos dessa visita...
Imaginei que Cavaco fosse adiar as eleiçoes regionais que se vao realizar nos Açores em Outubro e, por isso, a necessidade de uma mensagem ao País. Imaginei que esse adiamento fosse acompanhado de uma interpelaçao aos órgaos regionais para reflectirem as suas aspiraçoes agora tornadas malogradas.
Tanto tabu para isto, senhor Presidente?
O recado que veio dar deveria ter sido mais explicitamente dirigido à nossa Assembleia da República que, diga-se, com o beneplacito de todos os partidos, aprovou o estatuto agora declarado inconstitucional pelo Tribunal Constitucional. Toda a gente sabe que este estatuto nao foi discutido como deveria ter sido porque ninguém pretendeu introduzir no debate político nacional a questao do actual nível de autonomia regional. Sobretudo o PS e o PSD contribuiram para essa indiferença.

