quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Não se brinca com quem usa cornos

Em homenagem ao nosso ex-ministro da economia, que, ao que parece, irá tourear em breve o Ricardo Araújo Pereira, aqui deixo um singelo repositório audiovisual da pacífica tradição da Ilha Terceira nos Açores.


P.s.: ao que parece o Francisco Louça quer proibir esta como outras tradições nacionais como são exemplos: o falar ao telemóvel à custa do patrão, ou o fugir aos IRS com a ajuda do IRS. Mas dizer que é contra os "rodeos"para protecção dos animais?!
Aqui fica demonstrado que nesse, como em outros temas, o homem não faz a mais pequena ideia do que está a falar.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

... à beira de um ataque de nervos

Tenho cá para mim que esta brincadeira ainda vai acabar mal. Os ânimos estão a ficar exaltados demais, não se discute política, não se discute soluções (ainda bem que houve debates televisivos), e assiste-se a uma batalha entre o bem e o mal. Alguém acredita neste desequilíbrio? Mais uma vez, eu não! Parece-me que há algo mais ainda para vir...

O 15º melhor do Mundo



Alegre-se senhor Presidente Cavaco Silva, nem tudo são más noticias aí para o bairro, depois de Barroso, temos mais um pastel a conquistar a Europa, e desta vez até é seu vizinho.
Um antigo inquilino aí do palacete preferia os de bacalhau, pessoalmente acho que se os "bifes" do "The Guardian" tivessem degustado primeiro um bem frito sequinho, não só o "pastel de nata" ficava mais bem classificado como tínhamos mais um pastel no top 20. É que nisto dos pasteis "como na vida", aos pares, caiem sempre melhor.
Pastel de bacalhau, pastel de Belém.
Durão Barroso, Paulo Rangel.
Fernando Lima, José Manuel Fernandes.
Para ser mais doce só mesmo polvilhando a Manela... perdão, queria dizer "a canela";)

"Se queres um túnel, vai de Metro!"

No mesmo dia em que apelidou de demagógica a iniciativa pedagógica de António Costa pela promoção do uso de transportes públicos e não poluentes, Santana Lopes apresenta o seu plano de sustentabilidade baseado em túneis, silos, e em mais automóveis na cidade. Clarificador!

A certeza

O trabalho de reportagem do "Diário de Notícias" é das mais notáveis e consequentes peças jornalísticas na história da Imprensa em Portugal. O e-mail com registos claros da encomenda feita por Fernando Lima não é "correspondência privada" que se deixe passar pudicamente ao lado. É uma infâmia pública de gravidade nacional que exige denúncia.
Mário Crespo dixit

A pergunta

Ao ver o presidente e a Casa Civil metidos nisto fica-me também uma inquietante dúvida. Aníbal Cavaco Silva, referência do PSD, ainda tem condições para continuar a ser o presidente de Portugal depois de causar uma trapalhada desta magnitude a dias das eleições?

Mário Crespo dixit

Crime Público

Mais um artigo extraordinariamente centrado do jornalista mais bipolar da televisão portuguesa. Mas ficará sempre a duvida, será que está a tentar agradar a José Sócrates para manter manter o emprego? Será que o fundador PSD, Francisco Pinto Balsemão também está no "bolso" do PS? Get real!

Quase não dá para respirar..

... já me doí a barriga de tanto rir da figura ridícula que tem feito o PSD com os seus patéticos discursos sobre as mirabolantes tropelias do Primeiro Ministro e suas "agências" de controlo dos media e afins.
Para quando um pedido de desculpas aos "filhos da mãe dos socialistas"?

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

David e Golias

Sócrates requere abertura de processo contra jornalista João Miguel Tavares

A mentira só acaba quando a verdade aparece.

Fernando Lima, braço direito de Cavaco Silva para a comunicação social desde 1985 acaba de ser demitido.
Fui a saída mais fácil, era a única saída possível.
É legitima e evidente a assunção de culpa do PR em todo este processo. Cai por terra a teoria da "asfixia democrática" e com ela quaisquer hipóteses do PSD conquistar as próximas eleições e até ver fica fragilizada a reeleição de Cavaco Silva, para além de abalada a sua credibilidade aos olhos dos portugueses.
Volto a escrever, a lama tem vindo sempre do mesmo lado e constantemente na mesma direcção, pelo meio tudo mas absolutamente tudo, é posto em causa, até a própria democracia que já ouviu dizer que devia ser "suspensa por seis meses".
Quer queiramos quer não, não vale tudo para ganhar. Quem quer ganhar e vai perder, agora a toda a linha, a direita, demonstra um profundo desprezo por todas as instituições sejam tribunais ou policias. É o vale tudo! E até os escândalos que estalam entre portas, como a compra de votos, e que nas palavras dos visados (Helena Lopes da Costa) não passam de ataques internos à líder, são rapidamente travestidos de contributos de Sócrates para a asfixia democrática.
O PSD tem que assumir a sua liderança é fraca e que sempre foi "para queimar". Este desespero delirante apenas o afasta do essencial, e o essencial é retomar o caminho deixado a meio por Marques Mendes. O cancro do país está na sua direita maniqueísta revisionista e demasiadas vezes avessa à democracia.
O PSD que trate primeiro do PSD Madeira, do Fernando Ruas e das suas pedradas, até de Isaltino e Valentim que apesar de se candidatarem como independentes continuam com as "máquinas" locais do PSD nas mãos.
Para este PSD a "política de verdade" acabou quando a mentira apareceu.

Comício dos filhos da mãe#


#segundo Fernando Ruas

Asfixia Democrática


No Largo do Rato já devem estar a distribuir espadas laser azuis para lutar contra o Império do mal (Cavaco e Ferreira Leite)… se calhar a asfixia democrática é por causa da Máscara do Darth Vader…

Camarada Félix, essa visão maniqueísta entre os bons e os maus é um caminho perigoso… potencia a clivagem social e o descrédito da classe politica… campo fértil para a demagogia e para os extremismos.

Quanto ao estado de direito, entendo que é condição fundamental para uma democracia, mas a verdade é que não é nenhuma vaca sagrada, que não possa ser questionada, como se fosse um fim e não como um meio.

Na minha opinião existem 3 valores fundamentais para o Estado: Coesão Social, Equidade e Transparência (por oposição da eficácia e da eficiência que foram (tentaram ser) os valores do estado nas ultimas legislaturas).

Quais destes valores são garantidos pelo actual estado do nosso sistema Judicial?

Separar as águas.

Se Moisés fosse candidato às próximas eleições presidenciais em Portugal, ganhava de certeza. A confusão é tanta, tamanha é a quantidade e a variedade de fontes e de pseudo informações e informadores que parecem jorrar debaixo de cada calhau, que o que do que precisávamos mesmo, não era de outro jornal de sexta, mas sim de um Moisés que abrisse caminho pelas águas tortuosas da desinformação a caminho da terra prometida da confiança.

Quando os homens não estão à altura dos momentos, devemos procurar refúgio nas nossas reservas éticas morais e legais. A nossa primeira reserva colectiva seria porventura a que esta personificada na figura maior do nosso Estado, mas nem esse cidadão está a salvo do presente lamaçal, e até é suspeito de ser um dos principais chafurdadores.

Resta-nos a Lei, resta-nos o Estado de Direito, resta-nos acreditar no princípio da separação de poderes e na fiscalização e auto-regulação de forças que estes exercem entre si:

  • Podemos acreditar que o que temos funciona, que a Lei prevalece, que a Lei é a expressão máxima da nossa vontade democraticamente demonstrada.
  • Podemos não acreditar em mais nada, podemos desconfiar das instituições, pôr em causa os seus fundamentos e desrespeitar os códigos sociais, desrespeitar as leis, quem as produz e aplica.

Neste momento, a escolha mais simples para os portugueses é assumirem a sua boa fé ou má fé naquilo que entendemos por República Portuguesa, pela nossa democracia, pelos nossos tribunais.

Aqueles que respondam negativamente, aqueles que para a resolução de um diferendo ou de um problema social acham mais legitimo e eficaz recorrer-se à difamação num qualquer pasquim do que aos tribunais ou a qualquer outro instituto público, então que tomem bem consciência do caminho que começam a trilhar.

O nosso Primeiro-Ministro pode não ser a pessoa mais simpática aos olhos de muitos portugueses e alguns deles naturalmente votarão contra ele no próximo dia 27, mas sustentar essa decisão não na avaliação critica da eficácia das suas políticas, mas sim no achincalhamento não apenas de José Sócrates mas já de todos os princípios e valores que sustentam a nossa democracia?

Agora, até o processo Casa Pia serve para a campanha política contra a credibilidade das nossas instituições. Quem ataca o conselho superior de magistratura a pensar que ataca o PS saiba que ataca antes de mais os juízes em quem temos de confiar para bem da nossa sociedade. Da mesma forma, quem defende a “Casa Civil da Presidência da Republica”, com o argumento de que em Portugal é mais fiável e eficaz ao Presidente da República recorrer a denuncias semi-anónimas e veladas a meios de media seleccionados, ao invés de recorrer às instituições do Estado como a Procuradoria Geral da República ou a Policia Judiciária, está a pôr tudo em causa.

O que é preocupante, é verificarmos que quem joga o jogo democrático não hesita em fazer batota quando em desvantagem. O PSD recorre à mesma imunda estratégia do fascismo em que a desinformação e a calúnia sobre “os do reviralho” conseguia a lealdade de cidadãos que de boa fé neles acreditavam. Tivemos 50 anos parados no tempo, com um regime sustentado nos bufos e nos invejosos que conspurcavam a honra e dignidade de muitos dos nossos melhores apenas e só porque eram “perigosos democratas”.

O destacado líder do PSD, Fernando Ruas sob o beneplácito de Manuela Ferreira Leite soube separar bem as águas quando evocou uma quadra em que julgava em desuso: “Um cravo na lapela fica sempre bem, principalmente a certos filhos da mãe”.

É aceitável que o carácter de uma pessoa possa ser colocado em causa pelas suas opções políticas com tamanha leviandade?

Portugal não pode ser uma imensa Vise, eu não aceito ser alcunhado “filho da mãe” por usar um cravo na lapela, da mesma forma como não quereria ser “uma ratazana” por usar uma cruz de David na Alemanha de Hitler.

Este é o tempo de separar as águas, esta lama que vem sempre do mesmo lado e na mesma direcção só pode aproveitar a quem desrespeita por completos os valores da nossa democracia.

Nestas eleições, mais do que escolhermos entre a esquerda e a direita temos mesmo que fazer uma outra opção bem mais grave e consequente, ou defendemos o Estado de Direito que tanto custou a ganhar e construir ou alinhamos com aqueles para quem o Estado de Direito e as suas instituições com poderes autónomos e equilibrados são uma imensa “força de bloqueio”.

A Dúvida

Neste fim-de-semana, e para quem tinha dúvidas, elas foram desfeitas. Mário Soares veio a público dizer que a ideia de coligação com o Bloco de Esquerda não o repugna nada. Que é a mesma coisa de que dizer, venha de lá o Louçã, até porque devemos ter sempre os inimigos do nosso lado, independentemente de estarmos a dar forma àquele que pode ser o governo mais incoerente da história de Portugal – juntar um Trotskista com “pinta” de gestor de condomínio a um social-democrata (ou socialista de 3ª via), prémio sexy platina do Correio da Manhã. A melhor metáfora que me vem à cabeça é de que isto equivale a juntar numa qualquer arca de Noé apenas duas espécies completamente antagónicas tais como um cão de raça pitt-bull e uma cobra piton. Mas comparações à parte se dúvidas havia quanto à coligação que seria feita pelo PS caso ganhe as eleições (inicialmente falava-se que seria Paulo Portas a ter o passaporte para o governo no bolso, independentemente de quem ganhasse), elas foram desfeitas. Não tem nada que saber, junta-se o 1º com o 3º, e já está, temos governo. Mas o 3º é aquele partido anti-poder que defende básica e unicamente ideias românticas temperadas de soluções demagógicas. Não tem problema! É tudo em nome da estabilidade democrática. Vale tudo, até por partidos que não foram talhados para ser governo, no próprio governo. A dúvida vai sempre persistir, irá Portugal resistir a estas experiências?

PS – Não tenho nada contra nem a favor do Bloco de Esquerda. É um partido necessário à democracia portuguesa. Daí até poder ser governo, é um enorme passo, que penso que o Bloco não está talhado, nem tem capacidade de resposta para o fazer de uma forma capaz.

O Corpo da Mentira


Mentiras ditas muitas vezes tornam-se verdade. Falcatruas, umas sabem-se outras não. Nesta coisa da política e no exercício da governação não há inocentes. Veja-se o último ano quão fértil foi – caso freeport, caso bpn, gafes a pontapé (Mário Lino, Manuel Pinho, M Ferreira Leite). Mais recentemente, Listas do PSD (António Preto e Helena Lopes da Costa), com uma pitada de saneamento de ala que não interessa à líder (Pedro Passos Coelho e Miguel Relvas)… Ainda mais recentemente temos o Caso dos votos comprados nalgumas secções e distritais do PSD (No Coments). No meio disto temos uma notícia que passou quase despercebida – O Juiz Rui Teixeira (trazido para a ribalta pelo Caso Casa Pia), que viu a sua progressão na carreira cortada por três elementos do PS no Conselho Superior de Magistratura, que puseram em dúvida a sua avaliação. Neste como nos outros casos fico com a sensação de que os filhos da puta se protegem muito bem uns aos outros. Isto claro , sem deixar de por o Presidente da República ao barulho com o caso das escutas em Belém, caso este que tem tudo para parecer fabricado - mais uma cabala contra os "anjinhos" do governo. Curiosamente e relativamente ao partido que tem estado no governo nos últimos 4,5 anos, nada tem saído na comunicação social (pelo menos desde que calaram a outra). Alguém acha isto normal? Eu não!!!

"Cruelty Doesn't Fly" with P. Anderson

sábado, 19 de setembro de 2009

Chegou o carteiro!


Começa a ser cómico e é apenas um pouco trágico que ainda haja quem lhe dê ouvidos. Agora Manuela Ferreira Leite veio dizer que já nem o correio é seguro. Mas em que país é que vivemos? Ou melhor, em ano? A violação de correspondência é crime. “A Senhora” já apresentou alguma queixa? Ou alguém do seu “staff”? Ou será que é como “o outro” que não gosta de PPR`s mas tem mais de 30.000€ nessas aplicações? Se calhar “A Senhora” não confia nos correios mas continua a enviar cartas ao Pai Natal, talvez a pedir uns pastéis de Belém na peúga...

Das duas uma..


... ou o Presidente prova que é vítima de escutas por parte do Governo, o que justifica em parte, e ainda que de forma criticável, a intriga que teceu contra José Sócrates, ou então não consegue provar absolutamente nada e comprova à vista de todos que não tem a dimenção ética e institucional para ocupar o cargo que ocupa.

O Presidente tem que falar agora e antes das eleições, explicar ao país o que o leva a promover este jogo de poker. Caso tenha algo na mão mostre já, não será depois das fichas distribuídas pelas legislativas que terá qualquer autoridade para então "esclarecer" o que o leva a ter este comportamento nada institucional e altamente condicionante da campanha eleitoral em curso.

Senhor Presidente da República, fale agora ou cale-se para sempre!

O Donaldim do PSD


Pronunciar-me sobre as questões de ética jornalística relacionadas com todo o folhetim das escutas em Belém, é chafurdar na lama de uma classe profissional que não respeita os leitores, e que acima de tudo não se respeita a si mesma.

Quando notícias sobre histórias infundadas que fizeram notícia vêm à praça pública pelas mãos de outros colegas de profissão, só fica demonstrado que apesar dos pesares na classe profissional dos jornalistas ainda há alguma capacidade e fiscalização entre pares, e de auto-regulação numa actividade que tem que ser por natureza pouco regulada e muitíssimo protegida. Mas este não é o caso, o DN ao revelar um e-mail interno do “Público” passa vários limites:

Em primeiro lugar, revela a fonte que pretensamente fundamenta a peça que José Manuel Fernandes decidiu publicar a 18 de Agosto. A revelação de fonte jornalística é inclusive uma pratica criminalizada em alguns países.

Em segundo não revela a sua própria fonte. Aquele e-mail é uma agulha num palheiro. Quem do palheiro saberia sequer da existência da agulha? Não sabendo quem reenviou aquele e-mail, pode o DN fazer 1ª página com um assunto desta gravidade?

Em terceiro lugar, assume-se definitivamente como contraponto ao jornal Público, o que terá como efeito a conquista do epíteto de “jornal do regime”. A médio-longo prazo temo pelas consequências que este fardo trará para o Diário.

Mas o que interessa aqui e que é mais relevante do que o comportamento do DN neste ultimo episódio das suspeitas de escutas em Belém, será com toda a certeza como se inaugurou a serie.

Comprova-se o que é vox populi desde os tempos de Durão (amigo pessoal desde a faculdade) na liderança do PSD, José Manuel Fernandes capricha, nos fretes que faz às suas “fontes” laranja. Não podemos vestir de alvo virginal, num aquário como o nosso, toda a gente se conhece e dificilmente não toma partido, ou no mínimo, não desenvolve um relacionamento privilegiado com este ou aquele protagonista. Mas neste caso em concreto, exigia-se ao director de um jornal de referência outro comportamento. Aquele que escolheu ter levanta várias questões:

  1. A notícia 18 de Agosto é legítima, mas porque foi apenas publicada em 18 de Agosto quando o jornal foi informado pela fonte vários meses antes? Para cair em cima da reentre politica? Para dar a pedra-de-toque de que necessitava Ferreira Leite para continuar a asfixiar o debate político com as suas delirantes paranóias?
  2. Porque ignorou o desmentido oficiai do insuspeito Governo Regional da Madeira (GRM), relativo a uma supostamente “estranha” inclusão de um adjunto do Primeiro-Ministro no programa oficial da visita presidencial ao arquipélago? Porque é que mesmo tento a confirmação de que nada havia de anormal, e que tudo tinha seguido as vias institucionais adequadas, optou por ignorar o GRM e alimentar a suspeição sobre este facto numa nova noticia publicada a 19 de Agosto?
  3. Porque veio agora, que o escândalo está a descoberto, lançar insinuações sobre hipotéticas intrusões dos serviços de informação do Estado no sistema informático do Público (numa acusação velada ao Governo) para depois passadas poucas horas dar o dito por não dito, pois terá sido detectado um vulgar reenvio do famigerado e-mail para fora da redacção do jornal?

Se à coisa que decerto José Manuel Fernandes (JMF) terá aprendido com o seu melhor amigo e actual Presidente da Comissão Europeia, é que uma mentira dita muitas vezes e pelos devidos meios, pode até legitimar guerras e mudanças de paradigma à escala mundial.

No caso das escutas, como no caso das supostas armas de destruição massiva do Iraque, JMF defendesse como um inimputável, o homem que só vê à sua direita porque é cego da vista esquerda?! Tal como o pato de pano do ventríloquo, não é ele quem emite qualquer palavra ou sentença, ele limitasse a publicar aquilo que quem o tem de mão lhe envia, e se a coisa se descobre a culpa já se sabe, não é do péssimo serviço ao jornalismo que fez mas sim, como sempre, do governo.

Belémgate.


É da autoria do Professor Cavaco Silva a introdução, e mesmo a criação, do conceito político de “tabu” no léxico nacional. O “tabu”, não é apenas aquele jogo de esconde que o Presidente tanto gosta de jogar de cada vez que as coisas afiguram-se virem a correr-lhe mal. O “tabu”começa pela produção, ou antecipação, de determinado acontecimento, real ou virtual, que terá suposta força para condicionar não só o futuro do protagonista (Presidente Cavaco Silva) mas essencialmente o futuro de umas eleições (hoje como em 95 - as eleições legislativas).

Em 1995 demorou em lançar a bomba (da não candidatura). O seu partido, o PSD, passou da maioria absoluta para o calvário que ainda hoje atravessa. Com a “demora” e discurso ambíguos minou quaisquer hipóteses de uma sucessão condigna, e nestas condições, o mínimo que lhe era exigível, tanto por apoiantes como pelos opositores, era que se submetesse ao julgamento popular, mas não foi assim.

Agora assistimos de camarote ao remake da mesma cena. Nesta história das supostas escutas em Belém apenas o Presidente parece ter alguma informação e capacidade de condicionar a agenda e o ritmo a que as informações vão passando para a opinião pública. Atenção: estamos a 8 dias das eleições!

Fundada ou infundadamente, o Presidente da Republica, quis criar um facto político superveniente em vésperas de umas eleições que podem entregar o poder absoluto à direita.

A questão não é de somenos, segundo fonte da casa civil da Presidência da Republica autorizada pelo próprio, o Presidente desconfia(va) estar sob escuta do Governo! E o que fez o Presidente?

Chamou o Primeiro-Ministro a Belém? Não.

Convocou o Conselho de Estado? Não.

Sequer confirmou oficialmente o teor da notícia que sub-repticiamente mandou publicar no jornal Público? Não.

Oferece a “cacha” a um jornalista “amigo”, que espera o momento em que a popularidade do Governo atinge mínimos da legislatura para lançar a atoarda (apesar de ter dados oficiais que desmentem a fonte primária, mas que ignora ostensivamente como o refere o próprio provedor dos leitores do jornal Público).

Depois, confrontado com a exposição pública do problema aconselhou os portugueses a não desviarem a atenção dos portugueses dos verdadeiros problemas do país. E assim, temos tido no último mês e meio a líder da oposição a cavalgar a suspeita da alegada asfixia democrática de que o país a seu ver está a ser alvo, com a Presidência a assobiar para o lado.

Pelo que sabemos hoje, Belém terá pedido um despiste de escutas aos serviços de informação do exército que terá terminado sem nada revelar de irregular. Nada está provado ou sequer existem indícios palpáveis de alguma vez terem existido escutas em Belém, quanto mais que estas tenham sido promovidas pelo Governo.

Comprovado por este episódio é o retorno do “tabu”. O retorno do sacrifício do interesse público às mãos da agenda particular do Professor de Boliqueime. Em 1995 o objectivo do então Primeiro-Ministro, foi tentar passar entre os pingos da chuva do desastre governativo em que se tinha transformado o polvo laranja, de forma a propiciar uma candidatura presidencial que havia de perder para Jorge Sampaio.

Neste Verão o objectivo claro, tanto do lançamento da notícia do silêncio seguinte foi sustentar o argumentário difamatório pré-eleitoral da sua ex-ministra.

Independentemente de vir a provar que está a ser escutado, o que esta sucessão de episódios comprovam é que o Presidente da Republica preferiu conspirar contra o Governo, manipulando a comunicação social com a seguir as vias legais e institucionais.

E agora ou a Presidência prova rapidamente o que fez transpirar para a comunicação social, ou estaremos na presença de um dos golpes mais baixos alguma vez desferidos na história da democracia portuguesa vindo precisamente do mais alto magistrado da nação. Se assim for, o mínimo que o Presidente da Republica deverá fazer é não fugir de novo ao plebiscito, para que o povo prenuncie sobre quem recorre a semelhantes artimanhas.