quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Não se brinca com quem usa cornos
terça-feira, 22 de setembro de 2009
... à beira de um ataque de nervos
O 15º melhor do Mundo

Crime Público
Quase não dá para respirar..
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
A mentira só acaba quando a verdade aparece.
Asfixia Democrática

No Largo do Rato já devem estar a distribuir espadas laser azuis para lutar contra o Império do mal (Cavaco e Ferreira Leite)… se calhar a asfixia democrática é por causa da Máscara do Darth Vader…
Camarada Félix, essa visão maniqueísta entre os bons e os maus é um caminho perigoso… potencia a clivagem social e o descrédito da classe politica… campo fértil para a demagogia e para os extremismos.
Quanto ao estado de direito, entendo que é condição fundamental para uma democracia, mas a verdade é que não é nenhuma vaca sagrada, que não possa ser questionada, como se fosse um fim e não como um meio.
Na minha opinião existem 3 valores fundamentais para o Estado: Coesão Social, Equidade e Transparência (por oposição da eficácia e da eficiência que foram (tentaram ser) os valores do estado nas ultimas legislaturas).
Quais destes valores são garantidos pelo actual estado do nosso sistema Judicial?
Separar as águas.
Se Moisés fosse candidato às próximas eleições presidenciais em Portugal, ganhava de certeza. A confusão é tanta, tamanha é a quantidade e a variedade de fontes e de pseudo informações e informadores que parecem jorrar debaixo de cada calhau, que o que do que precisávamos mesmo, não era de outro jornal de sexta, mas sim de um Moisés que abrisse caminho pelas águas tortuosas da desinformação a caminho da terra prometida da confiança.
Quando os homens não estão à altura dos momentos, devemos procurar refúgio nas nossas reservas éticas morais e legais. A nossa primeira reserva colectiva seria porventura a que esta personificada na figura maior do nosso Estado, mas nem esse cidadão está a salvo do presente lamaçal, e até é suspeito de ser um dos principais chafurdadores.
Resta-nos a Lei, resta-nos o Estado de Direito, resta-nos acreditar no princípio da separação de poderes e na fiscalização e auto-regulação de forças que estes exercem entre si:
- Podemos acreditar que o que temos funciona, que a Lei prevalece, que a Lei é a expressão máxima da nossa vontade democraticamente demonstrada.
- Podemos não acreditar em mais nada, podemos desconfiar das instituições, pôr em causa os seus fundamentos e desrespeitar os códigos sociais, desrespeitar as leis, quem as produz e aplica.
Neste momento, a escolha mais simples para os portugueses é assumirem a sua boa fé ou má fé naquilo que entendemos por República Portuguesa, pela nossa democracia, pelos nossos tribunais.
Aqueles que respondam negativamente, aqueles que para a resolução de um diferendo ou de um problema social acham mais legitimo e eficaz recorrer-se à difamação num qualquer pasquim do que aos tribunais ou a qualquer outro instituto público, então que tomem bem consciência do caminho que começam a trilhar.
O nosso Primeiro-Ministro pode não ser a pessoa mais simpática aos olhos de muitos portugueses e alguns deles naturalmente votarão contra ele no próximo dia 27, mas sustentar essa decisão não na avaliação critica da eficácia das suas políticas, mas sim no achincalhamento não apenas de José Sócrates mas já de todos os princípios e valores que sustentam a nossa democracia?
Agora, até o processo Casa Pia serve para a campanha política contra a credibilidade das nossas instituições. Quem ataca o conselho superior de magistratura a pensar que ataca o PS saiba que ataca antes de mais os juízes em quem temos de confiar para bem da nossa sociedade. Da mesma forma, quem defende a “Casa Civil da Presidência da Republica”, com o argumento de que em Portugal é mais fiável e eficaz ao Presidente da República recorrer a denuncias semi-anónimas e veladas a meios de media seleccionados, ao invés de recorrer às instituições do Estado como a Procuradoria Geral da República ou a Policia Judiciária, está a pôr tudo em causa.
O que é preocupante, é verificarmos que quem joga o jogo democrático não hesita em fazer batota quando
O destacado líder do PSD, Fernando Ruas sob o beneplácito de Manuela Ferreira Leite soube separar bem as águas quando evocou uma quadra em que julgava em desuso: “Um cravo na lapela fica sempre bem, principalmente a certos filhos da mãe”.
É aceitável que o carácter de uma pessoa possa ser colocado em causa pelas suas opções políticas com tamanha leviandade?
Portugal não pode ser uma imensa Vise, eu não aceito ser alcunhado “filho da mãe” por usar um cravo na lapela, da mesma forma como não quereria ser “uma ratazana” por usar uma cruz de David na Alemanha de Hitler.
Este é o tempo de separar as águas, esta lama que vem sempre do mesmo lado e na mesma direcção só pode aproveitar a quem desrespeita por completos os valores da nossa democracia.
Nestas eleições, mais do que escolhermos entre a esquerda e a direita temos mesmo que fazer uma outra opção bem mais grave e consequente, ou defendemos o Estado de Direito que tanto custou a ganhar e construir ou alinhamos com aqueles para quem o Estado de Direito e as suas instituições com poderes autónomos e equilibrados são uma imensa “força de bloqueio”.
A Dúvida
Neste fim-de-semana, e para quem tinha dúvidas, elas foram desfeitas. Mário Soares veio a público dizer que a ideia de coligação com o Bloco de Esquerda não o repugna nada. Que é a mesma coisa de que dizer, venha de lá o Louçã, até porque devemos ter sempre os inimigos do nosso lado, independentemente de estarmos a dar forma àquele que pode ser o governo mais incoerente da história de Portugal – juntar um Trotskista com “pinta” de gestor de condomínio a um social-democrata (ou socialista de 3ª via), prémio sexy platina do Correio da Manhã. A melhor metáfora que me vem à cabeça é de que isto equivale a juntar numa qualquer arca de Noé apenas duas espécies completamente antagónicas tais como um cão de raça pitt-bull e uma cobra piton. Mas comparações à parte se dúvidas havia quanto à coligação que seria feita pelo PS caso ganhe as eleições (inicialmente falava-se que seria Paulo Portas a ter o passaporte para o governo no bolso, independentemente de quem ganhasse), elas foram desfeitas. Não tem nada que saber, junta-se o 1º com o 3º, e já está, temos governo. Mas o 3º é aquele partido anti-poder que defende básica e unicamente ideias românticas temperadas de soluções demagógicas. Não tem problema! É tudo em nome da estabilidade democrática. Vale tudo, até por partidos que não foram talhados para ser governo, no próprio governo. A dúvida vai sempre persistir, irá Portugal resistir a estas experiências?
PS – Não tenho nada contra nem a favor do Bloco de Esquerda. É um partido necessário à democracia portuguesa. Daí até poder ser governo, é um enorme passo, que penso que o Bloco não está talhado, nem tem capacidade de resposta para o fazer de uma forma capaz.
O Corpo da Mentira
sábado, 19 de setembro de 2009
Chegou o carteiro!

Começa a ser cómico e é apenas um pouco trágico que ainda haja quem lhe dê ouvidos. Agora Manuela Ferreira Leite veio dizer que já nem o correio é seguro. Mas em que país é que vivemos? Ou melhor, em ano? A violação de correspondência é crime. “A Senhora” já apresentou alguma queixa? Ou alguém do seu “staff”? Ou será que é como “o outro” que não gosta de PPR`s mas tem mais de 30.000€ nessas aplicações? Se calhar “A Senhora” não confia nos correios mas continua a enviar cartas ao Pai Natal, talvez a pedir uns pastéis de Belém na peúga...
Das duas uma..

... ou o Presidente prova que é vítima de escutas por parte do Governo, o que justifica em parte, e ainda que de forma criticável, a intriga que teceu contra José Sócrates, ou então não consegue provar absolutamente nada e comprova à vista de todos que não tem a dimenção ética e institucional para ocupar o cargo que ocupa.
O Presidente tem que falar agora e antes das eleições, explicar ao país o que o leva a promover este jogo de poker. Caso tenha algo na mão mostre já, não será depois das fichas distribuídas pelas legislativas que terá qualquer autoridade para então "esclarecer" o que o leva a ter este comportamento nada institucional e altamente condicionante da campanha eleitoral em curso.
Senhor Presidente da República, fale agora ou cale-se para sempre!
O Donaldim do PSD

Pronunciar-me sobre as questões de ética jornalística relacionadas com todo o folhetim das escutas em Belém, é chafurdar na lama de uma classe profissional que não respeita os leitores, e que acima de tudo não se respeita a si mesma.
Quando notícias sobre histórias infundadas que fizeram notícia vêm à praça pública pelas mãos de outros colegas de profissão, só fica demonstrado que apesar dos pesares na classe profissional dos jornalistas ainda há alguma capacidade e fiscalização entre pares, e de auto-regulação numa actividade que tem que ser por natureza pouco regulada e muitíssimo protegida. Mas este não é o caso, o DN ao revelar um e-mail interno do “Público” passa vários limites:
Em primeiro lugar, revela a fonte que pretensamente fundamenta a peça que José Manuel Fernandes decidiu publicar a 18 de Agosto. A revelação de fonte jornalística é inclusive uma pratica criminalizada em alguns países.
Em segundo não revela a sua própria fonte. Aquele e-mail é uma agulha num palheiro. Quem do palheiro saberia sequer da existência da agulha? Não sabendo quem reenviou aquele e-mail, pode o DN fazer 1ª página com um assunto desta gravidade?
Em terceiro lugar, assume-se definitivamente como contraponto ao jornal Público, o que terá como efeito a conquista do epíteto de “jornal do regime”. A médio-longo prazo temo pelas consequências que este fardo trará para o Diário.
Mas o que interessa aqui e que é mais relevante do que o comportamento do DN neste ultimo episódio das suspeitas de escutas em Belém, será com toda a certeza como se inaugurou a serie.
Comprova-se o que é vox populi desde os tempos de Durão (amigo pessoal desde a faculdade) na liderança do PSD, José Manuel Fernandes capricha, nos fretes que faz às suas “fontes” laranja. Não podemos vestir de alvo virginal, num aquário como o nosso, toda a gente se conhece e dificilmente não toma partido, ou no mínimo, não desenvolve um relacionamento privilegiado com este ou aquele protagonista. Mas neste caso em concreto, exigia-se ao director de um jornal de referência outro comportamento. Aquele que escolheu ter levanta várias questões:
- A notícia 18 de Agosto é legítima, mas porque foi apenas publicada em 18 de Agosto quando o jornal foi informado pela fonte vários meses antes? Para cair em cima da reentre politica? Para dar a pedra-de-toque de que necessitava Ferreira Leite para continuar a asfixiar o debate político com as suas delirantes paranóias?
- Porque ignorou o desmentido oficiai do insuspeito Governo Regional da Madeira (GRM), relativo a uma supostamente “estranha” inclusão de um adjunto do Primeiro-Ministro no programa oficial da visita presidencial ao arquipélago? Porque é que mesmo tento a confirmação de que nada havia de anormal, e que tudo tinha seguido as vias institucionais adequadas, optou por ignorar o GRM e alimentar a suspeição sobre este facto numa nova noticia publicada a 19 de Agosto?
- Porque veio agora, que o escândalo está a descoberto, lançar insinuações sobre hipotéticas intrusões dos serviços de informação do Estado no sistema informático do Público (numa acusação velada ao Governo) para depois passadas poucas horas dar o dito por não dito, pois terá sido detectado um vulgar reenvio do famigerado e-mail para fora da redacção do jornal?
Se à coisa que decerto José Manuel Fernandes (JMF) terá aprendido com o seu melhor amigo e actual Presidente da Comissão Europeia, é que uma mentira dita muitas vezes e pelos devidos meios, pode até legitimar guerras e mudanças de paradigma à escala mundial.
No caso das escutas, como no caso das supostas armas de destruição massiva do Iraque, JMF defendesse como um inimputável, o homem que só vê à sua direita porque é cego da vista esquerda?! Tal como o pato de pano do ventríloquo, não é ele quem emite qualquer palavra ou sentença, ele limitasse a publicar aquilo que quem o tem de mão lhe envia, e se a coisa se descobre a culpa já se sabe, não é do péssimo serviço ao jornalismo que fez mas sim, como sempre, do governo.
Belémgate.

É da autoria do Professor Cavaco
Em 1995 demorou em lançar a bomba (da não candidatura). O seu partido, o PSD, passou da maioria absoluta para o calvário que ainda hoje atravessa. Com a “demora” e discurso ambíguos minou quaisquer hipóteses de uma sucessão condigna, e nestas condições, o mínimo que lhe era exigível, tanto por apoiantes como pelos opositores, era que se submetesse ao julgamento popular, mas não foi assim.
Agora assistimos de camarote ao remake da mesma cena. Nesta história das supostas escutas em Belém apenas o Presidente parece ter alguma informação e capacidade de condicionar a agenda e o ritmo a que as informações vão passando para a opinião pública. Atenção: estamos a 8 dias das eleições!
Fundada ou infundadamente, o Presidente da Republica, quis criar um facto político superveniente em vésperas de umas eleições que podem entregar o poder absoluto à direita.
A questão não é de somenos, segundo fonte da casa civil da Presidência da Republica autorizada pelo próprio, o Presidente desconfia(va) estar sob escuta do Governo! E o que fez o Presidente?
Chamou o Primeiro-Ministro a Belém? Não.
Convocou o Conselho de Estado? Não.
Sequer confirmou oficialmente o teor da notícia que sub-repticiamente mandou publicar no jornal Público? Não.
Oferece a “cacha” a um jornalista “amigo”, que espera o momento em que a popularidade do Governo atinge mínimos da legislatura para lançar a atoarda (apesar de ter dados oficiais que desmentem a fonte primária, mas que ignora ostensivamente como o refere o próprio provedor dos leitores do jornal Público).
Depois, confrontado com a exposição pública do problema aconselhou os portugueses a não desviarem a atenção dos portugueses dos verdadeiros problemas do país. E assim, temos tido no último mês e meio a líder da oposição a cavalgar a suspeita da alegada asfixia democrática de que o país a seu ver está a ser alvo, com a Presidência a assobiar para o lado.
Pelo que sabemos hoje, Belém terá pedido um despiste de escutas aos serviços de informação do exército que terá terminado sem nada revelar de irregular. Nada está provado ou sequer existem indícios palpáveis de alguma vez terem existido escutas em Belém, quanto mais que estas tenham sido promovidas pelo Governo.
Comprovado por este episódio é o retorno do “tabu”. O retorno do sacrifício do interesse público às mãos da agenda particular do Professor de Boliqueime. Em 1995 o objectivo do então Primeiro-Ministro, foi tentar passar entre os pingos da chuva do desastre governativo em que se tinha transformado o polvo laranja, de forma a propiciar uma candidatura presidencial que havia de perder para Jorge Sampaio.
Neste Verão o objectivo claro, tanto do lançamento da notícia do silêncio seguinte foi sustentar o argumentário difamatório pré-eleitoral da sua ex-ministra.
Independentemente de vir a provar que está a ser escutado, o que esta sucessão de episódios comprovam é que o Presidente da Republica preferiu conspirar contra o Governo, manipulando a comunicação social com a seguir as vias legais e institucionais.
E agora ou a Presidência prova rapidamente o que fez transpirar para a comunicação social, ou estaremos na presença de um dos golpes mais baixos alguma vez desferidos na história da democracia portuguesa vindo precisamente do mais alto magistrado da nação. Se assim for, o mínimo que o Presidente da Republica deverá fazer é não fugir de novo ao plebiscito, para que o povo prenuncie sobre quem recorre a semelhantes artimanhas.
