sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Mais um foco de criminalidade violenta
«Duas jovens que foram detidas em Lisboa pela Polícia escondiam, na vagina, 1.500 euros e artigos de ouro e prata, revelou hoje o Comando da Polícia de Segurança Pública de Lisboa.
A detenção aconteceu quando a PSP mandou parar uma viatura em que seguiam duas jovens de 16 e 19 anos. Não só a ordem não foi acatada, como se verificou uma tentativa de atropelamento do agente de autoridade. Após perseguição policial, foram detidas e encaminhadas para a esquadra, onde foram revistadas. Foi então que se constatou que as jovens tinham nas áreas genitais, embrulhados em plástico, vários artigos em ouro e prata, para além de 1.500 euros.
A PSP suspeita que os artigos recuperados tenham proveniência criminosa. Presentes a tribunal, o juiz determinou que as duas jovens se apresentem periodicamente na esquadra.»
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Outra vez os hospitais
Faz sentido um banco público canalizar recursos para um hospital privado, concorrente dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (por exemplo, o Hospital de Santa Maria, hoje já gerido de forma empresarial) mas sobretudo concorrente de outros hospitais do sector privado (por exemplo, o Hospital da Luz)?
A CGD (o Estado) constrói e explora hospitais porque tem de concorrer com outros estabelecimentos hospitalares? É essa a sua missão?
Diga-se que a sociedade HPP - Hospitais Privados de Portugal, SGPS, S. A., detida pela CGD, tem mais 6 hospitais privados em todo o País e também já venceu o concurso relativo à Parceria Público-Privada relativa ao novo Hospital de Cascais.
Fica aqui a reflexão... talvez não esteja a ver o lado certo desta questão. Mas também está anunciado - à semelhança do Hospital da Luz de que já aqui falei - um acordo com a ADSE para a prestação de serviços aos funcionários públicos.
"You can put lipstick on a pig, but it's still a pig"
Depois do El Cid ter aqui iniciado o tema suíno, não resisto a contar um episódio da campanha presidencial americana que também envolve sabedoria popular associado a este animal tão importante nas nossas vids.Relata a imprensa americana que Barack Obama disse num comício recente no estado da Virginia a frase que dá título a este post, "You can put lipstick on a pig, but it's still a pig". E logo caiu-lhe em cima todo o estado-maior da campanha de McCain, alegando que Obama estaria, no fundo, a fazer uma metáfora pejorativa sobre a candidata republicana a vice-presidente, já nossa conhecida, Sarah Palin... no fundo, estaria a chamá-la de "porca".
Rapidamente o porta-voz da campanha de Obama veio refutar a acusação, dizendo que aquela expressão não é mais do que um provérbio mais velho do que os avós dos nossos avós e que o provérbio apenas pretende sugerir que uma coisa, por mais mascarada e alindada que seja, não deixa de ser uma coisa, não muda a sua essência...mesmo que pintada com batôn.
Não sei se esta resposta convenceu McCain e o seu staff. Sei que estes animais andam a ser vítimas de um assassinato mediático que fere a sua credibilidade.
A propósito, Obama, no discurso em que disse que "You can put lipstick on a pig, but it's still a pig"... ainda acrescentou "You can wrap an old fish in a piece of paper called change. It's still gonna stink" e "We've had enough of the same old thing", o que mostra que, afinal, ele sabia o que queria dizer...
Uma coisa é certa: os porcos já devem estar fartos destas pérolas.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Da democracia na América
Meus amigos, faltam menos de 2 meses para a eleição do novo presidente dos EUA (a data concreta é 4 de Novembro, 3.ª feira), pelo que recomendo um acompanhamento mais atento destes três blogues nacionais:- Margens de erro - de Pedro Magalhães, politólogo do Instituto de Ciências Sociais
- O valor das ideias - de Carlos Santos, professor de econometria da Faculdade de Economia da Universidade do Porto
- Eleições americanas de 2008 - de Nuno Gouveia, mestrando em Ciências da Comunicação na Universidade Fernando Pessoa
Todos eles trazem notícias recentes, sondagens, "gossip", "fait-divers" e outros dados sobre esta eleição presidencial. Em breve, colocarei aqui links para jornais e blogues americanos que também merecem ser acompanhados.
Tudo o que sobe desce; tudo o que entra sai; tudo o que abre fecha

Rússia admite apontar mísseis contra escudo na Europa
Os locais na Polónia e na República Checa onde vão ser instalados elementos do escudo anti-missil norte-americano poderão tornar-se alvos de mísseis intercontinentais russos, declarou hoje o chefe das Forças estratégicas russas, citado pela Interfax e a Itar-Tass.
"Não posso excluir (...) que sejam escolhidos para alvo para uma parte dos nossos mísseis intercontinentais os locais do escudo anti-míssil na Polónia e na República Checa e outros potenciais locais similares", declarou o general Nikolai Solovtsov.
Estas declarações de Solovtsov surgem um dia antes da visita do chefe da diplomacia russa à Polónia, país que decidiu aceitar a instalação dos mísseis interceptores norte-americanos.
A Polónia e os Estados Unidos chegaram a um acordo no último mês que prevê instalar até 2012 dez mísseis norte-americanos em território polaco.
In Jornal de Notícias, 2008-09-10
Como tudo o que sobe, desce; tudo o que entra sai; também tudo o que abre fecha. O que outrora fora conseguido (pelo menos em teoria), 1) quanto à livre circulação de pessoas, bens e serviços 2)na organização mundial do comércio, por todos conhecida por globalização, hoje em dia começa a suscitar dúvidas. Li há poucos meses, num discurso do presidente da Cemex – empresa cimenteira do México com implementação internacional, que o processo de globalização para ter sucesso tinha de ser inclusivo, e não exclusivo. Para mim, estas palavras além de sábias, são exactamente o ponto crítico de todo o processo, pois as empresas multinacionais com posturas demasiado sustentadas no curto prazo e nos resultados imediatos têm a tendência para ignorar estas palavras. O que interessa é explorar/defender recursos, sejam eles quais forem, e a “preço”(alto ou baixo depende de que lado se está).
É claro que o que episódios como o que está retratado no artigo são grãos de areia postos numa engrenagem, que já de si era de difícil funcionamento. Aguardamos cenas dos próximos episódios, que ao contrário da novela do Tio Franco, temo que esta seja uma daquelas super produções de Hollywood, com muitos efeitos especiais à mistura…
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Anjo Selvagem by NBP
Bem ao estilo de qualquer grande produçao da NBP, intriga, suspeitas, fugas, vinganças, amores, chantagem, a novela Felgueiras segue a seu bom ritmo: " O Procurador da República Pinto Bronze pediu hoje a absolvição de Fátima Felgueiras [...] O magistrado preconizou a condenação da autarca e principal arguida do processo do "Saco Azul de Felgueiras" pela [...].O mesmo magistrado tomou uma decisão que causou alguma surpresa ao sugerir ao colectivo a condenação do empresário Joaquim Freitas e do licenciado Horácio Costa, que foram as pedras base da investigação de que a autarca foi alvo e das alegações feitas hoje e ontem por Pinto Bronze.O Procurador, recorde-se, assentou nas revelações feitas por Horácio Costa e Joaquim Freitas o essencial das suas alegações. Em várias ocasiões chegou a enaltecer a credibilidade do antigo braço direito de Fátima Felgueiras em contra-ponto com a desvalorização dos depoimentos dos restantes co-arguidos. Hoje, porém, preconizou a condenação do Horácio Costa e de Joaquim Freitas por cumplicidade em dois crimes de participação económica e negócio. Horácio Costa, segundo o que disse Pinto Bronze, “admitiu que foi interveniente na lavagem de dinheiro através da transferência de 4700 contos (cerca de 23.500 euros) dados pela RESINE e usados na compra do Audi A4 para Fátima Felgueiras”. Não temos qualquer tipo de dúvida que Horácio Costa faltou à verdade, não assumindo as suas responsabilidades”, afirmou o Procurador da República." sito in Publico.ptPigs in muck

“Exciting countries get exciting acronyms, at least in financial circles. Fast-growing Brazil, Russia, India and China, for example, are called Brics, the very initials implying solid growth. Other countries are less fortunate. Take Portugal, Italy, Greece and Spain, sometimes described as the Pigs. It is a pejorative moniker but one with much truth.
Eight years ago, Pigs really did fly. Their economies soared after joining the eurozone. Interest rates fell to historical lows - and were often negative in real terms. A credit boom followed, just as night follows day. Wages rose, debt levels ballooned, as did house prices and consumption. Now the Pigs are falling back to earth.”
Excerto de artigo publicado a 1 de Setembro 2008, Financial Times
Existe uma expressão comummente utilizada, pelo menos nalgumas regiões do nosso Portugal, que é qualquer coisa deste género – “aquele (sujeito(a)) tem a mania que os porcos nadam”, ou esta menos comum “… de que os porcos voam”. Pelos vistos a segunda versão do dito jargão popular é uma adaptação, ou vice-versa de uma expressão utilizada pelos países anglo-saxónicos.
O autor do artigo (que ainda não consegui, nem me dei ao trabalho de identificar) quis dizer que os países do sul da Europa (no gráfico), aquando da adesão à união europeia, sofreram positivamente dos efeitos da entrada na união, apresentaram níveis de crescimento económico consideráveis, começando a convergir com os países do pelotão da frente. Mas que afinal era tudo fogo-de-vista, pois o crescimento não foi crescimento sustentado nem estrutural, mas sim conjuntural. Ou seja, os porcos que outrora voaram, hoje em dia voltaram à lama.
Ontem já foram confrontar o Ministro Pinho com estas afirmações, e qual a sua opinião. Convenhamos que há verdades inconvenientes, e realidades que são duras. È claro que mesmo sendo verdade o que está implícito no artigo do Financial Times existem maneiras menos ofensivas de o dizer, mesmo sem inibir o direito de opinião do colunista, mas se calhar ninguém ligaria ao artigo, ou pelo menos não se daria a importância agora dada… É caso para dizer que estamos a dar pérolas a porcos! (onde o porco aqui é o senhor que escreveu as ditas palavras)
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Ai Portugal, Portugal… (Um desafio)
“Que podemos fazer para promover o nosso Portugal?”Como sabem vivo em Espanha à 2 anos, e já muito ouvi dizer de Portugal, sobretudo ouvi palavras de ignorancia, que revelam um desconhecimento profundo do nosso país, para muitos Portugal é o país das “sabanas e toallas baratas”.
Este ano recomendei e fiz 5 roteiros de visita a Portugal, um total de 14 espanhois que consegui com alguma facilidade deslumbrar.
Comentários desde as gentes bastante amáveis, simpáticas e prestáveis, ao excelente vinho , à variada e moderna gastronomia, aos doces “riquisimos”, aos locais “inolvidables”, às vistas, às paisagens, ao Pôr do Sol (en una terraza con una mini), à limpeza dos espaços, à rede viaria (nova e de alta qualidade), à qualidade dos transportes (comboios que funcionan). Um exagero, diram alguns, mas a verdade é que quando viajamos por esse mundo fora, percebemos que o nosso bairro nao é o pior do mundo, talvez possa até ser um dos melhores.
A verdade é que estas pessoas revelaram um grau de surpresa que a mim por um lado me orgulha e por outro me intristesse. Este grau de satisfaçao é revelador de uma baixa expectativa e de um conhecimento muito reduzido e muitas vezes erróneo.
Aqui em Espanha, vejo diáriamente na TV anuncios dos paises da “nova europa” com paisagens, com experiencias que despertam curiosidade e desejo. Algo, apenas recordo de ter visto de Portugal.
Vendemos o Figo , O Ronaldo, O Mourinho, e o vinho do Porto, porque nao vender a Alheira, o Vinho Alentejano, O Bacalhau, O Cozido, O Leitao, Aveiro, Cascais, Foz Do Arelho, ou “qui ça” vender mesmo Portugal... tantas outras coisas, ou porque nao por estes Senhores a vender Portugal, porque usava o Figo um boné da Nike e nao um boné de Portugal.
Amigos o desafio está lançado, espero ler muitos comentarios... um mote português antigo diz “O Povo Unido jamais será vencido”, mas como a Uniao é hoje cada vez mais dificil, corrijo com o ditado popular “grao a grao enche a galinha o papo”... ou como diria Ana Carolina “Sabemos como foi o ínicio, mas podemos mudar o final”
TENHAM MEDO... TENHAM MUITO MEDO!!!

1.2 milhões de iraquianos mortos (maioria civis) não é suficiente, nem os mais de 4000 militares americanos mortos no Iraque... “IT`S GOD`S PLAN!!!” E o que tiveram o Iraque e os iraquianos a ver com o 11/09? "IT`S GOD`S PLAN!!!"
O que será do nosso mundo se esta senhora algum dia tiver o poder da vida e da morte “de fieis e de infiéis” à distancia de um botão vermelho? WILL SHE TAKE ON HER GOD`S PLAN?!!!
Avaliem o que potencialmente nos espera.
http://www.youtube.com/watch?v=QG1vPYbRB7k
Ámen.!!!”
Mais do mesmo, Manela...
E ao fim de tantos e tantos e tantos dias remetida ao silêncio (mais de dois meses sem falar, mais de 100 dias de liderança da oposição), a senhora (MFL) de quem tanto se fala, começou a falar. Vamos ver o que ela nos falou ontem à tarde em Castelo de Vide no final da Universidade de Verão do PSD, vendo cada um dos temas que ela nos trouxe:b) Mediatização da acção política:
MFL acusou fortemente o Governo de "manter as aparências, de esconder os fracassos e de iludir os Portugueses sobre a real dimensão dos seus problemas e da forma de os enfrentar".
Acho que MFL perdeu o discernimento nesta matéria. Foi a clareza da situação real do País em 2005 que levou o Governo a tomar medidas difícei depois de ter dado a conhecer aos Portugueses a verdadeira situação das contas públicas. Quem iludiu os Portugueses foi o PSD porque a situação real era bem mais grave do que se pensava.
Mais adiante, MFL volta afirmar que existe uma clivagem entre a realidade e o discurso do Governo. E insiste na ideia de que " se todos os anúncios correspondessem à realidade o País
tinha de estar melhor do que está", dizendo que tudo isto só é possível porque existe um "clima de mistificação", "apoiado por uma máquina de comunicação e de acção pouco democrática".
Parece-me que mistificador foi este discurso de MFL. Ninguém ficou a conhecer qualquer proposta. Apenas nos pudemos contentar com um discurso com uma retórica própria de quem não tem nada para oferecer de verdadeiramente inovador aos Portugueses. Os Portugueses querem acção, querem ver resultados, não querem estar a ser confrontados constantemente com este tipo de política negativa e calculista. Não há mal nenhum em mediatizar a acção política, o que há de mal é condicionar a actividade política com silêncios oportunistas.
c) Acção política do Governo:
Diz MFL que "a maioria socialista aprova leis sobre leis muitas vezes sem se dar ao trabalho de reflectir sobre as suas consequências e sem que o Governo esteja preparado para garantir a sua execução, ou evitar as dificuldades que os novos quadros legislativos possam trazer". Diz ainda que "o Governo despreza o estatuto da Oposição e abafa qualquer tentativa de participação séria e democrática".
Tenho que dizer que acabo por concordar com MFL, mas apenas parcialmente. Também eu sou a favor de que os projectos legislativos devem ser prévia e obrigatoriamente sujeitos a avaliações (nas suas múltiplas dimensões) do seu impacto que pudessem auxiliar a apresentação e discussão pública dos mesmos. Mas também tenho de referir que os problemas do País exigem respostas rápidas. Mesmo neste quadro de emergência nacional, as grandes reformas têm sido objecto de grande consulta pública.
Relativamente ao tratamento da Oposição, apenas considero que, em certos momentos, o Primeiro-Ministro ultrapassa os limites da consideração institucional nos debates quinzenais que se realizam na Assembleia da República. Mas os senhores da Oposição têm que agradecer ao mesmo Primeiro-Ministro o facto de ele agora se deslocar duas vezes por mês ao Parlamento para discutir os temas gerais da governação e de as presenças de membros do Governo nas comissões parlamentares ser muito mais frequente.
d) Política económica:
MFL acusou o Governo de ter "concepções centralizadoras e falsamente proteccionistas", referindo que "é na área da política económica que a asfixia que o actual Governo nos impõe se torna mais visível".
Foi este o único momento do discurso em que MFL disse, sem papas na língua, que: "o nosso programa económico será exactamente o oposto de tudo isto". "A prioridade será para a competitividade da economia, para a produtividade e criatividade empresarial, removendo custos e obstáculos à eficiência das pequenas e médias empresas. É imperioso reduzir os custos operacionais, aliviar a carga burocrática, reduzir a fiscalidade ligada à criação de emprego e apoiar a exportação."
Mas - peço desculpa - esta tem sido a linha de actuação do Governo, não tem?? O que é preciso que MFL diga, sem papas na língua, é o que vai fazer ao Aeroporto de Alcochete, ao projecto do TGV e a todos projectos de investimento público que se encontram previstos, se for eleito depois do Verão de 2009. Que diga ao País, de forma directa e concreta, quais os "projectos sem rentabilidade ou justificação económica" e quais são os "projectos megalómanos que são um extraordinário luxo para o País porque não criam riqueza, mas que implicarão muitos anos de sacrifício para serem pagos". Até posso vir a concordar com MFL relativa algum desses projectos, mas, primeiro, tenho de saber que projectos são esses...
Diz MFL: "...é no emprego que a política económica que defendemos melhor mostrará os seus resultados. O desemprego crónico que se instalou na nossa economia é a manifestação mais clara da acção do governo socialista, a consequência de políticas erradas e incapazes de reorientar a política económica para a criação de postos de trabalho. Ao destruir a competitividade da economia, o Governo tem destruído muitos milhares de postos de trabalho e impedido a criação de muitos mais". Continua MFL: "Resta, assim, aos Portugueses a aceitação de salários cada vez mais distantes dos que se praticam na Europa, como única forma de assegurar os postos de trabalho que ainda existem e se vão mantendo. Não admira que a emigração se tenha tornado de novo a última tábua de salvação para muitos dos nossos compatriotas".
Este foi a fase Jerónimo de Sousa do discurso da MFL. O que acha MFL do novo Código do Trabalho? Entende MFL que devemos aumentar os salários na função pública? É preciso relembrar a MFL que foi este Governo que aumentou de forma mais significativa o salário mínimo nacional desde o 25 de Abril.
e) Serviços públicos e reforma da Administração Pública
Diz MFL: "É sabido que as sociedades modernas e desenvolvidas necessitam de um Estado de dimensão importante, moderno, sofisticado e eficaz". Verbera, depois: "A reforma da Administração Pública é talvez a área onde este Governo mais prometeu e menos concretizou, por incompetência ou falta de coragem política". "A reestruturação dos serviços saldou-se por uma mão cheia de nada, no que se refere à eficácia e transparência".
Desculpem-me, mas é preciso ter lata! Temos de recordar os anos em que MFL foi responsável pela Administração Pública? Este piscar de olhos aos funcionários públicos não engana ninguém. Todos se lembram da cegueira da sua política.
Balanço:
MFL ainda falou apressadamente de educação, saúde, justiça, inclusão social e, claro, do oportuno tema da segurança interna (aqui com alguma propriedade relativamente a certas coisas mas também embarcando na onda "silly season").
O que dizer, em síntese?
- Um discurso bem construído, mas muito negativo, profundamente míope, parasitário de factores externos que possam levar o PSD, de novo, ao poder, e, sobretudo, sem apresentar qualquer proposta concreta, o que só pode desiludir aqueles que esperaram 60 dias por algo de inovador.
- A estratégia do silêncio de MFL será, assim, uma estratégia de "deixa andar", típica de uma oposição irresponsável que não apresenta alternativas por ter receio de que essas propostas não a levem ao Governo. MFL sabe que apenas lá chegará se o quadro internacional e nacional agravar-se. Quanto pior para Portugal, melhor para o PSD e para MFL.
Enjoy the silence...

Para quem não se lembra “enjoy the silence” é um nome de uma canção editada pelos Depeche Mode, em Outubro de 1990. Volvidos praticamente 18 anos, não se esperaria que fosse o mote do principal partido da oposição, em Portugal. É no mínimo esquisito.
Não sei quem é o idiota que define esta estratégia, e muito menos como pensa que é boa ao ponto de eventualmente poder levar o PSD a ganhar eleições. Não que concorde com os “fala barato”, que falam por tudo e por nada, só numa de mostrar serviço. Isso também já foi chão que deu uvas. Pois apesar de considerar que os portugueses têm um enorme défice de cidadania, e uma das vertentes onde se manifesta é exactamente no alheamento da vida política, a qualidade dos políticos é directamente proporcional à qualidade do povo que temos, pelo menos em média, entenda-se. Ou seja, ainda que seja insuficiente os portugueses estão em média, mais exigentes, exigem pragmatismo.
Chego a pensar se a Manuela Ferreira Leite não estará a tentar seguir a estratégia do seu guru pessoal e político, Prof. Cavaco Silva. Uma estratégia à base de blackouts, gritos mudos, tabus e outro tipo de iguarias provincianas. Agora relembro que esta receita só resultou numas presidenciais, demorou dez anos a ser milimetricamente posta em prática, e o cargo em questão era não executivo – presidente da república.
A um ano das eleições, esta política é no mínimo perigosa. Pois neste período, o que os partidos devem fazer é balanços das políticas seguidas e seus resultados, e pedir contas ao governo onde acham que ele falhou. Agora ficar na perspectiva de abutre, a sobrevoar o governo, à espera que a crise internacional e nacional o dê cabo dele e das suas políticas lentamente, para depois aparecer como salvadora da pátria é capaz de não ser suficiente. Até porque a situação que atravessamos exige dinamismo e não calculismos exacerbados, mas também porque o governo aproveita e vai fazendo o seu trabalho, e na maioria dos casos bem.
Já tinha acabado, mas não resisto em colocar um ditado popular – “Candeia que vai à frente, alumia duas vezes…”
S. Joao D'Arga
Chegamos na penumbra da noite, descemos por uma escada de pedra, cruzámos um riacho, subimos por um bosque, com tendas amontoadas, o som das concertinas e o cheiro do fumo começou a envadir-nos, de um momento para o outro estavamos rodeados por uma multidao de gente, bastante animada e com vontade de muita folia...
Tardei uns segundos a situar-me, mas rapido fui invadido pela mística do local... vezes sem fim repeti "Isto existe no "meu" Portugal?"; "Isto existe no "meu" Portugal?"
Simplesmente fenomenal, o ambiente, a confusao, a aguardente com mel, os cheiros, o enquadramento, tudo era simplesmente perfeito.
Para fazer crescer agua no bico...
http://www.youtube.com/watch?v=jRisfgsgX4U&feature=related
domingo, 7 de setembro de 2008
Exílio temporário
Moledo, aqui estarei durante os próximos 30 dias...Mas não deixeirei de vir ao Cá Calharás para ler, comentar e escrever umas postas.
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
A nova coqueluche da política americana

Voltarei a falar desta senhora em breve.
Porquê, Portugal?

quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Fragmentos do Verão'2008 (II)
O objectivo desta Escola de Verão foi juntar pessoas e organizações de todo o Mundo e, de forma descontraída, debater e partilhar experiências, perspectivas e métodos relacionados com inovação social (= encontrar novas soluções para as necessidades sociais).
(dentro da sala - o Charlie é aquele senhor com pinta de "bife" no lado direito a mexer nos óculos, ele é "o" guru ideológico da coisa juntamente com um senhor chamado Geoff Mulgan)
(o método prático de trabalhar em grupo)
(o método prático de trabalhar em grupo, agora no jardim - talvez me reconheçam na foto)
(a foto de família)
That's all folks, daqui a uns dias, posto mais fotografias.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Economistas contra a subida de salários

Era notícia hoje no diário económico que os economistas eram contra a subida de salários, o que escandalizou tanto os sindicatos que estão a negociar com o governo e restantes parceiros sociais o peso relativo da sua subida, como e acima de tudo, indignou os assalariados. Sobretudo aqueles com ordenados baixos.
Eu sei que é impopular que se diga que não há espaço para subir salários. Sei também que em Portugal se ganha em média pouco, e que a subida de preços que se tem vindo a verificar, esmaga as famílias ao ponto de lhes tirar alguma liberdade económica, tão necessária para nos sentirmos felizes enquanto pessoas. Mas de facto, é um acto de responsabilidade indexar o que as pessoas ganham à sua produtividade. E quanto a isso não temos dúvidas, nós temos sido um país que em média tem um índice de produtividade baixo.
Mas ninguém gosta de descer de cavalo para burro. E as pessoas ficam angustiadas e chateadas quando vêem o seu poder de compra diminuir, ou quando pura e simplesmente não ganham o suficiente para ter uma vida digna. O erro foi cometido em meados dos anos 90 quando, jorravam milhões de Bruxelas e os políticos não cederam à tentação de aumentar os salários sem ter em conta o aumento da produtividade. Foi a criação do chamado “Monstro”, que agora, e de à uns anos a esta parte tem vindo a ser desfeito, aos poucos, e de uma forma suave. Para ainda assim as famílias e empresas poderem viver apenas da riqueza que produzem. Eu sei que é uma realidade triste. Mas enquanto não trabalharmos bem e com qualidade seremos um país pobre, e consequentemente com salários baixos. Doa a quem doer…
PS – Só mais uma nota de rodapé: para aqueles que lhes custa entrar isto na cabeça. Quanto mais se aumenta a massa salarial de uma economia, mais se está a contribuir para que a espiral de subida da inflação aumente. Neste cenário o nosso poder de compra tenderá sempre a diminuir, independentemente de ganharmos mais, pois o nosso dinheiro valerá cada vez menos…
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Má Partilha (II)

Ainda estamos lembrados dos ursos, e da sua pesca. E dos que retiravam, a pescaria aos que pescavam, não tendo de ter nenhum trabalho para ter o mesmo resultado que os que pescavam. Como eu referi, tinha visto essa cena num programa de televisão. Mas quem também não se lembra de outras situações, também elas televisionadas, que envolvem distúrbios entre humanos, e também eles por causa de bens materiais. Se passarmos do cinescópio para as linhas dos livros, também vemos retratado com mais ou menos ficção e efeitos especiais, a natureza humana retratada. J. R. Tolkien quando escreveu a trilogia “Senhor dos Anéis” retratava e bem a vontade dos homens pelo poder, e pela propriedade de um anel que concedia esse mesmo poder. Poder que fazia com que o possuidor do anel se sentisse atraído por ele, gozasse de uma ainda que aparente, mas ao mesmo tempo viciante sensação de bem-estar. O Gollum era bem a imagem disso… Não olhar a meios para atingir os fins. O que interessava era “tê-lo”. São tudo sensações que permanecem espelhadas no nosso dia-a-dia, talvez se manifeste de outras formas, é certo. Mas a necessidade está lá. A do ter, a do poder. Resumindo como tantos outros autores tão bem caracterizam é a transposição da vida da selva de onde toda a origem animal veio, para as cidades, construídas posteriormente pelo homem. Esse ser errante com cabeça para pensar…
Continua…
Foi do "cacete"!...

É verdade meus caros amigos. Não é exagero meu, e muito menos do folheto promocional às festas em honra do Milagroso S. João D'Arga. Quando se diz que estamos na festa mais característica do Alto Minho, deve ser verdade. Foi uma noite inesquecível... Até os piscas do carro me roubaram. Pelos vistos fizeram as delícias de um "cromo" e amigo do alheio, que por lá andava... Mas foi a única anomalia desagradável a reportar. Espero que não tenha sido o João Flácio, para oferecer de prenda de namoro à Menina Tininha... E a noite foi tão boa, e passada em tão boa companhia (até um casal belga se juntou à festa), que nem conseguimos ficar realmente pissed off. Já agora também tenho a registar que não me passava pela cabeça ver duas bandas a tocar à desgarrada temas que iam desde o eye of the tiger - do saudoso Rocky III, passando pelos Xutos & Pontapés, e até aos White Stripes. Enfim aquela malta tocava tudo, e com bastante alegria e vivacidade! Só faltou mesmo ver malta a pedir ajuda ao Milagroso, procriando em pleno Mosteiro, e só com a manta a tapar... Viva o Verão e as suas Romarias! Viva o Minho! Viva aos bons amigos! Viva Portugal!
Fragmentos do Verão'2008

Todos anos, na noite de 28 para 29 de Agosto, num lugar recôndito da Serra de Arga, a que apenas se consegue chegar depois de uma caminhada de alguns quilómetros, realiza-se a festa-romaria de S. João d'Arga, uma das mais importantes do Alto Minho, e que leva muitos a irem pedir a cura para algumas maleitas mas também a remediar problemas de infertilidade (dizem os mais experimentados nesta festa que as mães chegam a auxiliar as suas filhas inférteis no próprio acto).
Outros vão para dançar o vira minhoto, animados pelo som das concertinas ou pelas bandas populares que tocam em despique contínuo músicas modernas (este ano "Moreira, Moreira, Moreira!" contra "Lanhelas, Lanhelas, Lanhelas!").
Uma ida ao S. João d'Arga não se faz sem o abastecimento prévio na tasca do Cachadinha, a que se segue a mistura de aguardente e mel que é servida abundantemente em toda a festa.
À semelhança de outros anos, este ano não faltei e pude contar com a presença do El Cid e do Tio Franco, que se estrearam nessas andanças. Sem dúvida, uma festa contagiante... a repetir seguramente em próximos verões.
Ah... povo de Moledo, alguém sabe se o João F'lácio encontrou a Menina Tininha?
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Este ano não há incêndios? (II)
Ora, foi hoje divulgado publicamente um balanço provisório do ano de 2008 (entre 1 de Janeiro e 31 de Agosto) no qual se dá conta de que houve até hoje 4.981 ocorrências (1.023 incêndios florestais e 3.958 chamados fogachos) que consumiram uma área total de 4.685 hectares.
Comparando com anos anteriores, o relatório (aqui disponível) dá conta de que em 2008 a o número de ocorrências e a área ardida são inferiores aos registados entre 1998 e 2008, com excepção do ano de 2007. Dá-se ainda conta de que houve menos 4.099 ocorrências e de que arderam menos 19.301 hectares, correspondendo os valores de 2008 a 55% e 19,5% dos valores médios das ocorrências e área ardida dos últimos dez anos (até 15 de Agosto).
Espero que seja este o bom caminho... tomando a deixa do último post do El Cid, a prevenção faz-se prevenindo. Mas isso já não interessa aos "donos" dos nossos media.
PS - Poderia também ser feito um balanço do esforço financeiro e dos recursos humanos envolvidos na prevenção e no combate aos incêndios. O povo português agradeceria.
O caminho...

Como dizia o poeta espanhol António Machado, “caminante, no hay camino,
se hace camino al andar”, ou como comummente se houve “el camino se hace caminando”. Isto é muito bonito de se escrever ou dizer. Principalmente quando grande parte do caminho já foi feito, e sobretudo se na generalidade, foi bem feito e produziu bons resultados. Agora se é fácil de escrever e dizer, temo que seja difícil de fazer. Até porque se pensarmos um pouco, existem dois grandes tipos de caminhantes, “os generalistas” ou imitadores – seguem o trilho que outros vão percorrendo (com mais ou menos adaptações, imitando às vezes o bem e o mal feito), e os cata-ventos – vão caminhando conforme o vento lhes sopra… Agora pergunto eu – e se anda toda a gente a caminhar sabe-se lá para onde, qual será o resultado? Parecendo difícil, não é nada fácil.
Gerir e Mostrar a Arte, com sustentabilidade...entenda-se

Como todos se devem ter apercebido, estamos desde à uns anos a esta parte a assistir à construção, requalificação e criação de uma rede de teatros e auditórios por esse país fora. Teve e tem como principal objectivo democratizar o acesso à cultura, por parte das populações que não vivem nos grandes centros urbanos. Este investimento foi feito com financiamento na sua maioria comunitário. A programação destes auditórios foi feita com base no programa operacional de cultura, também ele alimentado por financiamento comunitário. O mix de financiamento também era composto por uma fatia do orçamento da cultura da respectiva autarquia onde o auditório/teatro estava implementado. Ora, com o POC terminado (não obstante de já ter substituto), e com os orçamentos das autarquias a serem alvo de uma criteriosa gestão, e a meu ver bem, torna-se difícil manter o nível de programação que esses equipamentos, os seus técnicos, e nomeadamente as populações afectas, merecem. A meu ver uma das soluções possíveis é criar uma entidade privada que procure fazer o que neste momento ao estado parece difícil de fazer. Ou seja, gerir eficientemente estes espaços culturais, garantido uma programação de qualidade, conseguir ir buscar outras fontes de financiamento para que estes espaços não se tornem “elefantes brancos”, e que mais uma vez as populações do interior fiquem permanentemente postas de lado…
Ideias e contributos para ajudar a contruir este plano, são bem-vindas!
Terrorífica notícia
Próximo domingo, 7 de Setembro, no cinema S. Jorge, Muad'Dib surgirá numa curta metragem no MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa (http://www.motelx.org/08/index.php?option=com_content&task=view&id=80&Itemid=108).
O que te falta, Muad'Dib? Plantar uma árvore, escrever um livro, ter um filho... ser estrela de cinema?
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Este ano não há incêndios?

Mais boas notícias...

Acabo de saber que um dos mais importantes símbolos lisboetas está de volta: o 2.º pilar do Cais das Colunas foi hoje reerguido e os trabalhos da sua recolocação estarão concluídos até 15 de Setembro. Afinal, ainda podemos desfrutar da frente ribeirinha de Lisboa. Antecipo desde já uma visita no próximo Outono, de preferência bem acompanhado.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Do 8 ao 80...

terça-feira, 12 de agosto de 2008
Má Partilha

Só para terem uma ideia da importância da palavra partilha, se a escreverem no Wikipédia português, encontram zero resultados da vossa pesquisa. Quando é que se houve falar em partilha(s), a primeira vez nas nossas vidas? É quando alguém morre, familiar (avô, avó, tio sem herdeiros, ou outro qualquer ente, que tenha ligação familiar com os nosso pais) e por sinal deixou alguns bens, que necessitam de ser divididos pelos herdeiros. Geralmente, quanto maior o espólio, maior a dificuldade de entendimento, e mais penoso é o processo das partilhas.
Mas este processo de partilha é, mais um processo de divisão. Pois, também sabemos, vivemos ou já vimos através de alguém, que depois do processo concluído, cada um fica com as suas coisas. Fazendo sentido mais uma vez a utilização da palavra divisão. E de facto tem sido disto que se tem tratado…
Faz parte da nossa matriz cultural, do nosso paradigma sócio económico, que o sistema de recompensas seja em face do mérito, e visa premiar os bons resultados. É um bom modelo, que ainda por cima depois tem mecanismos de redistribuir riqueza pelos mais desfavorecidos, através da tributação da riqueza produzida por este sistema.
Tem sido também apanágio do modelo económico ocidental onde o capitalismo e o liberalismo estão instituídos, a concentração de riqueza em cada vez menos agentes económicos e o aumento das assimetrias entre os povos. O fosso entre os ricos e os pobres é cada vez maior. E atenção, isto não é demagogia…
Uma vez, vi num qualquer canal de televisão um programa que caracterizava a vida de um tipo de Ursos, que vivia algures no continente norte-americano, e que para comer iam pescar à mão salmão que apanhava em contra-corrente num rio (daqueles com fortes correntes). Então, eles posicionavam-se dentro do rio a pescar. Mas nem todos estavam a pescar, havia um ou outro que se limitava a roubar à descarada, o produto da pescaria do outro Urso. Não sei se simplesmente por malandrice, ou pelo facto de todos os bons sítios para pescar estarem tomados.
Continua…
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
¿Preplexidade?
Publico.pt @ 7 de Agosto 2008
Tantos outros estudos, sobre OTA's, TGV's, Hospitais, Autoestradas, Portagens...
será que o resultado dos diferentes estudos foram os favoráveis aos desejos de cada um das entidades pagadoras?
nao será este tipo de consultoria, apenas uma forma de tentativa de credibilizaçao de um opiniao ou vontade existente?
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
A montanha pariu um rato
Imagino o quanto se especulou em Portugal sobre esta intervençao em pleno periodo estival. Da minha parte, já suspeitava de que ele iria falar do estatuto da Regiao Autónoma dos Açores mas com um discurso um pouco diferente.
Nao vou agora entrar numa análise desse estatuto - já o fiz há muito tempo e desde logo imaginei o actual cenário - uma vez que o que vale a pena é olhar para a intervençao do Presidente da República.
Uma desilusao completa! Foi para uma mensagem com aquele conteúdo que Cavaco obrigou, imagino, milhares de Portugueses a sair mais cedo da praia?
O estatuto da Regiao Autónoma dos Açores, aprovado pela Assembleia da República e proposto pelo Governo Regional dos Açores, é indiscutivelmente inconstitucional. O que Cavaco deveria ter explicado aos Portugueses nao eram as "tecnicalidades" do estatuto e os detalhes de como implícita e subrepticiamente a Regiao Autónoma dos Açores pretendeu ir mais longe do que a autonomia que aquele território (bem como o da Madeira) têm vindo a ganhar, especialmente reforçada na revisao constitucional de 2004. O que Cavaco deveria ter explicado aos Portugueses era a mensagem política sobre a coexistência dos interesses regionais e o aprofundamento da autonomia das Regioes Autónomas com a unidade nacional e com a manutençao de Portugal como um Estado unitário. A mensagem nao deveria ter tido um conteúdo jurídico como teve (para isso, já interveio o Tribunal Constitucional na semana passada) mas sim um conteúdo político sobre a importância da unidade nacional. Mas esse é um terreno em que Cavaco se encontra fragilizado depois do vexame a que se submeteu quando se deslocou à Madeira em visita oficial. Todos nos recordamos dessa visita...
Imaginei que Cavaco fosse adiar as eleiçoes regionais que se vao realizar nos Açores em Outubro e, por isso, a necessidade de uma mensagem ao País. Imaginei que esse adiamento fosse acompanhado de uma interpelaçao aos órgaos regionais para reflectirem as suas aspiraçoes agora tornadas malogradas.
Tanto tabu para isto, senhor Presidente?
O recado que veio dar deveria ter sido mais explicitamente dirigido à nossa Assembleia da República que, diga-se, com o beneplacito de todos os partidos, aprovou o estatuto agora declarado inconstitucional pelo Tribunal Constitucional. Toda a gente sabe que este estatuto nao foi discutido como deveria ter sido porque ninguém pretendeu introduzir no debate político nacional a questao do actual nível de autonomia regional. Sobretudo o PS e o PSD contribuiram para essa indiferença.
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Não basta...
Ora aqui temos um excelente exemplo.
Não basta ter ganho três eleições seguidas, duas delas com maioria absoluta (e ter sido o primeiro e único a fazê-lo até agora).
Não basta ter sido Primeiro Ministro durante uma década, sem pantânos, fugas para a Europa ou dissoluções (make my day e falem da Moção de Censura do PRD e do sagaz político Constâncio...).
Não basta ter sido eleito Presidente da República à primeira, contra o "Pai" (ou parvo como preferirem) da Democracia Portuguesa e contra o "Poeta" (ou novamente o parvo) desta mesma Democracia.
Não basta ter feito tudo isto sendo de direita num país que em 74 descobriu que era de esquerda (de Rio Maior para baixo, pelo menos).
Não basta ter tido a coragem de fazer o que era preciso fazer, mesmo quando isso significou perder votos e eleições (se fosse hoje o buzinão da ponte só acabava em Agosto pq o povo de revoltava por não poder ir para férias)
Não basta ter lançado obras como a Expo ou a Ponte Vasco da Gama (por favor comparar com a nova ponte, o aeroporto ou o TGV...).
Não basta ter feito tudo isto afrontando os media (só dedico 5 minutos por dia a ler jornais, ah Leão, quem mais neste país os tem no sítio para dizer isto?).
Não basta ter feito tudo isto sem que sequer um grão de pó de suspeita sobre a sua conduta ética e moral se tenha levantado (por oposição a ...Iberdrola, Mota Engil, BES, Sobreiros, etc)
O que é preciso mais? Quem é que se pode de alguma forma comparar?
Ninguém é perfeito, e quanto mais de faz, maior a probabilidade de errar...
Mas os Guterres, Santanas, Durões, Portas, Sampaios ou Sócrates é que são bons...?
Se calhar são, pelo menos não destoam tanto da mediocridade, facilistimo, demagogia, cobardia, incapacidade, estupidez e imbecilidade que tão bem caracterizam boa parte do país...
O discurso do Sr. Presidente...

É hoje às 20h que sua excelência o Presidente da República, vai discursar utilizando o prime time televisivo, ao país. Já está tudo muito expectante… Afinal o que será que ele tem a dizer? De novo, claro. Os assessores já ajudaram a criar a cortina de fumo à volta do dito acontecimento, agora tornado mediático. São aqueles tiques que nunca se perdem. Durante 24h, é um tabu. E o povo desorientado, pelo menos aquele que não está ainda mais preocupado com os problemas do Benfica. Esse sim para muitos dos portugueses um verdadeiro problema nacional. Fica “em pulgas”. Será que ele vai dizer alguma coisa de novo? Nós vemos o primeiro-ministro tão atarefado a selar acordos de investimento que visam dinamizar o país. Com uma atitude proactiva, dando o exemplo de que só há um caminho para sairmos da situação em que o país, e o mundo se encontra: Trabalho aliado a uma boa dose de criatividade. Ou será que, pelo facto do índice de confiança de Junho estar ao nível de 1986, ou seja incrivelmente baixo, altura em que o Prof. Cavaco estava no Governo, ele venha apontar uma receita que na altura usou e resultou. Mas aí tínhamos acabado de entrar na então C.E.E., que fez jorrar muitos milhões no “quintal”. Hum… Também não deve ser. Ou será que vem “puxar as orelhas” aos governantes por causa dos faraónicos investimentos em aeroportos e TGV’s. Pois se vier a crise que muitos antevêem, irá criar muito desemprego, tensões sociais alarmantes, tendo os cofres do estado estar com provisões suficientes para pagar muitos subsídios de desemprego. Ah, não me digam que vem pedir a todos os jovens portugueses para irem ao festival Sudoeste, edificado pelo seu son in law, que tem sabido tão bem entreter os jovens cá do burgo. Não, não me parece, o Prof. é como diria Miguel Cadilhe, como os eucaliptos, seca tudo à volta. Nem pelo genro (que por sinal, às vezes é um belo trafulha), ele se ia atravessar, pois podia comprometer a sua helénica carreira política, e a sua imagem social. Sabem que mais, é mais um daqueles momentos, de menino mimado que perante as visitas em casa, para mostrar o seu talento e virtuosismo, diz – “posso cantar?”, ao que as vistas porque já não o podem ouvir mais, dizem – “canta lá rapazinho”. Mas o melhor é esperar para ver. Aliás parece-me que o primeiro objectivo desta comunicação ao país já foi conseguido.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
"Poteo" em San Sebastian
Passou hoje na TVE 1 em Espanha:
http://www.rtve.es/mediateca/videos/20080729/curso-pinchos-san-sebastian/236445.shtml
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Uma coisa perfeita.
Uma coisa diz-se perfeita, não quando já não sei lhe consegue acrescentar mais nada, mas sim quando já não se lhe consegue retirar mais nada… Isto é uma dica apara todos aqueles que procuram "reinventar a roda", e para aqueles que como muitos de nós andam perdidos à procura de caminhos e soluções. Por vezes ela (a solução), não só é evidente, como bestialmente simples. Até porque se formos analisar os negócios simples, desde que bem geridos, são aqueles que perduram.
sábado, 26 de julho de 2008
Semana horribilis
sexta-feira, 25 de julho de 2008
O ranking que saiu pela culatra

“Fethullan Güllen lutou pelo aceitar das diferenças entre fés e raças. A sua história de vida merecia um Prémio Nobel da Paz, e não apenas o lugar cimeiro na lista dos 100 maiores intelectuais do mundo”.Harun Tukak, presidente da Fundação de Escritores e Jornalistas, em declarações ao jornal turco, Today’s Zaman“Como é possível que o mundo muçulmano não tenha uma única universidade cotada no ranking das 500 melhores e que, ao mesmo tempo, produza os 10 melhores intelectuais eleitos através da sondagem realizada em conjunto pela Prospect e pela Foreign Policy?”.Andrew Norton, comentador político, no seu blogEle há tiros que saem pela culatra. Tudo começou quando a americaníssima revista Foreign Policy (FP) e a inglesíssima Prospect elegeram os 100 intelectuais “públicos” de topo do mundo. Economistas, escritores, filósofos, laureados com o Nobel, líderes religiosos, professores universitários, entre outras personalidades “cujas ideias influenciam os demais”, das mais diferentes partes do mundo, constavam do ranking. Mas, de seguida, as duas publicações resolveram pedir ao público que votasse nos 20 que maiores honras de destaque mereceriam. Ao longo de quatro semanas e mais de meio milhão de votos depois, os 20 mais foram divulgados e os 10 primeiros são todos... Islamitas. O resultado, inesperado não só para os editores das duas revistas, provocou uma onda de comentários na imprensa, mas é passeando na Internet que se chega aos mais recônditos contornos de um ranking que está a dar muito que falar.Em primeiro lugar, todos sabemos o quão subjectivo pode ser um ranking. Contudo, uns são, efectivamente, muito mais subjectivos que outros. E existem critérios mínimos a ter em conta quando se decide nomear um país, uma personalidade, uma cidade, uma escola ou seja lá o que for para que conste, para a posteridade, que x ficou em y lugar no ranking z. Esta é a primeira crítica que se faz aos responsáveis da Foreign Policy e da Prospect que elegeram, eles próprios, aqueles que deveriam constar no top 100 dos intelectuais mundiais. Os critérios exigiam que “os candidatos deviam estar vivos, ter voz activa na vida pública e que já tivessem demonstrado distinção na sua área particular de actividade bem como a capacidade de influenciar um debate alargado, para além das fronteiras dos seus próprios países”. A lista dos 100 eleitos incluía nomes tão díspares como o linguista e activista Noam Chomsky (que em 2005, a última vez que este ranking foi produzido, foi o primeiro classificado), o pai da microfinança e Nobel da paz, Muhammad Yunus, o Papa Bento XVI, o escritor Salman Rushdie ou o economista Jeffrey Sachs. Nestes poucos exemplos, torna-se evidente a diversidade dos eleitos, tanto ao nível das suas áreas de influência, como dos países que os viram nascer.Até aqui, nada a apontar. Opiniões são opiniões e rankings valem o que valem. O problema começa a colocar-se quando é anunciado, no website da Foreign Policy, que o público iria escolher os “20 mais” da intelectualidade global. E o que se esperava vir a ser uma consulta pública, acabou por se transformar numa bem-feita, pelo menos por alguns, campanha de marketing. E se avaliar a influência de outrem pertencente a determinada cultura já é difícil, imagine-se quando em disputa estão culturas, crenças e línguas distintas.O império muçulmanoO número 1 da lista é Fethullah Güllen, um líder religioso muçulmano da Turquia. Na verdade e como já foi referido, os 10 primeiros lugares são ocupados por pensadores muçulmanos provenientes de países com populações predominantemente islâmicas. “O que não é uma coincidência”, afirma Kate Palmer, uma das editora da revista americana. Para além do ranking ser altamente subjectivo, a sondagem transformou-se numa verdadeira competição vorazmente alimentada por legiões de apoiantes e, em alguns casos, pelos próprios intelectuais “a concurso”. Num dos muitos blogs visitados, o blogger afirmava até, com uma certa ironia, que não fazia ideia que o reputado economista Paul Krugman tivesse o seu próprio website e que nele fizesse publicidade a si próprio (embora sem resultados notórios).A surpresa começou a instalar-se na Foreign Policy quando, da noite para o dia, Güllen saltou para o primeiro lugar do ranking – e lá permaneceu. Contam os próprios editores da FP e da Prospect que, de início, julgaram que algum membro tecnologicamente hábil da Fethullahcy – o nome colectivo para os milhões de seguidores que Güllen tem por esse mundo fora - tivesse entrado no sistema e manipulado os votos. “Nós teríamos identificado o culpado, descontaríamos os votos, tudo voltaria ao normal e Noam Chomsky [que acabou por liderar os ocidentais com um 11º lugar] iria repetir a vitória de 2005”, afirmam. Só que a verdade se transformou em algo ainda mais interessante, como conta Tom Nutall, editor sénior da Prospect. No início de Maio, o Zaman, o jornal mais vendido na Turquia, com uma circulação superior a 700,000 e com várias edições internacionais, publicava, na sua primeira página, uma história sobre o aparecimento de Güllen no ranking e o facto de ambas as revistas estarem a convidar os seus leitores a votarem online. Nas semanas que se seguiram, o jornal – que se diz ser apoiante do movimento de Güllen – fez várias referências ao facto do líder religioso fazer parte da lista, o mesmo acontecendo com outros jornais turcos e com os websites do próprio concorrente, oficiais e não-oficiais. Ainda de acordo com a Prospect [ambas as revistas sentiram necessidade de justificar o ranking, com editoriais e artigos escritos não tanto sobre os vencedores, mas sobre a sua legitimidade], “a eficácia e disciplina da Fethullahcy é lendária e a tentação dos seguidores de Güllen de elevarem o seu homem ao topo de uma sondagem organizada por duas revistas ocidentais influentes foi irresistível”. Mais ainda, o editor da Prospect afirma que a vitória do líder religioso muçulmano pode ser entendida como a emergência de um novo tipo de intelectual – aquele cuja influência é expressa através de uma poderosa rede pessoal, ajudada pelo poder da internet, e não suportada por publicações ou instituições.E o que dizer dos restantes vencedores do top 10?O segundo lugar, ocupado por Yunus, polémica alguma deu. O fundador do Grameen Bank e Nobel da Paz deve ser dos poucos que, unanimemente, reúne admiradores em todos os cantos do planeta. Mas nomes como Yusuf Al-Qaradawi (Egipto/Qatar)– um popular clérigo com um ainda mais popular show televisivo na Al Jazeera- , Orhan Pamuk, turco e Nobel da Literatura em 2006, o político e conhecido advogado Aitzaz Ahsan, opositor de Pervez Musharraf, o teórico religioso, iraniano, Abdolkarim Soroush ou o antropólogo cultural Mahmood Mamdani, seguiram-se na lista, colocando o islamismo no topo da intelectualidade mundial. Salvaguardando-se (ou não) as questões políticas – os vencedores são dados como moderados e com leituras diferentes do islamismo.Para os que tentam explicar este “fenómeno”, o que acabou por acontecer foi uma espécie de “contágio” ou, como explica o editor da Prospect, este “efeito islâmico” reflecte o poder da ligação estreita existente no seio da comunidade muçulmana, especialmente no que diz respeito às suas facções mais liberais, exemplificando com os três milhões de utilizadores que tem o Facebook na Turquia, mais do que qualquer outro país, sem contar, obviamente com os Estados Unidos da América, a Grã-Bretanha e o Canadá.Seja como for, o que importa aqui realçar é a seguinte questão: continuará o público a gostar tanto de rankings (que são sempre matéria de polémica, mas que vendem) agora que sabe como é fácil manipulá-los? Para a comunidade islâmica, a pergunta não tem cabimento. Pelo menos e oficialmente, neste momento, são eles que lideram o ranking dos neurónios publicado por duas revistas muito ocidentais.
E quem são os “outros”?
Noam Chomsky, linguista e activista, e crítico da política estrangeira norte-americana – desde a guerra do Vietname -, fica à frente do muito inteligente Al Gore, político, ambientalista, Nobel e, ao que se sabe, promotor de uma ópera que terá como tema a sua Verdade Inconveniente. Segue-se o historiador e professor na Princeton University, Bernard Lewis, conhecido pelos estudos que faz relativamente ao antagonismo entre o Islão e o Ocidente, um conflito que atribui ao fracasso do primeiro em se adaptar à modernidade e o italiano romancista e semiólogo , Umberto Eco. Um pouco mais à frente (ou melhor, atrás) na lista encontra-se o indiano Amartya Sen, um economista do desenvolvimento e Nobel da Economia em 1998 e o famoso jogador de xadrez russo, Garry Kasparov, que para além de mover peças em tabuleiros, é um activista da democracia e opositor de Putin. O biólogo britânico Richard Dawkins, acérrimo defensor da ciência e da racionalidade fecha a lista dos 20 em conjunto com o gigante da literatura Mario Vargas Llosa, que utiliza as palavras para expor a tirania e a injustiça."
terça-feira, 22 de julho de 2008
Saudades...

segunda-feira, 21 de julho de 2008
Lição de Vida - não acontece só aos outros... (II)
Não conheço o Ricardo Matos, nem sei se a história dele, narrada pelo El Cid, é verídica ou não, mas sei que, aparentemente, no caso dele, não foram necessárias centenas de relações para ficar contagiado e transmitir o vírus à mulher dele.
Lição de Vida – não acontece só aos outros…
Chamo-me Ricardo Matos, tenho 35 anos e não sei se faço os 36!
Irónico? Não. Sou realista… e já vão perceber porquê.
Sou casado (em união de facto, o que para mim é a mesma coisa) há 6 anos. Um casamento feliz, vários desentendimentos ao longo deste tempo, mas nada que possa ter posto em risco os sentimentos fortes e recíprocos
entre mim e a mulher da minha vida – a Paula. A prova está nos 2 seres mais importantes do mundo para mim – os meus piolhinhos – Nádia e André.
Antes de nascer o André, passei por um período complicado. Eu e a Paula discutíamos muito, a gravidez dela foi complicada, ela passou muito mal, o humor dela alterou-se completamente, teve algumas complicações e ficou
de baixa a partir do 4º mês de gravidez… e eu não tive paciência nem coragem para a apoiar. Eu não fui um bom marido, nem um bom pai, optei pelo caminho mais fácil e refugiei-me nos meus amigos, na noite, nos copos… O ambiente em casa ficou de cortar à faca, tudo era problema para a Paula, em contrapartida, lá fora tudo era maravilhoso, não havia stress com nada, eu era solicitado pelos meus amigos, ninguém fazia perguntas, ninguém me criticava, tudo era perfeito!!!
Até que um dia, numa das minhas saídas nocturnas, conheci mais profundamente uma das amigas da noite: o nome dela era Mónica, tinha 25 anos, não era propriamente bonita, mas era aquilo que se chama 'um chuchusinho'. Até esse dia, brincávamos um com o outro, provocávamonos mutuamente, chegámos até a trocar uns beijinhos inocentes, nada de importante. Mas nessa noite, foi diferente, eu tinha vontade de extravasar, não me apetecia pensar na minha vida actual, naquele momento, rejeitei completamente pensamentos sobre a minha vida, a minha mulher, a minha filha… o meu filho que vinha a caminho. Acabei a noite num hotel, achando que o meu acto era apenas um desabafo, pois se a minha vida estava virada do avesso, que mal fazia tentar alegrar-me um pouco?!
Cheguei a casa à hora do almoço,desculpei-me com os copos, arranjei o álibi perfeito, disse que bebi demais, não estava em condições de conduzir e fiquei a dormir no carro, juntamente com um amigo. Não sei se a Paula acreditou. Só sei que não disse mais nada. Eu senti-me mal, mal por mentir, mal porque senti nojo de mim próprio, pelo que tinha acabado de fazer. Uma noite perfeita acabou num peso brutal na minha consciência. A Paula não merecia nada do que eu tinha feito.
O tempo foi passando, as mágoas foram-se atenuando, mas as coisas entre mim e a Paula nunca mais foram as mesmas. Até que nasceu o André. Aí, baixámos as armas por completo e prometemos um ao outro que nunca
mais íamos deixar as coisas chegar à exaustão. Éramos uma família e tínhamos que lutar por ela, por nós e principalmente pelos nossos filhotes.
Esqueci o assunto, 'redimi-me dos meus pecados', dedicando-me à minha família. Mas sempre que me olhava ao espelho, sentia-me um cobarde pela traição e por não ter assumido os meus actos. Mas também, isso poderia
estragar tudo. Era melhor ninguém saber de nada.
Há cerca de um ano atrás, a Paula foi ao médico, por causa de umas dores que andava a sentir. Fez exames e detectaram que tinha quistos nos ovários. Teve que ser operada e para tal, foi submetida a uma série de análises – prática comum antes de uma cirurgia. Entre as análises estava a avaliação sobre o HIV. Qual o problema? Nenhum. Nunca poderia acusar nada… mas acusou. A Paula estava infectada com o vírus da sida e a tempestade caiu de novo nas nossas vidas.
Tive que admitir o meu erro e automaticamente, fiz também análises. Estava também infectado, fui eu o causador de tudo, de certeza absoluta. Lembrei-me da inconsciência daquela noite, de tudo o que fiz e do que não fiz. Como é que eu pude fazer o que fiz sem usar preservativo, com uma pessoa que eu conhecia há tão pouco tempo. Mas tinha tão bom aspecto… quem haveria de dizer… Percebi também porque é que os antibióticos que andava a tomar não
faziam efeito como deviam.
Estraguei a minha vida, a vida da minha mulher, dos meus filhos, dos meus pais, de toda a família. A Paula ficou portadora do vírus, por minha culpa. A lição que aprendi, a um custo tão elevado foi que o amor vence tudo. A
Paula deu-me uma chapada psicológica que eu nunca vou esquecer. Perdoou o que eu lhe fiz e tem-me proporcionado os melhores momentos da minha vida.
Hoje, estou deitado numa cama, sem fazer esforços. Estou com uma broncopneumonia grave, o meu organismo não responde aos tratamentos, não sei quantos dias vou durar. Se me safar desta vez, vou continuar a viver cada momento como se fosse único. Estou angustiado por não haver nada a fazer, pelas consequências do meu
acto inconsciente.
Quanto à minha amiga, a Mónica, perdi-lhe o rasto, tentei contactá-la logo que aconteceu tudo, mas nunca atendeu. Será que sabia o que tinha? Quantas mais pessoas teriam a mesma coisa? Estas são perguntas para as quais nunca vou ter resposta. Percebi a importância da vida, que, se tivesse uma 2ª oportunidade,nunca desperdiçaria os melhores momentos, as gracinhas dos meus filhos, o amor da minha mulher.
Porque escrevo? Porque quero passar a mensagem a todos os meus amigos e a todos os amigos dos meus amigos.
Eu não tive uma 2ª chance, não pude voltar atrás, estraguei tudo. Por isso peço-vos: não desperdicem as oportunidades da vida.. Ponderem sobre o que é mais importante para vocês.
Quando 'brincarem' com alguém, conhecido ou desconhecido, por mais confiança que possam ter, protejam-se. O bom aspecto das pessoas não indica se estão ou não contaminadas. Cuidado com as caras bonitas (isto é
válido também para as mulheres, claro). Mesmo com protecção, façam o teste HIV, porque nunca se sabe.
Quando o fizerem, se estiverem a trair alguém como eu (custa muito admitir, mas foi mesmo traição o que eu cometi), cuidado, pensem que não podem estragar mais ainda a vida das pessoas. Eu não consegui voltar atrás mas quero que o meu caso sirva de exemplo.
Não vou chegar aos 36 anos, vou deixar para trás uma história de vida muito bonita, os meus filhos, a minha mulher, toda a minha vida. Eles vão ficar marcados para a vida toda, principalmente a Paula que tem a vida dela estragada à custa da minha irresponsabilidade. Peço que não escondam nada dos meus filhos, quero que lhes contem tudo o que o pai fez, que lhes mostrem esta carta, quando puderem entender. Perdi o rasto a muitos amigos de escola, da faculdade e de outros andamentos. Por isso mesmo, quero pedir a quem tem esses contactos, que forme uma corrente e mostre a minha mensagem. O meu exemplo tem que servir para alguma coisa. Como não posso viver,
pelo menos a minha morte poderá evitar outras, assim o espero. Às pessoas que me conhecem, provavelmente vão ler a mensagem depois da minha morte: nunca tive inimigos por isso posso dizer que tive todo o prazer em vos conhecer, em ser vosso colega, vosso amigo… não chorem a minha morte, ou se chorarem, sorriam ao mesmo tempo e pensem que a vida é maravilhosa, basta nós querermos.
Por último, peço a todos os que lerem a minha mensagem, que pensem sobre o significado de curtir a vida.
Curtir a vida não é fazer o que eu fiz. Pensem muito nisso.
CURTAM, PROTEJAM-SE E VIVAM FELIZES!!!
Com saudades da vida
Ricardo Matos
Lisboa, 27 Fevereiro 2008
domingo, 20 de julho de 2008
Lisboa vista de fora
É sempre um exercício interessante perceber que imagem têm de nós.
E nesse aspecto este artigo do NYTimes é particularmente interessante.
Dá-nos uma perspectiva de Lisboa que não é seguramente aquela que a esmagadora maioria dos Lisboetas conhece. Ou alguma vez conhecerá.
É uma Lisboa elitista, virada para consumidores com poder de compra elevado, com tempo e muito dinheiro para gastar. Aceito que seja esse o target do NYTimes.
Já aceito com menos facilidade o facto de em todo o texto transparecer sempre o tom de que tudo o que por aqui se passa é surpreendente num país que é, claramente para o autor do artigo, um país de pacóvios.
É triste perceber que é essa a imagem que têm de nós e , pior, a imagem que passam de nós...
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Rock in Rio, no nos tomes el pelo
Entrada de Rock in Rio. (Foto: Carlos Alba)
2 de julio.- Si Paco el Pocero montase un festival de música, le saldría Rock in Rio.
Porque los símiles, una vez transitado el festival un par de días, están a huevo. ¿A qué se parece este supermercado pop? Elija su opción:
- A un Carrefour de secano. Aparcamiento pedregoso, compra-compra-compra todo lo que te vendemos-vendemos-vendemos, gigantismo en las distancias y un público, con perdón, bastante Carrefour.
- A una urbanización de los años del pelotazo inmobiliario. Mobiliario urbano chungo, sensación de deshumanización, aires de secarral, horterez por doquier... Faltan los adosados, pero démosles tiempo.
- A una versión musical de Fitur. Avalancha de marcas, cutreatracciones aquí y allá, impactos publicitarios a cada metro... Y encima hay que pagar para entrar. Brillante.
- A una Expo aún más absurda que las Expos. Rollo 'vamos a meter aquí a 100.000 de tíos y ya nos inventaremos con qué excusa'.
Ah, es verdad, el gancho es la música. Pero el cartel, de tan ancho, tan familiar y tan para todos los públicos, es un globo flácido a morir, casi sin aire. Neil Young, Bob Dylan, Police y poco más. El resto, música de mayor o menor valor artístico, pero de intención tan comercial como el propio emporio en sí.
La otra coartada asalta al visitante a la entrada: "Por un mundo mejor". Y la cantinela de la sostenibilidad, la ecología, el buenrrollismo y tal.
Más bien por un mundo igual o peor que este: Rock in Rio usa como pantalla la cultura para promover el credo ideológico de los tiempos: no somos ciudadanos, sino consumidores. ¿Quiere vivir? Pague. Sí, por un mundo mejor, pero mejor para el bolsillo de algunos. Un mundo regido por la pasta, y de la mano del egoísmo.
Si algo sabemos a ciencia cierta hoy es que las causas solidarias suelen ser, salvo excepciones, una puta en manos de las industrias culturales. Una treta que, para ellas, es pan para hoy y hambre para mañana: es imposible engañar a todos todo el tiempo. Aún parte del público viejuno podría tragarse el engaño; el joven no tiene excusa.
Dicho lo cual, importante: ¿sobra Rock in Rio? No, Rock in Rio no sobra. Música es música, aunque sea hecha principalmente para forrarse, e igual satisfacción pueden causar Shakira y Dylan en sus respectivos fans. No sobra, también, porque no llega por aquí tanta música como para andar derrochando. Y no sobra porque un centro comercial es un centro comercial, y como tal hay que tomárselo: uno va, compra, y vuelve a su casa.
Pero que no nos camelen. Rock in Rio, bienvenido y tal, pero no nos tomes el pelo.
(Y eso que servidor no presenció la apertura del evento el jueves pasado, con Esperanza Aguirre en plan Madonna castiza y varios cazas surcando los aires, según me cuentan. Esta crónica me habría salido más divertida pero, mecachis, no estuve).
Fonte: http://www.elmundo.es/elmundo/2008/07/02/rockandblog/1214957902.html

