terça-feira, 23 de setembro de 2008

O problema do acesso às armas


Mais um massacre numa escola, novamente na Finlândia, em Kauhajoki (depois de Jokela, Novembro de 2007), replicando os exemplos sangrentos já conhecidos dos EUA (Virginia Tech, em 2007, Columbine, em 1999, Texas, em 1991). O massacre, do qual resultaram 11 mortes, foi outra vez pré-anunciado na Internet, no You Tube, tendo a polícia chegado a questionar o autor do massacre na véspera sobre os propósito do video publicado na Internet, sem que o tivesse detido.

Não é de estranhar, porém, que este tipo de incidentes ocorram nos EUA e na Finlândia. Com efeitos, estes dois países ocupam os primeiros lugares no mundo no que diz respeito ao número de armas por habitante. Pode argumentar-se que o Canadá tem mais armas do que os EUA e que não existem registos de incidentes com armas. Pode ainda assinalar-se que é preciso não esquecer que a Finlândia é um país com grande tradição na caça. A meu ver, não pode deixar de se discutir não só a forma como é permitido o acesso às armas (controlando melhor a utilização de armas para fins lúdicos) como a forma como as crianças vão aprendendo a viver em ambientes belicosos.

Praxes académicas: o fim?


Aproveitando a deixa académica deixada pelo regressado Padre Amaro, não queria deixar de comentar uma das notícias do dia: Mariano Gago, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, fez circular uma carta intimidatória relativa às praxes académicas, dando conta de que "sempre que tenha notícia da prática de ilícitos nas praxes, dela dará imediato conhecimento ao Ministério Público" e que "lançará mão dos meios aptos a responsabilizar - civil e criminalmente, por acção ou omissão - os órgãos próprios das instituições do ensino superior, as associações de estudantes e ainda quaisquer outras entidades que, podendo e devendo fazê-lo, não tenham procedido de modo a procurar evitar os danos ocorridos".

Nada tenho a dizer contra esta iniciativa do Governo, porque também condeno praxes que possam constituir ilícitos civis, criminais ou disciplinares. Acontece que o tom da carta de Mariano Gago poderá assustar as instituições do ensino superior e provocar efeitos contrários não desejados como o que está a acontecer no Instituto Superior Técnico, onde o presidente daquela instituição, pura e simplesmente, baniu a realização de quaisquer praxes.

Acabo por concordar com o presidente da AE IST (que prestou declarações ao Público, ver aqui) ao considerar "precipitada" a decisão dos órgãos directivos do IST, uma vez que o Ministro apenas quis apelar à responsabilização individual e colectiva e à capacidade de prevenção de situações ilícitas.

Como todos sabem, nunca tive muito apego às chamadas "tradições académicas" que considero sinais demasiado conservadores e impróprios do universo académico lisboeta. Em todo o caso, não vejo como possam ser repudiadas iniciativas que visam a integração de novos estudantes? Não acontece o mesmo nas empresas, quando um novo colaborador/trabalhador é admitido? Ou mesmo noutras organizações? Não é importante solidificar o espírito de união dos estudantes? E, já agora, por que não olhar também para outras festividades académicas? Acima de tudo é preciso bom senso... é que, já se vê, passam as praxes a realizar-se fora das instalações universitárias para se conseguir obstar a qualquer intervenção de uma autoridade académica.

E qual é a vossa opinião sobre isto?

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Do guichet da secretaria ao Congresso Marxista


O funcionamento dos serviços administrativos da Faculdade é pior que péssimo, o estudante recem matriculado pede à funcionária de serviço que lhe indique o canal através do qual pode expor a sua insatisfação pelo serviço prestado. Perante a resistência desta, o estudante recorre ao seu inato charme intelectual para melhor persuadir a exaurida trabalhadora, confessa-lhe que o conteúdo da sua comunicação visa apenas sugerir novos procedimentos, nada de queixinhas, e que estes são na defesa dos não só dos melhores interesses dos utentes mas também dos "direitos adquiridos" dos zelosos funcionários. Nem assim, talvez por temor de um mais ortodoxo desabafo, certamente agravado pelo desespero de um dia de esperas, as palavras do estudante não colhem qualquer empatia do lado de lá do "guichet". Apenas uma única justificação pré-gravada e mecanicamente reproduzida, "a culpa disto é das ordens que nos são dadas pelos superiores responsáveis"! O estudante numa tentativa de retratação e na sua humilde, reconhece ignorar o nome desses "Srs. superiores responsáveis". É então que assoma um pingo/mix de generosidade e sarcasmo ao olhar agora sibilante da "inferior irresponsável". Aquele olhar do tipo: "prepara-te que vou brilhar!"
-"A culpa é do ministério vá lá falar com eles, ou então faça queixa à associação (estudantes)" diz sua sapiência burocrática.
Um pensamento do tipo:"Eh pá, que esperta que tu és, nunca tinha pensado nisso, sem a tua ajuda não chegava lá..." acompanhado por uma gigantesca cara de parvo, corresponde às melhores expectativas da "administrativa", o estudante/utente está a caminho da “5th Dimension”, dentro de momentos sentir-se-á como se estivesse numa lista de espera com 7 anos para um transplante urgente do coração. Não há nada a fazer, e o estudante é bem mandado, e um remate do género,"se fosse nas finanças esperava mais e não refilava…", afasta-o antes de existir real perigo de contagiado do brilhante expediente.
O estudante dirigisse então à associação de estudantes.
"- É aqui que facultam os nomes e endereços dos "superiores responsáveis?"
A estupefacção é total, "o colega" não sabe que "isto é mesmo assim"?!.
- "Ò colega ainda tiveste muita sorte, só um dia de espera?! Há quem tire uma senha de um dia para o outro ", ("o colega" ou é estúpido ou mal intencionado, mas ok se quer ter trabalho...).
-"A AE tem uma caixa de sugestões, podes deixar lá um papelinho, que para a semana à reunião de direcção"
O estudante não gosto da sua letra e indaga novamente o colega da AE:
-"Não têm uma morada de e-mail para a qual eu possa dar conhecimento das sugestões que vou remeter aos "superiores responsáveis"?
-"colega tens sitio onde apontar?” (porra, que o gajo é mesmo estúpido! Espera…, se calhar é trabalhador estudante... coitado, se calhar não pode beber, se calhar já nem fod... ok, vou fazer-lhe a vontade!) É a bondade o sentimento invasivo que impele colega superior responsável da AE a ajudar?

No dia seguinte o estudante faz o que havia dito que ia fazer (estranho...), dá conhecimento à AE do texto que havia remetido aos "superiores responsáveis" da faculdade e com isso, voluntaria mas acidentalmente, revela o seu endereço electrónico aos colegas “superiores responsáveis” da AE.
.
O texto que se segue é o 1º texto que o estudante recepciona na sua caixa de correio, provindo da sua AE, após os factos relatados…



"Congresso Marxista
Call for Papers até 20 de Setembro

Call for papers prolongado até 20 de Setembro
A Comissão Organizadora do Congresso Marxista a realizar em Lisboa a 14 e 15 de Novembro dedidiu prolongar o prazo para entrega de propostas de comunicação até ao próximo domingo, 20 de Setembro, tendo em conta alguns pedidos que foram apresentados. Até agora, a Comissão Organizadora recebeu cerca de cem propostas, devendo o programa definitivo do Congresso estar concluído até final de setembro. Como oradores convidados, estão confirmadas as presenças de John Kraniauskas e Paulo Virno...[...]



Call for papers extended until september, 20
The Call for Papers for the Marxist Congress to be held in Lisbon on November 14 and 15 has been extended until next sunday, September 20. Until now, about a hundred proposals have been received. John Kraniauskas and Paulo Virno will be among the keynote speakers of the congress....[...]"


Àmen,

Hoje é o Dia Europeu sem Carros

O final da Semana da Europeia da Mobilidade tem hoje o seu dia final e também aquele mais significativo: o Dia sem Carros. Hoje, a iniciativa já não tem o impacto que teve em 2000 quando as autarquias aderentes acabaram por estabelecer objectivos muito ambiciosos (lembro-me que em Lisboa tudo o que era para dentro da chamada 1.ª circular estava vedado ao trânsito, ou seja, toda a circulação dentro da coroa Olaias, Avenida João XXI, Avenida de Berna, Praça de Espanha, até Alcântara estava proibida ou limitada).

Este ano, o dia comemora-se mais timidamente (menos autarquias, menos iniciativas, menos ambição), o que significa que os objectivos de sensibilização do público, através de melhor e maior informação, e de debate sobre os problemas da mobilidade urbana, bem como a possibilidade de as autarquias e de o Governo poderem aproveitar para testar novos meios de transporte (este ano, seria muito interessante a promoção dos carros eléctricos) ou novas formas de gestão urbana (este ano, seria também interessante que o poder político pudesse explicar o que é que as autoridades metropolitanas de transportes de Lisboa e Porto, recém-criadas, podem fazer para melhorar a mobilidade urbana e, assim, aumentar a qualidade de vida) não poderão ser promovidos de forma tão eficaz.

domingo, 21 de setembro de 2008

TED: uma experiência de permanente aprendizagem

Queria falar-vos do TED, uma conferência anual sob o lema "Ideas worth spreading", aliás dezenas e dezenas de pequenas apresentações com o máximo de 20 minutos com as mentes mais brilhantes do nosso globo. Tudo isso está reunido num site (www.ted.com), muito semelhante ao You Tube, mas focado na partilha de pequenas e grandes ideias, nos mais variados domínios (tecnologia, cultura, ciência, economia, gestão, arte, entretenimento, ambiente, etc, etc, etc).

O TED é um exemplo a juntar a tantas outras experiências que mostram como a Internet e as redes globais estão a mudar o nosso mundo. Nos dias que correm, a partilha de ideias e de conhecimentos passou a ser o motor da inovação e da creatividade.

Para mim, o TED, para além de ser uma experiência de permanente aprendizagem, passou a ser o meu novo vício diário, que, posso garantir-vos, não é nada enTEDiante.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

A propósito de mobilidade

Para os mais distraídos, estamos em plena semana europeia de mobilidade. Uma série de iniciativas estão a ser promovidas, para no futuro conseguirmos ter cidades mais sustentáveis, garantindo a mobilidade dos cidadãos e mercadorias. As causas para o actual estado da arte, são inúmeras. Vão desde o congelamento das rendas, no tempo do estado novo, e reforçado no pós-25 de Abril, passando pelo planeamento da própria cidade, a falta de uma estratégia bem definida, até à pouca racionalidade e eficiência com que são utilizados os recursos. Logo há de facto um longo caminho a percorrer, e uma série de comportamentos a alterar. Alguns deles estão a ser postos em causa, não porque as pessoas ganharam consciência disso, e de livre vontade alteram o que está mal. Mas sim porque a conjuntura macroeconómica assim o obriga. Afinal as crises também têm aspectos positivos, e alavancam a certas mudanças necessárias que de outra forma não ocorreriam.

Eu, pessoa cada vez mais atenta e interessada nestas matérias, e por acreditar naquela célebre frase de Peter Drucker – “a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo…”, fui a uma conferência intitulada – Tecnologia Automóvel e os Desafios Energéticos: que Soluções para o Futuro? Teve como orador o Prof. Tiago Farias (DTEA-IST), e foi promovido pela Lisboa E-Nova – agência municipal de energia e ambiente.

Valeu a pena, claro que sim. Mas tenho para mim que isto da acessibilidade e formas de a fazer, onde se insere a mobilidade, ainda é um diamante em bruto. Ainda estamos na fase de investigação e experimentalismo… Aliás, atrevo-me a dizer que as soluções, e a forma como se vibra com a sua possível aplicação, estão ainda confinadas a estes pequenos auditórios. Onde por sinal só cerca de uma dúzia de pessoas (os “idiotas” da coisa e seus seguidores) vibram com estas soluções. E, temo que vibrem mas com a sua aplicação nos outros, pois eles têm estatuto para andar sempre de carro.

Resumindo, há muito trabalho a fazer. Têm sido dados pequenos passos, mas na generalidade, é tudo marketing… Carsharing da Carris, depois de ver o programa oficial completo, nem vê-lo. É pena… e mais uma vez era marketing.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Não sabemos mais que um miúdo de 10 Anos...!


Faz-me confusão toda esta instabilidade e incerteza que se vive no mundo ocidental nos dias de hoje. São, desde há cerca de um ano a esta parte, inúmeras as fatalidades e adversidades que têm acontecido em vectores fulcrais da economia mundial. Vão desde o imobiliário à energia passando pelo sector financeiro (mercado de capitais, banca e seguros).

Quando começamos a discutir as causas e soluções dos problemas que afectam os pilares da nossa sociedade, e que de certa forma já começam a beliscar a confiança das pessoas no próprio sistema, existem diversos pontos que são unânimes. Todos nós já percebemos o que está mal, os comportamentos que provavelmente teremos de mudar. Aliás, até se atribui muitas das culpas à especulação, e por vezes a uma certa usura descontrolada. Relembro que no passado longínquo era proibido a usura. Hoje temos as "Cofidis" a emprestar dinheiro a 28% ao ano. Depois dá asneira, as pessoas não têm capacidade para servir a dívida, as empresas financeiras entram em dificuldades de liquidez, os bancos centrais, e o estado por vezes intervêm. Recorremos à máxima sempre conveniente – lucros privados, prejuízos públicos…

Durante os últimos trinta anos viveu-se, de uma forma geral, com a sensação virtual, de que o mundo é linear. Ou seja, todos os anos as pessoas viviam melhor que no ano anterior, as empresas cresciam nos seus lucros constantemente, o PIB dos países crescia, ainda que às vezes de forma moderada, sendo o céu o limite… Ora isto não só não é verdade, como é insustentável, por muito que gostássemos, e que contrariemos legitimamente esta tendência.

Mas para variar ninguém ligou, as pessoas, empresas e estados sabia que isto não era eterno, mas pensaram, que não era para ligar nem para tomar medidas. Antes pelo contrário gastaram, e consumiram como se não houvesse amanhã. Portámo-nos na maioria como se fossemos um miúdo de dez anos, que além de ter o conhecimento limitado, não tem maturidade, nem experiência de vida. Logo tem desculpa para cometer certos erros. Nós, os adultos que tomamos as decisões que por vezes comprometem as gerações dos dito miúdos, Não!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Manuel Pinho em alta

Ontem à noite, o Ministro da Economia Manuel Pinho foi à SIC Notícias para uma entrevista, que lhe correu globalmente bem.
Obviamente que a política energética do Governo foi analisada e aqui Manuel Pinho está como peixe na água. Mantém o tónico na importância das renováveis (sol, água e vento), está disposto a proteger os consumidores de aumentos abruptos do preço da electricidade (e, por isso, defende mecanismos correctivos que garantam a estabilidade tarifária, ainda que possam provocar défices tarifários) e acredita que o mercado português, uma vez libertado dos constrangimentos do passado e concretizados os investimentos em curso (reforço das eólicas e barragens) estará em condições de garantir maior concorrencialidade.
Foi também analisada a política de investimento do Governo, tendo sido analisados os macroinvestimentos em Sines, porto de águas profundas:
- reforço da capacidade da refinaria da Galp
- 2 novas petroquímicas (Repsol e La Seda)
- criação um cluster empresarial na nafta (para produção de plásticos, etc.)
- nova fábrica da Air Liquide para produção de gases raros
- construção da central de ciclo combinado.
Paralelamente, o Estado também investirá (construção de uma plataforma logística, melhoria das infraestrutura rodo e ferroviárias), sabendo corresponde às expectativas do investimento privado. O "velho sonho" de Sines pode mesmo renascer?
Julgo que Manuel Pinho neste momento, apesar da conjuntura negativa, atravessa um bom momento, tendo deixado para trás as "gaffes" e trapalhadas iniciais (2005-2006).
De facto, quando se governa bem, a probabilidade de se ser recompensado é maior.
Manuel Pinho terminou a entrevista criticando Manuela Ferreira Leite, a quem acusa de estar remetida às críticas abstractas e aos silêncios, quando os Portugueses pedem acção.

O lado negro da WWF


Todos os senhores acima já não estão vivos, faleceram alguns deles muito antes dos 40 anos.
Lembro-me na minha infância de ver na TV os “combates” de wrestling e de recordar algumas destas personagens. Um desporto, ou melhor, um espectáculo demasiado estúpido, mas que não é exclusivo dos EUA (também é muito popular no México).
O que é certo é que o abuso de esteróides, de analgésicos para aliviar as dores resultantes dos golpes que, apesar de simulados, não deixavam de provocar as suas dores, ou de drogas, bem como o treino físico extremo, só podiam ter este resultado: morte por ataque cardíaco ou outro tipo de complicações, por overdose de drogas e fármacos, suicídio, etc.
Live fast, die young, é o que se costuma dizer. Ainda sobrevivem alguns mais conhecidos como Hulk Hogan e Ultimate Warrior, o primeiro com um programa de televisão na MTC, o outro dá palestras sobre temas conservadores.

Maratona de curtas-metragens em Braga

Marquem nas vossas agendas: Festival Fast Forward Portugal nos dias 17 e 18 de Outubro em Braga.

O Festival Fast Forward Portugal é um festival de curtas metragens - já na sua 3.ª edição - em que os concorrentes são convidados a realizar um filme em menos de 24 horas. O filme em formato digital deverá ter até três minutos e respeitar o tema entregue no início do Festival a cada equipa. Partindo do tema, cabe às equipas escrever, filmar e editar o trabalho final até ao dia seguinte. Como diz a organização, "uma simples câmara de vídeo digital, um computador e software de edição de áudio e vídeo podem ser suficientes para um bom trabalho". A exibição dos filmes das várias equipas e a escolha dos vencedores será feita nessa mesma noite, este ano no Theatro Circo.

Muad'Dib não alinhas? Tu que já não és um estreante em curtas-metragens e que até já apareceste num festival de filmes de terror?

AIG também nacionalizado!

A noite já vai longa mas acabo de saber pelos jornais americanos na Internet que foi tomada mais uma decisão muito pouco própria do capitalismo financeiro americano. Duas semanas depois de o governo americano ter tomado conta das empresas de crédito hipotecário Fannie Mae e Freddie Mac, a Reserva Federal toma conta da AIG sob a ameaça de uma reacção em cadeia no sistema financeiro dada a importância da AIG a nível mundial.

Os contornos da engenharia financeira são os seguintes:
a) A Reserva Federal empresta 85.000 milhões de dólares à AIG, numa linha de crédito durante 2 anos, a uma taxa de 11,3% (Libor 3 meses + 8,5%);
b) Em contrapartida, ficam parqueadas na posse do governo federal, as acções respeitantes a 79,9% do capital social da AIG;
c) A AIG tentará vendar os activos que sejam necessários para pagar o empréstimo;
d) O governo federal poderá vetar o pagamento de dividendos aos accionistas.

Parece simples, não? Mas não acham que isto que é pôr os contribuintes (já que estamos a falar de dinheiros públicos) a avalizar a má gestão e os maus e arriscados investimentos "casineiros" da AIG? É que, sobretudo, existe um enorme problema de transparência destas empresas que leva a que esta decisão esteja sujeita a um risco também ele elevado. Será que se conseguirá afastar a incerteza do sistema financeiro mundial e recuperar a confiança dos agentes económicos?

A única vantagem disto tudo é que o debate da eleição presidencial no EUA pode centrar-se na economia e na melhor regulação do sistema financeiro americano, temas mais vantajosos para Obama, e evitar-se o isco lançado por McCain - a senhora Palin - para orientar o debate para questões morais, religiosas ou culturais.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Omissão do supervisor nacional de seguros

Os noticiários na televisão acabam por dar mais informação sobre a crise no AIG do que a própria autoridade nacional de supervisão do sistema de seguros e fundos de pensões - o Instituto de Seguros de Portugal - o que, a meu ver, é lamentável. Não há no sítio na Internet do Instituto de Seguros de Portugal qualquer comunicado ou esclarecimento aos consumidores de seguros e fundos de pensões nacionais.
Ainda assim, relata a RTP, o Instituto de Seguros de Portugal em nota à comunicação social veio dizer que "a exposição das companhias de seguros e fundos de pensões nacionais é reduzida" e que "a falência da AIG vai ter pouco impacto em Portugal".
Não estou muito preocupado com as seguradoras nacionais. Acho que deveríamos dar mais atenção aos tomadores de seguros e subscritores de fundos de pensões e de planos de poupança que, por exemplo, foram hoje resgatar as respectivas apólices nas instalações da AIG na Avenida da Liberdade, em Lisboa.
Relata a RTP que a AIG, que opera em Portugal através das suas filiais holandesa e francesa, tem 40.000 apólices activas em 10 cidades portuguesas. Não há, pois, maneira de isto não nos afectar a todos…

Tempos difíceis


Não, não vou falar do nosso CR7, nem saber se ele merece ganhar o troféu de melhor jogador do mundo. Olhem bem para o patrocinador na camisola do Manchester United: "AIG".

Ao que parece, a American Internacional Group (AIG), a maior seguradora americana, tem um dia (sim, 24 horas) para entre 75 mil e 80 mil milhões de dólares e evitar a falência, seguindo as pisadas do banco Lehman Brothers. Isto são quantas vezes o PIB de Portugal? O caso da AIG parece ser mais grave porque podem estar envolvidos fundos de pensões e outros produtos de capitalização de poupanças, bem como um montante incalculável de contratos cujo cumprimento é garantido pela AIG.

Ou se faz uma colecta rápida no metro de Nova Iorque (o que daria 1.000 dólares por cada um dos 8 milhões de habitantes da cidade de Nova Iorque) ou então tem de aparecer a Reserva Federal a providenciar essa verba, injectando esses tostões no sistema para que outros bancos possam ter liquidez e auxiliar a AIG. Despachem-se... porque só têm 24 horas.

O problema disto tudo é quem paga os riscos sistémicos provocados por esta crise financeira? No final, seremos todos nós que teremos de arcar com isto, seja nos juros, em especial os do crédito à habitação, seja nas comissões bancárias. Eu é que precisava de uma injecção de capital na minha conta bancária.



No outro dia no Bairro Alto não pude deixar de reparar num flyer que anuncia o seguinte :
"As primeiras agentes imobiliárias em Portugal para a comunidade LGBT".

De início não percebi bem de que se tratava. Afinal de contas, que tipo de necessidades diferentes terá a comunidade LGBT? Haverá apartamentos próprios para Lésbicas? ou Moradias para Gays? Será que se podem encontrar lofts para Bissexuais? Ou, eventualmente, um sótão para Transsexuais?

Tenho sérias dúvidas sobre quais serão as especificidades desta agência imobiliária, mas para uma comunidade que pretende direitos iguais e não ser discriminada, este não é um bom caminho.

Será que para usufruir dos serviços da Agência tenho q provar que me incluo numa das quatro categorias?

Tirem as dúvidas aqui: http://remaxlgbt.blogspot.com/

Consumidores e interesse público vs. interesses corporativos

Num relatório sobre o sector dos serviços profissionais e dos associações profissionais (disponível aqui), a autoridade de concorrência vem chamar a atenção para um conjunto de problemas de concorrência detectados neste tipo de serviços.

Que serviços são estes? Médicos, enfermeiros, dentistas, veterinários, farmacêuticos, arquitectura, advogados, notários, solicitadores, economistas, técnicos e revisores oficiais de contas, biólogos, engenheiros, entre muitos outros.

Que problemas são estes? São velhos conhecidos:
(i) Restrição no acesso ao exercício de uma determinada profissão;
(ii) A regra cada vez mais geral e não excepcional que faz depender o exercício de uma profissão de um determinado grau académico;
(iii) O problema da exigência de inscrição obrigatória numa ordem ou associação profissional para poder exercer uma profissão;
(iv) A pré-fixação de tabelas de honorários mínimos;
(v) A existência de regras internas nos estatutos ou código deontólogicos e de práticas dirigidas não aos interesses dos consumidores ou à garantia do interesse público mas única e exclusivamente aos interesses corporativos; ou ainda
(vi) Os limites à publicidade.

O relatório tem ainda em atenção a reforma estrutural verificada no ensino superior em consequência do Processo de Bolonha, bem como duas importantes directivas que aguardam transposição: a famosa Directiva Bolkestein ou Directiva Serviços e a directiva relativa ao reconhecimento das qualificações e graus académicos.

O contraste entre Portugal e Espanha é mais do que evidente.

Enquanto em Espanha se está a elaborar um novo enquadramento dos serviços profissionais, num quadro de grande debate nacional (daí a apresentação pela autoridade de concorrência espanhola do relatório atrás referido), já em Portugal - e sem qualquer discussão pública - foi aprovada uma lei ainda mais corporativa do que o "status quo": o chamado "Regime das Associações Públicas Profissionais" (Lei n.º 6/2008, de 13 de Fevereiro) que tem a esperteza saloia - não pode ter outro nome - de apenas ser obrigatório para as associações que venham a constituir-se após a sua entrada em vigor e nem sequer prever qualquer exigência de adaptação às já existentes, ainda que durante um período de transição.

Houve quem argumentasse que com este diploma, com regras aparentemente mais rígidas sobre a criação, a organização e funcionamento das associações públicas profissionais, se daria uma resposta efectiva à pressão sobre o Estado para a criação de novas associações públicas profissionaisl. Esta seria uma espécie de "lei travão" nesta matéria. Acontece que já na senda deste diploma foi criada mais uma nova ordem: a Ordem dos Psicólogos (de que já falei aqui há uns tempos). Gostaria de ver o estudo independente, que o "Regime das Associações Públicas Profissionais" passou a exigir, sobre a necessidade da Ordem dos Psicólogos em termos de realização do interesse público e sobre o impacto sobre a regulação da profissão de psicólogo.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Alessandro Zanardi

Este piloto italiano, hoje com 42 anos, estreou-se na Fórmula 1, com 25 anos. Disputou entre 1991 e 1999, cinco temporadas na categoria máxima do automobilismo, passando pela Jordan, Lotus e Williams, tendo chegado a vencer uma corrida. Ganhou ainda dois campeonatos CART (1997 e 1998) em quatro temporadas. Desde o final da temporada de 2003 que compete no campeonato de WTCC (World Touring Car Champion) onde, até ao momento, obteve uma vitória.

Por que é que falo hoje de Alessandro Zanardi? Primeiro, porque faz hoje 7 anos (15 de Setembro de 2001) que no "American Memorial on the Europeedway", no autódromo de Lausitziring (Germany), ele sofreu um acidente que teve como consequência a perda das suas duas pernas, depois de várias paragens cardíacas. Segundo, porque Alex Zanardi, além de ter voltado às pistas após o acidente, tem mantido uma actividade desportiva ímpar... ainda no ano passado disputou a maratona de Nova Iorque em "hand bike" na qual terminou em 4.º lugar e está presente nos Jogos ParaOlímpicos de Pequim'2008. Alex Zanardi, um exemplo de coragem...

Mais um ao fundo

Mais uma estocada no sistema financeiro americano. O Lehman Brothers, quarto maior banco de investimento dos EUA, pediu hoje que fosse iniciado o processo de insolvência desta instituição centenária. Depois do Fannie Mae e do Freddie Mac terem ido ao fundo (ainda assim receberam uma mãozinha divina e foram nacionalizados, pasme-se, pelo Governo federal), chegou a altura da banca de investimento começar a sentir os efeitos da crise financeira mundial.

E ao que dizem os analistas, os restultados que outros bancos de investimento bem conhecidos - Morgan Stanley e Goldman Sachs - vão apresentar também não são famosos... Fruto da notícia de hoje, os mercados financeiros mundiais estão todos em queda abrupta.

Queria, no entanto, mostrar um outro lado sobre o Lehman Brothers:

Primeiro, e esta informação consta do site oficial do banco, o Lehman Brothers teve este registo em 2007, que vou citar:

"- Lehman Brothers ranks #1 "Most Admired Securities Firm" by Fortune.
- Achieves record net revenues, net income and earnings per common share (diluted) for the fourth consecutive year based on record results in all three business segments.
- Acts as financial advisor on largest-ever M&A transaction in financial institutions sector: $98 billion acquisition of ABN AMRO by a consortium of the Royal Bank of Scotland, Santander and Fortis.
- #1 dealer on the London Stock Exchange by annual trading volume for the third year in a row."

Segundo, e fruto daquilo que era (aparentemente) a situação financeira do banco, o CEO Richard Fuld recebeu, relativamente aos anos de 2006-2007, um pacote de prémios no valor de 40 milhões de dólares e ainda dizia "Do we have some stuff on the books that would be tough to get rid of? Yes. Is it going to kill us? Of course not". Agora, talvez, seja altura de engolir em seco estas palavras.

domingo, 14 de setembro de 2008

Da democracia na América (II)


Não é só em Portugal que se fala do alheamento dos jovens e dos cidadãos em geral da política e como isso se traduz tanto no imenso número de jovens que não fazem o respectivo recenseamento eleitoral como nas elevadas taxas de abstenção. Ainda na semana passada, em Castelo de Vide, no encerramento da Universidade de Verão do PSD, Manuela Ferreira Leite nos falou disso.

Em véspera de eleição presidencial, surge nos EUA uma campanha dirigida aos jovens que não se encontram recenseados e que, por isso, não podem sequer votar. Acontece que me parece que um dos cartazes desta louvável campanha vai um bocado longe e pode gerar outras interpretações.
Não acham que a actriz Jessica Alba dá ideia de misturar mensagens de apelo ao recenseamento e à participação eleitoral com jogos sado-masoquistas ou de "bondage"?

sábado, 13 de setembro de 2008

Então e "ramona"?

Prometo que não vos chateio mais. Mas, finalmente, o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa tem algo a ensinar-nos!

«[Pergunta] Sou professora de português na Sorbonne e tenho a meu cargo uma cadeira de tradução. Para traduzir a expressão francesa "panier à salade", termo da gíria para designar o "fourgon celulaire", um amigo propôs-me a palavra "ramona" como tendo valor idêntico. Encontrei-a, com efeito, num dicionário do calão. Será que ainda se usa actualmente? Ou haverá outro termo? Desde já muito obrigada.
Delfina Bottin :: :: França
[Resposta] Ramona é o termo genérico que conheço para designar, em calão, o veículo de transporte de presos, ou seja, o carro celular. É um termo actual, embora menos usado por camadas mais jovens. Também existe a expressão carro da bófia, para designar o carro da polícia e que, por extensão, se poderá aplicar ao carro celular.
Maria João Matos :: 25/02/2003»

Ou seja, "olha a ramona" = "olha o carro da polícia".

E, já agora, qual é a origem de "bófia"?

Boa pergunta...
Pois adivinhem o que nos diz outra vez Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.

[Pergunta] Qual a origem da palavra bófia e por que razão significa polícia?
Fernando Manuel Santos :: :: Portugal
[Resposta] Bófia é de origem obscura, sabendo-se apenas que é palavra que surgiu do mundo do crime, estando hoje generalizada nos meios urbanos e, sobretudo, entre os jovens, em Portugal. (Vide Novo Dicionário de Calão, de Afonso Praça, Notícias Editorial, Lisboa)

Mau... também de "origem obscura"??? Origem obscura, 2 - Curiosidade linguística, 0

Enigmas da humanidade lusitana

Alguém me sabe explicar por que raio os/as tradutores/as de filmes e séries de televisão quando querem traduzir "cop" ou "cops" para português usam o termo "chui" ou "chuis"?? Que raio de livro de estilo seguem eles, já que hoje ao jantar perguntei se alguém usava esta formulação... e não só ninguém usa, como ninguém sabe donde é que ela poderá ter vindo.

O sempre útil Ciberdúvidas da Línguas Portuguesa explica-nos alguma coisa:

«[Pergunta] Sabe-se alguma coisa sobre a origem da palavra chui, significando «agente de polícia»?
Obrigada. Carolina Martins Ferreira :: Jurista :: Lisboa, Portugal
[Resposta] A palavra chui é «de origem obscura». O Dicionário da Língua Portuguesa 2008, da Porto Editora, diz que é termo coloquial, portanto «informal, familiar». Por sua vez, o Dicionário Eletrônico Houaiss também diz que chui é «de origem obscura», tratando-se de um regionalismo de uso informal em Portugal, Angola e Moçambique. Acrescenta ainda que é de uso «ger[almente] pejorativo».
C. M. :: 23/06/2008»

A resposta é recente... estranho que nunca ninguém colocado esta questão ao Ciberdúvidas... Nem o Houaiss nos salva! Diz-nos que "chui é de origem obscura". Vá-se lá saber o que é que isto quer dizer.

Mantém-se, pois, este enigma da humanidade lusitana.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Estão-se a pôr a jeito...

No final do mês de Julho, Cavaco veio explicar ao País - com algum excesso de tecnicalidade e pecando na forma de o fazer - que existiam disposições no Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores que punham em causa seriamente o estatuto constitucional do Presidente da República. Isto depois de o Tribunal Constitucional já ter declarado a inconstitucionalidade de um conjunto de disposições do Estatuto, obrigando o Presidente da República a devolver o diploma ao Parlamento para serem expurgadas as inconstitucionalidades.

Hoje, numa entrevista ao Público (por sinal, uma boa entrevista), Cavaco vem alertar que, se a Assembleia da República não acolher ou der resposta às dúvidas suscitadas, poderá utilizar o poder de veto político ou recorrer à fiscalização sucessiva da constitucionalidade.

Tenho de dar razão a Cavaco: não só o Estatuto não foi discutido com a amplitude devida e não só os dirigentes partidários, em especial o PS e o PSD (por razões que todos sabemos) têm insistido em fazer orelhas moucas da necessidade de discutir com os Portugueses as questões e o impacto do alargamento da autonomia regional como, sublinhe-se, efectivamente o Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores afronta seriamente a Constituição e a soberania e unidade do Estado.

Espero que a entrevista de hoje seja um sinal e que se evite uma querela político-institucional desnecessária (muito mais preocupante do que a querela inventada pela comunicação social a propósito dos comentários do Ministro da Administração Interna).

Mais um foco de criminalidade violenta

Relata o Expresso Online: jovens detidas com dinheiro e jóias escondidos nos genitais:

«Duas jovens que foram detidas em Lisboa pela Polícia escondiam, na vagina, 1.500 euros e artigos de ouro e prata, revelou hoje o Comando da Polícia de Segurança Pública de Lisboa.
A detenção aconteceu quando a PSP mandou parar uma viatura em que seguiam duas jovens de 16 e 19 anos. Não só a ordem não foi acatada, como se verificou uma tentativa de atropelamento do agente de autoridade. Após perseguição policial, foram detidas e encaminhadas para a esquadra, onde foram revistadas. Foi então que se constatou que as jovens tinham nas áreas genitais, embrulhados em plástico, vários artigos em ouro e prata, para além de 1.500 euros.
A PSP suspeita que os artigos recuperados tenham proveniência criminosa. Presentes a tribunal, o juiz determinou que as duas jovens se apresentem periodicamente na esquadra.»

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Outra vez os hospitais

Alguém me pode dizer se faz sentido a Caixa Geral de Depósitos, banco integralmente detido pelo Estado, ser proprietária do Hospital dos Lusíadas, aberto em Maio deste ano?

Faz sentido um banco público canalizar recursos para um hospital privado, concorrente dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (por exemplo, o Hospital de Santa Maria, hoje já gerido de forma empresarial) mas sobretudo concorrente de outros hospitais do sector privado (por exemplo, o Hospital da Luz)?

A CGD (o Estado) constrói e explora hospitais porque tem de concorrer com outros estabelecimentos hospitalares? É essa a sua missão?

Diga-se que a sociedade HPP - Hospitais Privados de Portugal, SGPS, S. A., detida pela CGD, tem mais 6 hospitais privados em todo o País e também já venceu o concurso relativo à Parceria Público-Privada relativa ao novo Hospital de Cascais.

Fica aqui a reflexão... talvez não esteja a ver o lado certo desta questão. Mas também está anunciado - à semelhança do Hospital da Luz de que já aqui falei - um acordo com a ADSE para a prestação de serviços aos funcionários públicos.

"You can put lipstick on a pig, but it's still a pig"

Depois do El Cid ter aqui iniciado o tema suíno, não resisto a contar um episódio da campanha presidencial americana que também envolve sabedoria popular associado a este animal tão importante nas nossas vids.

Relata a imprensa americana que Barack Obama disse num comício recente no estado da Virginia a frase que dá título a este post, "You can put lipstick on a pig, but it's still a pig". E logo caiu-lhe em cima todo o estado-maior da campanha de McCain, alegando que Obama estaria, no fundo, a fazer uma metáfora pejorativa sobre a candidata republicana a vice-presidente, já nossa conhecida, Sarah Palin... no fundo, estaria a chamá-la de "porca".

Rapidamente o porta-voz da campanha de Obama veio refutar a acusação, dizendo que aquela expressão não é mais do que um provérbio mais velho do que os avós dos nossos avós e que o provérbio apenas pretende sugerir que uma coisa, por mais mascarada e alindada que seja, não deixa de ser uma coisa, não muda a sua essência...mesmo que pintada com batôn.

Não sei se esta resposta convenceu McCain e o seu staff. Sei que estes animais andam a ser vítimas de um assassinato mediático que fere a sua credibilidade.

A propósito, Obama, no discurso em que disse que "You can put lipstick on a pig, but it's still a pig"... ainda acrescentou "You can wrap an old fish in a piece of paper called change. It's still gonna stink" e "We've had enough of the same old thing", o que mostra que, afinal, ele sabia o que queria dizer...

Uma coisa é certa: os porcos já devem estar fartos destas pérolas.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Da democracia na América

Meus amigos, faltam menos de 2 meses para a eleição do novo presidente dos EUA (a data concreta é 4 de Novembro, 3.ª feira), pelo que recomendo um acompanhamento mais atento destes três blogues nacionais:
  • Margens de erro - de Pedro Magalhães, politólogo do Instituto de Ciências Sociais

  • O valor das ideias - de Carlos Santos, professor de econometria da Faculdade de Economia da Universidade do Porto

  • Eleições americanas de 2008 - de Nuno Gouveia, mestrando em Ciências da Comunicação na Universidade Fernando Pessoa

Todos eles trazem notícias recentes, sondagens, "gossip", "fait-divers" e outros dados sobre esta eleição presidencial. Em breve, colocarei aqui links para jornais e blogues americanos que também merecem ser acompanhados.

Tudo o que sobe desce; tudo o que entra sai; tudo o que abre fecha


Rússia admite apontar mísseis contra escudo na Europa

Os locais na Polónia e na República Checa onde vão ser instalados elementos do escudo anti-missil norte-americano poderão tornar-se alvos de mísseis intercontinentais russos, declarou hoje o chefe das Forças estratégicas russas, citado pela Interfax e a Itar-Tass.
"Não posso excluir (...) que sejam escolhidos para alvo para uma parte dos nossos mísseis intercontinentais os locais do escudo anti-míssil na Polónia e na República Checa e outros potenciais locais similares", declarou o general Nikolai Solovtsov.
Estas declarações de Solovtsov surgem um dia antes da visita do chefe da diplomacia russa à Polónia, país que decidiu aceitar a instalação dos mísseis interceptores norte-americanos.
A Polónia e os Estados Unidos chegaram a um acordo no último mês que prevê instalar até 2012 dez mísseis norte-americanos em território polaco.
In Jornal de Notícias, 2008-09-10

Como tudo o que sobe, desce; tudo o que entra sai; também tudo o que abre fecha. O que outrora fora conseguido (pelo menos em teoria), 1) quanto à livre circulação de pessoas, bens e serviços 2)na organização mundial do comércio, por todos conhecida por globalização, hoje em dia começa a suscitar dúvidas. Li há poucos meses, num discurso do presidente da Cemex – empresa cimenteira do México com implementação internacional, que o processo de globalização para ter sucesso tinha de ser inclusivo, e não exclusivo. Para mim, estas palavras além de sábias, são exactamente o ponto crítico de todo o processo, pois as empresas multinacionais com posturas demasiado sustentadas no curto prazo e nos resultados imediatos têm a tendência para ignorar estas palavras. O que interessa é explorar/defender recursos, sejam eles quais forem, e a “preço”(alto ou baixo depende de que lado se está).

É claro que o que episódios como o que está retratado no artigo são grãos de areia postos numa engrenagem, que já de si era de difícil funcionamento. Aguardamos cenas dos próximos episódios, que ao contrário da novela do Tio Franco, temo que esta seja uma daquelas super produções de Hollywood, com muitos efeitos especiais à mistura…

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Anjo Selvagem by NBP

Bem ao estilo de qualquer grande produçao da NBP, intriga, suspeitas, fugas, vinganças, amores, chantagem, a novela Felgueiras segue a seu bom ritmo: " O Procurador da República Pinto Bronze pediu hoje a absolvição de Fátima Felgueiras [...] O magistrado preconizou a condenação da autarca e principal arguida do processo do "Saco Azul de Felgueiras" pela [...].O mesmo magistrado tomou uma decisão que causou alguma surpresa ao sugerir ao colectivo a condenação do empresário Joaquim Freitas e do licenciado Horácio Costa, que foram as pedras base da investigação de que a autarca foi alvo e das alegações feitas hoje e ontem por Pinto Bronze.O Procurador, recorde-se, assentou nas revelações feitas por Horácio Costa e Joaquim Freitas o essencial das suas alegações. Em várias ocasiões chegou a enaltecer a credibilidade do antigo braço direito de Fátima Felgueiras em contra-ponto com a desvalorização dos depoimentos dos restantes co-arguidos. Hoje, porém, preconizou a condenação do Horácio Costa e de Joaquim Freitas por cumplicidade em dois crimes de participação económica e negócio. Horácio Costa, segundo o que disse Pinto Bronze, “admitiu que foi interveniente na lavagem de dinheiro através da transferência de 4700 contos (cerca de 23.500 euros) dados pela RESINE e usados na compra do Audi A4 para Fátima Felgueiras”. Não temos qualquer tipo de dúvida que Horácio Costa faltou à verdade, não assumindo as suas responsabilidades”, afirmou o Procurador da República." sito in Publico.pt

Penso que nem a famosa novela "Anjo Selvagem" teve tantos episodios e cenas épicas.

Na realidade nao sei se enaltecer a grande capacidade do Procurador em reconhecer o seu erro (se o existe), se gritar de raiva do estado da justiça.

Pigs in muck


“Exciting countries get exciting acronyms, at least in financial circles. Fast-growing Brazil, Russia, India and China, for example, are called Brics, the very initials implying solid growth. Other countries are less fortunate. Take Portugal, Italy, Greece and Spain, sometimes described as the Pigs. It is a pejorative moniker but one with much truth.
Eight years ago, Pigs really did fly. Their economies soared after joining the eurozone. Interest rates fell to historical lows - and were often negative in real terms. A credit boom followed, just as night follows day. Wages rose, debt levels ballooned, as did house prices and consumption. Now the Pigs are falling back to earth.”
Excerto de artigo publicado a 1 de Setembro 2008, Financial Times

Existe uma expressão comummente utilizada, pelo menos nalgumas regiões do nosso Portugal, que é qualquer coisa deste género – “aquele (sujeito(a)) tem a mania que os porcos nadam”, ou esta menos comum “… de que os porcos voam”. Pelos vistos a segunda versão do dito jargão popular é uma adaptação, ou vice-versa de uma expressão utilizada pelos países anglo-saxónicos.

O autor do artigo (que ainda não consegui, nem me dei ao trabalho de identificar) quis dizer que os países do sul da Europa (no gráfico), aquando da adesão à união europeia, sofreram positivamente dos efeitos da entrada na união, apresentaram níveis de crescimento económico consideráveis, começando a convergir com os países do pelotão da frente. Mas que afinal era tudo fogo-de-vista, pois o crescimento não foi crescimento sustentado nem estrutural, mas sim conjuntural. Ou seja, os porcos que outrora voaram, hoje em dia voltaram à lama.

Ontem já foram confrontar o Ministro Pinho com estas afirmações, e qual a sua opinião. Convenhamos que há verdades inconvenientes, e realidades que são duras. È claro que mesmo sendo verdade o que está implícito no artigo do Financial Times existem maneiras menos ofensivas de o dizer, mesmo sem inibir o direito de opinião do colunista, mas se calhar ninguém ligaria ao artigo, ou pelo menos não se daria a importância agora dada… É caso para dizer que estamos a dar pérolas a porcos! (onde o porco aqui é o senhor que escreveu as ditas palavras)

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Ai Portugal, Portugal… (Um desafio)

Queria deixar um desafio aos meus companheirosde Blog e “qui ça” aos nossos leitores: “Que podemos fazer para promover o nosso Portugal?”
Como sabem vivo em Espanha à 2 anos, e já muito ouvi dizer de Portugal, sobretudo ouvi palavras de ignorancia, que revelam um desconhecimento profundo do nosso país, para muitos Portugal é o país das “sabanas e toallas baratas”.
Este ano recomendei e fiz 5 roteiros de visita a Portugal, um total de 14 espanhois que consegui com alguma facilidade deslumbrar.
Comentários desde as gentes bastante amáveis, simpáticas e prestáveis, ao excelente vinho , à variada e moderna gastronomia, aos doces “riquisimos”, aos locais “inolvidables”, às vistas, às paisagens, ao Pôr do Sol (en una terraza con una mini), à limpeza dos espaços, à rede viaria (nova e de alta qualidade), à qualidade dos transportes (comboios que funcionan). Um exagero, diram alguns, mas a verdade é que quando viajamos por esse mundo fora, percebemos que o nosso bairro nao é o pior do mundo, talvez possa até ser um dos melhores.
A verdade é que estas pessoas revelaram um grau de surpresa que a mim por um lado me orgulha e por outro me intristesse. Este grau de satisfaçao é revelador de uma baixa expectativa e de um conhecimento muito reduzido e muitas vezes erróneo.
Aqui em Espanha, vejo diáriamente na TV anuncios dos paises da “nova europa” com paisagens, com experiencias que despertam curiosidade e desejo. Algo, apenas recordo de ter visto de Portugal.
Vendemos o Figo , O Ronaldo, O Mourinho, e o vinho do Porto, porque nao vender a Alheira, o Vinho Alentejano, O Bacalhau, O Cozido, O Leitao, Aveiro, Cascais, Foz Do Arelho, ou “qui ça” vender mesmo Portugal... tantas outras coisas, ou porque nao por estes Senhores a vender Portugal, porque usava o Figo um boné da Nike e nao um boné de Portugal.
Amigos o desafio está lançado, espero ler muitos comentarios... um mote português antigo diz “O Povo Unido jamais será vencido”, mas como a Uniao é hoje cada vez mais dificil, corrijo com o ditado popular “grao a grao enche a galinha o papo”... ou como diria Ana Carolina “Sabemos como foi o ínicio, mas podemos mudar o final”

TENHAM MEDO... TENHAM MUITO MEDO!!!


A “guerra das civilizações” do “Bem” contra o “Mal” da “Cimeira dos Açores” versus Deliberações das Nações Unidas ofereceu-nos o mundo em que vivemos.

1.2 milhões de iraquianos mortos (maioria civis) não é suficiente, nem os mais de 4000 militares americanos mortos no Iraque... “IT`S GOD`S PLAN!!!” E o que tiveram o Iraque e os iraquianos a ver com o 11/09? "IT`S GOD`S PLAN!!!"
O que seria do mundo hoje, se o prémio Nobel da paz Al Gore, tivesse sido nomeado Presidente dos EUA nas eleições que efectivamente ganhou nas urnas a W. Bush? IT WAS GOD`S PLAN?!!!

O que será do nosso mundo se esta senhora algum dia tiver o poder da vida e da morte “de fieis e de infiéis” à distancia de um botão vermelho? WILL SHE TAKE ON HER GOD`S PLAN?!!!
Visionem com atenção o vídeo que vos proponho e façam o que humanamente puderem para passar a mensagem.

Avaliem o que potencialmente nos espera.

http://www.youtube.com/watch?v=QG1vPYbRB7k

Ámen.!!!”

Mais do mesmo, Manela...

E ao fim de tantos e tantos e tantos dias remetida ao silêncio (mais de dois meses sem falar, mais de 100 dias de liderança da oposição), a senhora (MFL) de quem tanto se fala, começou a falar. Vamos ver o que ela nos falou ontem à tarde em Castelo de Vide no final da Universidade de Verão do PSD, vendo cada um dos temas que ela nos trouxe:

a) Credibilidade da política e aproximação dos jovens da mesma:

Depois da corriqueira descrição sobre o afastamento dos jovens e das pessoas em geral da política, bem como da falta de valorização e credibilidade da acção política, MFL anuncia as suas intenções: "O PSD tem a obrigação, pelas suas raízes, pelo seu passado, de ser parte activa neste processo de reconduzir a política à sua nobre função". "Para tal, vamos ter de concentrar as nossas energias apenas nas questões que verdadeiramente preocupam os Portugueses. E vamos deixar que outros se entretenham a discutir temas que, não afectam minimamente o dia a dia das pessoas".
MFL apenas irá discutir as questões que verdadeiramente preocupam os Portugueses. E que questões são essas, MFL? É isso que andamos à espera à algum tempo... conhecer as áreas que o novo PSD entende serem as que afectam mais os Portugueses, bem como as respectivas propostas de acção...

b) Mediatização da acção política:

MFL acusou fortemente o Governo de "manter as aparências, de esconder os fracassos e de iludir os Portugueses sobre a real dimensão dos seus problemas e da forma de os enfrentar".

Acho que MFL perdeu o discernimento nesta matéria. Foi a clareza da situação real do País em 2005 que levou o Governo a tomar medidas difícei depois de ter dado a conhecer aos Portugueses a verdadeira situação das contas públicas. Quem iludiu os Portugueses foi o PSD porque a situação real era bem mais grave do que se pensava.

Mais adiante, MFL volta afirmar que existe uma clivagem entre a realidade e o discurso do Governo. E insiste na ideia de que " se todos os anúncios correspondessem à realidade o País
tinha de estar melhor do que está", dizendo que tudo isto só é possível porque existe um "clima de mistificação", "apoiado por uma máquina de comunicação e de acção pouco democrática".

Parece-me que mistificador foi este discurso de MFL. Ninguém ficou a conhecer qualquer proposta. Apenas nos pudemos contentar com um discurso com uma retórica própria de quem não tem nada para oferecer de verdadeiramente inovador aos Portugueses. Os Portugueses querem acção, querem ver resultados, não querem estar a ser confrontados constantemente com este tipo de política negativa e calculista. Não há mal nenhum em mediatizar a acção política, o que há de mal é condicionar a actividade política com silêncios oportunistas.

c) Acção política do Governo:

Diz MFL que "a maioria socialista aprova leis sobre leis muitas vezes sem se dar ao trabalho de reflectir sobre as suas consequências e sem que o Governo esteja preparado para garantir a sua execução, ou evitar as dificuldades que os novos quadros legislativos possam trazer". Diz ainda que "o Governo despreza o estatuto da Oposição e abafa qualquer tentativa de participação séria e democrática".

Tenho que dizer que acabo por concordar com MFL, mas apenas parcialmente. Também eu sou a favor de que os projectos legislativos devem ser prévia e obrigatoriamente sujeitos a avaliações (nas suas múltiplas dimensões) do seu impacto que pudessem auxiliar a apresentação e discussão pública dos mesmos. Mas também tenho de referir que os problemas do País exigem respostas rápidas. Mesmo neste quadro de emergência nacional, as grandes reformas têm sido objecto de grande consulta pública.

Relativamente ao tratamento da Oposição, apenas considero que, em certos momentos, o Primeiro-Ministro ultrapassa os limites da consideração institucional nos debates quinzenais que se realizam na Assembleia da República. Mas os senhores da Oposição têm que agradecer ao mesmo Primeiro-Ministro o facto de ele agora se deslocar duas vezes por mês ao Parlamento para discutir os temas gerais da governação e de as presenças de membros do Governo nas comissões parlamentares ser muito mais frequente.

d) Política económica:

MFL acusou o Governo de ter "concepções centralizadoras e falsamente proteccionistas", referindo que "é na área da política económica que a asfixia que o actual Governo nos impõe se torna mais visível".

Foi este o único momento do discurso em que MFL disse, sem papas na língua, que: "o nosso programa económico será exactamente o oposto de tudo isto". "A prioridade será para a competitividade da economia, para a produtividade e criatividade empresarial, removendo custos e obstáculos à eficiência das pequenas e médias empresas. É imperioso reduzir os custos operacionais, aliviar a carga burocrática, reduzir a fiscalidade ligada à criação de emprego e apoiar a exportação."

Mas - peço desculpa - esta tem sido a linha de actuação do Governo, não tem?? O que é preciso que MFL diga, sem papas na língua, é o que vai fazer ao Aeroporto de Alcochete, ao projecto do TGV e a todos projectos de investimento público que se encontram previstos, se for eleito depois do Verão de 2009. Que diga ao País, de forma directa e concreta, quais os "projectos sem rentabilidade ou justificação económica" e quais são os "projectos megalómanos que são um extraordinário luxo para o País porque não criam riqueza, mas que implicarão muitos anos de sacrifício para serem pagos". Até posso vir a concordar com MFL relativa algum desses projectos, mas, primeiro, tenho de saber que projectos são esses...

Diz MFL: "...é no emprego que a política económica que defendemos melhor mostrará os seus resultados. O desemprego crónico que se instalou na nossa economia é a manifestação mais clara da acção do governo socialista, a consequência de políticas erradas e incapazes de reorientar a política económica para a criação de postos de trabalho. Ao destruir a competitividade da economia, o Governo tem destruído muitos milhares de postos de trabalho e impedido a criação de muitos mais". Continua MFL: "Resta, assim, aos Portugueses a aceitação de salários cada vez mais distantes dos que se praticam na Europa, como única forma de assegurar os postos de trabalho que ainda existem e se vão mantendo. Não admira que a emigração se tenha tornado de novo a última tábua de salvação para muitos dos nossos compatriotas".

Este foi a fase Jerónimo de Sousa do discurso da MFL. O que acha MFL do novo Código do Trabalho? Entende MFL que devemos aumentar os salários na função pública? É preciso relembrar a MFL que foi este Governo que aumentou de forma mais significativa o salário mínimo nacional desde o 25 de Abril.

e) Serviços públicos e reforma da Administração Pública

Diz MFL: "É sabido que as sociedades modernas e desenvolvidas necessitam de um Estado de dimensão importante, moderno, sofisticado e eficaz". Verbera, depois: "A reforma da Administração Pública é talvez a área onde este Governo mais prometeu e menos concretizou, por incompetência ou falta de coragem política". "A reestruturação dos serviços saldou-se por uma mão cheia de nada, no que se refere à eficácia e transparência".

Desculpem-me, mas é preciso ter lata! Temos de recordar os anos em que MFL foi responsável pela Administração Pública? Este piscar de olhos aos funcionários públicos não engana ninguém. Todos se lembram da cegueira da sua política.

Balanço:

MFL ainda falou apressadamente de educação, saúde, justiça, inclusão social e, claro, do oportuno tema da segurança interna (aqui com alguma propriedade relativamente a certas coisas mas também embarcando na onda "silly season").

O que dizer, em síntese?
  • Um discurso bem construído, mas muito negativo, profundamente míope, parasitário de factores externos que possam levar o PSD, de novo, ao poder, e, sobretudo, sem apresentar qualquer proposta concreta, o que só pode desiludir aqueles que esperaram 60 dias por algo de inovador.
  • A estratégia do silêncio de MFL será, assim, uma estratégia de "deixa andar", típica de uma oposição irresponsável que não apresenta alternativas por ter receio de que essas propostas não a levem ao Governo. MFL sabe que apenas lá chegará se o quadro internacional e nacional agravar-se. Quanto pior para Portugal, melhor para o PSD e para MFL.

Enjoy the silence...


Para quem não se lembra “enjoy the silence” é um nome de uma canção editada pelos Depeche Mode, em Outubro de 1990. Volvidos praticamente 18 anos, não se esperaria que fosse o mote do principal partido da oposição, em Portugal. É no mínimo esquisito.

Não sei quem é o idiota que define esta estratégia, e muito menos como pensa que é boa ao ponto de eventualmente poder levar o PSD a ganhar eleições. Não que concorde com os “fala barato”, que falam por tudo e por nada, só numa de mostrar serviço. Isso também já foi chão que deu uvas. Pois apesar de considerar que os portugueses têm um enorme défice de cidadania, e uma das vertentes onde se manifesta é exactamente no alheamento da vida política, a qualidade dos políticos é directamente proporcional à qualidade do povo que temos, pelo menos em média, entenda-se. Ou seja, ainda que seja insuficiente os portugueses estão em média, mais exigentes, exigem pragmatismo.

Chego a pensar se a Manuela Ferreira Leite não estará a tentar seguir a estratégia do seu guru pessoal e político, Prof. Cavaco Silva. Uma estratégia à base de blackouts, gritos mudos, tabus e outro tipo de iguarias provincianas. Agora relembro que esta receita só resultou numas presidenciais, demorou dez anos a ser milimetricamente posta em prática, e o cargo em questão era não executivo – presidente da república.

A um ano das eleições, esta política é no mínimo perigosa. Pois neste período, o que os partidos devem fazer é balanços das políticas seguidas e seus resultados, e pedir contas ao governo onde acham que ele falhou. Agora ficar na perspectiva de abutre, a sobrevoar o governo, à espera que a crise internacional e nacional o dê cabo dele e das suas políticas lentamente, para depois aparecer como salvadora da pátria é capaz de não ser suficiente. Até porque a situação que atravessamos exige dinamismo e não calculismos exacerbados, mas também porque o governo aproveita e vai fazendo o seu trabalho, e na maioria dos casos bem.

Já tinha acabado, mas não resisto em colocar um ditado popular – “Candeia que vai à frente, alumia duas vezes…”

S. Joao D'Arga

Pleno Verao, optimos dias de praia, e alguns de excelente surf, as cervejas também escorregavam a bom ritmo no pós 18h, mas um desafio foi feito, "Bora lá, ao S. Joao D'Arga"... feita a descriçao, (que considerei surreal), reunimos um bom grupo e feitas as divisoes das viaturas, para poder haver um "condutor cool por viatura"...
Chegamos na penumbra da noite, descemos por uma escada de pedra, cruzámos um riacho, subimos por um bosque, com tendas amontoadas, o som das concertinas e o cheiro do fumo começou a envadir-nos, de um momento para o outro estavamos rodeados por uma multidao de gente, bastante animada e com vontade de muita folia...
Tardei uns segundos a situar-me, mas rapido fui invadido pela mística do local... vezes sem fim repeti "Isto existe no "meu" Portugal?"; "Isto existe no "meu" Portugal?"
Simplesmente fenomenal, o ambiente, a confusao, a aguardente com mel, os cheiros, o enquadramento, tudo era simplesmente perfeito.
Para fazer crescer agua no bico...
http://www.youtube.com/watch?v=jRisfgsgX4U&feature=related

domingo, 7 de setembro de 2008

Exílio temporário

Moledo, aqui estarei durante os próximos 30 dias...
Mas não deixeirei de vir ao Cá Calharás para ler, comentar e escrever umas postas.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

A nova coqueluche da política americana

Já conhecem Sarah Palin, a ex-miss qualquer coisa, actual governadora do Estado do Alasca e dirigente da National Rifle Association, membro do Partido de Independência do Alasca e, desde ontem em Denver, formalmente nomeada candidata republicana a vice-presidente dos Estados Unidos da América?


Voltarei a falar desta senhora em breve.

Porquê, Portugal?



Estou chocado.

Saiu ontem publicada em Diário da República a Lei n.º 57/2008, que, de forma pomposa, cria a Ordem dos Psicólogos Portugueses e aprova o seu Estatuto. Pensava eu que os movimentos corporativos dentro da nossa sociedade estavam estagnados ou a ser repelidos mas eis quando a Assembleia da República nos presenteia com esta nova ordem profissional (esta lei não teve intervenção do Governo, sendo da exclusiva iniciativa parlamentar, imagino que após insistentes pressões de um conjunto de psicólogos mais instalados).

Não posso deixar de subscrever inteiramente as seguintes palavras de Carlos Loureiro, colega blogueiro do Blasfémias:«Foi criada hoje uma nova ordem profissional: a dos Psicólogos. Só os profissionais inscritos na Ordem poderão exercer a “profissão de psicólogo” no território nacional. E só os Mestres em Psicologia ou os titulares de licenciaturas “pré-Bolonha” poderão inscrever-se na Ordem.O Estado obrigou as universidades e politécnicos a reduzirem a generalidade das licenciaturas para três anos (incluindo a licenciatura em Psicologia). Agora, o mesmo Estado diz aos novos licenciados que a licenciatura não serve para nada.»

É desconcertante antecipar as dificuldades que vão sentir os licenciados quando se aperceberem das novas regras agora publicadas. Para agravar essas dificuldades, será necessário, para entrar na Ordem, um estágio profissional de 12 meses ou experiência profissional de 18 meses na área de Psicologia.

O que virá a seguir? Ordem dos Sociológos? Ordem dos Professores?

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Fragmentos do Verão'2008 (II)

"Summer School" sobre Inovação Social em San Sebastian

No final de Julho, intercalando uns dias de férias em Espanha, tive oportunidade de ir a San Sebastian para estar presente na primeira Escola de Verão da Rede "Social Innovation Exchange" (ver aqui), numa organização conjunta da Young Foundation (Reino Unido) e do MIK, pertencente ao Grupo Mondragon (País Basco, Espanha).

O objectivo desta Escola de Verão foi juntar pessoas e organizações de todo o Mundo e, de forma descontraída, debater e partilhar experiências, perspectivas e métodos relacionados com inovação social (= encontrar novas soluções para as necessidades sociais).

Posso dizer-vos que foi uma oportunidade única para respirar formas mais imaginativas e práticas de dar resposta a problemas sociais nas mais diversas áreas (educação, saúde, participação cívica e política, comunidades locais, etc.). Foram muitos os casos de sucesso apresentados. Também me apercebi, porém, de que o âmbito de acção é tão vasto que a Rede "Social Innovation Exchange" se encontra numa fase mais reflexiva sobre a forma como pode melhorar os seus métodos e capacidade de pesquisa e de intervenção.

Há, no entanto, um aspecto que importa destacar aqui neste resumo tão sumário de 3 dias de trabalho (e não só) tão intensos: colaboração, colaboração, colaboração. Tudo se passa "com" e não "para" ou "de", como bem sintetizou Charlie Leadbeater no final. O trabalho da inovação social não é unívoco ou biunívoco. O trabalho da inovação social só gera frutos quando é feito em colaboração: todos com todos. E dessa colaboração gera-se a desejável partilha que nos levará a uma sociedade melhor e mais justa.

Bem, já chega de conversa fiada, aqui vão algumas fotos (prometo juntar mais fotos assim que recuperar a minha máquina fotográfica, provisoriamente nas mãos do Count):

(o palácio junto ao mar onde decorreram as sessões de trabalho)

(dentro da sala - o Charlie é aquele senhor com pinta de "bife" no lado direito a mexer nos óculos, ele é "o" guru ideológico da coisa juntamente com um senhor chamado Geoff Mulgan)

(o método prático de trabalhar em grupo)


(o método prático de trabalhar em grupo, agora no jardim - talvez me reconheçam na foto)

(a foto de família)

That's all folks, daqui a uns dias, posto mais fotografias.


quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Economistas contra a subida de salários


Era notícia hoje no diário económico que os economistas eram contra a subida de salários, o que escandalizou tanto os sindicatos que estão a negociar com o governo e restantes parceiros sociais o peso relativo da sua subida, como e acima de tudo, indignou os assalariados. Sobretudo aqueles com ordenados baixos.

Eu sei que é impopular que se diga que não há espaço para subir salários. Sei também que em Portugal se ganha em média pouco, e que a subida de preços que se tem vindo a verificar, esmaga as famílias ao ponto de lhes tirar alguma liberdade económica, tão necessária para nos sentirmos felizes enquanto pessoas. Mas de facto, é um acto de responsabilidade indexar o que as pessoas ganham à sua produtividade. E quanto a isso não temos dúvidas, nós temos sido um país que em média tem um índice de produtividade baixo.

Mas ninguém gosta de descer de cavalo para burro. E as pessoas ficam angustiadas e chateadas quando vêem o seu poder de compra diminuir, ou quando pura e simplesmente não ganham o suficiente para ter uma vida digna. O erro foi cometido em meados dos anos 90 quando, jorravam milhões de Bruxelas e os políticos não cederam à tentação de aumentar os salários sem ter em conta o aumento da produtividade. Foi a criação do chamado “Monstro”, que agora, e de à uns anos a esta parte tem vindo a ser desfeito, aos poucos, e de uma forma suave. Para ainda assim as famílias e empresas poderem viver apenas da riqueza que produzem. Eu sei que é uma realidade triste. Mas enquanto não trabalharmos bem e com qualidade seremos um país pobre, e consequentemente com salários baixos. Doa a quem doer…

PS – Só mais uma nota de rodapé: para aqueles que lhes custa entrar isto na cabeça. Quanto mais se aumenta a massa salarial de uma economia, mais se está a contribuir para que a espiral de subida da inflação aumente. Neste cenário o nosso poder de compra tenderá sempre a diminuir, independentemente de ganharmos mais, pois o nosso dinheiro valerá cada vez menos…

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Má Partilha (II)


Ainda estamos lembrados dos ursos, e da sua pesca. E dos que retiravam, a pescaria aos que pescavam, não tendo de ter nenhum trabalho para ter o mesmo resultado que os que pescavam. Como eu referi, tinha visto essa cena num programa de televisão. Mas quem também não se lembra de outras situações, também elas televisionadas, que envolvem distúrbios entre humanos, e também eles por causa de bens materiais. Se passarmos do cinescópio para as linhas dos livros, também vemos retratado com mais ou menos ficção e efeitos especiais, a natureza humana retratada. J. R. Tolkien quando escreveu a trilogia “Senhor dos Anéis” retratava e bem a vontade dos homens pelo poder, e pela propriedade de um anel que concedia esse mesmo poder. Poder que fazia com que o possuidor do anel se sentisse atraído por ele, gozasse de uma ainda que aparente, mas ao mesmo tempo viciante sensação de bem-estar. O Gollum era bem a imagem disso… Não olhar a meios para atingir os fins. O que interessava era “tê-lo”. São tudo sensações que permanecem espelhadas no nosso dia-a-dia, talvez se manifeste de outras formas, é certo. Mas a necessidade está lá. A do ter, a do poder. Resumindo como tantos outros autores tão bem caracterizam é a transposição da vida da selva de onde toda a origem animal veio, para as cidades, construídas posteriormente pelo homem. Esse ser errante com cabeça para pensar…
Continua…

Foi do "cacete"!...


É verdade meus caros amigos. Não é exagero meu, e muito menos do folheto promocional às festas em honra do Milagroso S. João D'Arga. Quando se diz que estamos na festa mais característica do Alto Minho, deve ser verdade. Foi uma noite inesquecível... Até os piscas do carro me roubaram. Pelos vistos fizeram as delícias de um "cromo" e amigo do alheio, que por lá andava... Mas foi a única anomalia desagradável a reportar. Espero que não tenha sido o João Flácio, para oferecer de prenda de namoro à Menina Tininha... E a noite foi tão boa, e passada em tão boa companhia (até um casal belga se juntou à festa), que nem conseguimos ficar realmente pissed off. Já agora também tenho a registar que não me passava pela cabeça ver duas bandas a tocar à desgarrada temas que iam desde o eye of the tiger - do saudoso Rocky III, passando pelos Xutos & Pontapés, e até aos White Stripes. Enfim aquela malta tocava tudo, e com bastante alegria e vivacidade! Só faltou mesmo ver malta a pedir ajuda ao Milagroso, procriando em pleno Mosteiro, e só com a manta a tapar... Viva o Verão e as suas Romarias! Viva o Minho! Viva aos bons amigos! Viva Portugal!

Fragmentos do Verão'2008

Festa-romaria de S. João d'Arga


Todos anos, na noite de 28 para 29 de Agosto, num lugar recôndito da Serra de Arga, a que apenas se consegue chegar depois de uma caminhada de alguns quilómetros, realiza-se a festa-romaria de S. João d'Arga, uma das mais importantes do Alto Minho, e que leva muitos a irem pedir a cura para algumas maleitas mas também a remediar problemas de infertilidade (dizem os mais experimentados nesta festa que as mães chegam a auxiliar as suas filhas inférteis no próprio acto).

Outros vão para dançar o vira minhoto, animados pelo som das concertinas ou pelas bandas populares que tocam em despique contínuo músicas modernas (este ano "Moreira, Moreira, Moreira!" contra "Lanhelas, Lanhelas, Lanhelas!").

Uma ida ao S. João d'Arga não se faz sem o abastecimento prévio na tasca do Cachadinha, a que se segue a mistura de aguardente e mel que é servida abundantemente em toda a festa.

À semelhança de outros anos, este ano não faltei e pude contar com a presença do El Cid e do Tio Franco, que se estrearam nessas andanças. Sem dúvida, uma festa contagiante... a repetir seguramente em próximos verões.

Ah... povo de Moledo, alguém sabe se o João F'lácio encontrou a Menina Tininha?

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Este ano não há incêndios? (II)

Há cerca de 10 dias atrás escrevi aqui sobre a estranha ausência da nossa comunicação social desse fenómeno sazonal chamado "overdose de informação sobre incêndios".

Ora, foi hoje divulgado publicamente um balanço provisório do ano de 2008 (entre 1 de Janeiro e 31 de Agosto) no qual se dá conta de que houve até hoje 4.981 ocorrências (1.023 incêndios florestais e 3.958 chamados fogachos) que consumiram uma área total de 4.685 hectares.

Comparando com anos anteriores, o relatório (aqui disponível) dá conta de que em 2008 a o número de ocorrências e a área ardida são inferiores aos registados entre 1998 e 2008, com excepção do ano de 2007. Dá-se ainda conta de que houve menos 4.099 ocorrências e de que arderam menos 19.301 hectares, correspondendo os valores de 2008 a 55% e 19,5% dos valores médios das ocorrências e área ardida dos últimos dez anos (até 15 de Agosto).

Espero que seja este o bom caminho... tomando a deixa do último post do El Cid, a prevenção faz-se prevenindo. Mas isso já não interessa aos "donos" dos nossos media.

PS - Poderia também ser feito um balanço do esforço financeiro e dos recursos humanos envolvidos na prevenção e no combate aos incêndios. O povo português agradeceria.

O caminho...


Como dizia o poeta espanhol António Machado, “caminante, no hay camino,
se hace camino al andar”, ou como comummente se houve “el camino se hace caminando”. Isto é muito bonito de se escrever ou dizer. Principalmente quando grande parte do caminho já foi feito, e sobretudo se na generalidade, foi bem feito e produziu bons resultados. Agora se é fácil de escrever e dizer, temo que seja difícil de fazer. Até porque se pensarmos um pouco, existem dois grandes tipos de caminhantes, “os generalistas” ou imitadores – seguem o trilho que outros vão percorrendo (com mais ou menos adaptações, imitando às vezes o bem e o mal feito), e os cata-ventos – vão caminhando conforme o vento lhes sopra… Agora pergunto eu – e se anda toda a gente a caminhar sabe-se lá para onde, qual será o resultado? Parecendo difícil, não é nada fácil.

Gerir e Mostrar a Arte, com sustentabilidade...entenda-se


Como todos se devem ter apercebido, estamos desde à uns anos a esta parte a assistir à construção, requalificação e criação de uma rede de teatros e auditórios por esse país fora. Teve e tem como principal objectivo democratizar o acesso à cultura, por parte das populações que não vivem nos grandes centros urbanos. Este investimento foi feito com financiamento na sua maioria comunitário. A programação destes auditórios foi feita com base no programa operacional de cultura, também ele alimentado por financiamento comunitário. O mix de financiamento também era composto por uma fatia do orçamento da cultura da respectiva autarquia onde o auditório/teatro estava implementado. Ora, com o POC terminado (não obstante de já ter substituto), e com os orçamentos das autarquias a serem alvo de uma criteriosa gestão, e a meu ver bem, torna-se difícil manter o nível de programação que esses equipamentos, os seus técnicos, e nomeadamente as populações afectas, merecem. A meu ver uma das soluções possíveis é criar uma entidade privada que procure fazer o que neste momento ao estado parece difícil de fazer. Ou seja, gerir eficientemente estes espaços culturais, garantido uma programação de qualidade, conseguir ir buscar outras fontes de financiamento para que estes espaços não se tornem “elefantes brancos”, e que mais uma vez as populações do interior fiquem permanentemente postas de lado…
Ideias e contributos para ajudar a contruir este plano, são bem-vindas!

Terrorífica notícia

Aí está a estreia mundial do primeiro cacalhariano na sétima arte!
Próximo domingo, 7 de Setembro, no cinema S. Jorge, Muad'Dib surgirá numa curta metragem no MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa (http://www.motelx.org/08/index.php?option=com_content&task=view&id=80&Itemid=108).

O que te falta, Muad'Dib? Plantar uma árvore, escrever um livro, ter um filho... ser estrela de cinema?